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todas as noites terá um formato diferente (...). Será totalmente digital, sujeita à nossa edição de transmissões e ângulos de filmagem. (MATTOS, 2005, p. 155)

Para dar efeitos ao cenário e a composição montada para a bancada, os enquadramentos de câmera são fundamentais. Têm-se dois tipos comuns de enquadramento de câmera: o central e o lateral. O enquadramento em ângulo superior ou inferior não é

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Jargão para o conjunto de palavras que indica o encerramento de uma montagem, como: “voltamos aos estúdios” ou “(nome do apresentador), é com você!.”

comum, até porque tais enquadramentos expressam a sensação ou de inferioridade ou de superioridade e o desejo do telejornal é que os jornalistas estejam em igual hierarquia com o telespectador, mesmo que em muitas vezes ele se apresente um tanto superior, mas não a ponto de um leigo perceber.

No enquadramento central, o repórter fica ao centro da tela e no enquadramento lateral, o repórter fica em um dos lados da tela e no outro lado há algum dado informacional, agregando uma nova informação ou servindo apenas para ressaltar o ambiente onde o repórter se encontra. Por exemplo, é no enquadramento lateral, no estúdio, que faz-se o efeito do

cromakey, colocando o apresentador de um lado e o selo de outro. Já quando há uma abertura,

encerramento ou uma cabeça de notícia compartilhada pelos apresentadores, o enquadramento da bancada é central.

Outra função da câmera tem a ver com os planos, ou seja, relações de abertura do espaço da filmagem no vídeo e do objeto a ser filmado. Os mais comuns são: Big Close,

Próximo, Médio, Americano, Conjunto e Geral. Esses planos são definidos pelos cinegrafistas

e/ou produtor e diretor. O Big Close ou Close-up é um plano de zoom mostrando detalhamento de um objeto ou pessoa, geralmente partes do rosto ou mãos. É comum, por exemplo, quando há um depoimento emotivo e o cinegrafista faz um zoom-in, ou seja, uma aproximação “fechando” a imagem para pegar a expressão do entrevistado na cena27.

O Plano Próximo é um corte geralmente na altura do peito, incluindo a cabeça da pessoa. Da mesma forma ocorre com o Plano Médio com o corte na altura da cintura e o

Plano Americano com o corte acima do joelho. Há ainda planos mais abertos, chamados de Conjunto e Geral, sendo que o Conjunto se preocupa com um todo e sua estética no vídeo e o Geral é a abertura máxima possível da câmera para mostrar uma paisagem, por exemplo.

Esses enquadramentos e planos podem ser feitos com movimentação de câmera ou com ela parada. Os movimentos de câmeras mais comuns são: panorâmica, tilt e travelling. A

panorâmica é feita com a rotação fixa de direita-esquerda da câmera na posição horizontal. O tilt é feito com a rotação fixa de direita-esquerda da câmera na posição vertical – como se a

câmera estivesse “deitada”. O travelling é feito com o deslocamento da direita-esquerda (ou para frente e para trás) com a câmera fixada na posição horizontal.

Esses enquadramentos, planos e movimentos de câmera são herdados do cinema que foram aplicados ao telejornalismo. Tanto nos estúdios como nas reportagens telejornalísticas, a câmera é mais fluida do que no cinema, que conta com um roteiro pré-estabelecido

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A mesma técnica de modo que promova o afastamento, e não a aproximação do objeto, dá-se o nome de zoom-

(storyboard). Com a câmera na mão, o cinegrafista pode combinar diversos movimentos em um curto espaço de tempo na mesma reportagem, criando uma noção ainda maior de presencialidade, por exemplo. No Brasil, os telejornais dificilmente apresentam movimentos de câmera nos estúdios, exceto nas aberturas e encerramentos. Os planos preferencialmente utilizados em estúdio são o Americano – quando o apresentador está atrás da bancada – e o

Conjunto – quando o apresentador se encontra em pé. Mas é nas reportagens que esses

recursos são mais utilizados.

