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A seguir será discutida a composição dos fluxos de capitais na conta de capital e financeira no balanço de pagamentos8 no Brasil. Para tanto, os fluxos de capitais considerados serão os seguintes: Investimento direto (ID), Investimento em carteira (IC) e Outros Investimentos.

Os Investimentos Diretos Estrangeiros (IDE), segundo Paulani (2007), podem ser definidos como as aquisições e venda de capital feitas por não residentes num determinado período e, na mesma direção, os Investimentos Diretos Brasileiros (IDB) são representados pelas aquisições e venda de capital feito por residentes num determinado período.

O gráfico 9 ilustra o Investimento Direto Brasileiro (IDB) e o Investimento Direto Estrangeiro (IDE), em valores líquidos, para os anos de 2000-2013. Para o IDB, é notório

8 Para tanto, será necessário distinguir residentes e não residentes de determinado país. De acordo com as

definições de Paulani (2007), os residentes de um país são todas as pessoas que tenham esse país como principal centro de interesse, ao contrário disso tem-se os não residentes.

que nos anos de 2000-2006, os valores aumentaram os déficits, em números absolutos passaram de US$ -2.281,6 milhões, em 2000, para US$ -2.8202,5 milhões, em 2006. Foi a partir de 2006 que o IDB apresentou melhora em seus valores absolutos, em 2013, atingiu saldo líquido positivo de US$ 3.495,1 milhões.

Para o Investimento Direto Estrangeiro (IDE), o gráfico 9 ilustra que, entre os anos de 2000-2003, ocorreu uma tendência de queda, recuperando-se daí em diante, ou seja, o IDE saltou de US$ 1.8145,9 milhões em 2004 para US$ 6.3995,9 milhões em 2013. Portanto, fica evidenciado a supremacia dos Investimentos Direto Estrangeiros (IDE) em relação ao Investimento Direto Brasileiro (IDB), quando se analisa o intervalo de tempo entre os anos de 2000 até 2013.

Gráfico 8 - Investimento Direto Brasileiro (IDB) e Investimento Direto Estrangeiro (IDE), em milhões de US$, para os anos de 2000-2013.

Fonte: Dados do BACEN, 2014.

A tabela 5 ajuda entender a evolução da participação dos IDE e IDB na composição do investimento direto total. Para o caso dos IDB em relação ao IDT9 são notadas uma pequena participação dos capitais brasileiro, sendo que a maior participação foi observada em 2009, com 16% do total. No que tange aos Investimentos Direto Estrangeiro (IDE) em

9 Investimento Direto Total (IDT) é a soma dos Investimento Brasileiro Direto (IDB) e Investimento Direto

Estrangeiro (IDE). -30000 -25000 -20000 -15000 -10000 -5000 0 5000 10000 15000 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 investimento_direto_brasileiro_ 10000 20000 30000 40000 50000 60000 70000 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 investimento_direto_estrangeiro

relação ao Investimento Direto Total, os valores ratificam a predominância dos capitais estrangeiros em investimentos diretos.

Tabela 4 - Participação dos Investimentos Brasileiros Diretos e Investimentos Estrangeiros Direto em relação ao Investimento Total Direto para os anos de 2000- 2013

Período IDB/total IDE/Total

2000 -0,06 1,07 2001 0,07 0,91 2002 -0,10 1,18 2003 -0,01 1,03 2004 -0,61 2,18 2005 -0,09 1,20 2006 -6,72 -2,01 2007 -0,16 1,26 2008 -0,40 1,83 2009 0,16 0,72 2010 -0,17 1,31 2011 0,01 0,98 2012 0,03 0,96 2013 0,04 0,95

Fonte: Calculados a partir de dados do BACEN, 2014.

Os Investimentos em Carteira, de acordo com o BACEN, é o registro dos fluxos líquidos de ativos (Investimento brasileiro em carteira - IBC) e passivos (Investimento estrangeiro em carteira - IEC) constituídos por valores mobiliários comumente negociados em mercados secundários de títulos.

