2. CONTEXT OF THE STUDY
2.3. Transition in the survey area
Gostaríamos de ressaltar dois pontos da análise que estamos desenvolvendo: (1º) a análise da religião como campo organizado na “religião de igreja” e (2º) o próprio pressuposto de estratégias institucionais para o monopólio de produção religiosa inserido no contexto maior da secularização.
Os dois pontos levantados não estão separados, mas tão somente os ressaltamos a fim de mostrar que não estudamos a religiosidade em nível individual, mas como as instituições religiosas constroem as possibilidades de experiência com o sagrado e produzem bens simbólicos que garantem a salvação. Nisso, os pontos ressaltados
encontram-se sempre unidos: o princípio de secularização, mais do que qualquer outro paradigma, expõe a instituição religiosa como organização socialmente objetivada, que mantém a lógica do equilíbrio entre oferta e demanda para sua sobrevivência. Nesse caso, então, é necessário termos sempre em mente que estamos analisando a forma institucionalizada e organizacional da religião. A questão de como manter a sobrevivência da instituição, sem dúvida, está atrelada ao consumo da ideologia religiosa pelos leigos. Nesse sentido, a dinâmica sempre é dialética, e compreender os interesses dos indivíduos é imprescindível para que a instituição obtenha êxito.
Contudo, independentemente das demandas dos leigos, a lei interna das organizações religiosas sempre obedece ao princípio de manutenção da tradição. Este é um princípio institucional muito forte no campo religioso e que causa uma das grandes oposições com o indivíduo que vive em constante contato com inovações tecnológicas e mudanças abruptas dos bens de consumo. Sem dúvida, trata-se de um dos impasses que a religião cristã, como igreja institucional, enfrenta nos dias atuais.
Não há como fugir da dinâmica secular, pós-moderna, fragmentada e extremamente veloz da sociedade atual; mas, apesar dela, a instituição-igreja tem de garantir sua sobrevivência. O mecanismo social torna-se, portanto, similar aos mecanismos estratégicos das instituições seculares. Pensando em termos puros, as instituições erguem-se contra a autonomia do indivíduo e lutam para que este seja mais adaptado possível ao sistema objetivado da vida institucional. O mesmo acontece com a organização religiosa. Se pensarmos na liberdade total do indivíduo dentro da instituição, estaremos acreditando em uma falácia. Para que qualquer sistema organizacional sobreviva, é necessário, por mínimo que seja, um roubo da autonomia individual em favor da autonomia institucional. Sem dúvida, não há qualquer tipo puro na prática: o indivíduo nunca é totalmente autônomo, nem a instituição.
Essa discussão, que aborda o campo da religião e a posição dos sujeitos neste campo, ora pensando na organização, ora nos sujeitos, ou seja, na dinâmica dialética entre eles, encontra-se na discussão da secularização. Na realidade, nenhuma teoria sociológica a respeito da religião pode ignorar tal paradigma, mesmo que seja para refutação total ou parcial de suas teorizações. Propomos, assim, analisar o paradigma da secularização para, somente depois, situarmos as novas demandas dos sujeitos religiosos às condições da sociedade pós-moderna.
Segundo Stefano Martelli (1995), há muitas idéias a respeito das conseqüências da secularização3. Ela é tratada como um fenômeno positivo de libertação do homem, pela escola marxista, que coloca a religião como alienante. Também é considerada um fenômeno negativo pelos que contemplam a religião como salvação da humanidade. Além das questões valorativas, que, na realidade, partem do princípio de uma secularização empírica, também há divisões na forma metodológica de analisá-la. Para alguns estudiosos, o fenômeno é irreversível e unilateral, ao passo que, para outros, a secularização sofre reversibilidade, e um fato que comprova tal teoria é o cenário atual do crescimento da religião nas diversificadas formas que hoje assume.
