7 Surveillance data for food and diet
2.3 Animal health and welfare
2.3.1.2 Pathogens
O aumento contínuo dos fluxos comerciais internacionais somados aos esforços de liberalização, vivenciados nos últimos anos, gera a necessidade de se destacar cada vez mais a importância de fatores que promovam a redução dos custos de comercialização associados ao comércio internacional. Os estudos sobre a facilitação de comércio tem estimulado cada vez mais a pesquisa dos fatores que afetam os custos de comercialização internacional e, consequentemente os fluxos de comércio. Parte significativa destes custos está relacionada à precária infraestrutura existente nos países, ao ambiente regulatório fraco, à ausência de transparência na aplicação de normas, a elevada burocracia e corrupção, entre outros. O que por sua vez leva ao aumento do preço das mercadorias e compromete a competitividade dos países.
Atualmente a política comercial não está ligada somente à tentativa de eliminação das barreiras comerciais. Os formuladores de políticas necessitam concentrar seus esforços também em melhorar o ambiente interno de negócios, o que por sua vez levaria a facilitação do comércio. Deste modo, a atuação em áreas estratégicas da política poderia assegurar o acesso a uma infraestrutura melhor, maior eficiência nas instalações alfandegárias, melhorias no acesso a financiamentos externos e, redução de custos de transação, o que implicaria no aumento da competitividade das empresas no mercado internacional. Tendo em conta que as restrições diretas ao comércio na fronteira foram ou estão sendo eliminados por muitos países em desenvolvimento, torna-se evidente que a integração na economia mundial depende cada vez mais da eliminação das restrições por trás das fronteiras.
Neste trabalho procurou-se identificar e analisar os efeitos de indicadores de competitividade relativa dos países sobre os fluxos comerciais bilaterais de um conjunto de 59 economias, que inclui o Brasil e alguns de seus principais parceiros comerciais. A ideia principal é a de que benfeitorias nos fatores que compõem os indicadores de competitividade dos países podem ampliar os fluxos de comércio. Isto é, melhores condições de infraestrutura, desempenho econômico, eficiência dos governos e eficiência nos negócios, podem ajudar na redução dos custos comerciais ligados ao comércio internacional e assim expandir os fluxos de comércio entre os países.
A análise aqui apresentada destaca a relevância desta questão para um grupo de países que tem grande representatividade na economia mundial. Os resultados encontrados apontaram que os indicadores de competitividade relativa desempenham um efeito positivo e significativo sobre os fluxos de comércio bilateral quando analisados de modo agregado.
Portanto, os países têm muito a ganhar se direcionarem suas políticas para ações que promovam melhorias nos indicadores aqui analisados. Ou seja, de modo geral, a relação positiva obtida entre, os indicadores de competitividade e os fluxos de comércio, indicou que os países podem ampliar o comércio através de reformas que gerem melhorias no ambiente doméstico e reduzam os entraves ao comércio internacional.
Reformas que visem melhorias internas das economias são capazes de elevar os fluxos de comércio bilateral, em um contexto em que as empresas realizem os seus negócios de forma inovadora, rentável e responsável. Aos governos fica a responsabilidade da proposição de políticas favoráveis à competitividade, a fim de que os recursos tecnológicos, científicos e humanos sejam usados de modo eficiente pelas empresas.
Em particular, os resultados mostraram que melhorias no nível de eficiência dos negócios implicam em maior impacto no comércio comparado aos demais indicadores. Este indicador representa áreas estratégicas para o desempenho comercial, entre elas, o desenvolvimento do mercado de trabalho, o grau de risco e o nível de transparência das instituições financeiras, adaptabilidade das empresas ao ambiente nacional, entre outros. Adicionalmente, os resultados indicam que quando o país importador é considerado como desenvolvido e o país exportador como em desenvolvimento, o importador terá vantagem no comércio, dada pela diferença de competitividade existente entre ele e seu parceiro. De modo oposto, quando o país importador é um país considerado como em desenvolvimento e o país exportador como desenvolvido, o país em desenvolvimento tem uma desvantagem no comércio, já que o seu parceiro possui uma competitividade maior.
Cabe destacar que ainda há muito a se fazer nessa área. Fazem-se necessários outros estudos que sejam capazes de detalhar como os fatores relacionados ao ambiente interno dos países afetam o comércio bilateral, especificamente aqueles relacionados ao ambiente dos negócios e à eficiência dos governos. Certamente, dados primários, coletados nas diferentes indústrias seriam muito importantes na análise da eficiência dos negócios, permitindo captar como as diferentes normas regulatórias afetam a competitividade.
Por fim, cabe ressaltar que este trabalho sinaliza alguns dos possíveis impactos de melhorias nos diferentes fatores que compõem os indicadores de competitividade sobre os fluxos de comércio internacional. No entanto, a literatura associada a este tema está em pleno desenvolvimento, o que cria espaço para inúmeras pesquisas na área e discussões de novos métodos. A análise de classificação dos países conforme a competitividade pode ser vista como um meio de avaliar a potencialidade futura da economia do país e as oportunidades para o seu crescimento e desenvolvimento. Entretanto, esta análise deixa de lado questões
importantes, como por exemplo, a captação das consequências futuras de atividades econômicas e de decisões políticas.
Além disso, há problemas metodológicos relacionados com a escolha dos indicadores, a importância relativa deles, a utilização de dados qualitativos, entre outros, pois, a avaliação da competitividade é algo que leva em conta inúmeros critérios. Deste modo, o desafio consiste em saber se o destaque na melhor colocação de um país é consistente com o desenvolvimento da economia mundial de longo prazo. Sugere-se que pesquisas futuras busquem métodos alternativos de quantificar essas medidas, e assim, possam contribuir para as discussões dos impactos que melhorias na competitividade têm sobre o comércio internacional.