3 RESEARCH METHODOLOGY
3.1 RESEARCH APPROACHES
3.1.1 Qualitative research methods
Assim como nos sermões, na carta os mecanismos comparativos são expressos tanto por estruturas mais específicas quanto por elementos linguísticos gerais. Aqui, as comparações desempenham funções não apenas nos valores expressos, nas figuras retóricas utilizadas, nos recursos estilísticos e literários, mas ajudam, principalmente, a refletir os contrastes entre os autores e os textos correlatos. No exame que a seguir se apresenta, serão analisadas as comparações mais relacionadas ao tema, estilo e argumentação da carta em si. Mais adiante, a análise se aterá às comparações que refletem direta e indiretamente as semelhanças e diferenças entre a carta e o sermão de 1650, e entre os autores das duas peças.
Em geral, as comparações com valor de superioridade quantitativa são as mais ocorrentes na carta. Nos três textos analisados, fatores relacionados ao discurso e à intenção comunicativa favorecem o aparecimento desse tipo de comparação. Devido ao fato de o tema das peças estar relacionado ao amor de Cristo, suas virtudes e finezas, e ao fato de os argumentos recorrerem sempre a
paralelismos entre o amor de Cristo e o amor dos homens, não é de estranhar que a maior parte das comparações tenha valor de superioridade atribuída à figura de Cristo.
No sermão de 1650, nota-se que esse fato se deve também ao objetivo central do autor: apresentar finezas que sejam superiores às finezas apontadas pelos santos da igreja. Na carta, a disparidade é ainda maior, pois não só estão representadas muitas comparações de Vieira, como são defendidos por Sor Juana novos argumentos e novas finezas superiores às de Vieira.
Algumas vezes, Sor Juana faz uma comparação de superioridade negativa, em que o resultado da combinação ―no más que‖ tem um sentido equivalente a ―solo‖, conforme observa Alarcos Llorach (1994, p. 347), sobre a negação na comparação. Na parte da carta exposta a seguir, Sor Juana se desculpa pela brevidade com que resgata os argumentos de Vieira, antes de passar aos seus próprios argumentos. Ela diz que aquelas passagens são apenas algumas anotações para deixar a resposta mais clara, e sugere a leitura do próprio sermão, de maneira mais demorada: ―[…] pues V. md. los podrá leer despacio en el mismo autor a que me refiero, y esto no es más que unos apuntamientos o reclamos para dar claridad a la respuesta‖ 9495.
Também se referindo ao ato de escrever a carta, Sor Juana expressa a possibilidade de que tenha conseguido apenas o atrevimento em tentar apresentar uma fineza que se iguale à de Vieira ou a supere. Essa possibilidade se expressa pela negação da superioridade aliada ao sentido hipotético dos verbos ―haber‖ e ―ser‖, no presente do subjuntivo e pretérito imperfeito do subjuntivo, respectivamente: ―Que cuando yo no haya conseguido más que el atreverme a hacerlo, fuera bastante mortificación para un varón […]‖.
Mais adiante, ao defender a morte como maior fineza do que a ausência, Sor Juana busca demonstrar a maneira enfática com que Cristo declarava que daria sua vida pelos homens. O sentido resultante da negação nessa comparação é o de que Cristo somente ostenta a prontidão para a morte como prova de seu amor: ―y no ostenta para prueba de su amor más que la prontitud a la muerte‖.
94 Neste capítulo, as citações do córpus não serão traduzidas, visto que se analisam as estruturas em
sua língua original.
95 Como a versão da Carta Atenagórica usada nesta análise não apresenta paginação, as citações
Tratando do mesmo tema, a autora quer provar que a morte foi maior fineza porque era a única coisa que Deus, na condição de homem, podia dar pelos homens. Também aqui, a negação da superioridade expressa sentido de ―solo‖: ―[…] en cuanto hombre, no tiene más que poder dar, que la vida‖.
