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Introduksjon av nye arbeidsmetoder med kunstig intelligens mellom menneske

2. Teoretisk rammeverk

2.4 Introduksjon av nye arbeidsmetoder med kunstig intelligens mellom menneske

“Na última quarta feira, 14 de julho, ainda se observou este facto. Os caipiras que de Queda de Bastilha nada sabem e que ignoram a promulgação de nossa Constituição a 14 de julho de 1891, vieram muito satisfeitos a arranjar os seus negócios na cidade. Mas, coitados! Quando chegaram, estavam fechadas as portas do Mercado.

Achamos que deve haver mais condescendencia com esta ignorancia dos nossos pequenos lavradores. Que diabo, elles não são obrigados a conhecer os novos feriados da República.”

[O 15 de Novembro, 17/07/1898]

“Há na inquietação dos lugares fechaduras que se trancam mal sobre o infinito. Lá onde se persegue a atividade mais equívoca dos seres vivos, o inanimado se reveste às vezes, dum reflexo de clarões, e mais segredos móveis: nossas cidades são assim povoadas por esfinges desconhecidas que não detêm o passante sonhador se ele não volta para elas sua distração meditativa, esfinges que não lhe colocam questões mortais. Mas caso ele saiba adivinhá- las, então este sábio que as interroga irá sondar ainda, novamente, seus próprios abismos graças a esses monstros sem rosto.”

O naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, quando de suas andanças pela província de São Paulo, no início do século XIX, não podia deixar de visitar a então vila de Sorocaba. Chega à cidade na época do Natal e tece os seguintes comentários:

Nessa região e nos outros lugares do Brasil que eu já havia percorrido, trabalha-se pouco nos dias comuns, e nos feriados não se faz nada. A diferença entre uns e outros se resume praticamente nisso. (...) o Natal é a época do ano em que as famílias se reúnem, mas ali tudo se passa melancolicamente. As pessoas se aborrecem sozinhas e se aborrecem juntas. Não há festas públicas, não há passeios pelo campo – nada que desperte alegria e animação. As pessoas ficam estiradas preguiçosamente, conversam interminavelmente sobre assuntos banais, cochilam.1

Descrições como essa nos dão uma idéia do ambiente modorrento e letárgico das vilas e cidades brasileiras, especialmente as do interior. Características que se prolongam ao longo do século XIX, indicando que, mesmo após a independência do país, o cenário urbano continuava a apresentar os mesmo aspectos dos tempos coloniais. Limites poucos definidos entre o rural e o urbano, construções de taipa, “vacas, cabras e cavalos eram freqüentemente vistos pastando nas ruas, por entre as pedras toscas do calçamento, em virtude do escasso trânsito urbano. Escravos eram vistos pelas ruas carregando toda a sorte de mercadorias ao som ritmado das canções. As ruas eram domínio de escravos, mulatos e negros livres. Nas cidades do interior os únicos edifícios dignos de registro eram as igrejas e conventos, e mais raramente os edifícios da Câmara e da cadeia. O abastecimento de água era precário, ficando os moradores na dependência de poços e chafarizes. Dada a falta de esgotos, os dejetos eram despejados nos ribeirões ou no mar, escorrendo freqüentemente pelo meio das ruas. A iluminação era precária, prevalecendo o óleo de peixe.”2

Na primeira metade do século XIX, mesmo a cidade de São Paulo, capital da província, não diferia muito do retrato concernente às cidades do interior. Por essa época tinha algo em torno de 10000 habitantes e “era provinciana a mais não poder, na sua nobreza 1

SAINT HILAIRE. Auguste de. Viagem à provícina de São Paulo. 1976, p. 188.

honrada.” Até as casas dos mais ricos e suas igrejas eram rústicas. “A garoa então era mais densa e comum [e] dava o tom especial à cidade do planalto, entre cujas casas de largos beirais e rótulas perpassavam vultos de estudantes encapotados e de velhinhas embeatadas, ligeirinhas (...) à noite, raros lampiões de azeite de peixe lutavam contra a escuridão, junto com um ou outro nicho de santo nas fachadas onde uma lamparina tremeluzia...”

