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O sistema 1.0 contou com 55 jardins instalados em diferentes aparelhos. Desses jardins, 33 duraram apenas uma ou duas interações e foram desconsiderados para uma análise mais profunda. Sendo assim, apenas 22 jardins receberam uma análise mais detalhada, pois obtiveram mais de quatro interações em períodos de tempo de mais de dois dias. Na próxima página será apresentada a figura 28 que demonstra os resultados quantitativos de interação desses sistemas analisados. O gráfico da figura 28 apresenta isoladamente os sistemas de mais atividade e agrupa na cor cinza intitulada “outros” os de menor atividade. O gráfico

demonstra que existe, com exceção do sistema de ID 19 e 18, maior atividade por parte dos usuários durante o começo do uso do sistema. Não foi observado nenhum uso constante ou regular em nenhum dos sistemas analisados. O gráfico também apresenta momentos de interrupção das interações por parte dos usuários, com um retorno menos ativo em seguida. A relação pode ser observada nos sistemas de ID 2 um mês de não atividade do usuário ID 18 e 25, com dois meses de ausência de atividades do usuário e ID 23, com três meses de ausência de atividade. O sistema de ID 13 é uma enorme exceção que apresenta uma atividade constante durante um curto período de tempo. Algo semelhante a esse resultado de interação ocorreu ao sistema de ID 49, em que uma intensa interação ocorreu apenas durante dois meses.

Como objeto de pesquisa mais profunda, foram selecionados os sistemas de ID 2 e 23. O primeiro apresenta um comportamento mais homogêneo durante um longo período de tempo. O segundo apresenta um intervalo longo de interação com atividades mais intensas por períodos mais curtos. Dos respectivos sistemas serão analisadas alterações nas áreas do jardim18 (Figuras 29 e 30) e o posicionamento dos

agentes computacionais do jardim (as plantas) em relação ao tempo.

Na figura 29, as séries 1 a 5 são respectivamente as áreas do jardim e a mudança da variável umidade. A variável umidade é alterada tanto pelo usuário quanto pelo clima local. Por exemplo, se o usuário determinar 50% de umidade, significa na verdade 50% da umidade

18 Áreas do jardim são as divisões do espaço bidimensional do sistema A-Memory Garden que podem ser modificadas por ação direta e indireta do usuário.

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Figura 28 - Volume de interações do sistema 1.0

Fonte: diagrama criado pela autora

Figura 29 - Dados dos campos do sistema 1.0 de ID 2, variável humidade.

Fonte: diagrama criado pela autora

local disponível. Podemos observar que os campos, com exceção da Série 2, apresentam uma variação direta, mas condicionada ao clima, do período de setembro a outubro de 2012 e após mantêm-se constantes. Por ser uma interação direta do usuário, mas sujeita às condições climáticas do ambiente real onde o usuário interage com o sistema, a umidade pode representar uma relação de não interação direta do usuário a partir de outubro, mantendo uma média climática inalterada que representa ausência de comunicação com a web.

A figura 30 representa as alterações dos cinco campos do sistema de ID 23 da variável fertilizante. Ao contrário da variável umidade, fertilizante é uma ação direta do usuário não condicionada ao clima local. O gráfico mostra que durante o período de não utilização do sistema de dezembro a abril de 2013, os campos sofrem uma estabilização por falta de ação do usuário.

A figura 31 mostra o estágio de vida da planta em relação a sua posição x no espaço bidimensional do jardim. A planta selecionada fez parte do jardim de ID número 23, e seu ID específico era o 11, era uma planta do tipo romã. A planta nasceu com um DNA de umidade

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Figura 30 - Dados dos Campos do Sistema 1.0 de ID 23, variável fertilizante.

Fonte: diagrama criado pela autora

mediana, aproximadamente 50%, necessitando de muita profundidade de solo, muito fertilizante e uma necessidade de sombra de média para baixo, em torno de 40%.

