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Atividades diversas - Aspectos físicos 7 20,0 Aspectos humanos 3 8,5 Total 35 100,0

Fonte: dados da pesquisa (2011).

Se você fosse ajudar, me fala, pra você o que é uma escola? Escola é

um lugar que a gente estuda muito, que aí as... aprender. Aprender o

que? Aprender... de casa, aprender um monte de coisa, escrever... O que você aprende aqui na escola? Mas eu aprendo a escrever aqui

[aponta para sua cabeça] (Criança 19, de 5; 7 anos).

As respostas que fazem alusão à finalidade da escola, em vez de dizer “o que é” a escola, referem-se “para que serve” a escola. Para as crianças do ambiente tradicional a escola é um lugar para estudar e aprender, ressaltando, enfim, o processo ensino- aprendizagem.

Embora tenham sido encontradas respostas que citam as brincadeiras, constatou- se que quando as crianças conceituaram escola a partir das atividades desenvolvidas a ênfase maior foi dada à aprendizagem e ao ensino de conteúdos escolares, principal- mente da escrita, leitura e matemática, como finalidade dessa instituição.

Por se tratar de um conhecimento social, que se dá na interação com as demais pessoas, percebe-se que a valorização da aprendizagem de conteúdos escolares, tão culturalmente impregnado em nossa sociedade como única ou principal função da escola, é refletida nas falas das crianças. Embora a construção das representações do conhecimento social aconteça pelas interações da criança com as pessoas, elas não são simples cópias da realidade, mas são construídas a partir da ação das crianças nessas interações, porém, como ressalta Saravali e Guimarães (2010), as crianças sofrem diversas influências sociais ao interagir com o meio em que está inserida.

Silva (2009) também encontrou finalismo nas respostas das crianças ao concei- tuarem trabalho, e afirma que as crianças, muitas vezes, não conceituam, mas apresen- tam definições dominadas por ações concretas. Pode-se inferir, então, que as crianças

pequenas apresentam certa dificuldade estrutural em elaborar conceitos muito abstratos, que vão além do que lhes é perceptível.

Outro elemento presente nas falas das crianças ao conceituarem a escola foi os sentimentos em relação a ela. As crianças, ao serem questionadas sobre o que é uma escola, deram a primeira resposta relacionada ao que sentem, portanto a escola é legal, gostam dela por diversos motivos, que foram classificados nas demais subcategorias. A subcategoria sentimentos corresponde a 22,9% das respostas e pode ser exemplificada nos extratos a seguir.

Se você fosse ajudar, me fala, pra você o que é uma escola? Bom. Por quê? Porque eu gosto da escola. Por quê? Porque é muito legal. O que tem na escola de legal? Brinca a gente na amarelinha, a gente faz

qualquer coisa (Criança 23, de 5; 10 anos).

Se você fosse ajudar, me fala, pra você o que é uma escola? Eu gosto

muito de escola. Por que você gosta muito da escola? Que tem brinquedo... na sexta-feira vai no parquinho... Só na sexta que vai no

parquinho? E nos outros dias onde vocês brincam fora da sala? Fora

da sala, a gente brinca na amarelinha, na sala da tia Cris... O que

tem na sala da tia Cris? É muitas coisas... tem massinha, tem negócio

pra pintar... tem desenhar... Vocês vão todos os dias pra sala da tia

Cris? Quaaase todos os dias... Mas se eles te perguntassem: pra você o que é uma escola? Eu gosto muito da tia Cris, ela... ela dá massinha

pra gente... deixa a gente pintar, desenhar... (Criança 29, de 5;

8 anos).

Percebe-se que as crianças utilizam os sentimentos construídos sobre sua própria escola para conceituar a instituição social escola. Portanto, ao serem questionadas sobre o que é escola, relatam experiências de seu cotidiano escolar que as levam a construir sentimentos positivos em relação à escola, expressando-os em suas respostas. O conceito de escola, neste caso, é baseado nas experiências particulares vivenciadas e nos sentimentos construídos no ambiente escolar que, por conseguinte, são generalizados na maneira de compreender e conceituar a instituição escola. Piaget aponta que as crianças no estágio pré-operatório apresentam pré-conceitos e um raciocínio transdutivo, no qual elas tendem a raciocinar ligando vários pré-conceitos, passando de um particular a outro e tirando conclusões a partir das relações (BARRETO, 2001).