No gráfico 10 tem-se o Investimento Brasileiro em Carteira (IBC) e o Investimento Estrangeiro em Carteira (IEC), ambos valores líquidos em milhões de dólares (US$) para os anos de 2000-2013. Para o caso brasileiro, entre os anos de 2000 a 2009, o comportamento dos investimentos seguiu sem grandes oscilações, entretanto, após 2009, são verificadas maiores movimentos. Em 2009, os investimentos em carteiras registraram queda, passando de US$ 4.124,50 milhões em 2009 para US$ -4783,90 milhões em 2010. Em 2011, é notado melhoras nos investimentos em carteiras, os mesmos foram registrados

em US$ 16.858,30 milhões, entretanto, posteriormente, pode ser constatada uma tendência de queda para os anos seguintes.

No que se refere aos Investimentos Estrangeiros em Carteiras (IEC) a partir de 2002, segue-se uma tendência de crescimento até os ano de 2008, nesse período percebe-se uma queda até 2011, em seguida, os investimentos retornam a uma tendência de crescimento.

Gráfico 9 - Investimento Brasileiro em Carteira (IBC) e Investimento Estrangeiro em Carteira (IEC), em milhões de US$, para os anos de 2000-2013.

Fonte: Dados do BACEN, 2014.

O Gráfico 11 mostra a relação entre o estoque de moeda estrangeira na economia e a taxa de câmbio real efetiva para os anos de 2000 a 2013 no Brasil. As reservas internacionais correspondiam a US$ 33.011,00 milhões para uma taxa de câmbio de 1,83. Nos anos que se seguem, a taxa de câmbio passou por uma forte depreciação, retornando somente em 2008 aos valores próximos ao observado em 200010.

10 As causas da desvalorização cambial de 2002 podem ser atribuída tanto por fatores estruturais internos,

fatores externos e o ambiente político. Por fatores estruturais internos, a crise de fornecimento de energia em 2001, que levou o país a um estado de racionamento e afetou tanto a capacidade produtiva propriamente dita como a perspectiva de investidores frente a possíveis choques similares no futuro; a crise da Argentina em 2001 e a possibilidade de Spillovers para a economia brasileira, podem ser consideradas um dos principais

-10000 -5000 0 5000 10000 15000 20000 2000 2003 2006 2009 2012 IEC -8000 -6000 -4000 -2000 0 2000 4000 6000 8000 10000 2000 2003 2006 2009 2012 IBC

Em 2009 também registrou uma depreciação cambial, porém com razões distintas daquelas verificadas no início dos anos 200011. De 2009 até 2011 percebe-se uma tendência de valorização da taxa de câmbio nominal e, daí em diante, retoma uma tendência de apreciação.

Gráfico 10- Reservas Internacionais, em milhões de US$, e taxa nominal de câmbio efetivo, para os anos de 2000-2013

Fonte: Dados do BACEN, 2014.

Em relação ao estoque de moeda estrangeira na economia brasileira, é notada uma tendência de aumento em seus valores absolutos desde o ano de 2005. Em todo caso, não é possível atribuir, diretamente, que a apreciação da taxa de câmbio real, para o período em questão, fora decorrente da variação dos estoques de moeda estrangeira na economia brasileira.

No que se refere às taxas de juros, quando maior forem suas taxas, maior será a demanda por ativos financeiros no mercado, no entanto, definimos como proxy destes ativos financeiros os Investimentos em Carteiras Total (ICT), que correspondem tanto aos investimentos domésticos quanto aos investimentos estrangeiros em carteira. A hipótese é

fatores externos e, por fim, o processo eleitoral em 2002, que elevou o risco-país e a incerteza dos investidores quanto ao quadro conjuntural da política brasileira. Para maiores detalhes, os trabalhos que contribuem para esse debate são: SAQIB (2002), GORETTI (2002) e WILLIAMSON (2002).

1,5 2 2,5 3 3,5 4 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014 0 50000 100000 150000 200000 250000 300000 350000 400000 EME (direita) TCR (esquerda)

que, quando as taxas de juros estão elevadas, aumentam-se os investimentos em carteiras e, reduz, os investimentos nos setores industriais.