Há, de fato, muitas teorias sociológicas que estudam a religião na sociedade pós- moderna a partir dos pressupostos da secularização. Mas, a despeito das variadas tendências teóricas, Martelli (1995, p. 272) mostrou o aspecto que pareceu se consolidar tanto na opinião pública quanto nos meios de comunicação: foi a idéia do “declínio irreversível da religião, à qual se contrapunha a ascensão irresistível da modernidade”. Esta idéia já não encontra tantos seguidores, e, atualmente, a sociologia da religião questiona tal processo secularizante, tido como contínuo, unilateral e evolucionista, sobre o qual falavam os teóricos modernos e que, por um positivismo acadêmico, acabaram por impor um fim à religião por meio da secularização.
Berger (1985) é um dos estudiosos que afirma que a religião perdeu o poder de explicação do mundo, a força de plausibilidade com o fenômeno de secularização. Em
3 O termo secularização sofreu transformações ao longo da história que o levaram a sair do aspecto
semântico para o simbólico. Embora sua origem seja jurídico-política, o termo sofreu intersecção com as áreas da filosofia, história e sociologia e, na categoria acadêmica, acabou imbuído da pretensão de interpretar a história ocidental da Idade Moderna. Na língua francesa do século 16, o termo indicava a passagem de um clérigo regular ao estado laical (leigo). Posteriormente, o conceito foi empregado para designar o processo de subtração de um território ou instituição da jurisdição e do controle eclesiástico. Foi na época napoleônica, na Alemanha, por volta de 1800, que o termo foi ampliado, passando a indicar a perda de direitos e bens religiosos – a espoliação de direitos e propriedades da igreja. Nesse período, o conceito ganhou sentido pejorativo em relação à igreja: o sentido de emancipação da tutela e do controle da mesma. Foi no século 19 que houve a passagem do campo jurídico-político para o campo filosófico- ideológico devido a vários fatores tais como o processo de afirmação político e social da burguesia, a inspiração positivista e o número crescente das diversas associações culturais dispostas a reduzir drasticamente a influência e controle por parte da igreja nas diversas atividades sociais. Nesse processo de evolução do conceito para o campo filosófico e ideológico, a secularização chegou até a pós-modernidade ligada aos processos de laicização, interpretados como autonomia em relação ao campo religioso. Portanto, ao analisarmos os significados do termo, sempre o encontraremos associado à presença – caracterizada pelo tipo de forma e força – da religião na sociedade. Desde já, pode-se perceber que a secularização questiona a legitimidade social da religião institucional, isto é, da organização religiosa. Em outras palavras, a secularização indaga sobre a sobrevivência da religião-igreja na sociedade atual e em que condições se dá esta sobrevivência.
suma, a religião entrou, devido à secularização, em uma crise de credibilidade. Berger mostra como a religião antes detinha o grande poder de tornar o mundo plausível e, portanto, ordenar e dar sentido à vida cotidiana e social do indivíduo. Este poder de plausibilidade foi minimizado pelo processo de secularização.
Nesta teoria bergiana, encontra-se a grande e atual discussão da religião no contexto mercadológico. Se, como já vimos, a religião produz um contingente de bens simbólicos, também é produto oferecido no mercado para fornecer sentido e exp licações para a vida. Na lógica de Berger, há, nessa situação, uma perda de eficácia simbólica, e a religião, porque não mantém mais o poder que tinha, tem de concorrer com outras instâncias doadoras de sentido. Logo, Berger apresenta a situação de pluralismo religioso comparável às situações do mercado livre. Incluídas na lógica de mercado, as igrejas, como instituições que são, precisam criar mecanismos de sobrevivência, e a oferta de produtos adequados é de extrema relevância para tal. A análise intensifica o caráter organizacional da religião. Por serem instituições religiosas de monopólio, as igrejas, embora já se valessem de estrutura burocrática, sobretudo no que se refere às questões sacerdotais, possuem, hoje, um aparelho burocrático de tal modo desenvolvido que as nivela entre si e com outras instituições sociais.
O que acontece, nesta religião de mercado, é que o gosto do consumidor entra na dinâmica para a produção dos produtos. Ou seja, antes do pluralismo, devido ao forte poder de plausibilidade, o produto não era rejeitado, mas imposto. Agora, o consumo religioso depende da aceitação do público, indicando a necessidade de que a oferta seja compatível com as carências leigas. Instaura-se a dinâmica do mercado na qual a organização oferece bens, almejando que os mesmos sejam consumidos. Para que isso aconteça, é preciso conhecer e explorar o gosto do consumidor.
