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Introduksjons til kontaktledningssystemer

2. Introduksjon

2.1. Introduksjons til kontaktledningssystemer

Os símbolos formam uma língua, mas não aquela que você imagina conhecer. ÍTALO CALVINO

Já sabendo do poder das imagens de influir em todas as esferas nas quais transita, seja uma imagem cinematográfica, televisiva ou fotográfica, nenhuma

natureza ou sociedade passa imune ou impune aosà olhos àdaà e a.

Falar sobre fotojornalismo é falar sobre o processo de acesso do homem ao mundo das imagens construídas para complementar a leitura e o consumo de uma otí ia.à Oà dis u soà isualà fotojo alísti o,à po à se à e o he idoà o oà su stitutoà da ealidade ,à pa e eà e e a à u aà i age à u aà e dadeà i del el.à Oà ueà o o e,à porém, é que essa verdade parte de um método particular do produtor da imagem codificar e traduzir, em signos visuais inteligíveis, o que vê.

Nesse processo de escrita, não estão dissociadas sua ideologia, suas percepções de mundo e sua volição. Portanto, o que o fotógrafo registra é a realidade tomada por um ângulo muito particular. O que não impede que esse ponto de vista discursivo não se coadune com a expectativa lançada pelo meio massivo (o jornal) ou o espaço social os quais representa.

Para isso, ele terá desde o dispositivo técnico (a câmara fotográfica), as condições situacionais, os elementos disposto na cena, ao leitor/espectador, parcelas do que contribuem para um efetivo processo de significação. E em cada um desses elementos subjaz uma proposta de leitura e apreensão do mundo distintos.

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Desta forma, existe também na produção de uma imagem fotojornalística um construto simbólico, vinculado ao ambiente sócio-cultural-político-ideológico de quem a constrói, bem como de quem a vê/lê.

Compreendendo, assim, o caráter de uso social da língua presente no discurso fotojornalístico, nos aportaremos nas propostas de uso e contextualização da

Gramática Visual (GV), sistematizadas por Gunther Kress e Theo van Leeuwen (1996),

através de suas multimodalidades sintático-visuais, baseadas nas metafunções de Halliday (1994), em que a maior função de uma linguagem encontra-se no uso e ajuste às circunstâncias que determinam essa ação linguística.

Baseada nos aspectos funcionais da linguagem e tomando de empréstimo os pressupostos teóricos de Halliday (1994) em sua Gramática Sistêmico-Funcional, Kress e van Leeuwen mostram-nos como as metafunções (representacional, interacional e composicional) na GV se relacionam com as suas correspondentes hallidayanas (ideacional, interpessoal e textual) e refletem na estrutura do discurso imagético os mesmos efeitos léxico-gramaticais presentes numa língua, sendo que composta por uma sintaxe de signos não-verbais.

Adiante, as análises realizadas em Urubu Rei (2001), Recreio (2003) e A

Padroeira (2005)8 nos mostrarão que a forma como estão relacionados entre si os

elementos visuais e como estes estão distribuídos no espaço visual constituem componentes chaves para a compreensão dos discursos que medeiam a representação dos assuntos socialmente significativos nas imagens fotojornalísticas.

8

Urubu Rei (2001), Recreio (2003) e A Padroeira (2005) são todas imagens produzidas pela autora desta pesquisa quando de sua atuação como fotojornalista no diário paraibano O Norte (2001-2006).

| 105 5.1 Urubu Rei: uma análise

Vi ontem um bicho Na imundície do pátio Catando comida entre os detritos. Quando achava alguma coisa, Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade. O bicho não era um cão, Não era um gato, Não era um rato. O bicho, meu Deus, era um homem. MANUEL BANDEIRA

Figura 104 – Foto publicada em 2001, no jornal O Norte, para uma matéria sobre o lixão do Roger.

A imagem Urubu Rei, primeira das três analisadas neste capítulo, faz parte da produção fotojornalística da autora desta pesquisa e foi publicada no jornal O Norte (19/10/2001), em matéria sobre o Lixão do Roger, naquela ocasião, um dos maiores depósitos de lixo a céu aberto e em área urbana do país, localizado na cidade de João Pessoa, no estado da Paraíba. Esta área ocupava aproximadamente 17 hectares e recebia em torno de 700 toneladas de lixo diariamente.