O Gráfico 12 representa a taxa de juros Selic da economia brasileira, em valores mensais e anualizada em porcentagem (% a.a), para os anos de 2000 e 2013. Entre os anos de 2000 a 2003, a taxa de juros da economia apresentou um comportamento de alta, a partir de 2003, a mesma seguiu uma tendência de queda. Dessa forma, o comportamento da taxa de juros é de suma importância para a análise dos fluxos de capitais e para os níveis de investimentos da economia. Como discutido, o modelo de doença holandesa, ampliado pelos fluxos de capitais, tem como componente principal as altas taxas de juros reais. Assim, mesmo com a queda na taxa de juros, ilustrada no Gráfico 12, segundo a Trading

Economics, o Brasil possui uma das maiores taxas de juros do mundo.12

Gráfico 11 - Taxa de Juros Selic Mensal Anualizada (% a.a.) entre os anos de 2000-2013.

Fonte: Dados do BACEN, 2014.

Portanto, a análise desta seção debruçou-se na análise do comportamentos das séries de fluxos de capitais na economia brasileira, entre os anos de 2000 até 2013. O quadro 3 traz informações acerca da sigla, descrição, fonte e código dos dados das séries, para este caso, os dados são do Banco Central do Brasil (BACEN). Sendo ICT - Investimento em Carteira Total (2657), ICB - Investimento em Carteira Brasileiro (2658),

12 Segundo dados disponíveis na http://www.tradingeconomics.com/, o Brasil está na 23º colocação em 2014

no ranking das maiores taxa de juros do mundo.

6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 26 28 2000 2002 2004 2006 2008 2010 2012 2014

ICE - Investimento em Carteira Estrangeiro (2669), IDT - Investimento Direto Total (2636), IDE - Investimento Direto Estrangeiro (2645), IDB - Investimento Direto Brasileiro (2637) e OI - Outros Investimentos (2689).

Quadro 3 - Lista de Siglas e Fontes das Variáveis dos Fluxos de Capitais Financeiros.

Sigla Descrição Fonte Código

ICT Investimento em Carteira Total BACEN 2657 ICB Investimento em Carteira Brasileiro BACEN 2658 ICE Investimento em Carteira Estrangeiro BACEN 2669 IDT Investimento Direto Total BACEN 2636 IDE Investimento Direto Estrangeiro BACEN 2645 IDB Investimento Direto Brasileiro BACEN 2637

OI Outros Investimentos BACEN 2689

A tabela 6 apresenta as estatísticas descritivas das séries apresentadas no quadro 3. Pela análise descritiva, percebe-se que os dados possuem certa assimetria, já que a mediana mostra-se menor que a média, em ambas variáveis. O Coeficiente de Variação dos Investimentos em carteira foram superiores em relação aos investimentos direitos. Sendo que o coeficiente de variação dos investimentos brasileiros em carteira foi bem superior aos demais, bem como sua amplitude (diferença de valores máximo e mínimo). Tais estatísticas indicam que os investimentos em carteira apresentaram maior variabilidade no período em questão.

Tabela 5 - Estatísticas Descritivas, usando as observações no Brasil 01/2000 – 12/2013

Estatísticas IDT IDB IDE ICT IBC IEC OI

Média 7483,3 -1160,1 8643,4 4446,9 -62,629 4509,5 -1218,2 Mediana 5884,6 -497,40 6724,9 2974,9 -117,80 3397,6 -1525,9 Mínimo -13551 -20397 1309,0 -15954 -5587,7 -17734 -18393 Máximo 27055 10298 25930 28731 7569,1 24574 14018 Desvio Padrão 7195,1 4220,4 5640,6 7706,9 1961,8 7631,3 7277,5 Coeficiente de Variação 0,96148 3,6381 0,65259 1,7331 31,324 1,6923 5,9740 Enviesamento 0,36328 -1,5670 0,93197 0,69091 1,0592 0,46713 -0,0029508 Curtose 0,75733 6,9822 0,082421 1,2916 5,1337 1,2657 -0,30109