Na aplicação dos dois métodos (entrevistas e Mapas Cognitivos), para analisar a implementação de uma estratégia, observou-se algumas vantagens no uso de Mapeamento Cognitivo em relação às entrevistas em profundidade.
Embora a técnica de entrevista seja de mais fácil execução, não necessitando de uma logística para sua aplicação, como ocorre com os Mapas Cognitivos, os mapas demonstraram ser uma técnica que possibilita uma análise mais profundada do tema tratado e facilita a sua compreensão a partir da distribuição visual.
O fato da metodologia do Mapeamento Cognitivo necessitar de uma análise causal entre os fatores faz com que exista maior reflexão sobre o tema e possibilite destacar o que é mais relevante na questão a ser tratada. Identificando-se o que é mais importante na questão, se pode atuar no foco do problema e, desta forma, individualizar as ações.
A necessidade de reflexão sobre os fatores e suas inter-relações parece ser a característica mais relevante que determina que o uso de Mapas Cognitivos seja mais interessante do que o uso de entrevista, quando se deseja destacar as diferenças entre níveis hierárquicos ou grupos de pessoas com pensamentos homogêneos, na análise da implementação de uma estratégia. Ficou evidente a diferenciação entre as abordagens dos 3 níveis hierárquicos na empresa, quando aplicada à metodologia do Mapeamento Cognitivo, na implementação desta estratégia em estudo. No entanto, este fato que não se destacou nas entrevistas. Ao identificar o que é importante em cada nível hierárquico abre-se um leque de alternativas de ação por níveis, que certamente romperão barreiras à implementação de estratégias.
O Mapa Cognitivo permitiu que se identificasse o pensamento reflexivo (EDEN et al.
apud PIDD, 2001) de cada nível hierárquico sobre a implementação da estratégia escolhida
para a pesquisa.
Reforçando a citação dos autores Jardim (2001), Bastos (2002), Pidd (2001) e Andrade et al. (2006), entre outros, sobre o Mapeamento Cognitivo, referidos no Quadro 14, do tópico 5.3.5, pode-se constatar que os Mapas:
• foram utilizados como uma ferramenta de pesquisa organizacional, sendo aplicado como um método interpretativo (PIDD, 2001) no processo estratégico (JARDIM, 2001; BASTOS, 2002; PIDD, 2001 e RIEG e ARAUJO FILHO, 2002), especificamente na
implementação do Time de Resposta Rápida, revelando-se atrativo, pois possibilita o pensamento reflexivo dos respondentes sobre o tema e permitiu a identificação das diferenciações entre os níveis hierárquicos;
• estruturou o conhecimento (JARDIM, 2001; BASTOS, 2002 e ANDRADE et al., 2006) bem como destacou as diferenciações das abordagens por nível hierarquico, na implementação de uma estratégia;
• permitiu a construção do pensamento coletivo (mapas agregados dos níveis hierárquicos) a partir dos mapas individuais dos respondentes (JARDIM, 2001; BASTOS, 2002; NELSON, NELSON e ARMSTRONG, 2000 e ANDRADE et al., 2006), facilitando a compreensão do pensamento grupal;
• permitiu desacordos entre os respondentes (PIDD, 2001 e JARDIM, 2001) o que possibilitou a riqueza de informações do conjunto de fatores, a partir das diferenciações entre os níveis hierárquicos, permitindo visões divergentes, expressão de inquietações e idéias.
A seguir são apresentados os principais pontos que destacam o Mapeamento Cognitivo como ferramenta de análise de Implementação das Estratégias:
• os respondentes necessitam refletir mais sobre as relações entre os fatores de influência na implementação da estratégia, isto é, são mais exigidos;
• os mapas permitem verificar melhor a diferença de foco entre os níveis hierárquicos (estratégico, tático e operacional);
• permitem identificar melhor o que é mais relevante para cada nível hierárquico; • permitem uma análise mais profunda sobre o tema em questão;
• dificultam o desvio do foco no tema a ser analisado;
• tornam a análise mais rica pelo destaque das diferenciações;
• os Mapas Cognitivos foram bem mais específicos em suas análises, que as entrevistas.
Considerando os pontos que podem gerar certa resistência para a aplicação do Mapeamento Cognitivo na análise de Implementação das Estratégias, citam-se:
• necessidade de maior planejamento, incluindo a previsão de uma sala exclusivamente preparada para a aplicação da técnica e de materiais auxiliares;
• necessidade de o facilitador conhecer a técnica de realização do Mapeamento Cognitivo;
• necessidade de mais tempo para a realização dos mapas e a posterior organização dos dados (dificultador tanto para o facilitador como para o respondente);
• complexidade de análise dos dados quando é realizada a agregação dos mapas individuais, necessitando de ferramentas auxiliares (Diagrama de Afinidades);
• a falta de cultura em aplicar metodologias como o Mapeamento Cognitivo em vez de entrevistas, caracterizando uma resistência natural ao desconhecido por parte de quem eventualmente decide aplicar uma ferramenta organizacional;
• ser uma metodologia mais trabalhosa para o facilitador, quanto ao método de aplicação e análise dos dados, tendendo a aumentar o tempo de resposta à problemática analidada pela ferramenta.
Por fim, mostrou-se interessante a aplicação do Mapeamento Cognitivo em paralelo à aplicação da entrevista, pois esta última é uma técnica já consagrada em pesquisa e os Mapas ainda possuem uma aplicabilidade pouco difundida. Desta forma, fica evidente o quão relevante poderá ser a aplicação de Mapas Cognitivos nas questões que envolvem o Processo da Estratégia da empresa, especificamente a implementação das estratégias, como já citado por muitos autores, uma vez que determinam diferenciações entre os níveis ou grupos de pessoas contatadas, gerando a possibilidade de identificação de ações específicas para cada grupo ou nível funcional. Corroborando esta interpretação, Jardim (2001), em seu estudo, já demonstrou a relevância do uso dos Mapas Cognitivos como ferramentas de negociação na Gestão Estratégica de uma instituição.
Usar uma ferramenta organizacional que diferencie o pensamento reflexivo de determinados grupos de pessoas ou níveis funcionais, na implementação das estratégias, possibilita entender as prioridades determinadas por cada um dos grupos ou níveis. Desta forma, espera-se reduzir os obstáculos ou barreiras à implementação da estratégia visto que se pode agir sobre os pontos “nevrálgicos” identificados pelas próprias pessoas envolvidas neste processo.
No próximo capítulo são apresentados as conclusões da pesquisa e recomendações para trabalhos futuros.
9 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Este capítulo apresenta as conclusões sobre a utlização do Mapeamento Cognitivo como uma ferramenta organizacional na análise da implementação de estratégias, bem como as recomendações decorrentes da pesquisa.