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Chapter 2 Introduction to RCM, RBI and NORSOK Z-008

2.4 NORSOK Z-008

2.4.1 Introduction to Z-008

A valorização de resíduos é uma operação que permite o reaproveitamento dos resíduos, sendo uma opção viável para reduzir a deposição de resíduos em aterro sanitário. Segundo o Decreto- Lei .° / , de de Ju ho, a valo izaç o dos esíduos o espo de a qualquer operação,

cujo resultado principal seja a transformação dos resíduos de modo a servirem um fim útil, substituindo outros materiais que, caso contrário, teriam sido utilizados para um fim específico ou preparação dos resíduos para esse fim na instalação ou conjunto da economia .

Após a apresentação dos resultados da caracterização física dos RU em Portugal, no tópico 2.3.2, foi destacado que 52,6% dos resíduos são compostos por MO. Esta, se for objeto de valorização orgânica, permite obter um composto com características de húmus e que pode ser utilizado para enriquecimento dos solos, tal como os fertilizantes químicos A VO pode processar-se por digestão anaeróbia ou por compostagem. Em ambos os processos a valorização realiza-se por microrganismos em condições controladas, mas num efetua-se sem a presença de oxigénio, e noutro, pelo contrário, com presença de oxigénio, respetivamente (Levy & Cabeças, 2006). Para além da vantagem resultante da produção de um composto, a VO apresenta-se como alternativa válida à redução do volume e peso dos resíduos orgânicos a depositar em aterro sanitário, permitindo o aproveitamento do seu potencial de valorização e redução da produção de gases com efeito de estufa (GEE) (Castanheira et al., 2004). A VO é um processo,

conjuntamente com o da valorização energética, que deve ser ponderado evitando a deposição direta e total dos resíduos em aterro sanitário (Levy & Cabeças, 2006).

Em 2013, dos 23 sistemas de gestão de RU existentes, em Portugal, 14 possuíam infraestruturas de VO, perfazendo um total de 18 infraestruturas de VO. Essas 18 infraestruturas de VO correspondiam a: (a) 7 de digestão anaeróbia; (b) 4 de compostagem; (c) 1 de digestão anaeróbia e compostagem; (d) 2 de VO de RUB (RU provenientes de recolha seletiva) e (e) 4 de compostagem de verdes (Silva et al., 2014). Em termos gerais, o número de infraestruturas está estabilizado, encontrando-se em construção sobretudo instalações de VO, que visam incrementar o desvio direto de resíduos de aterro sanitário aumentando o quantitativo de resíduos recicláveis recuperados (Silva et al., 2014).

A VO sob a forma de digestão anaeróbia seguida de compostagem do digerido é a opção mais utilizada na Europa. Esta opção permite melhorar a estabilização do composto, reduzindo o teor de patogénicos, e dar-lhe um destino final adequado, visto que contém nutrientes que são favoráveis para uso no solo (Tchobanoglous et al., 1993).

2.5.2.1. Digestão anaeróbia

A digestão anaeróbia é um processo que envolve a degradação biológica da matéria orgânica em condições de ausência de oxigénio. Após o pré-tratamento dos resíduos orgânicos – desarenação, crivagem, hidratação, homogeneização, estes dão entrada num digestor, onde se irá dar o processo de degradação por meio de bactérias anaeróbias e metanogénicas que processam a MO, resultando dois tipos de produtos: a lama digerida (MO resistente) e o biogás

(um gás contendo principalmente CH4 e CO2) (Levy & Cabeças, 2006; Castanheira et al., 2004).

A matéria digerida pode ser, posteriormente e através de centrifugação, separada em fração líquida e fração sólida (lamas), sendo que esta última pode sofrer eliminação (em aterro sanitário) ou um processo de compostagem para maturação e estabilização do produto. No final desta fase, o composto obtido estará pronto para ser aplicado como corretivo orgânico. Relativamente ao efluente líquido, este poderá ser recirculado para o digestor, ou ser encaminhado para ETAR (Castanheira et al., 2004).

A digestão anaeróbia apresenta como principais vantagens: (a) a estabilização e higienização completa dos resíduos; (b) o aproveitamento do biogás produzido envolve um menor consumo energético comparativamente à compostagem, uma vez que através do biogás pode produzir-

se energia térmica para aquecimento do digestor, e energia elétrica para autoconsumo, por cogeração; (c) o composto produzido é um fertilizante; (d) quanto ao refugo, este é em menor quantidade quando comparado com a compostagem. Contudo, o processo de digestão é condicionado pela qualidade dos RU, especialmente, percentagens de carbono (C) e azoto (N), pelo tempo de retenção do digestor, pela temperatura, teor de água e pH (Levy & Cabeças, 2006).

A digestão anaeróbia tem como desvantagens: (a) produção de odores; (b) impacte visual, a nível da estética do digestor; (c) pode ocorrer alguma poluição sonora; (d) este tipo de infraestruturas atrai aves (e.g., gaivotas), insetos e roedores, o que causa problemas de higiene, e (e) pode causar problemas de segurança, devido a ocorrência de incêndios causados pela produção de biogás (Levy & Cabeças, 2006).

2.5.2.2. Compostagem: objetivos e quantitativos do composto produzido em

Portugal

A compostagem é outra forma de valorização da fração orgânica dos RU e, têm como objetivos: (a) transformar a matéria orgânica biodegradável num material biologicamente estável na presença de O2, e no processo reduzir o volume original de MO (b) destruir agentes patogénicos, ovos de insetos, organismos indesejados e outras sementes que possam estar presentes nos RU; (c) reter o conteúdo máximo de nutrientes (azoto, fósforo e potássio); (d) garantir as condições de equilíbrio entre as fontes de carbono e de nutrientes presentes no meio, nomeadamente no que se refere à relação entre C e N disponíveis, e (e) produzir um produto estabilizado que pode ser utilizado para suportar o crescimento das plantas como um condicionador do solo (Tchobanoglous et al., 1993; Oliveira et al., 2009). Nas centrais de tratamento de RU, a compostagem tem como objetivo principal reduzir o volume de resíduos em aterro sanitário, valorizando a MO, seguido dos objetivos gerais supracitados.

Relativamente ao produto da compostagem, os quantitativos de composto produzido em Portugal de 2010 a 2013 encontram-se na Tabela 1. Em 2013 foram produzidas 60.831 t de composto, das quais 13.273 t foram provenientes da recolha seletiva de RUB, e a maior quantidade, 47.558 t foram provenientes da recolha indiferenciada de RU. A título de curiosidade, refere-se que foi vendido cerca de 73% do total de composto produzido (Silva, et

Através da análise dos resultados observa-se que em 2013 ocorreu uma ligeira recuperação dos quantitativos de composto produzido face ao ano anterior, que não atingem ainda os valores de 2011. Contudo, esperava-se que os quantitativos de composto produzido em 2013 fossem superiores, por via da entrada em pleno funcionamento de algumas instalações TMB. Os quantitativos de composto obtido através de MO recolhida seletivamente mantêm-se estáveis (Silva et al., 2014).

Tabela 1: Quantitativos de composto produzido (t). (Fonte: Silva et al, 2014)

Produção de composto (em

toneladas) a partir de… 2010 2011 2012 2013 RUB recolhidos seletivamente 13.093 11.817 13.005 13.273 RU (recolha indiferenciada) 35.607 54.718 43.488 47.558

Total 48.701 66.535 56.493 60.831