Quando trata da última opinião de Vieira, Sor Juana defende que Cristo quis nossa correspondência. Para isso, declara a infinidade de passagens bíblicas que demonstram não só o conselho, mas a ordem de que os homens amem a Deus. Na seguinte passagem há um sentido comparativo de diferença expresso com o demonstrativo ―otra‖ e o conector ―que‖. A negação dessa estrutura também acaba equivalendo a ―solo‖, porém com um valor implícito que intensifica de forma um tanto exagerada a ocorrência dos preceitos na Bíblia: ―que no se halla otra cosa en todas las Sagradas Letras que instancias y preceptos que nos mandan amar a Dios‖.
Conforme afirma Alarcos Llorach (1994, p. 346), o uso da negação na comparação pode aparecer para evitar a sequência ou proximidade de elementos homófonos, e também para atribuir valor enfático quando a comparação envolve dois verbos no infinitivo, conforme se percebe nos seguintes trechos da carta: ―¿Más sentimiento hicisteis de que Absalón fuese cruel con Amnón, que no de que lo fuese con vos?‖; ―[…] más le cuesta a Dios el no hacernos beneficios que no el hacérnoslos y, por consiguiente, mayor fineza es el suspenderlos que el ejecutarlos‖.
Note-se, no entanto, que no trecho anterior a segunda comparação também envolve dois verbos no infinitivo, porém não há uso da negação. A comparação seguinte, que se refere ao sentimento de Cristo para com Judas, também envolve verbos no infinitivo e tampouco há negação: ―Con que parece que se arrepiente de haberle hecho el beneficio de la creación, porque le estuviera mejor el no haber nacido que nacer para ser tan malo.‖
Além das orações comparativas específicas, outras construções presentes na carta apresentam certo valor comparativo. Há uma quantidade significativa de orações coordenadas aditivas, com as correlações no solo... pero/mas... e no solo... sino..., em que o valor se aproxima das subordinadas comparativas de igualdade, expressas com tanto... como..., conforme ilustra a seguinte passagem: ―[…] procura
no sólo quitar a su padre el reino, pero la vida y la honra profanando públicamente
Na frase anterior, Sor Juana narra a história do rei Davi, no momento em que seu filho, Absalão, pretende destruí-lo. O sentido da construção é bastante próximo ao de ―procura tanto quitar a su padre el reino, como la vida y la honra...‖. Na frase seguinte, a autora questiona o fato de Davi querer poupar a vida de Absalão, justo quando sofreu dele a maior afronta. Nesse caso, a construção equivale a ―tanto no estáis enojado, como estáis tierno?‖: ―por la mayor que es quereros matar a vos, no sólo no estáis enojado, mas estáis tierno?‖.
O próximo trecho aparece no momento em que Sor Juana defende que, entre as espécies de fineza do Sacramento, estar presente diante das ofensas foi a maior. Ela usa a correlação no sólo... pero..., que dá um sentido de soma e de comparação de igualdade aos dois resultados da fineza: buscar o positivo dos ciúmes (ou zelos) e sofrer ultrajes ao respeito. Porém, com a informação entre parênteses, Sor Juana não só reforça o sentido comparativo da sequência, como substitui o valor de igualdade pelo de superioridade, por meio do quantificador más: ―[…] pero ponerse presente a las ofensas, es no sólo buscar el positivo de los celos,
pero (lo que más es) sufrir ultrajes en el respeto.‖
Outro caso de construções em que se percebe certo valor comparativo é o de algumas orações subordinadas consecutivas, com correlação tanto… que…, presentes na carta. Na passagem a seguir, Sor Juana busca provar que Deus quer dos homens a correspondência do seu amor, e que seu ciúme atinge um nível igual ou superior ao necessário para que Ele queira, além do amor correspondido, que o mundo tenha conhecimento disso: ―[…] porque es Dios tan celoso, que no sólo quiere ser amado y preferido a todas las cosas, pero quiere que esto conste y lo sepa todo el mundo […]‖.