Um cenário que inspirou o lirismo de muitos poetas / estudantes da Faculdade de Direito, como Castro Alves:

Que noite fria! Na deserta rua,

Tremem de medo os lampiões sombrios. Densa garoa faz fumar a lua,

Ladram de tédio vinte cães vadios.3

O historiador Aluísio de Almeida, autor desses comentários, continua: “Fora da elevação central, além do Anhangabaú e dos brejos do Carmo e do Tietê, era mato ralo ou a campina, pontilhada de chácaras.

Sob o ponto de vista comercial, Santos, Itu e Sorocaba eram mesmo mais importantes.”4

A importância comercial de Sorocaba estava relacionada com o fato da cidade sediar a mais importante feira de muares do país, particularmente quando lá se instalou o Registro das Tropas, em 1750, tornando a cidade ponto de passagem obrigatória de todo o gado vacum, cavalar e especialmente muar que era trazido do sul do país.

As famosas feiras atraíam a atenção de viajantes de todos os lugares, estrangeiros ou brasileiros, desde, por exemplo, Saint Hilaire, até, já na década de 1860, Emílio Zaluar. Este autor descreve Sorocaba como uma das mais agradáveis cidades do interior de São Paulo, composta por uma população animada, ativa, laboriosa – uma imagem um pouco diferente

3

ALVES, Castro. Poesias completas de Castro Alves. [s.d.] p. 83.

daquela que fez Saint Hilaire. Zaluar menciona, em sua descrição, a existência de uma “bela fábrica de chapéus”, além das famosas redes e baixeiros, “conhecidos em todo império pela perfeição e solidez com que são tecidos.” Igualmente famosos são os arreios de couros e chicotes entrelaçados. Mas o fator que explica a existência de tais atividades e, conseqüentemente, o progresso e importância econômica da cidade é, justamente, a famosa feira de Sorocaba. Este é aliás o principal motivo pelo qual o autor visita a cidade.5

Zaluar, em sua narração, faz alusão a toda a agitação que a feira acarreta, trazendo gente de todos os pontos do país, mas cita também uma outra descrição sobre as feiras que se tornaria célebre, de autoria de Francisco Luiz de Abreu Medeiros: “Durante todo o tempo da feira, Sorocaba, alegre, ruidosa, sobrepuja a qualquer capital da província. As ruas são cruzadas, continuamente, por inúmeros cavaleiros, mascates, joalheiros e pessoas a pé; as casas ficam apinhadas; os espetáculos abundam, e o dinheiro gira em grandes somas.

A arraia miúda que sem sair da cidade fazia seu comércio de prata, ouro, quinquilharias, armarinhos, os taverneiros, os jogadores, os bolantins e palhaços, os caixeiros- viajantes da Corte, os simples espectadores, havia-os de longe a atulhar os cômodos dos parentes e amigos – iam-se divertindo à larga e não tinham pressa. Havia um teatro, construído por uma sociedade “União Sorocabana” em 1844, que realizava com os das capitais”.6

“Era mesmo assim”, como escreveu o historiador Aluísio de Almeida, “Dois meses, geralmente, de março a abril, que transformavam a pacata cidade do interior num grande centro de comércio, onde se reuniam homens de todas as procedências e sob todos os pretextos, em volta do negócio central dos muares trazidos do sul e que eram o motor em todos país”.7

5 ZALUAR, Emilio. Peregrinações pela provícia de São Paulo (1860-1861). 1945, pp. 179-180. 6

Idem., p. 181.

Em meados da década de 1920, o historiador e conferencista Affonso de Freitas Júnior, membro do Instituto Histórico de São Paulo, proferia palestras sobre as tradições sorocabanas. Certamente não podia deixar de dar um destaque todo especial às feiras de muares, um dos maiores acontecimentos que agitavam a vida social do sul do Brasil.

Freitas coloca que Sorocaba, na época das feiras, se transformava radicalmente, sobrepujando, inclusive, muitas capitais de Províncias. Uma multidão tomava conta das ruas da cidade, mineiros, cariocas, sulinos, nortistas, judeus, italianos, peões, domadores. Cavalos descansavam em frente dos botequins que fervilhavam. Os célebres facões, redes, ponches, arreios de prata e mantas sorocabanas eram vendidos nessa época com grande sucesso. Uma enorme quantidade de escravos descarregava caixotes das cangalhas dos muares.