2.1.4 Estrutura da Reportagem

A reportagem é planejada e obedece a uma linha editorial, um enfoque; a notícia, não. (LAGE, 2003, p. 51)

O telejornal é feito por blocos de reportagens e notas lidas pelo apresentador. Dentro de um mesmo bloco pode haver várias reportagens. Uma reportagem começa, na grande maioria das vezes, com uma cabeça lida por um apresentador no estúdio. A cabeça de matéria tem a função de apresentar a reportagem; é como o lead do jornal impresso que pode responder as perguntas: “Quem?”, “O que?”, “Quando?”, “Onde?” e “Por que?”. O questionamento “Como?” não é comum na cabeça de matéria em um telejornal, mas sim é respondida durante a reportagem.

Uma reportagem é feita a partir de imagens colhidas pelo cinegrafista e ordenadas por um editor de imagem, seguindo a orientação do repórter responsável pela matéria. O repórter freqüentemente aparece em suas reportagens para dar credibilidade em duas situações: evidenciar que ele esteve no local – ressaltando a questão da presencialidade do telejornal – e/ou assinar a matéria com o seu nome – se for um novato estará dando “a cara para bater” ou se for um experiente estará “colocando seu nome em jogo”.

Essas aparições dos repórteres na reportagem são chamadas entradas e elas podem ser feitas em três momentos: no início, no meio, ou no final. Quando a entrada é feita no início, chama-se de cabeça de repórter ou de abertura da matéria. Geralmente o repórter amplia a apresentação feita em estúdio ou chama a sua própria matéria com frases como “eu estive lá”; “a situação foi complicada”. A entrada de abertura é evitada no telejornalismo, já que as informações necessárias devem estar na cabeça. O tipo de programa onde é mais freqüente esse tipo de entrada é aquele que mistura jornalismo e entretenimento, como programas de variedades e humorísticos.

O segundo tipo de entrada é a mais comum e é conhecida como passagem. Esta entrada tem leva este nome por ficar, justamente, entre o início e o desfecho da matéria. Com

esse recurso, o repórter dá uma informação que ele não obteve com os entrevistados ou, também, muda a reportagem de enfoque ou de ambientação.

Por fim, a entrada de encerramento ocorre no final da reportagem. É comum a entrada de encerramento ser feita “ao vivo” através de um link. Nela, o repórter revela as últimas informações do fato até aquele momento ou aponta seu desfecho e as prováveis conseqüências. Muitas vezes, quando o telejornal vai ao ar, o repórter já terminou seu turno e não tem tempo de gravar uma nova entrada. Assim, o apresentador lê as últimas informações logo após a reportagem ter sido exibida, para esse caso chamamos de nota pé – ou de encerramento de matéria feita pelo apresentador. A nota pé tem duas funções: “fechar a matéria, fornecendo ao telespectador uma informação complementar e evitar que a última palavra de uma reportagem fique com algum dos entrevistados” (MACIEL, 1995, p. 61 apud REZENDE, 2000, p. 153).

Quando o repórter não está no vídeo durante a reportagem, sua voz aparece para conduzi-la. A locução feita pelo repórter sobre uma seqüência de imagens de preenchimento chama-se off ou texto em off. As imagens de preenchimento, gravadas pelos cinegrafistas para ilustrar as informações, servem de base para a locução. O videografismo é também utilizado, na ausência de imagens, e ocorre principalmente ao descrever dados numéricos, gráficos ou trecho de documentos – esse recurso também pode ser chamado de indicador. Pode-se dizer que é durante o off onde a relação entre texto-imagem ocorre no telejornal de modo mais tácita, pois combina um texto redigido pelo jornalista de modo a combinar com as imagens que serão exibidas na tela.

Outro recurso para cobrir a reportagem com informação e imagem é por meio de entrevista ou sonora. Nela os entrevistados dão seu depoimento sobre o fato ou adiciona um comentário que o repórter não poderia fazer, seja por ética jornalística ou mesmo para defender a sua credibilidade de imparcialidade, mascarando-a. É comum nas sonoras aparecer apenas um braço do repórter e o microfone, mas há outros modos de se fazer uma sonora com um entrevistado, como, por exemplo, enquadrar apenas a imagem do entrevistado.