4. Results
4.1. Invertebrate fauna
Minha proposta fundamenta-se na metodologia de Pesquisa Qualitativa de inspiração fenomenológica. Meu estudo visa compreender os fenômenos humanos a partir de experiências concretas vividas pelos sujeitos no seu cotidiano, no ambiente onde elas ocorrem, buscando os significados descritos por tais sujeitos (GIORGI; SOUSA, 2010).
Kude (1997) refere que o conhecimento é uma construção que se faz a partir de outros conhecimentos sobre os quais se exercita a apreensão, a crítica e a dúvida e que, na pesquisa qualitativa, as questões e problemas a serem estudados advêm de observações do mundo real e é o problema que determina o seu delineamento e não o contrário. Para a autora, a forma da questão voltada para uma pesquisa qualitativa é ampla, aberta, descritiva, orientada para os processos sociais, além de que, os problemas e as questões dessa pesquisa são flexíveis e passíveis de mudanças durante o decorrer da pesquisa.
Na pesquisa qualitativa o investigador vai a campo estudar e não se atém apenas ao objeto em si, mas às pessoas ou comunidades, em sua fala e em seu comportamento. O interesse do pesquisador vem a ser as significações que um indivíduo ou um grupo determinado atribuem aos fenômenos em estudo (TURATO, 2000).
A pesquisa de investigação fenomenológica teve sua origem a partir do movimento filosófico fundado por Edmund Husserl (1859 – 1938). Este movimento retratou uma reação ao positivismo, que julgava válido apenas o fenômeno empiricamente pesquisado, e abriu para o ensejo de um novo método que possibilitasse o estudo dos fenômenos humanos em sua totalidade (VALLE, 1997).
Segundo Boemer (1994), o pesquisador fenomenólogo procura penetrar na própria vivência da pessoa que pretende conhecer, numa tentativa de captar sua forma de existir, buscando descrever e mostrar o fenômeno sem tentar explicá-lo e mensurá-lo, alcançando a essência do mesmo.
A pesquisa qualitativa de inspiração fenomenológica, na área da Psicologia, propõe-se à compreensão de fenômenos humanos a partir das experiências concretas, vividas pelos sujeitos, tais como eles as experienciam. O que se busca na pesquisa fenomenológica, portanto, são os significados que os sujeitos atribuem à sua experiência vivida, significados que se revelam a partir das descrições desses sujeitos.
Para Husserl, a existência do sujeito e o mundo vivido são dependentes um do outro e o conhecimento só é alcançado a partir do próprio existir. Segundo o filósofo não há dicotomia entre ser e aparência, entre ser e fenômeno. Seu pensamento é a volta às coisas mesmas, livre de
O delineamento metodológico 35
preconceitos e pressupostos interpretativos, com o propósito de desenvolver rigorosa, mas não exata, uma ciência eidética que visa a descrição do que se mostra e não a dedução.
Giorgi E Sousa (2010) apontam que o princípio para se compreender o objeto de estudo da Psicologia Fenomenológica é o conceito de intencionalidade. Ou seja, que a consciência é sempre “consciência de alguma coisa”, independente do tipo de acto que ela estabelece, visa sempre um objeto e está sempre projetada para fora de si mesma.
Portanto, cabe considerar que a análise fenomenológica procura estudar em paralelo o objeto e a subjetividade. A subjetividade é essencial pois, através dela é possivel alcançar graus de objetividade quando se busca o fenômeno, conforme esclarecem Giorgi e Sousa (2010, p. 42):
A subjetividade e a objetividade estão inter-relacionadas. A subjectividade e os objetos do mundo são inseparáveis e, embora haja uma separação abstracta entre ambos, é através da relação intencional entre o sujeito e o objecto que constituem os significados do mundo.
Portanto, nada é objetivo sem que antes tenha sido subjetivo. A subjetividade é que permite atingir a objetividade. Quando se propõe uma trajetória seguida na busca do fenômeno, graus de objetividades são alcançados.
Conforme descreve Valle (1997, p. 42):
Os fatos estão aí, no cotidiano das pessoas e, vistos isoladamente, são simples fatos, ininteligíveis. É preciso ligá-los, buscar uma conexão entre eles, para, então, tornarem-se inteligíveis, adquirirem um sentido. E esse é um processo que se passa na consciência, na mente das pessoas e só por meio da atenção cuidadosa de um olhar intencional, de uma familiaridade com essas pessoas, é possível captar os significados que elas atribuem às suas vivências.
A pesquisa fenomenológica na área da psicologia propõe-se, então, à compreensão de fenômenos humanos a partir das experiências concretas, vividas pelos sujeitos, tais como eles as experienciam. É um método para se estudar como os indivíduos estão sendo em determinado momento, não levando em conta o que acreditamos que as pessoas sejam a partir de nossas perspectivas. Implica em entrarmos em contato com a realidade única do vivido daquele sujeito a quem estamos nos dirigindo (HOLANDA, 2001).
Husserl define o mundo-vivido como a presença imediata do individuo à realidade em que vive, no seu cotidiano e nas reflexões que faz sobre o vivido.
Valle (1997, p. 35) esclarece:
O significado do mundo-vivido é que ele é o fenômeno fundamental para qualquer das atividades humanas, inclusive a ciência. Por isso, esta precisa relacionar-se ao mundo tal como o experimentamos e tal como é vivido com
O delineamento metodológico 36
todos os seus horizontes e ambigüidades, em vez de operar em um universo especulativo.
Assim, captar o significado de um fenômeno, este considerado como sendo a vivência do ser humano, é resultado das aproximações de idéias vindas da fenomenologia, originadas no campo da filosofia e transportadas para a psicologia no campo das ciências humanas (FRANÇOSO, 2001).
Segundo Forghieri (1991), a grande contribuição da Fenomenologia para a Psicologia está na abertura de uma maneira alternativa de pesquisa do psiquismo humano, que permite estudar a vivência no que esta tem de imediato e autêntico, ou seja, a percepção e a compreensão do próprio sujeito em relação à sua vivência.
Portanto, levando em consideração essas idéias, se o que pretendo é compreender o paciente renal crônico que precisa voltar para a máquina para poder sobreviver, preciso reconstruir o mundo desse paciente, penetrar nele, ouvir o que ele tem a dizer sobre suas experiências, com o propósito de apreender o que ele pensa e como experiencia o mundo.
Vejo na pesquisa, sob a perspectiva da Psicologia Fenomenológica, a possibilidade de compreender o fenômeno que desejo estudar: a vivência do paciente renal crônico na situação de retornar ao tratamento dialítico, após um tempo transplantado.