CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
É inegável a importância dos métodos hidrológicos (métodos indiretos) para conhecer o comportamento hidrogeológico de uma bacia. Os dados de vazões, nos quais são baseados tais métodos, comumente encontram-se disponíveis em bancos de dados hidrológicos. Portanto, além de reduzir drasticamente os custos de investigação, se comparado aos testes de aquíferos (métodos diretos), esclareceram satisfatoriamente os padrões de fluxo subterrâneo. A análise de curvas de recessão mostrou-se uma ferramenta importante para o conhecimento das condições hidrodinâmicas dos aquíferos.
Os métodos de Maillet e Boussinesq, além de mais simples, apresentaram resultados mais similares aos encontrados na literatura para áreas do embasamento, tanto para os coeficientes de recessão quanto para as transmissividades. Além disso, estes são os métodos com menor risco de erro, portanto, os mais confiáveis.
Dentre os métodos analisados, o método de Boussinesq foi o que apresentou a melhor relação entre seus coeficientes de recessão e transmissividades quando confrontados com os resultados de Maillet, os Q7,10, os índices de compacidade e slope index, e as áreas. Isto
corrobora as afirmações de Dewandel et al (1993), que as equações quadráticas produzem resultados mais fiéis para todo o período do fluxo de base.
O método de Drogue também apresentou resultados coerentes com estudos anteriores quando o coeficiente n é maior que 1,05. Para valores menores que esse, o método tende a superestimar o coeficiente de recessão.
Os valores calculados para a transmissividade apresentaram resultados concisos com trabalhos anteriores. Para calcular este parâmetro (T), através de métodos indiretos, deve se usar o comprimento médio entre as drenagens e seus respectivos divisores locais.
O método de Brutsaert apresentou resultados de transmissividades discrepantes, muito superiores aos outros métodos indiretos e aos valores encontrados na literatura. Este método apresentou resultados satisfatórios quando aplicado em bacias sob outras condições ambientais (Mendoza, 2003). O clima pode ser um fator de interferência neste método, entretanto, esta é apenas uma hipótese e deve ser confirmada com estudos futuros.
O Q7,10 apresentou boa relação inversa com o slope index, além de agrupar as bacias de
acordo com a escala das mesmas. Isso significa que, bacias mais íngremes tendem a produzir vazões mínimas (Q7,10) inferiores às bacias de relevo mais suave.
A estimativa das reservas renováveis a partir dos coeficientes de recessão forneceu resultados compatíveis e proporcionais com os valores de Q7,10 (muito utilizado na gestão de
recursos hídricos), podendo ser utilizado como ferramenta de determinação da quantidade de água subterrânea a ser explotada numa bacia.
Como as bacias estudadas possuem áreas consideravelmente grandes (variando de 116 a 1547 km2) e geologia similar, o período de monitoramento diferenciado entre elas, aparentemente não afetou os resultados. Entretanto, estudar bacias monitoradas durante o mesmo intervalo de tempo facilitaria a interpretação de fatores físicos, eliminando possíveis variações climáticas de anos de monitoramento desencontrados entre elas.
Bacias maiores e mais planas tendem a ter menores transmissividades, liberando a água mais lentamente, contribuindo assim para a manutenção sustentável do fluxo de base. Nas bacias de cabeceira este comportamento apresenta uma tendência inversa. Neste trabalho, assumiu-se um valor fixo para o coeficiente de armazenamento (S) para todas as bacias, portanto, não foi possível estabelecer relações diretas entre este parâmetro e os outros analisados aqui.
É importante salientar que são necessários mais estudos para confirmar as relações e tendências aqui sugeridas.
Tendo em vista as dificuldades encontradas durante a realização deste trabalho, fez-se algumas recomendações para futuras pesquisas:
¾ Determinação de parâmetros hidrodinâmicos de bacias de forma indireta e direta, paralelamente, aumentado a legitimidade da comparação entre os parâmetros. As informações que constam na literatura, geralmente, são de regiões com características parecidas e não da mesma região;
¾ Utilização de software específico para aplicação do método Correlação e Matching
Strip, facilitando o tratamento dos dados e, principalmente, a definição exata das curvas
de recessão mestra;
¾ Definição da maneira correta de determinação da vazão intermediária (Q2) para o
método de Drogue uma vez que o coeficiente de recessão sofre grandes oscilações com a variação desta vazão;
¾ Aplicação dos diferentes métodos indiretos de obtenção de parâmetros hidrodinâmicos para estudar bacias com o mesmo período de monitoramento;
¾ Determinação da influência da declividade através de integrais hipsiométricas para bacias grandes e confrontar os resultados com o slope index, verificando a confiabilidade deste método quando utilizado em maior escala;
¾ Avaliação do monitoramento com maior frequência, verificando se isto poderia resultar numa melhoria dos métodos com curvas mestras (Matching Strip e Correlação);
¾ Determinação mais detalhada da relação existente entre o índice de compacidade e o coeficiente de recessão.
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