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A fotografia, produzida em cores, num long shot (plano geral) nos mostra a ambientação de um lixão e ao mesmo tempo o processo de sobrevivência de uma comunidade. Apresenta-se de forma bastante saliente um urubu descendo de seu vôo. Há ainda vários moradores catando lixo, e outros urubus cercando um amontoado de lixo orgânico.

Como observado no capítulo anterior, Kress e van Leeuwen (2006) propõem três estruturas de representações que ao relacionar seus distintos elementos constituem uma Gramática Visual. Na estrutura representacional, teremos a descrição dos participantes em uma ação; na interativa, as relações entre participantes

representados e o observador; na composicional, a combinação de todos os

elementos.

Em Urubu Rei temos uma série de processos sendo apresentados ao mesmo tempo. Há, primeiramente, um urubu soberano, mais saliente, que domina a cena e em torno do qual a narrativa fotográfica se dá. Existem dois grupos interativos, sendo um grupo de catadores (ao fundo) e um grupo de urubus (à frente). Na cena, a disposição dos participantes aponta diferenças e consensos, num ambiente impróprio ao homem, em que, parecendo respeitar um o espaço do outro, humanos catam o lixo que não interessa aos urubus.

5.1.1 REPRESENTAÇÃO Ator/Reator Ação transacional Reação não-transacional Fenômeno Meta Reatores Homens Ator Ação transacional

| 107 Urubu Rei, num primeiro momento, constitui uma composição de contornos

narrativos, ou seja, há a presença de atores e vetores indicando que ações estão sendo realizadas. Identificamos vetores conectando vários participantes (atores) aos objetos (metas) na cena. São homens e mulheres (atores) que catam lixo (meta), urubus (atores) que se alimentam (meta), enquanto um deles, em destaque, na parte superior da imagem, sobrevoa o local. Nessas ações, há uma representação narrativa

transacional, embora identifiquemos na ave que paira sobre os demais o

desdobramento de uma ação (sobrevoar) e uma reação (olhar lateralmente) configurando nesse único e destacado elemento uma ação de estrutura transacional e uma reação de estrutura não-transacional.

Em se tratando de uma imagem híbrida, composta de tantos elementos distintos, também iremos perceber a presença do processo reacional em outros participantes representados, quando não conseguimos identificar para onde ou para que fenômeno alguns desses participantes (reatores) estão dirigindo o olhar dentro da cena. Podemos assim considerar que também se trata de uma representação narrativa de reação não-transacional.

Observando a foto mais amiúde, iremos perceber que a forma como os elementos estão distribuídos no quadro também pode conter processos de estrutura

conceitual, onde nestes podemos identificar processos classificacionais. Esses

processos ocorrem quando existe uma taxonomia e os participantes representados são apresentados como se estivessem subordinados a uma categoria superior. Se os reconhecemos subordinados a uma suposta ordem, grupo ou classe superior esta

taxonomia é denominada pela GV (1996) de coberta (covert). O que acontece no caso

dos participantes representados desta imagem, que dão a impressão de estarem todos subordinados à classe de sujeitos que trabalham com o lixo.

Não obstante, Urubu Rei também contém representações de estrutura

conceitual simbólica, em que o urubu aparece como o portador, e o atributo simbólico é definido pela sugestão de ser este animal selvagem mais que um mero caçador de dejetos. Assim, tal animal como está disposto na imagem remete-nos,

numa configuração subjetiva, à outra ave de rapina (a águia), símbolo do maior país capitalista ocidental (os EUA) e à sua selvagem e portentosa projeção sobre os países em desenvolvimento.

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Ademais, observemos, pois, a pose para a fotografia doà u u u/ guia ,à aà maneira onipotente e majestosa com que paira sobre os demais, a aparente refeição

de qualidade feita, em primeiro plano, por aqueles que fazem parte do seu clã (ou

seria o G8 reunido?9) e, ao fundo, a naturalidade dos miseráveis, que, apesar de humanos, comportam-se como bichos, mas, ainda assim, com imensa passividade: co- relação simbólica que normalmente atribuímos ao comportamento subserviente dos países ditos emergentes, que sofrem influência e domínio do capital estrangeiro. Países estes produtores, mas em constantes embargos políticos, econômicos, fiscais dos países hegemônicos. Sobreviver, nesses locais, é satisfazer-se com as sobras.Dessa forma, sentidos que estavam ligados a ideologias e práticas de políticas antagônicas são transferidos para o âmbito de significações referente ao lixão e sua rotina, provocando o leitor. Não é a imagem que fala e sim a ideologia contida na imagem. Não é o texto, mas o contexto.