O conceito de escola, em algumas respostas, é baseado no que se faz e o que tem na escola, ou seja, nas atividades desenvolvidas e nos aspectos físicos. Cada uma dessas subcategorias corresponde a 20,0% das respostas das crianças. As crianças, ao serem questionadas sobre o que é a escola, remetem-se às atividades que são realizadas no

ambiente escolar e aos materiais e espaços desse ambiente. Embora as crianças citem atividades relacionadas a conteúdos e atividades diversas, a maioria das respostas referentes às atividades desenvolvidas faz referência às brincadeiras e ao brincar na escola. Vejamos alguns exemplos nos extratos a seguir.

Se você fosse ajudar, me fala, pra você o que é uma escola? Uma

escola... pra... escola às vezes tem deveres... tem... tem... área livre, brincar... e comprar umas coisas... (Criança 35, de 6 anos; 0 ano).

Se você fosse ajudar, me fala, pra você o que é uma escola? Uma

escola pra mim é uma... a melhor que eu tenho, por quê? Aí a gente pode aprender a estudar... fazer educação física também, tudo isso é... porque, porque as pessoas grandes que já nasceu primeiro que a gente, é mais esperto. Igual o Marco Antonio, meu primo, ele nasceu primeiro que eu e agora é mais esperto. Mas agora meu pai, meu tio... meu pai, minha mãe agora me ensina a fazer contas. Eu já sei fazer conta em dinheiro (Criança 26, de 6; 3 anos).

Se você fosse ajudar, me fala, pra você o que é uma escola? Eu queria

que tivesse é... o parquinho, o terrero, é... um montão de brinquedo, tivesse um montão de boneca pra levar todo dia. E se eles te

perguntassem o que é uma escola o que você falaria? Eu ia falar

assim: eu queria... uma escola tem um quadro, montão de cadeira e ensinar as criança a ficar comportada (Criança 27, de 5; 10 anos).

Se você fosse ajudar, me fala, pra você o que é uma escola? É...

cheinha de brinquedos pra mim (Criança 31, de 6 anos; 0 ano).

Pode-se notar nas falas das crianças a presença recorrente e o destaque atribuído por elas ao brincar e às brincadeiras como atividades necessárias ao ambiente escolar. Além das atividades, as crianças também citam a necessidade dos aspectos físicos, ao apontarem espaços como o parquinho, e objetos, com ênfase nos brinquedos, como elementos que caracterizam e conceituam uma escola. As falas das crianças vêm ressal- tar a importância atribuída por elas ao brincar, apontando a necessidade das instituições escolares repensarem suas práticas, que cada vez mais, como aponta Romera et al. (2007), vêm retirando da criança oportunidades de brincar e privilegiando a transmissão de conteúdos.

Cantelli (2000) afirma que as crianças entre 7 e 9 anos, em sua pesquisa, expressaram suas representações da escola apoiadas em certos aspectos da organização escolar que lhes são familiares, por exemplo, o conjunto de elementos materiais, de pes- soas e tarefas. Apesar de as crianças entrevistadas nesta pesquisa terem idade inferior, comparada a das crianças pesquisadas por Cantelli, os dados se assemelham no modo

como as crianças representaram a instituição escola, apresentando características do estágio pré-operatório.

As explicações das crianças com base em dados externos, como os aspectos físicos, podem ser explicadas pelo fato de o pensamento das crianças do estágio pré- operatório se centrar nos aspectos mais visíveis e perceptíveis da situação, como afirma Delval (2002).

Por fim, encontramos com menor frequência (8,5%) respostas que se referem aos aspectos humanos. As crianças conceituam a escola, e quando se remetem aos senti- mentos em relação a ela fazem referência às pessoas do ambiente escolar, como pode ser constatado no extrato a seguir.

Se você fosse ajudar, me fala, pra você o que é uma escola? Ela é um

prédio grande... cheio de crianças muito legais (Criança 28, de 6;

3 anos).

As crianças veem a escola e a conceituam não somente com base nos aspectos físicos do ambiente escolar, mas também nas pessoas que frequentam esse ambiente, pelos vínculos e pelas relações que estabelecem com os demais que compartilham do mesmo espaço e das mesmas atividades do cotidiano escolar.

Com relação à caracterização da escola, nenhuma criança deu respostas não importistas ou fabuladas e todas as 20 crianças entrevistadas deram respostas classifi- cadas como crenças. As repostas-crenças foram classificadas em subcategorias, apresen- tadas na Tabela 18.

Tabela 18 – Número de respostas e porcentual por subcategoria apresentada pelas crianças, segundo a categoria Caracterização da Escola

Subcategorias Número de Respostas %

Aspectos físicos 19 50,0

Atividades desenvolvidas Brincadeiras/brincar 3

34,2