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A observação é uma estratégia essencial para o desenrolar do estudo, pois ajuda a compreender os contextos, as pessoas que nele se movimentam e as suas interações.

Este estudo iniciou-se através de uma observação direta, que “(…) permite o conhecimento direto de fenómenos tal como eles acontecem num determinado contexto” (Máximo-Esteves,

2008, p. 86).

Ao longo da observação, foi necessário ter algum método de registo, como as notas de campo que, segundo Máximo-Esteves (2008), depois de “definido o objecto/sujeito a observar,

é necessário decidir de imediato como efectuar o seu registo. As notas de campo (…) são os instrumentos metodológicos que (...) se utilizam com mais frequência para registar os dados de observação” (p. 88).

As notas de campo, fotografias e outros recursos e instrumentos (como a ficha do estabelecimento de ensino; a ficha do nível sócio-económico das famílias das crianças que frequentam o estabelecimento educativo; a ficha do espaço educativo da sala de atividades e a ficha do(a) educador(a) de infância, do Manual DQP – Desenvolvendo a Qualidade em Parceria de Bertram & Pascal, 2009) são uma forma do investigador registar informações sobre aquilo que se observou, sendo estas essenciais para a conclusão do estudo. Após a recolha e organização dos dados, o investigador analisa e reflete minuciosamente sobre os mesmos, pois esta é uma fase da investigação muito importante para o estudo. É através deste processo de observação, registo e análise que o investigador vê, ouve, experiencia e pensa sobre o que acontece à sua volta.

A entrevista à educadora cooperante foi também um recurso que se utilizou, bem como o inquérito por entrevista (semiestruturada) às crianças. A entrevista à educadora não decorreu de forma oral e presencial, como estava inicialmente previsto, tendo sido realizado por escrito. Esta alteração ocorreu devido a constrangimentos na compatibilização dos horários. As entrevistas às crianças, por sua vez, ocorreram em espaços que asseguraram um ambiente tranquilo e agradável e foram realizadas de forma individual, num clima de diálogo entre a investigadora e as crianças.

Segundo Máximo-Esteves (2008) “as entrevistas são uma das estratégias mais utilizadas na investigação educacional” (p. 92).

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é flexível, possibilitando o improviso na pergunta, decorrente do inesperado da resposta. Desta forma, o entrevistado tem oportunidade para dizer o que sabe e o que pensa sobre o tema, pelo que o investigador necessita que as respostas sejam clarificadas pelo respondente no ato da entrevista, na procura de um significado comum, (…). (Máximo-Esteves, 2008, p. 96)

Uma entrevista implica, pois, que haja um diálogo intencional, orientado por um guião e envolve uma relação pessoal. Recorre-se à entrevista quando se pretende conhecer o ponto de vista do outro em relação às temáticas a abordar no contexto da investigação-ação. No presente estudo, a entrevista surgiu como um instrumento que contribuiu para complementar ideias/conceções sobre a educação em ciências e as atividades práticas, que nos permitiram fazer inferências e retirar conclusões, com algum grau de objetividade, reforçando a validade deste estudo.

Importa referir que é essencial sabermos escutar as crianças em vários contextos, pois, quando a investigação se centra na educação de infância, na própria criança e em melhorar a qualidade educativa, torna-se um ponto de partida para uma participação ativa, construída através do diálogo entre os diferentes sujeitos dos contextos (Marchão & Henriques, 2014). Nesta perspetiva, as entrevistas, em particular as entrevistas semiestruturadas, assumem um papel particularmente relevante, já que através das mesmas é possível perceber as ideias e opiniões que as crianças têm sobre o mundo que as rodeia, tal como ele é visto por elas (Marchão & Henriques, 2014). Além disso, através das entrevistas, como forma a dar expressão à voz das crianças, damos oportunidade de as crianças participarem no seu próprio desenvolvimento, sendo este “um requisito indispensável para que esta se torne participante activa na (re)construção do conhecimento científico sobre si própria”. (Oliveira-Formosinho

& Araújo, 2007, citados por Máximo-Esteves, 2008, p. 100)

Marchão & Henriques (2014) assumem que “(…) a investigação-ação, prática científica,

sistemática e auto/co reflexiva alicerça-se na vontade e necessidade de melhorar uma ação, a partir de uma vocação para investigar e compreender os contextos e os processos que neles ocorrem” (p.1414). Isto é, a partir desta ação, a voz das crianças é um meio para melhorar e/ou

construir conhecimentos acerca de aspetos que lhes dizem respeito. Segundo Oliveira- Formosinho & Araújo (2008), quando se realizam entrevistas com crianças é essencial que se tenha em conta “(…) considerações acerca de procedimentos e acerca da consciência e

validade dos conteúdos decorrentes […] bem como, acerca de questões de ética” (p.13).

As entrevistas foram conduzidas com referência a um guião inicial, construído antecipadamente, que serviu como linha orientadora para o decorrer das mesmas (Apêndices 1

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e 2). A construção dos guiões das entrevistas do tipo semiestruturado remeteu-nos para

momentos de reflexão, visto que exigiu uma seleção cuidada das questões e da forma como as colocar para que se conseguisse obter a informação necessária, de acordo com os objetivos definidos.

Após a recolha de dados, a primeira abordagem da análise de conteúdo deve permitir verificar se os instrumentos selecionados e os dados recolhidos se adequaram às ideias inicialmente formuladas e se foram adequados/suficientes para o estudo. A posterior abordagem da análise de conteúdo trata-se de uma tarefa que requer pausa, criatividade e reflexão, seguindo um processo de tratamento dos resultados e produção de inferências e interpretações que confira validade aos dados e a construção de significados.