Entretanto, precisamos pensar não apenas no foco do consumidor, mas também nos acordos institucionais que a organização pode fazer para vencer a concorrência. Há uma constante negociação entre a instituição e o leigo consumidor: a negociação precisa ser maior, em medida proporcional, à concorrência. Nessa dinâmica, o tipo de reação das organizações dependerá muito da ideologia e do grupo detentor do capital simbólico; o corpo clerical é que, de fato, responsabiliza-se pela instituição, e, apenas quando faz concessões, novos produtos podem surgir no mercado.
Portanto, quando Berger (1985, p.156) classifica uma “dinâmica da preferência do consumidor”, mostra que, a partir desta dinâmica, as instituições voltam-se para conhecer as demandas. Com isso o enfraquecimento do poder da religião estaria, exatamente na necessidade que as organizações têm, de se ajustarem às demandas. Caso a organização religiosa ignore as demandas, Berger (1997, p. 43) mostrou que ela seria um local de “minorias cognoscitivas” e teria sérios entraves para a sua sobrevivência institucional. Podemos perceber com essa argumentação que a opção institucional de não querer entrar em concorrência com outras igrejas pode levar a organização à falência. Ora, nitidamente o presbiterianismo brasileiro enfrenta na atualidade a discussão entre ser ou não uma igreja ajustada as condições impostas pelas demandas dos sujeitos. O grande pluralismo religioso no qual está inserida essa denominação e as mais variadas ofertas religiosas relacionadas à música-cúltica traz um impasse para a organização. O seu dilema baseia-se nas estratégias de sobrevivência institucional.
Esta é uma análise que, embora não identifique secularização com o fim da religião, deixa esta em grande dilema sob o aspecto institucional. O foco está nas escolhas do consumidor, e, portanto, a discussão torna-se institucional: organização burocrática e preferências do consumidor. Nessa perspectiva a tese da secularização gerou a crise da religião institucional que, por sua vez, é a crise de autonomia e poder de influenciar e determinar a ideologia religiosa. Pode-se, assim, presumir que com estratégias adequadas, a sobrevivê ncia institucional da religião também não esteja fadada ao fim. De fato, Martelli (1995, p. 294) concluiu que a secularização, para Berger, não leva ao fim da religião institucional, mas a “presença simultânea de Igrejas e grupos religiosos, com resultados abertos e até inesperados”. Com o processo de globalização, que favorece o rápido encontro de culturas e trocas de informações, inclusive as instituições religiosas podem assumir variadas formas para expressar novas modalidades de experiência religiosa.
Isso explica, em parte, o surgimento, no Brasil, na última década, de novas organizações religiosas, acomodadas com os novos desafios da pós-modernidade. Por outro lado, a realidade brasileira, especificamente dentro do âmbito de pluralismo religioso, ou seja, pensando-se apenas nos produtos religiosos como doadores de sentido, encontra um problema com a teoria de Berger no que diz respeito à característica da secularização
como uma tendência de irrelevância do sobrenatural na sociedade contemporânea (1997, p. 49). No pensamento bergiano, as igrejas produziriam, em negociação e adaptação com as preferências leigas, produtos cada vez mais secularizados, que, na sua concepção, teriam conteúdo cada vez menos sobrenatural (Berger, 1985, p. 157). Em outras palavras, os consumidores, com a consciência secularizada, prefeririam os produtos com menos explicação sobrenatural e, portanto, religiosa, do cotidiano. Mas como explicar, então, o pluralismo de ofertas religiosas ligadas ao sobrenatural? Como explicar, no Brasil, o crescimento de igrejas cuja procura pelo êxtase religioso é uma das características mais fortes?
