• No results found

Islamism and education

Inicia­se esta seção com uma indagação: as competências desenvolvidas durante o período  de formação educacional podem ser entendidas da mesma forma que as desenvolvidas no âmbito  profissional? Zarifian (2001) acredita que não.  A  fim de diferenciar as duas, ele  denomina as  competências adquiridas no processo de formação educacional como “competências de fundo” ou 

utilizados nos sistemas educacionais de formação, não possuem o mesmo significado, quando do  seu uso pela dinâmica organizacional. Essa diferença se dá, pois as ações de formação não são  marcadas pela  relação  salarial  nem  podem  se  comprometer  a  garantir um  modelo  de  ensino  e  aprendizagem que esteja pautado nas responsabilidades, controles e sanções que caracterizam os  sistemas produtivos e as pressões econômicas presentes no âmbito das organizações (ZARIFIAN,  2001, p. 175).  As competências de fundo possuem um caráter específico ligado às aquisições estáveis e  duradouras, pois são representadas por  atitudes diante da realidade e da vida social que poderão sustentar a animação de  competências  mais  especificamente  profissionais.  Em  outras  palavras,  o  que  o  jovem  adquire  é  mais  um  findo  de  atitudes  e  de  recursos  que  podem  ser  mobilizados  do  que  competências  que  correspondem  a  situações  precisas  (ZARIFIAN, 2001, p. 175). 

Respondendo às afirmações de Zarifian, Lombardi e Bartolomeo  (2006, p. 5) ressaltam  que as escolas que ofertam cursos de graduação em Administração de Empresas devem, assim,  preocupar­se  com  estratégias  utilizadas  em  sala  de  aula  que  visem  o  desenvolvimento  das  habilidades, atitudes e conhecimentos especificados nas diretrizes curriculares e de acordo com o  projeto pedagógico de seus cursos,  com o  intuito  de promover  as competências requeridas aos  administradores, sugeridas nos documentos do Ministério da  Educação Brasileiro,  demandadas  pela sociedade e pelo mercado de trabalho. 

Todavia,  esse  anseio  de  que  um  egresso  do  ensino  superior  apresente  competências  específicas para sua prática profissional não é uma prerrogativa apenas nacional. Por ser assim,  diversos autores espalhados pelo mundo trabalham esse tema com o objetivo de indicar caminhos  para  o  desenvolvimento  de  competências  profissionais  no  âmbito  da  formação  acadêmica.  É  nesse  sentido  que  Dall’alba  e  Sandberg  (1996)  ­  com  base,  principalmente,  nos  trabalhos  de  Schön (1983 e 1987) e Benner (1984) ­ defendem que o desenvolvimento de competências, no  âmbito educacional, precisa se dar por meio de práticas.

Contudo, essa prática não  pode  ser  considerada  uma  caixa  (container)  fixa  ou estática,  mas sim um fluxo dinâmico, produzido e reproduzido pelos praticantes. Dessa forma, a prática e  seus  conteúdos  não  podem  ser  entendidos  como  entidades  separadas,  de  maneira  que  se  descontextualize  o  conteúdo  da  prática,  estudando­os  de  forma  desconjunta.  Assim  sendo,  quando  se  ensina  competências  de  maneira  descontextualizada  da  prática,  acontece  apenas  a  transferência de um conjunto geral de conhecimentos, habilidades e atitudes que, por ventura, os  ensinados ainda não possuem. Essa forma de ensinamento, que indica ao aluno apenas o “como  fazer”,  representa  o  modelo  tradicional  de  abordagem  do  ensino  para  a  prática  profissional  (DALL’ALBA; SANDBERG, 1996). 

O  desenvolvimento  de  competências  por  meio  do  enriquecimento  de  experiências  da  prática não requer a aquisição de um novo modelo de aprendizagem. O que se faz necessário é  que o aprendizado seja visto como uma mudança no significado da prática. Isso significa que os  alunos  não  apenas  recebem  novos  conhecimentos,  ou  que  antigos  conhecimentos  sejam  meramente trocados por  novos,  mas sim uma alteração na estrutura do significado envolvendo  mudança  na  forma  como  os  estudantes  experimentam  os  diferentes  aspectos  da  prática  (DALL’ALBA; SANDBERG, 1996, p.422). 