No período das feiras, os hotéis da cidade ficavam completamente tomados. Mascates eram vistos por toda a parte, apregoando quinquilharias pelas ruas. Havia cavalhadas, festa e muita música. Um italiano aos berros dá volta na manivela do realejo, para que o mico vestido de chita vermelha comece a dançar. Para explosão da garotada um palhaço montado num petiço anunciava:

-Hoje tem cavalinhos? -Tem sim senhor. -É no largo do Rosário? -É sim senhor.

-Quem comeu o cuzcuz? -Foi o João da Cruz.

Negros velhos saíam pelas ruas pedindo esmolas para pagar a sua alforria, outros ainda pediam para as missas de promessa. Tiradas por escravos, “robustos como touros caraúnos”, iam as cadeirinhas rumo aos sobrados “onde, furtivamente, espiavam as meninas casadoiras pelo crivo das rótulas verdes...”

À noite, as lanternas eram acesas dando um colorido de estranha beleza à cidade. O povo se espalhava pelas ruas, teatros, circos, vendas, botequins e casas de jogos. Negras

sadias vendiam seus saborosos quitutes. Tudo permeado pelo espocar dos rojões, pela sonoridade das bandas de música, dos lundus, do choro dos violões, dos sambas cativantes, do cateretê ponteado na viola.8

Porém, quando a feira se encerrava, todo o frêmito provocado por ela também possava e, segundo Affonso de Freitas, a cidade voltava às trevas, melhor dizendo, às suas ruas, mal iluminadas pelos lampiões de azeite. E o ambiente sonolento registrado por Saint Hilaire, quando de sua visita à cidade, voltava a imperar. Para seu azar, o naturalista francês não teve a experiência de ter estado na cidade no período de realização da feira. Em seus apontamentos, é claro, registrou a importância econômica do comércio de burros bravos para a cidade, mas isso, evidentemente, não é a mesma coisa.

Interessante perceber esses dois momentos díspares pelos quais passava a cidade ao longo do ano, no século XIX: a agitação ímpar proporcionada pela feira e o ambiente aparentemente letárgico que tomava conta da cidade no restante do ano. Nesse sentido, a historiadora Ana Luiza Martins se indaga a respeito de qual imagem fixar da cidade. “Ela era ruidosa e dinâmica, como faz crer a crônica local, ou, monótona e silenciosa, como sugerem as reproduções iconográficas? Despia-se com freqüência das roupagens e adereços com que se engalanava para a temporada de feiras, recolhendo-se em seguida à rotina monótona, arrastada e pouco elegante de moradores afeitos às práticas rústicas do universo tropeiro?”9

Certamente, ambas as imagens são recorrentes dependendo da época do ano em que se observasse a cidade. A época das feiras se encerraria, na última década do século XIX; no entanto, uma outra questão pertinente é pensar a respeito dos resíduos deixados por esse ciclo econômico na cidade. Isso implica apreender uma série de práticas, usos, costumes e personagens que, a despeito do ocaso das feiras, continuavam a marcar presença nos espaços

8

FREITAS Jr. Affonso. A legenda sorocabana. Cruzeiro do Sul, 04/11/1925; 05/11/1925.

urbanos. Espaço urbano este que, de acordo com a aspiração dos dirigentes da cidade, deveria partir rumo a uma modernidade relacionada agora a uma cidade industrial.

Essa perspectiva começava a se fazer sentir ainda no período de auge do comércio de animais. Nesse sentido, é interessante a referência de Zaluar à criação do bicho da seda e a fábrica de tecer algodão de propriedade de Manoel Lopes de Oliveira.10 O que denota uma tentativa de diversificação econômica por parte da elite local. Já se podia prognosticar a lenta, mas inexorável decadência do muar como meio de transporte. Mesmo que o comércio de animais tenha sido responsável pelo acúmulo de capitais necessários para o advento da cafeicultura na Província e, posteriormente, Estado de São Paulo; e, em Sorocaba, o auge da lavoura algodoeira e o desenvolvimento do comércio urbano.11

