Na educação, os dados revelam um sistema educacional precário, carente de ações pontuais para assegurar avanços significativos na Educação Infantil, no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Em 2011, no período de aplicação das provas para o levantamento do IDEB realizado em novembro do mesmo ano, a esfera educacional no Estado do Rio Grande do Norte enfrentava uma longa greve de professores, mas, mesmo diante desse fato, manteve-se o índice de 3,1 apresentado em 2009 com alunos do Ensino Médio.
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental (do 1º ao 5º ano), o RN registrou um avanço no IDEB, passando de 3,5 para 3,8. O Estado também esboçou crescimento nos anos finais dessa etapa de ensino, passando de 2,9 para 3,0. No entanto, apenas a manutenção do índice ou um tímido avanço não são suficientes para garantir que a educação no Rio Grande do Norte se fortaleça e cumpra seu papel na sociedade.
Como o foco da nossa pesquisa é a RMN, mais especificamente duas escolas públicas municipais, uma situada em Natal e outra em São Gonçalo do Amarante,
96 apresentamos uma tabela que nos possibilita expor os dados do IDEB nos dois municípios, bem como nas duas escolas que compõem o campo da nossa pesquisa.
Tabela 4: Municípios, Escolas e o IDEB
MUNICÍPIO/ESCOLAS IDEB OBSERVADO METAS PROPOSTAS
2009 2011 2013 2015
NATAL 3,7 4,0 4,4 4,7
EM PROFº ULISSES DE GÓES 3,1 4,1 4,6 4,9
SÃO GONÇALO DO AMARANTE 3,2 3,3 3,7 4,0
EM JOSÉ HORÁCIO DE GÓIS 2,2 -x- -x- -x-
Fonte: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Elaboração própria com base nos dados do INEP.
Comparando o IDEB dos municípios de Natal e de São Gonçalo do Amarante, observamos que Natal apresenta um índice maior, resultado da aprendizagem dos alunos, o que vai consequentemente influenciar na construção do IDEB dos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Quando observamos a situação das duas escolas amostra da pesquisa, percebemos que a EMPUG, situada em Natal, possui um IDEB mais alto do que a EMJHG, situada em São Gonçalo do Amarante.
A EM José Horácio de Góis possui turmas a partir da Educação Infantil até o 5º ano do Ensino Fundamental, e, em virtude disso, os alunos não realizam a Prova Brasil. Então, o IDEB da escola tem como parâmetro o índice alcançado por outra escola que se localiza próximo dali – a EM Profª Jessica Débora Melo Bezerra – a qual possui turmas do 1º ao 9º ano do ensino fundamental. No entanto, o último IDEB data de 2009, pois em 2011 a escola não atingiu número suficiente de alunos para a realização da prova, assegurando a republicação do Índice.
Acreditamos que, os fatos relatados neste tópico são suficientes para apresentar o cenário da EMJHG, que provavelmente se repete em diversas regiões de nosso país, tais como: situação de abandono e descaso tanto do poder público como da própria comunidade escolar, que não cumprem de forma adequada seu papel educativo.
97 Observar essas falhas e apresentar encaminhamentos que redirecionem a prática no contexto escolar é uma das premissas da pesquisa maior, bem como desta tese, mas deve ser também um compromisso da sociedade, dos governantes e daqueles que atuam na educação.
O que discutimos neste capítulo, fundamentando-nos nas pesquisas de Pereira (1976) e Aguirre (2009), somados às demais discussões e dados apresentados, sinalizam a existência da relação entre fatores socioeconômicos e o baixo IDEB das escolas da Região Metropolitana de Natal. Tal fato nos leva a confirmar que a falta de acesso a livros, à cultura, à tecnologia, dentre outros, contribuem para que o desempenho de professores e alunos seja comprometido, gerando, dessa forma, um ciclo em que as dificuldades são reforçadas e os casos de sucesso constituem pontos isolados. Ademais,
Os problemas educacionais contam entre os principais temas que se impõem à atenção dos cientistas sociais brasileiros. Pondo de lado as razões de ordem científica, mais ou menos evidentes, há duas espécies de interesses intelectuais em jogo. Primeiro, a de conhecer os fatores e as consequências sócio-culturais de nosso atraso na esfera da educação. Em um país no qual a parte analfabeta da população abrange nada menos que 50% do total e em que a educação escolarizada ainda representa um privilégio, é imperioso fazer indagações suscetíveis de esclarecer como e por que necessidades educacionais básicas deixam de ser atendidas ou são enfrentadas de modo deficiente. Segundo, a de saber-se como colocar os conhecimentos fornecidos pelas ciências sociais a serviço da solução dos problemas educacionais brasileiros. (FERNANDES, 1965 apud PEREIRA, 1976, p.15-16).
As colocações de Florestan Fernandes na parte introdutória do livro de Luiz Pereira (1976) desenham um cenário conhecido por nós, brasileiros. É fato que reduzimos consideravelmente a taxa de analfabetismo em nosso país, visto que hoje as taxas giram em torno de 9,6% para a população de 15 ou mais anos de idade (IBGE, 2010). No entanto, tais taxas ainda são mais altas na região Nordeste e no Semiárido. Existe ainda um abismo entre a educação praticada nas regiões Sul e Sudeste e as demais regiões brasileiras.
98 Pelas informações apresentadas, passamos a compreende que, as ciências humanas e sociais podem e devem contribuir com a educação, com o intuito de propor soluções para os problemas educacionais brasileiros. Precisamos abandonar a crença de que Educação Básica na Rede Pública seja um privilégio; antes, trata-se de um direito do cidadão e um dever do Estado.
99 4 CAPÍTULO III: O PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISA
Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.
(Paulo Freire) ste capítulo aborda os aspectos metodológicos da pesquisa desenvolvida para esta tese, apresentando o brincar e o lúdico como ferramentas pedagógicas no ensino dos componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática para alunos do ensino fundamental de escolas públicas da rede municipal da Região Metropolitana de Natal/RN. Para tanto, contextualizaremos o cenário da pesquisa-ação para, em seguida, justificarmos nossa escolha pela modalidade de pesquisa-ação colaborativa, com base nos estudos de Ivana Maria Lopes de Melo Ibiapina (2008). Por fim, apresentamos o passo a passo das atividades realizadas nas escolas, bem como os avanços advindos da utilização de ferramentas pedagógicas diferenciadas pautadas no lúdico e no brincar, contribuindo para o avanço do processo de ensino e de aprendizagem dos alunos.