Diante do exposto, esses mesmos autores propõem um modelo para o desenvolvimento da  educação profissional, composto por cinco elementos: 

1)  O ponto de  partida  para  a  estrutura  de um programa  educacional deve ser  a  experiência prática do aluno; 

2)  Os estudantes devem entender o envolvimento da prática em todo o seu curso;  3)  Os estudantes devem entender o lugar o e significado das partes que aprendem, 

no contexto do todo; 

4)  A  educação  profissional  deve  prover  experiência  de  aspectos  essenciais  da  prática.

Portanto,  deve  ser  dada  ênfase  ao  desenvolvimento  integrado  do  conhecer  e  do  fazer 

(knowing­doing) (p.428­433). 

No caso de uma pós­graduação, Mintzberg (2006, p. 242­243) afirma que na sala de aula  deve existir um processo de compartilhamento de competências entre seus alunos. Não se trata  aqui de mostrar como uma competência em particular deve ser praticada de acordo com teorias,  com artigos famosos ou mesmo como regra, mas sim “como vem sendo praticada pelos gerentes  (alunos) daquela sala – o que funcionou e o que não funcionou com eles”. Dessa forma, esses  alunos  trazem  suas  experiências  para  dentro  da  sala  de  aula,  confrontando­as  com  os  vários  conceitos, teorias e modelos apresentados pelos professores. Nessa dinâmica, surge o que o autor  chama de “ciclo recorrente, da compreensão tácita no trabalho à aprendizagem explícita na sala 

de  aula”,  onde  “a aprendizagem resultante é levada  de volta  à  empresa,  onde tem  o  impacto 

sobre o comportamento, fornecendo mais experiência para reflexão no trabalho na volta à sala 

de aula” (MINTZBERG, 2006, p. 247). 

Na perspectiva não educacional do âmbito acadêmico, mas sim empresarial, no que tange  ao desenvolvimento de competências dentro do conceito de competência em sua forma dinâmica,  ou  seja,  em  forma  de  ação,  Leboyer  (2002,  p.  129)  ressalta  que  o  desenvolvimento  de  competências é, ou deveria ser,  a  maior preocupação para as empresas em  todos os setores da  economia.  Nesse  sentido,  Ruas  (2001,  p.  243­264)  propõe  uma  metodologia  para  o  desenvolvimento  de competências  gerenciais composta  por  duas  etapas  subdivididas  em  ações  diferenciadas.  A  primeira  é  a  etapa  da  preparação  do  desenvolvimento  de  competências;  a  segunda  é  a  etapa  de  desenvolvimento  de  competências,  onde  apresenta­se  a  geração  de  competências (fase individual), a difusão de competências (fase de grupo) e a sistematização de  competências,  que  é  o  momento  do  processo  de  adaptação  institucional  das  competências  individuais e grupais. Esse modelo diferencia­se o modelo tradicional, onde, em primeiro lugar,  identificam­se as  necessidades da  empresa, em segundo lugar,  fixam­se objetivos e  metas, em  terceiro lugar, identificam­se as iniciativas de formação e treinamento e, por último, trabalha­se  no desenvolvimento de novas competências, como resultado esperado do treinamento.

Concluindo essa seção, verifica­se que para os autores  ­ Dall’alba e Sandberg  (1996) e  Ruas  (2001)  –  seja  na  perspectiva  educacional  ou  na  perspectiva  organizacional  –  o  desenvolvimento de competências deverá estar baseado na questão da prática. Leboyer (2002, p.  145)  ressalta  também  que  apenas  as  experiências,  ou  seja,  as  práticas,  permitem  construir  competências,  embora  não  seja  possível  afirmar  que  as  competências  são  qualidades  inatas  fortalecidas e desenvolvidas pela experiência. Um ponto importante para esse mesmo autor é que  o  desenvolvimento  de  competências  não  acontece  nem  antes  da  entrada  no  trabalho  e  nem  paralelamente  ao  exercício  de  uma  atividade  profissional,  mas  sim  mediante  essa  mesma  atividade, sendo que, para que as experiências sejam positivas, é necessário: 

1)  que comportem dificuldades, mudanças de responsabilidade, desafios;  2)  que sejam aproveitadas ativamente; 

3)  e que a natureza das experiências e das situações esteja de acordo com o estilo  cognitivo  de  cada  pessoa  (LEBOYER,  2002,  p.  145).

Capítulo 3 ­ Contextualização do cenár io a ser pesquisado