A base de dados do sistema A-Memory Garden 1.0 demonstrou que durante a primeira morte, a área 1, para onde a planta foi diretamente deslocada pelo usuário era de baixa umidade, baixa profundidade, muita sombra e muito fertilizante. Com a baixa profundidade e a baixa umidade, a planta passa diretamente do estágio de jovem para morta. A base demonstrou que ela sofreu mutação nesse momento, passando de morta para

jovem, portanto se tornando uma planta de condições de baixa umidade, baixa profundidade, alta sombra e ainda necessitando de altos níveis de fertilizante.

A planta jovem foi novamente deslocada para a área 3, mas decide sair para a área de número dois, que a base de dados demostrou mais próxima a sua nova condição. Esta decisão pode ter sido tomada por uma relação de comunicação com outras plantas, pois, se fosse somente por sua condição ideal, ela deveria retornar para a área 1. Na área 2, a planta se desenvolve, mas não o suficiente, e morre sofrendo novamente uma mutação. Os dados demonstram que nesse momento, as condições da área 2 foram alteradas para alta umidade, baixa profundidade, altas sombras e baixo fertilizante, que são as novas condições dessa planta. Ela então se desloca (ou é deslocada) para a área 3, onde novamente cresce

Figura 31 - Estágio de Vida da planta por área, Jardim ID 23

Figura 32 - Estágio de Vida da planta por área, Jardim ID 2 Fonte: diagrama criado pela autora

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Figura 33 - Jardim ID 23, momento de maturação da romã em área de número 3.

Figura 34 - Jardim ID 2, momento de maturação da bromélia em área de número 3.

Fonte: captura de tela, momento recriado a partir da base de dados pela autora.

Fonte: captura de tela, momento recriado a partir da base de dados pela autora.

Figura 35 - Estágio de Vida da planta por área, Jardim ID 1.

Fonte: diagrama criado pela autora

(Figura 33) e depois de um tempo morre novamente, sofrendo uma outra mutação decorrente de nova alteração das condições por parte direta do usuário. A narrativa dessa planta, apresentada na figura 31 e 32, demonstra que um agente pode vir a sofrer um histórico de vida muito variado durante o tempo de interação e vida do sistema.

Outra narrativa de planta pode ser observada na figura 32, que mostra o estágio de vida de uma planta no jardim de ID número 2, planta de ID número 3. A planta era uma bromélia, que nasceu com DNA de alta umidade, baixa profundidade, média sombra e média para baixa necessidade de fertilizante, em torno de 40%.

A base de dados do sistema 1.0 aponta para uma mudança de área logo nos primeiros estágios da vida da planta, uma mudança brusca que tem como causa a interação direta do usuário sobre a área 3. A área 3 no momento da mudança passa de muita umidade para média, baixa profundidade para alta, sombra média e de muito fertilizante para pouco. A área em questão atende dois requisitos da planta: a sombra e fertilizante. Como ela não é alterada bruscamente de posição, percebe-se que ela permanece viva, mas sem evoluir. A base de dados demonstra que em determinado momento a quantidade de fertilizante da área é reduzida e observa-se um crescimento na planta (Figura 34). Quando novamente a área é alterada com aumento de

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Figura 36 - Jardim ID 1, romã bastante desenvolvida em área de número 3.

Fonte: captura de tela, momento recriado a partir da base de dados pela autora.

sombra, a planta sofre e morre, não ocorrendo mutação. As variáveis alteradas foram basicamente de interação direta do usuário. Esta narrativa apresenta uma história de vida um pouco mais linear de um agente, quando comparada com a narrativa anterior.

Na versão 1.0 do sistema A-Memory Garden, existiu um banco de trechos de entrevistas sonoras que estava associado a determinados tipos de plantas em alguns momentos. Usando como exemplo a narrativa da romã, exemplificada na figura 31, durante os períodos de morte, a romã apresentou sonoridades específicas podendo variar entre duas memórias sonoras desse momento. A primeira sobre como passar a mão sobre a planta para saber se as folhas estão caindo. A segunda falando que a raiz pode estar com problemas.

Por outro lado, se usuário tocasse a planta durante seu momento de maturação com flores ouviria com certeza uma das seguintes mensagens sonoras: que a planta está lhe dando um presente, ou que é preciso fazer carinho nas flores. Caso esse fosse o objetivo da pesquisa, poderiam ser encontradas narrativas e junções de memórias de cada agente a partir da base de dados capturada.