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The Investigation of Atmosphere Pollution from Mining Industry on Kola Peninsula on the Base of 3-Dimensional

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Mona Larsen

2.8. The Investigation of Atmosphere Pollution from Mining Industry on Kola Peninsula on the Base of 3-Dimensional

As características apresentadas a seguir, para investigação da construção argumentativa, forneceram os princípios metodológicos orientadores desta tese e nortearam a elaboração dos tópicos para as entrevistas. Utilizamos um roteiro pré-definido para nos auxiliar na exploração dos argumentos sobre risco na gestação e o utilizamos de maneira dialógica, à medida que a entrevista fluía espontaneamente.

1º Tópico: Narrativas do cotidiano e experiência vivida

Tendo em vista a dificuldade em avaliar a gestação de risco, principalmente nos casos em que poderia ser justificada a interrupção da gravidez, você pode me contar como lida com essa dificuldade na sua prática profissional? Como você usa a noção de risco no seu cotidiano?

Focalizar as experiências de uso da noção de risco na prática profissional nos serviços de aborto legal foi uma maneira de introduzirmos a preocupação com as dinâmicas biográficas e temporais. Pois, as narrativas de experiência (SQUIRE, 2008a, 2008b) estão

embutidas nas histórias de vida das pessoas ou biografias pessoais, que são sequencialmente ordenadas no espaço e no tempo. Estas características dos discursos podem ser geradas em entrevistas orientadas, semi-estruturadas e temáticas, mas consideramos, em confluência com os argumentos de Henwood et al (2010), que as entrevistas de estilo narrativo são particularmente eficazes para levar as pessoas a falar de

modo que envolvam extensões biográficas e temporais, de forma a olhar para trás, para o passado, ligando o presente ao passado, e imaginando o que poderia acontecer no futuro, por exemplo. Os tópicos das nossas entrevistas também foram formulados especificamente para reforçar essa idéia de incorporação da fala sobre a gestação de risco e aborto legal nas histórias de vida profissional dos/as informantes, incluindo suas experiências nos lugares onde trabalham.

2º Tópico: Reflexividade gerada por meio de múltiplas perspectivas

Que tipo de literatura ou instrumento fundamenta a noção de risco usada por você nos seus atendimentos às gestantes?

Ao optar por um método de entrevista qualitativa, entendida como conversas no cotidiano, estávamos procurando um modo de evocar dos/as entrevistados/as suas maneiras de contar as experiências sobre risco na gestação e seus encontros com o objeto de risco estudado - o atendimento às gestantes de risco com conseqüente indicação de interrupção de gestação - de maneira reflexiva. Utilizamos esta estratégia para incentivar a reflexividade dos/as entrevistados/as sobre o efeito que a noção de risco apresenta na prática cotidiana do exercício profissional e como são sustentados os argumentos que justificam o uso desta noção para indicar o aborto por risco de vida da gestante. Acreditamos que esta estratégia permitiu que nós, como analistas, pudéssemos explorar os diversos tipos de narrativas, significados e enquadramentos, incluindo os biográficos e locais, institucionais ou territoriais, onde os/as participantes evocam suas experiências e encontros com o risco inteligível.

3º Tópico: Relevância da experiência e narrativas episódicas

Conte-me caso(s) onde a gestante obteve o diagnóstico de gravidez de risco e seu desfecho.

Nossa estratégia envolveu encorajar os/as participantes a colocar as suas percepções de gravidez de risco ou risco na gestação nos contextos dinâmicos de suas vidas profissionais, como por exemplo, interrogando sobre questões biográficas relacionadas à prática profissional: “há algum caso de gestação de risco que lhe foi mais prototípico, que lhe marcou mais?”.

Ao mesmo tempo, estávamos conscientes de que podíamos incorrer em limitações se considerássemos apenas biograficamente as narrativas apresentadas, pois não havia como garantir que os/as informantes aprofundassem ou desenvolvessem seus relatos

apenas a partir de uma única questão disparadora. Por esta razão, nos esforçamos para manter o diálogo fluído e interativo, sempre formulando questões baseadas no próprio relato dos/as entrevistados/as.

Tópicos inseridos conforme a dinâmica da entrevista: Práticas discursivas e afeto

Como se dá a comunicação do diagnostico de gestação de risco ou de alto-risco? Como se dá o acompanhamento da gestante? Como e em que momento é colocado a opção pelo aborto? Você poderia me contar sua trajetória profissional?

Segundo Henwood et al (2010), dados narrativos são geralmente (embora não exclusivamente) produzidos por meio da escrita e da fala, e assim podem ser estudadas por suas características discursivas ou textuais e sua organização. Há poucas pesquisas sobre sentimento ou afeto relacionados a questões como a preocupação e ansiedade relacionada ao risco, não é uma área bem desenvolvida (HENWOOD et al 2010). Em nosso estudo, buscamos seguir, em certa medida, a prática recomendada pela pesquisadora de risco Sally MacGill (1987), prestando atenção à forma como os participantes falam sobre seus sentimentos e preocupações diárias (experiências rotuladas ultimamente no campo do risco psicométrico como afeto) bem como a identificação de certas narrativas por meio das suas características estruturais gerais (em termos de desenvolvimento da trama, do enredo, da caracterização dos episódios, etc.). Procuramos identificar os afetos presentificados na prática cotidiana da assistência ao aborto por risco de vida da gestante, seja por meio do uso explícito de adjetivos ou por meio de nossas próprias interpretações das suas descrições implícitas. Outras características linguísticas, discursivas ou textuais específicas, consideradas de interesse para nosso estudo, incluíram figuras de linguagem (tropos), imagens e metáforas, comentários bem-humorados e as posições que os/as informantes ocupam no discurso sobre suas práticas profissionais, a gestação de risco, e a prática do aborto por risco de vida da gestante.

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