Nesse ponto, aproveitamos as contribuições de Niklas Luhmann (1990) sobre o pluralismo religioso. Segundo o autor, a secularização caracteriza-se pela impossibilidade de um sistema interpretativo único. Essa característica iniciou-se com o processo de perda de poder de plausibilidade da religião, mas não ficou restrita a ela. A ciência e a política, que, na modernidade, foram a esperança messiânica da humanidade, também não respondem de forma totalizante aos anseios contemporâneos. Logo, se a religião perdeu o poder de integridade, de cimento social, que, para Durkheim (1989), consistia em sua primordial função, nenhuma esfera social conseguiu substituir tal função totalizante. A pós-modernidade apresenta-se exatamente pela fragmentação do todo social e da autonomia relativa dos campos. Entretanto, para Luhmann, se, por um lado, a religião perdeu seu papel de integrar todo o sistema, mantém ainda uma função essencial de representação simbólica e interage com todos os outros subsistemas, oferecendo condições de interpretar e dar significado. Isto é, para Luhmann (1982) a religião tem função interpretativa na sociedade, que, com base na complexidade do sistema social, vai-se delimitando cada vez mais em um subsistema próprio mais distanciado de outros subsistemas. A religião tem, assim, a capacidade de interpretação, um valor interpretativo que não pode ser substituído por outros subsistemas; uma reserva simbólica que somente a religião pode oferecer.
Nesse sentido, o pluralismo religioso não afetaria esta função interpretativa da religião na sociedade, mas apenas possibilitaria a escolha entre significados diferentes. A instituição religiosa é, portanto, quase uma necessidade organizacional a fim de que exista a condição de gerar significados para os outros subsistemas. Por isso, Luhmann acredita que a condição da religião na sociedade atual é a condição de religião-igreja:
somente como subsistema, a religião pode produzir generalizações simbólicas para todo o sistema social.
Embora encontremos distanciamentos entre as concepções de Berger e Luhmann, ambos mostram os dilemas vivenciados pela religião institucional ao ter de produzir interpretações, com o mínimo que seja de plausibilidade, para o indivíduo ou grupo de indivíduos contemporâneos. Em outras palavras, trata-se de analisar como a instituição religiosa sobrevive em uma época em que não existe mais uma única explicação plausível - antes religiosa - das crises existenciais. Se, para Berger, os produtos religiosos se secularizariam cada vez mais, para Luhmann, a auto-referencialidade do subsistema religioso ainda lhe permite manter produtos diferentes dos seculares. Luhmann traz, portanto, a possibilidade de que a religião seja buscada exatamente por oferecer bens especificamente religiosos. Com isso podemos pressupor que os sujeitos que vão ao seu encontro tenham um envolvimento com a organização e seu tipo de produção. Essa possibilidade é analisada, dentro do contexto mercadológico, pelo novo Paradigma do Mercado Religioso.
Uma nova geração de sociólogos americanos liderados por Rodney Stark, George Fink e Laurence Iannaccone que, na década de 1990, criaram uma abordagem chamada de “Paradigma do Mercado Religioso”, encara esta situação do mercado a partir das considerações de Berger, mas aponta para outras conseqüências do pluralismo religioso. Sob este novo paradigma, as instituições religiosas são analisadas, debaixo da ótica mercadológica, como fornecedoras de produtos para consumo religioso, atuando sob regras específicas de competição. Na lógica competitiva, o grau de regulação ou abertura do mercado influencia o nível de mobilização religiosa dos indivíduos. Em outras palavras, existe uma relação direta entre o grau de regulação do mercado religioso e os níveis de mobilização religiosa. Por sua vez, estes níveis não são apenas determinados por demandas dos consumidores, mas também por mudanças nas condições relacionadas às estruturas dos fornecedores (Iannaccone, 1992b; Finke e Stark, 1992). Resumidamente, este novo paradigma coloca o olhar sobre as condições de oferta das firmas religiosas e não nas demandas dos consumidores. As categorias mais empregadas passam a ser: estrutura organizacional, qualificação do vendedor, adequação do produto e técnicas de marketing. Esta teorização conclui que o êxito religioso depende da estrutura organizacional das empresas religiosas.