Com isso, algumas modificações começaram a se fazer sentir na cidade, especialmente a partir da década de 1870. Assim, ocorre um aumento na circulação de livros e jornais, o Gabinete de Leitura é fundado em 1867, como também templos protestantes, escolas leigas e lojas maçônicas. O que representa uma maior laicização da sociedade e também uma maior visibilidade social das camadas médias, especialmente do bacharel em direito. No entanto, evidentemente, as práticas e costumes vinculados ao comércio de animais ainda predominassem. “Nascia então uma paisagem provincial que abrigava contrastes e tempos diversos. Nela estavam presentes em constante oposição, mas interagindo numa dialética de complementaridade, o rural e o urbano, o arcaico e o moderno, o campo e a cidade em movimentos de ajuste e engate.”12

Em 1890, já em período republicano, Sorocaba assiste à consolidação de seu processo 10

Idem., p. 179. Manoel Lopes de Oliveira era um rico comerciante da cidade que, em 1852, resolveu arriscar parte de seus capitais na instalação de uma pequena fábrica de tecidos na cidade. “de teares mecânicos, não se sabe quantos, e tocada a vapor, montando-a num comprido galpão junto às senzalas, atrás da casa grande da chamada Chácara Amarela.” ALMEIDA, Aluísio. Sorocaba – 3 séculos de história. 2002, p. 247. O empreendimento fracassou, mas entrou para a história por se constituir na primeira tentativa do gênero em São Paulo.

11

Cf. Capítulo I.

de industrialização com a instalação de grandes unidades fabris, especialmente têxteis. Essas transformações são percebidas e colocadas nas observações daqueles que visitam a cidade. É o caso de Napoleão Baldy que, em suas notas, escreve:

Sorocaba tu já és grande e esplendida!

(...) Notei que a cidade de Sorocaba se estendia a mais de meia légua, com uma população superior a dez mil habitantes13, que se engrandecia de dia em dia pelo trabalho e commercio, que lhe hão conquistado o título de primeira cidade industrial do Estado de São Paulo.”

Ainda sobre as industrias o autor nota, “como coroando o espaço da cidade,

gigantescas moles de tijolo, que se ergueram como templos da industria, quase concluídas; um delles tem proporções vastíssimas, como o de Santa Rosália, sendo menor Santa Maria e a fabrica do Fonceca (sic) denominada de Nossa da Ponte, que há annos trabalha (...).

Que de evoluções para o futuro, que de movimento, que de acumulação de industrias, que de matéria prima, de que resultará excessivo augmento á cidade.

Estabelecimento de manufacturas de chapéos, existem quatro, sendo alguns a vapor; quatro cervejarias algumas ajardinadas onde ao ar livre se refrigeram os freqüentadores com os chaups (sic); fábricas de massas finas, de licores, de sabão, officinas de arreios, fornos de cal, olarias de tijolo e telha e marmoraria.14

Importante perceber a menção feita aos “templos da indústria”, em construção ou já estabelecidos. Essa cidade que se industrializava parecia ganhar um ambiente mais denso e agitado, pelo menos é essa a percepção sugerida nos apontamentos de Napoleão Baldy.

Na immensidade de ruas, praças e largos, só enxergava telhados a frente de um outro prédio; meu intellecto abrangia tudo idealisando, parecendo ver os vários quadros sociais, suas peripécias, dramas familiares, paixões, inimisades e espíritos de opposição.

D´ahi, fugira o socego da roça; a intelligencia pelo preparo, rebustecia planos grandiosos, a nobreza elevava caracteres, a inveja molestava os ambiciosos, os políticos desfructavam-se e as questínculas existiam sempre entre as reuniões populares.

(…) O commercio é em grande escala, por atacado e a varejo, havendo casas sortidas e fartas como em S. Paulo.

13 Os dados a esse respeito parecem ser um pouco conflitantes, particularmente para o último quartel do século

XIX. Cássia Baddini, citando estatística produzida pelo governo provincial, indica que a população da cidade, no final da década de 1880, somava cerca de 20000 habitantes. BADDINI, Cássia. Sorocaba no Império – comércio de animais e desenvolvimento urbano. 2002, p. 202. Por sua vez, Arnaldo Pinto Júnior, citando o censo demográfico, menciona a existência de 13999 habitantes em 1872, alcançando em 1890 o número de 17060 habitantes. PINTO JÚNIOR, Arnaldo. A invenção da Manchester Paulista: embates culturais em Sorocaba (1903-1914). p. 43. De qualquer forma, essas duas pesquisas apontam para uma quantidade maior de habitantes em relação ao número utilizado por Baldy.