Defendida sua posição, Sor Juana se propõe fornecer um exemplo na Bíblia que servisse à opinião de Vieira, a de que Cristo não quis a correspondência de seu amor para si. Ela recorre outra vez à história de Davi e de Absalão, que é sentenciado à morte por Davi, por ter matado Amon. Nesse trecho é possível observar que o nível de ira de Davi atinge um nível igual ou superior ao necessário para desencadear a consequência, que é ordenar a saída de Absalão. Da mesma forma, a ira de Davi igualou ou superou o nível necessário para intimidar Joab:
Mata Absalón a su hermano Amnón por el estupro de Tamar. ¿Y qué hace su padre, el rey David? Se indigna tanto que obliga a Absalón a salir,
huyendo de la muerte, a Gesur; y permanece tan airado el rey, que aun Joab, su primer ministro, no se atreve a hablar en su perdón.
Sor Juana segue narrando a história: depois de Absalão ter voltado e ter tirado o trono de Davi, seu pai pede a Joab que poupe a vida de seu filho. Ela expressa, na parte seguinte, que a grandeza do amor de Davi atingiu um nível igual ou superior ao que lhe fez perdoar as maldades de seu filho Absalão: ―Y ya que es
tan grande vuestro amor que le queráis perdonar tan execrables maldades contra
vos, ¿cómo cuando mató a su hermano Amnón, no mostrasteis esa ternura, sino que le queríais matar a él?‖.
A autora defende a ausência de benefícios como maior fineza do amor de Deus, e argumenta que os benefícios geram débitos em igual proporção. A repetição do quantificador ―más‖ na sequência a seguir também expressa, além da relação proporcional, valor comparativo e consecutivo. Há uma igualdade entre o aumento do recebimento e o aumento do débito da conta desse recebimento. Além dessa relação de igualdade, a relação consecutiva: o aumento do débito é consequência do aumento do recebimento: ―[…] Mientras más es lo recibido más grave es el cargo de la cuenta.
Alguns cotejos na carta são estabelecidos sem nenhuma marca formal, mas por um paralelismo, como o que segue. Na frase exposta a seguir, Sor Juana coteja a encarnação e a morte de Cristo. Ela opõe os verbos ―encarnar‖ e ―morir‖, os adjetivos ―inmensa‖ e ―limitada‖ e a qualidade de duas distâncias, ―de Dios a hombre‖ e ―de hombre a muerte‖. Nesse paralelismo se repete o verbo ―medir‖. Na relação entre o encarnar e o morrer do Verbo, o ato de medir é o mesmo, porém há diferenças nos resultados dessas medições: ―Encarna el Verbo, y mide por nuestro amor la inmensa distancia de Dios a hombre; muere, y mide la limitada que hay de hombre a muerte‖.
Em alguns momentos, diversas comparações, construídas por meio de diversos expedientes gramaticais, são apresentadas em sequência e muitas vezes atreladas umas às outras. Esse tipo de ocorrência é mais frequente nos sermões de Vieira, mas também aparecem na carta. Chama a atenção um trecho em que os termos de uma comparação constituem outras duas comparações:
Y es ésta tanto mayor fineza que aquélla, cuanto va de un amor agraviado a un amor reprimido; y lo que dista el dolor de un deleite que no se goza, a una ofensa que se tolera, dista el de privarse de los sentidos al de hacer
cara a los agravios. No ver lo que da gusto, es dolor; pero mayor dolor es ver lo que da disgusto.
Aqui Sor Juana defende a maior espécie de fineza do Sacramento: estar presente diante das ofensas. Para marcar o contraste entre essa fineza e a que foi defendida por Vieira (Cristo estar privado dos sentidos no Sacramento), ela iguala a superioridade de sua fineza com uma grande distância. Cada um desses dois termos é expresso por comparação: o primeiro por superlativo relativo, o segundo, uma comparação geral sem marcas, porém em que se expressa de maneira implícita a diferença entre um ―amor agraviado‖ e um ―amor reprimido‖. Sintetizando, Sor Juana mostra que o nível de superioridade de sua fineza é tão alto quanto o nível de diferença dos dois amores. A essa comparação seguem outras duas gerais, expressas pelo verbo ―distar‖, e uma expressa pelo adjetivo em grau comparativo ―mayor‖, com finalidade de cotejar as dores e sofrimentos que envolvem as finezas defendidas pelos autores. Todas as comparações expressas nesse trecho estão relacionadas ao cotejo entre essas duas finezas.
