De entre os grupos de crianças apresentados anteriormente, o grupo onde realizamos a PES, foi o grupo de crianças dos três anos, constituído por 25 crianças, sendo 17 crianças do sexo feminino e 8 crianças do sexo masculino. Este grupo carateriza-se pela sua curiosidade em descobrir o mundo que a rodeia, procurando sempre descobrir. É de referir que estas crianças, no geral, revelam bastante autonomia no que respeita à realização das atividades, na higiene pessoal e nas refeições.
Estas crianças eram comunicativas, gostavam muito de falar das suas vivências do quotidiano utilizando um discurso fluente, com uma construção frásica adequada a esta faixa
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etária. De referenciar que este facto pode estar relacionado com o estímulo permanente dos pais para este tipo de discurso, uma vez que possuem habilitações literárias no quadro do ensino superior. De notar que este grupo revela bastante interesse nas atividades de expressão físico- motora, principalmente de jogos com bolas. Demostram, ainda, curiosidade e entusiasmo sempre que existem novos materiais e novas experiências. As crianças desta sala gostam de manipular objetos e materiais, explorando-os, na medida em que tentam perceber o seu significado e o porquê da sua existência. Revelam capacidade de fazer previsões e conjeturas acerca de qualquer assunto, interagindo com a educadora, auxiliar e com as educadoras estagiárias. São crianças que adoram cantar, memorizando facilmente as canções.
3.1.5. O ambiente educativo na sala dos três anos
No que respeita à sala, esta encontra-se organizada em seis áreas: a área da cozinha, biblioteca, quarto, garagem, construções e a área dos jogos. Estas áreas estão bem assinaladas, contendo legendas com a imagem e a palavra correspondente, pois é importante que mesmo a criança não sabendo ler, veja o grafismo da palavra, para deste modo poder fazer associações entre palavras e imagens, sendo esta uma boa forma de a criança se familiarizar com o código escrito. Esta sala é bastante ampla, com luminosidade natural. Esta é decorada com trabalhos elaborados pelas crianças, têm um quadro onde se referem as datas dos aniversários das crianças e ainda identificam as regras a ter em conta na sala. Existe, ainda, um espaço específico para decorações alusivas a cada estação do ano.
Todas as áreas presentes na sala têm a sua importância, pois permitem que as crianças passem do mundo da fantasia para o mundo real, representando dramatizações do quotidiano, desenvolvendo a capacidade de memorizar e recontar, familiarizando-se com o código escrito, manuseando diferentes materiais, valorizando o trabalho em equipa, explorando, construindo, comparando, agrupando, desenvolvendo a motricidade fina, entre outros. As áreas são diversas e permitem que a criança possa desenvolver competências ao explorar estas áreas.
Na minha opinião, a sala estava bem organizada (vide ilustração 1), contendo todos os materiais necessários para a realização das atividades com as crianças. Estes eram diversificados, o que permite à criança uma variedade de escolha nos objetos que quer utilizar nas suas atividades. A organização do espaço vai ao encontro das necessidades das crianças, sendo que a sua maioria opta pela área da cozinha, do quarto, garagem e jogos.
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Ilustração 1 – Planta da sala de Educação Pré-Escolar – Fonte Própria
No que concerne à organização do tempo/rotina diária nesta sala, evidenciava-se uma sequência diária e organizada por acontecimentos, com os quais as crianças se vão familiarizando, por forma a torná-las mais autónomas. Como refere (Hohmann & Weikart, 1997) “a rotina diária de High/Scope proporciona assim às crianças a segurança de sequências predizíveis de acontecimentos, transições suaves de um período de actividades para o seguinte e consistência nas expectativas e apoio dos adultos ao longo do dia” (p. 226). A principal preocupação da educadora era perceber o que a criança é capaz de fazer sozinha, sem a ajuda constante de um adulto. Estes aspetos vão ao encontro do modelo High Scope, que se centra essencialmente, no que a criança é capaz de realizar sozinha, na descoberta da aprendizagem, nos objetivos e iniciativas que esta pretende levar a efeito. Pondo em prática o período planear- fazer, rever, existiam momentos em pequeno grupo, momentos em grande grupo, momentos de transição, comer e descansar e, ainda, padrões de chegada e partida das crianças.
Consideramos todos estes momentos essenciais no processo de rotina das crianças, pois estas podem prever aquilo que vai acontecer ao longo do seu dia.
Em síntese, consideramos toda esta organização muito importante, pois esta dá um excelente contributo organizacional e estrutural no trabalho do educador, pois os primeiros anos de vida são fundamentais no desenvolvimento do ser humano, visto que é a Educação Pré- Escolar que permite a aquisição de valores, comportamentos e atitudes que as crianças devem ter perante a família e a sociedade, factos preconizados nas OCEPE (1997)
É nos contextos sociais em que vive, nas suas relações e interacções com os outros, que a criança vai interiormente construindo referências que lhe permitam compreender o
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que está certo e errado, o que pode e não pode fazer, os direitos e deveres para consigo e para com os outros (p. 52).
Em síntese, a Educação Pré-Escolar é fundamental para o desenvolvimento do ser humano, visto que é a partir desta fase que a criança aprende a relacionar-se e a respeitar o Outro, bem como a desenvolver a sua independência, autonomia e responsabilidade que contribui para o desenvolvimento e formação da sua personalidade. Para além disso, a criança aprende regras de comportamento e aprende a viver em sociedade, criando, assim alicerces para a sua vida pessoal e académica que devem ter continuidade nos ciclos seguintes.
4. Caraterização do 1.º Ciclo do Ensino Básico