Embora se esteja a conseguir sair do período recessivo que a economia mundial vinha a enfrentar, a retoma não se fez de forma tão rápida quanto se esperava. Segundo o relatório anual sobre competitividade do IMD (2004), novos factores podem estar a atrasar a retoma económica, pelo menos até que as empresas aprendam a lidar com eles. São fenómenos como os vírus informáticos, o terrorismo, a guerra ou as epidemias, que não têm a ver com os próprios negócios das empresas, mas que de forma indirecta as afectam, porque, acima de tudo, geram um clima de grande incerteza e insegurança, a nível mundial.
Nas últimas décadas, na expectativa de que a retoma económica se desse, seguia-se atentamente a evolução nas economias dos países desenvolvidos, sobretudo da tríade (Estados Unidos da América, União Europeia e Japão) e esperava-se que destes viesse um efeito alavanca sobre toda a economia mundial. No entanto e sobretudo a partir da década de 90, o crescimento entre aqueles três blocos começou a divergir e a destacar-se o grupo liderado pelos Estados Unidos, que parece ter sido o país que melhor fez a transição para a economia baseada no conhecimento (Soete, 2002). Actualmente, os novos países industrializados, como a China, a Índia ou a Rússia, têm entrado para o panorama internacional, esperando-se que tenham também uma forte influência sobre a retoma da economia mundial devido às suas economias fortemente dinâmicas.
Na verdade, embora os países da tríade continuem a contar com economias fortemente competitivas, têm passado por alguns problemas internos, numa altura em que a concorrência, a nível mundial, se agrava. O Japão continua a debater-se com alguns dos problemas resultantes do colapso do sector financeiro da década de 90, os Estados Unidos da América encontram-se a braços com um défice na balança
comercial13 e um défice orçamental, este último como resultado da alteração da política fiscal, dos custos da guerra e do abrandamento económico. De qualquer forma, e ainda segundo o relatório do IMD (2004), espera-se que a economia destes países continue a crescer e até a ritmos superiores aos dos anos anteriores, pelo que se julga que poderão liderar, ainda, a retoma económica. Já o crescimento económico da União Europeia tem-se situado em níveis muito baixos (uma média de 0,9%, em 2003[IMD, 2004]), o que tem agravado os défices orçamentais dos diversos países, que já se encontram bastante elevados e mesmo acima do limite dos 3% fixado pelo Tratado de Maastricht, em alguns casos. Comparativamente ao défice orçamental dos Estados Unidos da América, o défice da União Europeia resulta mais de factores estruturais do que conjunturais, tendo sobretudo origem no envelhecimento da população europeia que provoca uma menor fonte de receitas (muito embora o aumento do nível de vida da população) e uma maior necessidade de gastos com a saúde e as reformas.
Segundo o mesmo relatório e quanto aos novos países industrializados, a Rússia está a crescer a ritmos muito elevados (embora este crescimento não se preveja homogéneo em todas as regiões), em parte devido às exportações de petróleo e de gás. Este país encetou também um processo de reforma do aparelho de Estado e da Administração Pública, assim como do quadro legislativo. A Rússia possui um enorme potencial de desenvolvimento que pode ser ajudado por algumas vantagens comparativas, como a dimensão do território e o facto de ser a maior reserva natural do mundo em termos de matérias-primas e gás natural, mas também algumas vantagens competitivas, como uma mão-de-obra de cerca de 72 milhões de pessoas, com níveis de educação muito elevados. Também a Índia possui uma forte vantagem competitiva, com uma mão-de- obra altamente qualificada, com baixos salários e a falar inglês fluentemente. Por este motivo, a Índia tornou-se já um centro de apoio administrativo e de back-office para
13 Que, no entanto, resulta, sobretudo, do facto de este país ter deslocalizado grande parte da sua
actividade produtiva para fora das suas fronteiras, mas que respeita a produção que visa fornecer o mercado interno.
muitas empresas do mundo inteiro. Mas a Índia também se tem desenvolvido na área do
software, da indústria, do entretenimento e dos serviços financeiros. Quanto à China,
esta tornou-se, muito provavelmente, no destino mais atractivo para o Investimento Directo Estrangeiro, sendo já um dos maiores exportadores mundiais14, apenas atrás de países como a Alemanha, os Estados Unidos da América e o Japão. Esta realidade pode vir a tomar proporções maiores, uma vez que a China aderiu à Organização Mundial do Comércio, o que a levará a abrir ainda mais a sua economia.
Assim, o maior desenvolvimento em termos de competitividade mundial resulta do aparecimento da Ásia como uma força dominante em termos mundiais. A emergência no panorama internacional dos países daquela região leva a que a sua riqueza cresça exponencialmente, traduzindo-se num forte crescimento do seu poder de compra, nomeadamente através de uma classe média que começa a surgir com um novo sistema de valores. Este aspecto é importantíssimo para o comércio mundial, uma vez que, de fornecedores mundiais, estes países transformam-se, sucessivamente, em grandes clientes mundiais, tendo ainda fortes possibilidades de encetar um processo de crescimento competitivo endógeno; dessa forma espera-se que, em 2050, a China se torne na maior economia mundial, seguida pelos Estados Unidos da América e pela Índia. Num nível intermédio, encontraremos o Japão, o Brasil e a Rússia. Só depois de todas estas grandes potências mundiais surgirá a União Europeia, constituída por um conjunto de pequenas nações15.