Ao concluir o argumento, Sor Juana resgata o cotejo, porém com uma comparação de inferioridade: ―Y es menos dolor privarse del logro del amor, que sufrir agravios del amor y del respeto.‖
Outra sucessão de cotejos ocorre no momento em que Sor Juana narra a história de Davi e Absalão. Visto que Davi teve reações contrárias frente a duas faltas graves de Absalão, Sor Juana questiona essa diferença por meio do adjetivo ―mismo‖, que aponta a identidade do referente frente às duas reações, contrastadas nos adjetivos ―airado‖ e ―tierno‖, e reforçadas pelos advérbios ―ahí‖ e ―aquí‖. As ofensas de Absalão, perante as quais Davi reagiu, também são cotejadas por meio dos adjetivos de grau comparativo ―menor‖ e ―mayor‖. Entre as duas ofensas, a menor foi ter matado Amon e a maior foi ter desejado matar Davi. Por fim, Sor Juana coteja os sentimentos de Davi: os sentimentos gerados pela crueldade e falta de amor de Absalão para com Amon são colocados como superiores aos sentimentos gerados pela crueldade e falta de amor de Absalão para com o próprio Davi:
Éste es el mismo Absalón: pues ¿cómo ahí estáis airado por la menor ofensa que fue matar a su hermano, y aquí, por la mayor que es quereros matar a vos, no sólo no estáis enojado, mas estáis tierno? ¿Más sentimiento hicisteis de que Absalón fuese cruel con Amnón, que no de que lo fuese con vos? ¿Más sentís que faltase Absalón al amor de Amnón que al vuestro?.
Na carta de Sor Juana muitas comparações são sugeridas por meio de uma pergunta retórica. Nesses casos, a resolução da suposta comparação, mesmo que já implícita pelo contexto, vem, em geral, explicitada em alguma sequência posterior. No trecho a seguir, Sor Juana defende que uma fineza de amor deve ter um custo ao amante e uma utilidade ao amado. Assim, ao apresentar a morte como a fineza com mais custo e mais utilidade, primeiro supõe a superioridade desses atributos, em forma de interrogações, depois confirma a superioridade da fineza, que acaba por confirmar a superioridade dos atributos por raciocínio lógico: ―Pues pregunto, ¿cuál fineza para Cristo más costosa que morir? ¿Cuál más útil para el hombre que la Redención que resultó de su muerte? Luego es, por ambos términos, la mayor fineza morir‖.
Outra pergunta retórica em que se indaga o resultado de uma comparação aparece no momento em que a autora defende que o amor a Deus deve vir em primeiro lugar. Assim, Sor Juana busca mostrar que, quando os homens atendem ao pedido de Cristo de se amarem uns aos outros, é por obrigação a Cristo, a quem têm mais apreço. Ela quer mostrar que, quando se atende ao pedido de alguém em favor a outra pessoa, o apreço que se tem a essa terceira pessoa é muito maior. Da mesma forma, ela conta que quando Deus quis destruir o povo por idolatria e Moisés lhe rogou que salvasse o povo, Deus atendeu seu pedido muito mais pelo apreço a Moisés, e assim Moisés é que ficou mais obrigado a Deus:
¿Quién quedó aquí --pregunto-- más obligado a Dios, Moisés o el pueblo? Claro está que Moisés, pues aunque el beneficio resultó en bien del pueblo y quedó muy obligado a Dios, más lo quedó Moisés, pues lo hizo Dios por su respeto.