5.1.2 INTERAÇÃO Contato Oferta Perspectiva Ângulo oblíquo não-envolvimento

Modalidade Plano aberto

Saturação (cor) impessoalidade Plano de fundo

(Contextualização)

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Grupo dos oito países mais ricos e desenvolvidos do mundo (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália, Canadá, Rússia e França) liderados pelos EUA. O G8 é muito criticado pelas suas políticas globais, sociais, econômicas e ecológicas. Suas reuniões visam estreitar relações entre os países hegemônicos, buscando assegurar seus interesses sobre os interesses do resto do mundo.

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Existem vários elementos na cena, mas nenhum deles interage diretamente com o leitor/observador. O vetor que se forma não aponta para nenhum objeto inserido na moldura da imagem. O urubu apresenta-se como ator/reator, enquanto que o lixão é a

meta da ação que ele executa/sobrevoa, o seu olhar é a esmo. Verbalmente, através de

verbos transitivos, tal ação e reação poderiam ser descritas da seguinte maneira:à Oà urubu (ator) sobrevoa/observa (processo) o lixão (meta/fenômeno .

Quanto à natureza das relações sociointeracionais, respeitando as estratégias de aproximação/afastamento para com o leitor, estabelecidas através do contato,

distância social e perspectiva angulares, destacamos a indiferença de todos os participantes representados na imagem em posição de oferta (offer). Nesta cena, os participantes representados não interagem entre eles, muito menos com quem os

observa (ler/ver).

Os vetores formados pelas linhas de olhares não conectam participantes

representados e leitor/observador. Existem vários participantes na cena, mas nenhum

parece incomodado ou intimidado pelas lentes do fotógrafo/observador. Nessas imagens, o participante representado será encontrado como objeto de contemplação do participante interativo (observador/leitor). Os elementos exibidos são observados e lidosà o oàseàessesàesti esse à u aà it i eàouàp atelei a à K‘E““à&àVáNàLEEUWEN,à 1996, p. 124).

Em outras palavras, o contato que é configurado no discurso visual por meio do olhar direto ou não entre participantes representados e observadores (produtores da imagem, leitores) ocorreu de maneira que o elemento principal (o urubu) ignora a presença de todos, inclusive, a da fotógrafa, tampouco nenhum dos participantes da foto estabelece algum grau de interatividade. Nem mesmo o uso da lente grande angular10, que permite ao fotógrafo tomar a imagem de muito próximo do assunto fotografado, ocasionou alguma estranheza ou pa e euà te à alte adoà ual ue à oti a à naquele ambiente.

Mediante o ângulo fotográfico escolhido pela produtora da imagem, fica nítida que, na relação de poder entre observador e participante representado, foi conferida

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Trata-se de uma lente fotográfica que, por possuir objetiva de menor distância focal, aumenta o campo de visão do fotógrafo, abrange uma maior extensão da cena, parecendo estender, esticar a imagem, fazendo com que elementos registrados em primeiro plano, como no caso do urubu, pareçam maiores do que realmente o são. Muito usada em fotojornalismo, esse tipo de lente proporciona uma maior profundidade de campo, melhor contextualizando os fatos registrados.

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maior ascendência ao participante representado (o urubu), visivelmente destacado em posição de superioridade, enquanto os demais, inclusive, o observador estão claramente numa posição de inferioridade.

Também conferimos tal impessoalidade ao observarmos a angulação ou

perspectiva captada durante oà so e oà daà o e à a eà deà api a. Nela, há uma tensão entre o frontal e o oblíquo. O urubu de asas abertas frontalmente sugere

envolvimento (quase um abraço), enquanto que o restante do corpo, inclusive os

olhos, em posição oblíqua, distancia, contraria o ângulo frontal, estabelece um não- envolvimento, parecendo aquilo que se vê somente fazer parte do mundo dos

participantes representados, nada dizendo respeito ao espectador.

5.1.3 COMPOSIÇÃO

Eis o momento em que o posicionamento de cada elemento conjugado na imagem compreende um valor informativo de significação. Os valores informativos priorizados nessa imagem são a oposição ideal/real. Relativo ao valor informativo

ideal, temos localizado na parte superior da imagem, a figura de um urubu: asas

abertas, forte, imponente, parecendo enfrentar tudo sem medo. Ele é apresentado como análogo à águia: forte, bem disposto, predador.

