3.3.1 Caracterização do ambiente e a opção pelo local da pesquisa
A presente pesquisa foi realizada em uma Escola Estadual de Ensino
Fundamental (Ciclo I e II) e Médio, na cidade de Piracicaba, interior do Estado de São Paulo.
A Unidade Escolar localiza-se, na zona periférica da cidade, próxima à zona rural, atendendo
a uma clientela que reside tanto no bairro em que está localizada a escola, quanto a alunos que
moram na zona rural. A organização do espaço físico da escola, em 2007, era,
respectivamente, 12 (doze) salas de aula de 5ª a 8ª série do Ensino Fundamental (Ciclo II), no
período matutino; 11 (onze) salas de 1ª a 4ª série do Ensino Fundamental (Ciclo I), no período
vespertino e 05 (cinco) salas de Ensino Médio no período da noite. Em 2008, o espaço físico e
o agrupamento de alunos foram organizados conforme informações contidas no quadro a
seguir:
Tabela 01: salas de aula contidas na escola X número de alunos em cada sala de aula
Ano Período Salas de aula Número de alunos/série
2007
Vespertino 1ª série: 03
2ª série: 03
3ª série: 03
4ª série: 03
1ª série: 073 alunos
2ª série: 085 alunos
3ª série: 087 alunos
4ª série: 087 alunos
Matutino 5ª série: 03
6ª série: 03
7ª série: 03
8ª série: 03
5ª série: 093 alunos
6ª série: 096 alunos
7ª série: 095 alunos
8ª série: 098 alunos
Noturno 1º ano: 02
2º ano: 02
3º ano: 01
1º ano: 054 alunos
2º ano: 052 alunos
3º ano: 043 alunos
2008
Vespertino 1ª série: 01
2ª série: 03
3ª série: 03
4ª série: 03
1ª série: 039 alunos
2ª série: 075 alunos
3ª série: 083 alunos
4ª série: 088 alunos
Matutino 5ª série: 03
6ª série: 03
7ª série: 03
8ª série: 03
5ª série: 092 alunos
6ª série: 095 alunos
7ª série: 098 alunos
8ª série: 105 alunos
Noturno 1º ano: 02
2º ano: 02
3º ano: 02
1º ano: 050 alunos
2º ano: 053 alunos
3º ano: 049 alunos
A opção por desenvolver este trabalho nessa unidade escolar deve-se ao fato de
que a pesquisadora atua, nessa U.E., como professora de Língua Portuguesa, em caráter
efetivo, há quatro anos e desde 2006, é professora dos sujeitos da pesquisa. O fato de já estar
inserida na instituição há quatro anos, implica na existência de um elo de confiança entre a
pesquisadora e os integrantes dessa comunidade educacional, o que foi visto, por nós, como
um facilitador para o desenvolvimento desse estudo, tendo em vista o tempo escasso que
temos no programa de pós-graduação para cumprir créditos com as disciplinas obrigatórias,
optativas, mais os créditos complementares e mais a realização da pesquisa. Dessa forma, não
nos restou alternativa a não ser optar por desenvolver o trabalho em uma unidade educacional
na qual os vínculos de confiança já estavam construídos. A opção por outra instituição
educacional implicaria no investimento de um tempo maior para o contato com várias escolas
e vários professores (até que houvesse o aceite) e depois teríamos, ainda, todo o trabalho
inicial de construção de um elo entre pesquisadora-sujeito da pesquisa, o que demandaria um
período mais longo até que pudéssemos dar início à coleta de dados.
Torna-se necessário
esclarecer que esta opção está pautada, também, em
procedimentos científicos que permitem a um professor ser um pesquisador que não só
apreende, mas também compreende a prática reflexiva, construindo-a em seu processo. É
comum, em pesquisas atuais, estudos e investigações que valorizam metodologias de pesquisa
que incluam professores como co-protagonistas nos procedimentos de pesquisa e de
autoformação, como o que ocorre nesta pesquisa. André (1999, p.263) ressalta que “esse tipo
de pesquisa tem tido um papel muito relevante quando utilizada no contexto da formação
continuada” e que muitos trabalhos são extremamente bem conduzidos, atingindo resultados
importantes em termos de ação, de modificação de uma situação e que estas considerações
nos levam a pensar numa didática da formação, que tenha como referência o adulto aprendiz,
respaldado nas questões da prática docente e da realidade educacional, que ao mesmo tempo
se orienta para a efetivação de um projeto institucional.