Outro recurso retórico que aparece relacionado às comparações na carta são as construções com efeitos de antítese e de paradoxo. Não causa estranhamento a estreita relação das comparações com esses efeitos nos textos do córpus, já que nesses mecanismos há sempre uma ideia primária de oposição, e que tanto comparação quanto antítese e paradoxo são recursos muito presentes nas obras barrocas. É possível notar esses recursos no ponto da carta que trata do choro de Madalena. Mesmo tendo negado que Cristo se ausentou, Sor Juana se dispõe a responder ao argumento de Vieira de que, como Madalena chorou pela
ausência de Cristo, sofreu mais sua ausência do que sua morte: ―[…] será preciso responder a la prueba de la Magdalena‖. Ela defende, então, que o argumento de Vieira não é válido: ―[…] que de llorar la Magdalena en el sepulcro y no llorar al pie de la Cruz, no se infiere que sea mayor dolor el de la ausencia que el de la muerte; antes lo contrario.‖
Sor Juana refuta o argumento de Vieira segundo o qual que o choro de Madalena é tido como indicador de maior sofrimento. Ela aponta o fato de o choro poder indicar tanto o sofrimento quanto o contentamento e realiza uma comparação geral de semelhança entre as lágrimas de pesar e as de gosto. Aparecem em cotejo dois sentimentos contrários entre si e que, sem nenhuma diferença, são indicados pelo choro: ―[…] luego no son indicio de muy grave dolor las lágrimas, pues es un signo tan común, que indiferentemente sirven al pesar y al gusto‖.
A partir daí, Sor Juana defende a não validade do argumento de Vieira apresentando uma linha de raciocínio que vai de encontro a uma crença geral já instituída sobre o choro e o sofrimento. Em geral, a ideia de choro é associada à ideia de grande sofrimento. Essa comum associação é desconstruída por Sor Juana, na medida em que a autora afirma que o sofrimento menor é que permite que se exprima o choro. Ela compara o amor de Cristo por Lázaro e por Judas, e também o amor de Madalena por Lázaro e por Cristo. Observa que Cristo amava muito a Judas, mas chorou na morte de Lázaro, assim como Madalena, que amava muito a Cristo, chorou na morte de Lázaro. Esse jogo de choro e ausência de choro, entre maior dor e menor dor, pode ser captado nas comparações dos trechos da lista seguinte:
‗Porque el inferior dolor, llora; el supremo, suspende y no deja llorar‘. ‗[…] exhala por el llanto aquellos mismos espíritus que le congojan por confortarle, en señal de que ya no necesita de tanto fomento como al principio‘.
‗[…] que es menor el dolor cuando da lugar al llanto, que cuando no permite que se exhalen los espíritus porque los necesita para su aliento y confortación‘.
‗[…] porque aquí el mayor dolor embargó al llanto, y allí el menor le permitía‘.
‗Es porque tuvo menor dolor en la muerte de Lázaro que en la muerte de su Maestro. Luego se prueba ser mayor dolor el que no deja llorar, que el que llora‘.
Sor Juana resgata as ideias de Vieira sobre a maior das finezas, e na construção de sua paráfrase fica expressa uma relação paradoxal na superioridade
da prova que Vieira apresenta para tal fineza. O paradoxo não ficou tão explícito nas construções de Vieira quanto nesta paráfrase de Sor Juana: ―porque dice que la
mayor prueba de esta fineza es el carecer de pruebas, porque es fineza sin
ejemplar.‖
No momento em que Sor Juana expõe sua opinião com relação à maior fineza do amor de Deus aparecem outras ideias paradoxais atreladas a comparações. Segundo a autora, a maior fineza são os benefícios que Deus deixa de fazer aos homens. A proposição atribui a superioridade da fineza à sua própria inexistência, o que normalmente causa certo estranhamento:
‗De manera que se arrepiente Dios de haber hecho beneficios al hombre que han de ser para mayor daño del hombre. Luego es mayor beneficio el no hacerle beneficios‘.
‗Agradezcamos y ponderemos este primor del Divino Amor en quien el premiar es beneficio, el castigar es beneficio y el suspender los beneficios es el mayor beneficio, y el no hacer finezas la mayor fineza‘.
Na continuação da análise, serão examinadas as comparações que estão mais atreladas às estratégias argumentativas de Sor Juana, às referências que ela faz do sermão e de Vieira, e aos contrastes e semelhanças existentes entre ela e