Nas Tabelas 14, 15, 16 e 17 encontram-se os resultados das análises de variância e testes de médias para a eficiência de utilização de nutrientes nas folhas, lenho, galhos e casca dos cinco clones de E. grandis x E. urophylla.
A eficiência de utilização dos nutrientes nas folhas variou entre os clones (Tabela 14), para todos os nutrientes. Os clones C2, C4 e C5, de uma forma geral, apresentaram maiores valores de eficiência de utilização de nutrientes nas folhas, assim como maiores valores de biomassa de folhas (Tabela 2) e conteúdo de nutrientes (tabela 4), em relação aos clones C1 e C3. Em termos absolutos, o C5 supera o C2 e C4 na eficiência de uso de N e P ao passo que o C4 tem maiores valores de eficiência de uso de K, Ca e Mg. É possível que em idades mais avançadas, quando o efeito competicional entre as plantas e a ciclagem de nutrientes tornarem-se mais intensos, estes resultados sejam mais evidentes. A maior exigência de nutrientes pelo E. grandis e E. pilularis está no período até o fechamento do dossel e após o qual há um nivelamento (TURNER; LAMBERT, 2008).
Os clones também diferiram quanto à eficiência de utilização de nutrientes no lenho (Tabela 15), apresentando a mesma tendência observada para as folhas (Tabela 14).
Tabela 14. Eficiência de utilização de nutrientes (kg biomassa2 kg nutriente-1) em folhas de cinco clones de Eucalytpus grandis x E. urophylla aos 2,25 anos de idade. Clone N P K Ca Mg C1 245 b 2733 b 409 b 459 c 1235 bc C2 286 ab 3215 abc 635 a 746 abc 1749 ab C3 176 c 2178 c 363 b 469 bc 1049 c C4 298 ab 3729 ab 818 a 886 a 1903 a C5 315 a 4290 a 760 a 796 ab 1612 ab F 21,5** 10,4** 21,9** 6,6** 8,0** CV% 4,8 8,1 7,6 11,7 8,4 Média 264 3229 597 671 1510
Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey (p ≥ 0,05); ** - significativo
Tabela 15. Eficiência de utilização de nutrientes (kg biomassa2 kg nutriente-1) no lenho de cinco clones de Eucalytpus grandis x E. urophylla aos 2,25 anos de idade. Valores divididos por 1000.
Clones N P K Ca Mg C1 35 b 44 b 11 b 20 c 62 b C2 70 ab 87 a 20 a 95 a 179 a C3 34 b 42 b 11 b 24 bc 63 b C4 42 ab 86 a 14 ab 26 bc 76 b C5 81 a 120 a 20 a 50 a 155 a F 5,6** 17,8** 8,3** 16,6** 17,3** CV% 17,3 10,8 10,5 16,9 12,5 Média 52 76 15 43 107
Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey (p ≥ 0,05); ** - significativo
(p < 0,01), pelo teste F.
Uma espécie eficiente do ponto de vista nutricional é aquela capaz de sintetizar o máximo de biomassa por nutriente absorvido (CALDEIRA; RONDON NETO; SCHUMACHER, 2004), de forma que quanto menor a quantidade de nutriente acumulado no componente arbóreo, maiores serão os valores dos coeficientes de uso biológico (MOURA et al., 2006).
As diferenças de eficiência de utilização de nutrientes entre espécies, procedências, progênies e clones de eucalipto, além de serem inerentes a capacidade de absorção, de translocação e de conversão dos nutrientes em biomassa de cada genótipo, são produto da interação genótipo por ambiente (ALMEIDA, 2009). Desse modo, a eficiência de utilização de nutrientes possibilita o reconhecimento de genótipos e de práticas de manejo que contribuam para a sustentabilidade florestal, visto que quando a eficiência no uso de um nutriente e a expectativa de produção de biomassa é conhecida, torna-se possível estimar a quantidade de nutrientes necessária para um adequado balanço nutricional do próximo ciclo (SAIDELLES et al., 2010). Fontes, Gama-Rodrigues e Gama- Rodrigues (2013) concluíram que a eficiência na aquisição ou na utilização de P pode ser usada como indicador de eficiência nutricional na distinção de espécies responsivas e no ajuste das doses adequadas de P para o crescimento das plantas.
Geralmente clones de híbridos interespecíficos de eucaliptos tendem a apresentar melhor capacidade de adaptação a diferentes regiões, o que é devido a combinações de características favoráveis dos seus genitores (BISON et al., 2009). VILLANUEVA et al. (2006) verificaram que híbridos de Eucalyptus urophylla x Eucalyptus grandis usaram o P do solo mais eficientemente do que qualquer das duas espécies parentais.
Estudando procedências de E. grandis e E. saligna aos 6,5 anos de idade, Santana, Barros e Neves (2002) verificaram diferenças quanto à eficiência de utilização de nutrientes para produção de biomassa de tronco, sendo que esta variou, também, com o sítio. Esses autores observaram que a eficiência de utilização decresceu na seguinte ordem: P > Mg > K > N > Ca, sendo esta a mesma tendência observada por Faria et al. (2008) e Lafetá (2012) em plantas de Eucalyptus spp. aos 4,75 e 8 anos de idade, respectivamente.
Diferenças significativas entre clones de Eucalyptus urophylla, aos oito meses de idade em condição de campo, quanto à eficiência de utilização de fósforo (EUP) foram observadas por Godoy e Rosado (2011). Segundo estes autores, além dos altos valores de herdabilidade encontrados conduzirem a ganhos genéticos de grande magnitude, a seleção em mudas no viveiro, para EUP, propiciaram os maiores valores de ganho indireto em altura das mudas no campo.
