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– INTRODUCTION AND REVIEW

Fisioterapia no Estado do Rio Grande do Norte pelo Sistema Único de Saúde, bem como o número de sessões realizadas no segundo semestre de 2004.

A exemplo do primeiro semestre não há registros de atenção fisioterápica preventiva.

4 DISCUSSÃO

Na produção ambulatorial da Fisioterapia do Sistema Único de Saúde no Estado do Rio Grande do Norte no ano de 2004 é possível observar que há um nítido destaque para as intervenções voltadas para o tratamento das doenças de origens reumáticas e coluna vertebral, seguido de sessões de fisioterapia para recuperação funcional pós-cirúrgica e pós-mobilização.

Observa-se uma práxis fisioterapêutica com ênfase voltada eminentemente à assistência curativa, onde a preocupação tem sido muito mais voltada para ações que são executadas após a doença manifestada.

Tal fato evidencia que a Fisioterapia no SUS no Estado do Rio Grande do Norte prioriza o atendimento individualizado, está centrada no modelo da doença, com o olhar voltado para a atenção secundária e terciária; apesar do fato de que a inserção da Fisioterapia na saúde coletiva e no Programa Saúde da Família ser amplamente discutido.

Esse episódio coaduna com a literatura, onde se pode observar que o profissional de fisioterapia vem desenvolvendo suas ações voltadas para a atenção curativa e reabilitadora4, com um papel de pouco destaque na atenção primária; porém o profissional de Fisioterapia tem como dever a promoção da saúde da população1.

É possível supor que esse modelo de atenção em Saúde, por parte da Fisioterapia, seja proveniente da origem histórica dessa profissão no País, das diversas políticas de saúde realizadas nos últimos anos, além do tipo de trabalho executado pelos profissionais fisioterapeutas.

Na Fisioterapia, essa maneira de ver e tratar o Ser Humano culminam, por conseguinte, na fragmentação do Homem em um ser apenas biomecânico, capacitado, ou não, a realizar práticas de atividades funcionais e se apresenta de forma deficiente.

O processo de mudança de foco da atuação da Fisioterapia é uma construção coletiva, e a atenção primária em saúde é um espaço de experimentação dessa construção, uma vez que a partir da interação com população, comunidades reflexões surgirão e poderão despontar novos caminhos e novas possibilidades para que a Fisioterapia contribua com o enfrentamento dos problemas de saúde das comunidades, no sentido de uma mudança na concepção de saúde e na perspectiva de atuação profissional.

Quanto ao cuidado digno da dor e do sofrimento humanos, o Sistema de Saúde brasileiro ainda se encontra numa fase rudimentar26. Há muito que se fazer em termos de operacionalização de políticas públicas relacionadas com a questão, bem como intervir no aparelho formador de profissionais para criar uma nova cultura.

Atento ao foco deste trabalho, que é o estudo, sob a óptica da transdisciplinaridade e humanização, das ações Fisioterápicas desenvolvidas SUS, no ano de 2004, no Estado do Rio Grande do Norte, é possível observar que a prática da atuação desse profissional tem se centralizado nas ações curativas, reabilitadoras e individualizadora do Homem. O tratamento a ele ofertado é centrado no modelo da doença. O que se pode observar é uma ênfase voltada para a assistência após doenças manifestadas; essa característica pode contribuir para a incidência de problemas de saúde, pois a visão preventiva é incipiente.

No material coletado, foi possível perceber a existência de um foco de atuações da Fisioterapia no SUS, voltadas para a prática fundamentada no modelo biomédico. Tais atuações, como podem ser observadas nas tabelas construídas a partir de dados coletados, são voltadas para a questão doença/reabilitação, com maior destaque para os distúrbios motores de origem nervosa e problemas relacionados à coluna vertebral.

Apesar da existência de códigos próprios no Sistema de Informação Ambulatorial do SUS (SIA/SUS) que permitam a execução de ações preventivas e de atenção básica por parte dos Fisioterapeutas no Estado do Rio Grande do

Norte, não se observam registros, para o corrente ano, de ações voltadas para a educação, prevenção e promoção da saúde.

Seguem os códigos: Código 0401103 refere-se à atividade coletiva de educação em Saúde por profissionais de nível superior; código 04012101-1 menciona atividade educativa com grupos na comunidade; 0401204-6 refere-se à atenção básica para profissionais de nível superior em saúde27.

Tal observação é preocupante e sugere questionamentos quanto à possibilidade desses profissionais e dessa profissão estarem alimentando, despercebidamente, o sistema medicocêntrico, assim como de empobrecimento contínuo da população no tocante ao auto cuidado com a saúde.

A prática terapêutica centrada no indivíduo nos conduz a um outro aspecto importante; parece que a visão do todo, humanística que transcende o corporal e passa do individual para o coletivo, não faz parte da práxis fisioterápica no Sistema Único de Saúde no Rio Grande do Norte. Fato sugestivo de pesquisas futuras em âmbito nacional.

Parece que a maneira de conceber a reabilitação e a fisioterapia pelo Sistema Único de Saúde no Estado do Rio Grande do Norte fere o princípio da integralidade; que é o princípio que garante ao cidadão o direito de ser assistido desde a prevenção de doenças até o mais difícil atendimento de uma patologia28.

É preciso salientar que o problema não é a técnica e sim o conjunto. Deve- se questionar como esse profissional distribui suas atividades; quais os recursos de que ele dispõe em seu arsenal de métodos; qual o conhecimento teórico- filosófico, político-ideológico deste profissional; qual o papel das Universidades na formação do profissional fisioterapeuta e qual a história de vida dos profissionais fisioterapeutas do estado (Anexo artigo1).

É na concepção de rede, de interconexão que a Fisioterapia crescerá e ocupará o verdadeiro papel como contribuidora social. Isto será possível, na medida em que sejam deslocados os valores antropocêntricos em direção a novos valores, numa visão ecocêntrica de cuidado em saúde.

Pode até parecer utópico uma Fisioterapia em nível de consciência máximo que, simultaneamente, trabalhasse com os dados objetivos do Homem e tivesse uma atuação no social de forma participativa. A segmentação parece ser inevitável.

Entretanto, cada um em sua área poderá exercer uma prática a partir de uma compreensão de realidade newtoniano-cartesiana ou a partir de uma compreensão sistêmico-interconexa em que coloque a sua área particular de atuação, que não é só sua, em rede de interações, conectada, influenciando e sendo conscientemente influenciada. Uma prática aberta à criatividade e à transformação, assim como nos parece ser a essência do Homem (Anexo artigo1 e 2).

A partir desse estudo pode-se inferir que a possível meta-contribuição deste trabalho tenha sido possibilitar percepções cada vez menos segmentadas da realidade e do saber em Fisioterapia, com um estímulo a um pensar-agir mais contextualizado, que leve em consideração pandependência mútua na preservação e a manutenção da saúde.

Tendo-se como base uma observação analítica da prática da Fisioterapia no SUS no estado do Rio Grande do Norte pode-se concluir:

i) A prática da Fisioterapia no SUS no Rio Grande do Norte ainda é centrada no modelo saúde x doença;

ii) A ação da Fisioterapia caracteriza-se pelas práticas reabilitadoras e curativas;

iii) A prática da Fisioterapia no SUS no Estado do Rio Grande do Norte é fundamenta no modelo biomédico;

iv) Há necessidade de que a prática do Fisioterapeuta no SUS no Rio Grande do Norte garanta o princípio da integralidade na atenção ao paciente.