No entanto, o autor também aponta alguns aspectos que não seriam condizentes com uma cidade moderna. É o caso de certas ruas da cidade, tortuosas e estreitas demais, ao gosto dos primitivos habitantes. Mas, com certeza, o tempo faria desaparecer esses “defeitos”. A iluminação também mereceu reparos, sendo classificada como sofrível. Entretanto, o saldo é positivo, e o autor encerra comparando Sorocaba às modernas cidades européias.15

Apenas alguns anos depois, em 1898, Alfredo Moreira Pinto também visita a cidade. A sua visita foi notada pela imprensa local, esta noticiou a presença do “eminente geógrafo”, com o propósito de estudar os aspectos de uma cidade civilizada e industrial, constatando, certamente, “os elementos de progresso que nos fazem a primeira cidade entre as do Sul do Estado.”16

De fato, em sua obra, Moreira Pinto descreve as fábricas da cidade, porém suas impressões são menos entusiásticas do que aquelas realizadas por Baldy, mas, certamente, mais realistas sobre o cenário urbano local. Dentre os vários aspectos abordados, tece comentários sobre a iluminação local que continuava a ser a querosene, a luz elétrica ainda era uma promessa. No que diz respeito ao ambiente urbano, o cronista é contundente: “Pena é que Sorocaba seja uma cidade triste e de vida tão monótona; há pouco movimento nas ruas e as famílias vivem em um retrahimento que contrista.”17

O memorialista Francisco Gaspar também menciona o ambiente modorrento da cidade nos primeiros anos do século XX, assim, segundo Gaspar, não havia “bares; casas de diversões, cinemas, etc.

Com o toque de recolhida às 9 horas da noite, dado por um sininho do alto da torre da nossa igreja Matriz, fechavam-se as vendas, casas de secos e molhados, negócios de fazendas e armarinhos, farmácias, casas residenciais, enfim tudo. O povo era ordeiro. Recolhia-se calmamente para

15 O 15 de Novembro, 23/03/1895. 16

O 15 de Novembro, 22/05/1898.

suas residências e a luz elétrica acionada por um dínamo movido a vapor, localizado na hoje rua Paula Souza, próximo a estação do Votorantim, também à 1 hora da madrugada, deixava de funcionar.

A cidade ficava as escuras. E, si era noite de plenilúnio, então as ruas de Sorocaba antiga, artificialmente, estavam iluminadas pela luz da lua.18

Contudo, nas primeiras duas décadas do século XX, o cenário urbano parece realmente ter ganhado um colorido mais intenso. A cidade consegue superar o trauma decorrente das duas epidemias de febre amarela; a indústria local, em especial a têxtil, passa por um momento de prosperidade, são inauguradas salas de cinema. Por essa época, também, surgem algumas publicações luxuosas como revistas literárias e almanaques ilustrados, salientando os aspectos modernos da cidade. Além disso, há uma profusão de pequenos jornais, tratando dos mais variados temas. Qualificados muitas vezes de forma pejorativa como “jornalecos” ou “pasquins”, pelos órgãos jornalísticos mais tradicionais, tais publicações podem ser consideradas como um indicador das transformações urbanas na cidade. Conseqüentemente, o material produzido por essa imprensa, configura-se como um documento valioso para a apreensão desse processo. Como não possuem um compromisso tão nítido com a sisudez da chamada imprensa “séria” com seus artigos de fundo, tratando de modo árido as questões políticas, abordam de forma mais ou menos jocosa e descontraída o cotidiano da cidade e seus indícios de modernização.

É o caso do jornalzinho O Janota, órgão literário, noticioso e humorístico que vem à luz em junho de 1913. Em seu número inicial, relaciona justamente a importância de seu advento para a imprensa sorocabana com o progresso da cidade, mas num tom humorístico, é claro.

Sorocaba, ou antes, Tobiapolis, dizem que tem foros de cidade civilizada; não contestamos tal conceito, acceitamos de boa mente.

E ao considerar que a civilização de um povo é attestada pelo que elle lê, alimentamos uma esperança em prol da imprensa local (…) É por isso que essa esperança nos aconselha a lançar no redemoinho da publicidade um

jornal que, apesar de pequeno, traz consigo mais seiva que muitos diários prodigamente impressos em papel ´germania´.

(…) Temos notado que Sorocaba, nestes últimos tempos vae caminhando