Não aceitamos por completo que o sucesso da instituição religiosa aconteça apenas por meio do uso correto de estratégias. Antes, acreditamos que o consumo religioso só ocorre quanto oferta e demanda se coadunam. Entretanto, este novo paradigma teórico expõe uma análise específica das estratégias organizacionais que são de extrema relevância para o estudo do pluralismo religioso seja entendida como um fenômeno que pode criar o fortalecimento institucional. Na perspectiva institucional as igrejas podem, a partir de estratégias eficientes, manter maior vínculo com seus adeptos. Para explicar tal situação, os estudos de Finke, Stark e Iannaccone (1994) são esclarecedores, porque apontam para um maior grau de mobilização religiosa nas condições de grande competição do mercado. Os autores afirmam que o caráter mercadológico das organizações religiosas não indica o enfraquecimento da religião no nível dos indivíduos, exatamente porque a submissão é voluntária e não imposta autoritariamente. Iannaccone (1991, 1992a), por meio de estudos históricos, mostrou que em sociedades onde ocorre o monopólio religioso, a indiferença religiosa, por parte do indivíduo, é um fato. Isso se deve à própria condição pós-moderna da sociedade, que não confere força aos discursos únicos. Sobre essa questão, também Finke e Stark (1992) explicaram os motivos do enfraquecimento da mobilização religiosa em caso de monopólio. O primeiro é que, ao se ter uma situação de monopólio, apenas um segmento da sociedade teria suas necessidades supridas, ou seja, boa parte dos indivíduos daquela sociedade viveria na situação de insatisfação religiosa por não ter as demandas atendidas. O segundo motivo estaria relacionado mais com a capacidade institucional de produzir ofertas. Segundo os autores, o monopólio deixaria a instituição religiosa mais preguiçosa e acomodada na produção de novos produtos. Tal quadro não condiz com o sujeito pós-moderno, que busca, incessante e cotidianamente, novas tecnologias e produtos. Portanto, a situação de monopólio não traz benefícios à instituição religiosa, porque esta não se encontra em concordância com as novas perspectivas organizacionais.
Partindo de toda essa construção, Iannaccone (1992) ressalta ainda o fenômeno da “escolha racional” no pluralismo religioso, que comprova a maior mobilização dos adeptos à instituição. Isto é, no pluralismo, há uma possibilidade de escolha por parte do indivíduo, que só adere à determinada religião depois de racionalizar seu posicionamento pessoal frente ao posicionamento institucional. Obviamente, quando
essa racionalização acontece, a possibilidade de mobilização é muito maior devido às afinidades, previamente verificadas, entre o indivíduo e a ideologia institucional. Iannaccone (1988) mostrou que existe uma microeconomia do sacrifício, que seria a verificação das variáveis “lucro” e “sacrifício” previstas na ideologia institucional. Ou seja, toda religião tem sanções punitivas e restrições que são formuladas a partir de doutrina, e estas são balanceadas com os lucros oferecidos, aquilo que retorna ao sujeito. A escolha racional permite, assim, maior mobilização religiosa porque os sujeitos podem analisar os custos e os benefícios da organização religiosa.
Neste trabalho, compartilhamos do novo paradigma na idéia de maior mobilização religiosa em condições de competição de mercado, mas, por outro lado, não caminhamos segundo o foco de análise na oferta como explicação para o êxito religioso. Entendemos que o sucesso religioso não se encontra relacionado apenas a estratégias de marketing. Também não temos uma compreensão de que apenas as demandas criam o consumo. Ficamos na relação convergente entre a adequação do produto, e isso depende das estruturas organizacionais às demandas dos consumidores, que exercerão mais poder sobre as instituições quanto maior for o nível de competição do mercado. Mesmo não seguindo na íntegra o Paradigma do Mercado Religioso, ele é fundamental para entendermos a dinâmica organizacional das instituições religiosas e o quanto as suas estruturas podem dar condições de adequação às demandas, criando sólidas relações de mobilização religiosa. Desse modo, a análise das demandas é de grande importância. Para realizá-la é preciso investigar os sujeitos dentro da sociedade contemporânea, ou seja, da sociedade pós-moderna.