Por outro lado, há desafios que devem ser citados quando falamos do uso da
pesquisa-ação, ligada à formação continuada de docentes. O primeiro deles é o desafio
epistemológico que vê a formação de professores por meio do ato da pesquisa como um
assunto muito recente, não havendo tempo suficiente para a consolidação dos conhecimentos
acumulados nesse âmbito. Há, também, o desafio metodológico, que, segundo André (1999),
diz respeito à natureza da investigação-ação, em que não se diferencia um pesquisador-
professor de um professor-pesquisador. Quanto a esse desafio, há que se tomar cuidado para
não se criar uma hierarquia de papéis, atribuindo mais ou menos valor a uma ou outra forma
de envolvimento na pesquisa. E, por último, a autora cita o desafio ético que englobam os
critérios do que se deve ou não ser publicado num trabalho de pesquisa.
3.3.2 O contato com a escola, a conversa inicial com os pais e com os sujeitos
da pesquisa.
Realizamos uma reunião com a direção e com a coordenação pedagógica da
escola com o intuito de explicar o projeto de pesquisa e solicitar autorização para a realização
da mesma. Foi esclarecido que a pesquisa tinha por objetivo verificar em que nível do
desenvolvimento do conceito de justiça, segundo a teoria de Piaget e Kohlberg, os alunos da
6ª série se encontravam e se uma intervenção pedagógica, pautada na discussão moral,
implicaria em uma evolução qualitativa da noção de justiça. A equipe de gestão fez duas
solicitações, após a emissão do aceite para a realização do trabalho:
a) a diretora da escola solicitou a apresentação de um projeto, esquematizando
como seria o trabalho dentro da sala de aula, juntamente com os textos que
seriam trabalhados com os alunos durante esse processo, pois este é um
procedimento constante da escola, quando se trata de uma ação didática fora
do conteúdo planejado anualmente. Solicitação essa que foi prontamente
atendida por nós;
b) a coordenadora pedagógica , por sua vez, solicitou que o referencial teórico
fosse apresentado aos professores , durante as reuniões de HTPC, com o
intuito de propiciar aos docentes a oportunidade de conhecer as etapas
evolutivas da moralidade rumo à autonomia. Dessa forma, nas reuniões de
HTPC das duas semanas posteriores, discutimos as linhas gerais sobre o
referencial teórico acerca do desenvolvimento da moralidade.
Um mês antes do início da coleta de dados foi feita uma reunião com os pais
dos alunos que viriam a ser os participantes da pesquisa, a fim de explicar o trabalho que seria
realizado , elucidar as dúvidas sobre a coleta de dados e solicitar autorização para que seus
filhos pudessem atuar como sujeitos da pesquisa (ver cópia do parecer do Comitê de Ética do
Instituto de Biociências da Unesp de Rio Claro-SP, anexo 01, pág 160). Durante a conversa
foi explicado que os dados coletados fariam parte de uma pesquisa de Mestrado em Educação,
que visava à construção da noção de justiça dos sujeitos participantes. Muitos pais
desconheciam a existência de um curso de Mestrado, porém, após a explicação,
demonstraram-se solícitos à participação de seus filhos na pesquisa. Todos os alunos da
Classe Experimental (turma A
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) tiveram a autorização dos pais, mas, na Classe de Controle
(turma B), quatro pais não autorizaram a participação de seus filhos.
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Os alunos também foram informados sobre a pesquisa e, nesse sentido, lhes foi
explicado que as atividades que seriam realizadas, em breve, fariam parte da coleta de dados
de um estudo que iria consistir na dissertação de Mestrado da professora-pesquisadora. Vários
questionamentos surgiram a respeito do que é um Mestrado, quais professores da escola
haviam feito Mestrado, se todas as faculdades tinham o curso de Mestrado. Constatou-se que
muitos ignoravam a existência de um curso de Pós-Graduação e não entendiam o motivo de
“ter que se estudar tanto”, porém, mostraram-se extremamente solícitos e empolgados com o
trabalho a ser realizado.