Chapter 3 Methodology
3.3 IPM: building the model
2.1.2.1 Entrevistas
Para uma investigação mais efetiva no cotidiano da instituição estudada, será necessário ouvir a voz e observar alguns membros da comunidade acadêmica, por meio de entrevista e observação livre.
Sendo bastante utilizada nas pesquisas qualitativas, a técnica da entrevista proporciona a detenção de informações acerca da situação vivenciada pelos entrevistados. Segundo Triviños (2007, p. 117), “[...] esta parte de certos questionamentos básicos e oferece um amplo campo de interrogativas que vão surgindo, fruto das respostas do entrevistado”.
Parafraseando May (2004), as entrevistas elucidam em repertório rico de biografias, experiências e opiniões, valores, anseios, atitudes e sentimentos das pessoas. Permitem a interação entre pesquisador e o visitado sobre o objeto em estudo, possibilitando o registro das experiências das pessoas entrevistadas que se apresentam como fonte de informação.
As entrevistas, portanto, têm como fundamentos os métodos que geram e mantém conversações com pessoas acerca de um tema específico ou um leque de temas, e as interpretações que os pesquisadores fazem dos dados produzidos.
Enquanto uma técnica que facilita a produção de dados, a entrevista foi bastante adequada para obter informações dos participantes deste estudo. Significou um momento de
ouvir a voz de pessoas que mais estão interessadas pelo processo de inclusão no Ensino Superior. Afinal, o que sabem, sentem, crêem, esperam ou desejam, gostariam que acontecesse a respeito do processo inclusivo na instituição, merece ser considerado e valorizado para a real inclusão. As entrevistas permitiram uma interatividade com o grupo de profissionais envolvidos com o processo educacional e o entrevistado (LUDKE; ANDRÉ, 1986).
No que se refere ao tipo de entrevista utilizada durante o processo investigativo, para obter respostas aos nossos questionamentos, optamos pelo tipo semi estruturado porque é recomendado para estudos exploratórios, com vistas a conhecer realidades pouco conhecidas pelo pesquisador, ou então, nas palavras de Gil (1999, p. 119), “[...] oferecer visão aproximativa do problema pesquisado”.
Portanto, as entrevistas semi estruturadas realizadas junto aos estudantes e aos docentes foram instrumentos que construiram dados que foram utilizados e deram oportunidade de estudo sobre o acesso e a permanência de estudantes com deficiência na UFRN.
Neste tipo de entrevista são oferecidas as possibilidades possíveis para que o entrevistado utilize a sua liberdade, autonomia e espontaneidade necessárias, contribuindo para o enriquecimento da investigação. Podemos utilizar uma parte da entrevista semi estruturada como padrão, para fins de identificação dos participantes da pesquisa. Em outra parte o respondente explicita sobre os questionamentos, de acordo com seus próprios termos. Triviños (2007, p. 146) diz que:
Podemos entender por entrevista semi estruturada, em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. Dessa maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa.
Compreendemos que a entrevista semi estruturada tem como uma de suas características a elaboração prévia de um roteiro, que “[...] terá como função principal auxiliar o pesquisador a conduzir a entrevista para o objetivo pretendido” (MANZINI, 2003, p 13).
É importante que o roteiro a ser utilizado tenha como foco os objetivos do trabalho investigativo com interrogativas complementares, tendo como apoio as informações dos
participantes, e assim, auxiliar na organização das informações antes e no momento da entrevista. Ainda Manzini (2003, p. 13) nos diz que:
[...] se por um lado a organização dos conceitos poderá ser analisada previamente no roteiro, por outro, o roteiro poderá garantir o não esquecimento de algum item ou pergunta no momento em que a entrevista transcorre. Baseado nessa forma de conceber um roteiro para entrevista, podemos interpretar que o roteiro pode auxiliar, parcialmente, na organização da interação social no momento da entrevista.
Podemos perceber, nas idéias de Manzini (2003), que o roteiro não só auxilia a organização do pesquisador na e durante sua entrevista, mas também auxilia, de forma indireta, a organização do pensamento da pessoa entrevistada, fazendo fluir as informações mais precisas.
2.1.2.2 Observação Livre
A observação é definida por muitos autores como técnica de coleta de dados e que privilegia a pesquisa qualitativa, que “nada mais é que o uso dos sentidos com vistas a adquirir os conhecimentos necessários para o cotidiano” (GIL, 1999, p.110). Na observação livre, segundo Richardson (1999, p.260):
O investigador não toma parte nos conhecimentos objeto de estudo como se fosse membro do grupo observado, mas apenas atua como espectador atento. Baseado nos objetivos da pesquisa, e por meio de seu roteiro de observação, ele procura ver e registrar o máximo de ocorrências que interessa ao seu trabalho.
A grande importância da observação livre é que o observador observa, de maneira espontânea, os fatos que ocorrerão e a este, também, poderá ser atribuído o papel de espectador.
Podemos apontar como objetivos da observação: sugerir diferentes metodologias de trabalho; levantar novos problemas; indicar determinados objetivos para o problema, entre outros.
Utilizamos, portanto, a técnica de observação livre, que consistiu em vivenciar mais de perto a participação dos estudantes na ação pedagógica e estudantil, diante das condições oferecidas pela UFRN.
Este momento foi efetivado por meio da ação de observar, num período de dois meses, a instituição em estudo, durante os momentos em que os estudantes com deficiência estavam em suas relações interpessoais e/ ou atividades acadêmicas, junto aos docentes e a outros estudantes de sala.
Segundo Ludke e André (1986, p. 26) este momento “[...] possibilita um contado pessoal e estreito do pesquisador com o fenômeno pesquisado”. Parafraseando Gil (1999), a observação livre permite avançar diante das primeiras constatações dos fatos.