Conforme os objectivos e o desenho do estudo, a variável independente foi o modo de intervenção de enfermagem e as variáveis dependentes, os contributos da intervenção de enfermagem para o auto-cuidado e para os cuidados ao RN, a transição para a maternidade (englobando o ajustamento à maternidade e a auto-estima materna) e o AM (em que se considerou o inicio, prevalência, duração, percepção das vantagens e avaliação materna da amamentação).
Definiram-se ainda variáveis de caracterização e de controlo.
Variáveis de caracterização
As variáveis de caracterização ou atributo referem-se às características sócio-demográficas, da gravidez, parto e bebé, tendo sido seleccionadas com base na revisão da literatura, com o objectivo de, para além de conhecer as características das mulheres, permitir avaliar a homogeneidade entre as coortes, uma vez que, por se tratar de um estudo quasi-experimental, estas não foram construídas com base em emparelhamento, podendo a distribuição influenciar as variáveis dependentes.
Características sócio-demográficas – Consideraram-se as características das pessoas, que mais directamente se relacionavam com o estudo, nomeadamente a idade, estado civil, agregado familiar, escolaridade, profissão, situação perante o emprego e local de residência.
Gravidez, parto e bebé - Na gravidez, considerou-se o seu planeamento, o número de semanas de gravidez na primeira consulta, no primeiro momento de colheita de dados e no momento do parto, o local e modo de intervenção de enfermagem e o número de consultas, tendo como principal objectivo controlar os critérios de inclusão e permitir a distribuição das primíparas pelas coortes.
Na caracterização do parto e do bebé incluiu-se o número de bebés, o sexo, a via de parto, a medicação durante o parto, o estado de vigília e o número de dias de internamento, a fim de avaliar a homogeneidade entre as coortes. Relativamente à via de parto e à medicação avaliou-se ainda a influência do modo de intervenção, uma vez que a preparação para o parto visa o parto natural.
Quanto à escala de medida estas variáveis foram operacionalizadas em nominais, ordinais e quantitativas, optando-se pelas últimas sempre que possível.
Variável independente
A variável independente, intervenção de Enfermagem, assumiu três modos: consulta individual, denominada intervenção natural; preparação para o parto/parentalidade (Xgr), denominada intervenção no pré-parto; e preparação para o parto/parentalidade e visita domiciliária (Xgr e Xvd), denominada intervenção no pré e pós-parto. As intervenções foram cumulativas, ou seja, todas as primíparas tiveram consulta individual, as da coorte A (Xgr) frequentaram também sessões de preparação para o parto/parentalidade e as da coorte B (Xgr e Xvd), para além das intervenções anteriores, tiveram uma VD no pós-parto.
Consulta Individual - É a intervenção mais comum nos CS, caracterizando-se pela interacção entre uma enfermeira e uma mulher e acompanhante, na instituição, em que se conjuga um protocolo de intervenção (com assuntos a abordar, em função do tempo de gestação ou da idade da criança), que tem em consideração orientações e normas técnicas da DGS e orientações das instituições locais, com as necessidades das utentes. Em alguns dos CS existem protocolos escritos e noutros, ainda que não se encontrem escritos, obedecem a critérios idênticos.
Preparação para a parentalidade/parto - Trata-se de uma intervenção efectuada por enfermeiras especialistas em Enfermagem de Saúde Materna e Obstetrícia, em sessões em grupo, nos CS, que têm, entre outros, os seguintes objectivos:
• Ensinar e treinar técnicas de controlo da dor através de exercícios de respiração e relaxamento, visando um trabalho de parto mais natural;
• Promover o controlo da ansiedade durante a gravidez e trabalho de parto;
• Proporcionar informação sobre a gravidez, o parto e o RN, de forma a facilitar um bom ajustamento à maternidade;
• Promover o AM;
• Proporcionar, tanto quanto possível, informação aos pais, visando o apoio à mãe durante a gravidez, parto e pós-parto (cuidados ao RN);
• Facilitar trocas de experiências entre grávidas;
• Apresentar o ambiente onde vai decorrer o parto (Portugal, 2008c).
Os cursos iniciam-se pela 28ª semana de gravidez, sendo a participação da iniciativa da mulher, integrando componentes teóricas e práticas, podendo participar os maridos/companheiros.
Para a inclusão nas coortes com intervenção, as mulheres teriam que participar em pelo seis sessões, por se considerar que este período já é susceptível de proporcionar interacção, quer com a enfermeira, quer com outras mulheres.
Visita domiciliária - As VD são efectuadas pelas enfermeiras de família e/ou enfermeiras especialistas que acompanham as primíparas durante a gravidez, ocorrendo até à segunda semana após o parto.
Persegue objectivos formativos, visando fornecer um complemento de informação ao proporcionado no CS, de forma a que as primíparas possam responder mais facilmente às suas necessidades, tendo em consideração o contexto social. Abordam o bem-estar e os cuidados ao RN, avaliam-se as condições da habitação, a interacção social, o ajustamento da mãe e da família à criança, intervindo face às necessidades detectadas. Tem carácter social, ao proporcionar o contacto dos profissionais de saúde com a mulher no seu contexto. Estas visitas têm uma duração que normalmente não excede os 60m, sendo o momento disponível para a visita articulado entre as enfermeiras e as utentes. Tal como para a preparação para o parto, não existiu controlo do investigador, sendo o referido sobre a visita uma síntese do expresso pelas enfermeiras durante o estudo exploratório.
Variáveis dependentes
As variáveis dependentes tiveram em consideração os principais objectivos que eram visados pelas intervenções das enfermeiras. Assim considerou-se:
Contributos da intervenção de enfermagem – Estratégias utilizadas durante as intervenções de Enfermagem e os seus contributos para o auto-cuidado e para os cuidados à criança, tendo sido operacionalizadas as primeiras como nominais e as segundas numa escala ordinal de dez pontos, correspondendo mais contributos aos scores mais elevados.
Transição para a Maternidade – Incluiu o ajustamento à maternidade e as atitudes maternas, avaliadas através da escala Maternal Adjustment and Maternal Attitudes (MAMA) de Kumar, Robson e Smith (1984), nas versões pré e pós-natal, e a Auto-Estima Materna, tendo-se utilizado a versão reduzida do Maternal Self-Report Inventory (MSI) de Shea e Tronick (1988).
Aleitamento Materno - Visava avaliar a taxa de incidência e de prevalência, e a duração, tratando-se de uma variável quantitativa de razão discreta. Para discriminar o AME, incluíram-se variáveis de controlo relacionadas com a introdução de água ou chá e leite artificial.
Avaliou-se ainda as vantagens atribuídas pelas primíparas ao AM, através de escala ordinal com cinco atributos, construída para o efeito.
A avaliação materna da amamentação foi efectuada através da Maternal Breastfeeding Evaluation Scale (MBFES) de Leff (1994).