Dessa forma, o elemento de maior destaque neste evento visual é o Urubu Rei. O urubu não é só o ator dessa insólita narrativa fotográfica, mas é participante e

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elemento de maior saliência na cena. Não por acaso, foi colocado na parte superior e central do quadro. Os elementos marginais agregam ainda mais sentido e estranhamento à composição. O que vemos no centro da imagem contraria a natureza do ambiente, ressignificando-a.

Hierarquicamente, a ave de rapina é o elemento de maior saliência na cena, está no topo, realçado pela envergadura de suas asas, pelo tamanho, perspectiva em que se encontra, contraste com o fundo, que torna ainda mais salientes seus contornos dado um céu particularmente limpo. Por outro lado, o que está na base e refere-se aos valores reais disponíveis na composição, contrariando a natureza do

ambiente está aà sa sti aà fo aà deà e i lage à á‘TU‘,à à doà li oà e t eà

humanos e bichos. Diante de tal composição imagética, surgem os questionamentos: quem, de fato, é o bicho? Onde termina o bicho e começa o homem?

Por fim, Urubu Rei apresenta estruturação (enquadramento) composicional

forte na qual há desconexão entre os objetos que a constituem. Há pouca

neutralidade, não há desfoque de fundo e os detalhes, perspectiva e contraste das cores destacam ainda mais os participantes na cena. Apesar de conter vários elementos no cenário, todos são facilmente identificáveis, o que de certa forma auxilia na leitura dos elementos incomuns, até mesmo contrários, dispostos na composição deste texto imagético.

A seguir apresentamos resumidamente algumas das várias considerações realizadas a partir da aplicação da Gramática do Design Visual de Kress e van Leeuwen (1996):

Metafunção ideacional / representacional

Natureza dos eventos representados pela imagem

Participantes Bichos, lixo, pessoas.

O urubu de asas abertas é o ícone central da cena.

Processos Pessoas catando lixo, urubus comendo

lixo, outro sobrevoando: processo acional e transacional. Algumas pessoas e bichos

s à o se a do :à p o essoà ea io alà o-

| 112 Circunstâncias Lixo, outros bichos, incluindo o homem,

nuvens pesadas e céu limpo, são elementos coadjuvantes que reforçam a natureza composicional desta peça.

Quadro 05 – Metafunção representacional (baseada em KRESS e VAN LEEUWEN, 1996).

Metafunção interpessoal / interativa

Natureza das relações sociointeracionais construídas pela imagem

Contato interacional Existem vários participantes, mas

nenhum parece incomodado ou

intimidado pelas lentes do

fotógrafo/observador. A esse tipo de imagem Kress e van Leeuwen (1996) se

referem como oferta (offer),

marcadamente notada pela indiferença dos atores e entre eles.

Distância social Plano aberto (long shot) – afastamento. Impessoalidade acentuada pelo uso da lente grande-angular, pois trata-se de uma imagem tomada muito próxima dos participantes representados, de onde

nem mesmo os urubus parecem

estranhar a presença da fotógrafa.

Perspectiva ou poder Predominância do ângulo oblíquo – não envolvimento.

Contra-plongée – poder do participante

representado.

Modalidade ou valor de realidade Naturalista – saturação de cores, grande

luminosidade e profundidade de campo.

Quadro 06 – Metafunção interativa (baseada em KRESS e VAN LEEUWEN, 1996).

Metafunção textual / composicional Significações construídas pela imagem

Valor de informação O urubu no centro e no topo é dado de relevância e saliência.

Os elementos centrais contrariam a

atu ezaà doà a ie te,à e-significando-

a .à áfi al,à oà li oà à oà supe e adoà doà

u u u à F‘I“CH,à àeà oàdoàho e .à

Na parte inferior da imagem o dadoreal

| 113 Estruturação (Enquadramento) Forte – apesar de conter vários

elementos na cena, todos são facilmente identificados.

Saliência O urubu é, sem dúvida, elemento de

maior convergência na cena, realçado

pela envergadura de suas asas,

perspectiva em que se encontra, contornos salientados ainda mais pela

li peza àdoà u.

| 114 5.2 Recreio: uma análise

Da vez primeira em que me assassinaram, perdi um jeito de sorrir que eu tinha. Depois, a cada vez que me mataram, foram levando qualquer coisa minha (...).