Os clones também não diferiram entre si quanto à eficiência de utilização de nutrientes nos galhos (Tabela 16). Este resultado se deve, em parte, à grande variabilidade nos dados o que pode ser notado pelos altos valores de coeficiente de variação experimental (CV), possivelmente, determinados pela permanência de galhos secos na copa, em função da pequena idade do experimento. O gênero Eucalyptus apresenta boa capacidade de desrama natural, em que o sombreamento dos galhos inferiores da copa, faz com que estes percam a atividade fisiológica e sejam facilmente eliminados da planta após secos. Isto, em geral, ocorre em plantios com idades mais avançadas, porém, neste experimento, observou-se que algumas plantas ainda mantinham galhos secos retidos ao tronco, o que pode ter contribuído para estes resultados.
Tabela 16. Eficiência de utilização de nutrientes (kg biomassa2 kg nutriente-1) nos galhos de cinco clones de Eucalytpus grandis x E. urophylla aos 2,25 anos de idade. Clones N P K Ca Mg C1 2612 9573 1757 1514 7942 C2 4066 7040 1822 1655 6565 C3 3239 10230 1987 1258 8037 C4 3271 11855 1959 1511 7144 C5 3130 12019 1822 1299 10208 F 0,4ns 1,1ns 0,1ns 0,3ns 0,5ns CV% 20,9 20,7 26,8 18,0 24,7 Média 3264 10144 1869 1447 7979 ns - não significativo (p ≥ 0,05) pelo teste F.
Os clones C2, C4 e C5 apresentaram maiores valores de eficiência no uso dos nutrientes na casca, com ligeira superioridade para o C5, exceto para a eficiência de Ca em que o C2 apresentou maiores valores. Por outro lado, o C1 apresentou os menores valores de eficiência de uso de nutrientes neste componente da árvore (Tabela 17).
Tabela 17. Eficiência de utilização de nutrientes (kg biomassa2 kg nutriente-1) na casca de cinco clones de Eucalytpus grandis x E. urophylla aos 2,25 anos de idade. Clone N P K Ca Mg C1 787 c 2234 c 457 b 113 b 555 d C2 2501 a 9347 a 898 a 495 a 1758 b C3 1435 bc 3725 bc 781 a 204 b 1027 c C4 2406 ab 6609 ab 938 a 371 a 1339 ab C5 3155 a 9924 a 967 a 423 a 2460 a F 20,9** 23,0** 8,1** 28,5** 38,6** CV% 11,1 12,3 10,0 10,3 8,7 Média 2057 6368 808 321 1428
Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si pelo teste de Tukey (p ≥ 0,05); ** - significativo
(p < 0,01), pelo teste F.
A colheita e remoção do sítio somente da parte comercializável da planta é recomendada como forma de reduzir a exportação de nutrientes do sistema e, assim, manter a qualidade e a capacidade produtiva do solo. Assim, para a produção de carvão e outros usos, recomenda-se o descascamento do tronco e a
manutenção da casca na floresta, diminuindo a remoção de nutrientes, principalmente o Ca, que pela sua não remobilização interna pelas plantas de eucalipto, tende a se concentrar em maior quantidade na casca (ARIAS et al., 2011). Desta forma, genótipos eficientes na utilização do Ca são importantes na manutenção da produtividade dos sítios florestais, pois contribuem para a redução da exportação do Ca e para a economia no uso desse nutriente (PINTO et al., 2011). Isto, também é valido para o magnésio e, em menor escala para os demais nutrientes, que por apresentarem maior mobilidade na planta, apresentam-se em porcentagens e quantidades maiores em outros componentes, como folhas e galhos. Em termos de teores de nutrientes, o lenho é o que tem os menores valores associados, porém sendo o componente mais abundante da árvore, torna-se o responsável pelas maiores exportações de nutrientes do sistema. Neste sentido, Santana et al. (2008), observaram que com o aumento da idade, os nutrientes alocados na copa tendem a reduzir e os nutrientes alocados no tronco tendem a aumentar.
Diante disto, o uso de genótipos eficientes na utilização de nutrientes é essencial para a sustentabilidade do ecossistema florestal, reduzindo a exportação de nutrientes proporcionalmente à biomassa produzida e consequentemente proporcionando menor uso de fertilizantes. Isto se torna mais importante em função do tipo de uso de algumas florestas, a exemplo daquelas destinadas a produção de pellets, em que toda a árvore é colhida, incluindo-se a casca e a copa. Também, a recomendação de genótipos eficientes no uso de nutrientes para sítios mais pobres em fertilidade do solo poderá otimizar a produtividade nestes locais.
5 CONCLUSÕES
Os clones diferem quanto à produção e alocação de biomassa e quanto à eficiência no uso de nutrientes nos diferentes compartimentos da parte aérea das árvores, porém não há um genótipo com desempenho superior em todas essas características.
A colheita apenas da parte comercializável da árvore deverá ser incentivada visando-se a redução da remoção de nutrientes do sistema e, com isto, aumentar o nível de sustentabilidade dos plantios florestais.
Os clones C2, C4 e C5, com destaque para o C5, são superiores aos C1 e C3 quanto à produção de biomassa e eficiência de utilização de nutrientes nos diferentes compartimentos da parte aérea da árvore, podendo ser usados como alternativas promissoras para o desenvolvimento de programas de melhoramento florestal para áreas com limitações nutricionais.
É provável que em idades mais avançadas o balanço de nutrientes entre os diferentes compartimentos das árvores, assim como a intensificação da ciclagem bioquímica e biogeoquímica de nutrientes sejam alterados, modificando-se a eficiência de uso dos nutrientes no sistema.
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