Dado Juína MT R. Norte Brasil32
IDH 0,749 0,767 Entre 0,650 e 0,777 0,768 Taxa Alfabetização Adulto (15 anos ou +) 86,1 88,2 88,4 86,333 Taxa de analfabetismo (15 anos ou +) 24,77 12,4 8,9 11,4 Longevidade 73 74 70 68,134 Renda per capita R$ 284,60 R$ 5.342,00 R$ 3.480,00 R$ 8.694.0035 IDH educ. 0,799 0,741 0,722 0,885
Fonte: quadro elaborado com base no IBGE - PNAD –
2000/2004; anuário estatístico de MT – 2003 e Relatório de Desenvolvimento Humano – 2004.
Na questão da agricultura, os problemas se apresentam pela falta de política agrícola e agrária, definidas para a pequena propriedade, para a agricultura familiar. Ao contrário das políticas
32 Dados considerando o ajuste ao gênero. 2002. 33 Média entre (Fem) 86,5 e (Masc) 86,2.
para os agropecuaristas que a cada ano cobram e recebem a rolagem das dívidas, novas linhas de crédito. Além disso, ultimamente a desoneração da cesta básica – diminuição da alíquota de impostos sobre insumos da produção, fato que segundo o governo diminuiria o preço de determinados produtos industrializados. Por outro lado, a falta de rodovias pavimentadas no interior e a resistência dos agricultores às “novas metodologias” de plantio, adubação orgânica – que, por conseqüência, exige mais trabalho e um maior tempo de adaptação da cultura ao processo, são algumas das dificuldades apontadas pelos trabalhadores, embora reconheçam que os produtos orgânicos têm bom mercado e revertem em maior renda. Resta ainda, em muitos casos, vencer o medo do diferente e incorporar outro olhar sobre a floresta, já que muitos são migrantes dos mais diversos pontos do país.
Aqui, vale a pena ver o que Furtado36 nos diz sobre a imigração de nordestinos para a Amazônia, mas que serve a todo imigrante brasileiro para esta região:
“os planos do imigrante nordestino que seguia para a
Amazônia seduzido pela propaganda fantasista dos agentes pagos pelo interesse da borracha, ou pelo exemplo de poucas das pessoas afortunadas que regressavam com recursos, baseavam-se nos preços que o produto havia alcançado em suas melhores etapas. Ao declinarem de vez, a miséria generalizou-se rapidamente. Sem meios para regressar e na ignorância do que realmente se passava na economia mundial do produto, lá foram ficando. Obrigados a completar seu orçamento com recursos locais de caça e pesca, foram regredindo à forma mais primitiva de economia de subsistência, que é a do homem que vive na floresta tropical, e que pode ser aferida por sua baixíssima
taxa de reprodução. Excluídas as conseqüências políticas que possa haver tido, e o enriquecimento fortuito de reduzido grupo, o grande movimento de população nordestina para a Amazônia constitui basicamente num enorme desgaste humano em uma etapa em que o problema fundamental da economia brasileira era aumentar a oferta de mão-de-obra (1964. p. 161)”.
Cremos, firmemente, que tal observação não se restringe exclusivamente aos nordestinos levados à Amazônia. Os projetos de colonização de Juína, de Alta Floresta, Juruena, Colniza, Canarana entre outras no MT; assim como de Colorado D’oeste, Cabixi, Ouro Preto do Oeste em RO, onde a propaganda de atração dos colonos, agricultores ou mesmo moradores das pequenas cidades do sul e sudeste, obedeceu ao mesmo viés, embora num tempo cronológico anterior ou posterior, a depender do caso. A partir de 1976 foram descobertas jazidas de diamantes na região de Juína, através da SOPEMI - Sociedade de Pesquisas Minerais e Projeto RADAMBRASIL, que fomentou a migração de garimpeiros de outras regiões do Estado e do país.
Contraditoriamente, encontramos diferentes temporalidades numa mesma atividade, como, por exemplo, a
agricultura: trabalho escravo, posseiros, agricultura familiar e as grandes fazendas, seja de gado ou de soja, cana-de-açúcar, configuradas num espaço arcaico e moderno simultaneamente que aos poucos, vai sofrendo novas investidas, de particulares do governo, já que uma região não pode ser pensada apenas como um espaço geográfico (Silva. 2004; Campos. 2001).
Assim, a CODEMAT - Companhia de Desenvolvimento de Mato Grosso - foi quem iniciou o processo de ocupação da região de Juína, através do Projeto Juína, em 1977, sob a gerência do
colonização começou a partir de 1978, quando inúmeras famílias, especialmente do centro-sul do país, migraram para essa região. A exploração de diamantes, em algumas porções dessa região, foi descontrolada e tem causado problemas ambientais, ainda não muito bem avaliados (Relatório do Fórum de Desenvolvimento da Região 12. 2002.). A mineração foi a segunda atividade da região, já que para a CODEMAT, a potencialidade natural seria a agricultura. O fato é que, de 1977, quando o projeto Juína é pensado, construído e colocado em execução, até o surgimento do garimpo, duas décadas se passaram, tempo que pode parecer curto para o sentido histórico, mas muito longo, quando se trata da concretização de sonhos: ter sua terra, melhorar de vida e construir um “pé de meia”, como dizem os agricultores, para garantirem aos seus descendentes uma situação melhor do que aquela que seus pais e avós tiveram. E para concretizar tal sonho, a educação é, segundo eles, uma ferramenta indispensável, “com a educação a sua cultura se alarga, você vê o
mundo com outros olhos, compreende as coisas que não são ditas”
(Antonio Sanches ex aluno da EAT).
Embora com o título de rainha, seus diamantes foram para a Arábia Saudita, por meio da bolsa de diamantes dos irmãos Bem- Davi, israelitas que construíram a bolsa de diamantes compraram algumas milhares de gemas. E, se for pra desnudar as mazelas da falta de controle do Departamento Nacional de Produção Mineral, o imposto arrecadado com a produção diamantífera do município foi irrisório, é vergonhoso verificar que menos de 1% das pedras garimpadas foi objeto do tributo no maior garimpo de produção industrial do país nos anos de 1990.
Depois do fechamento dos garimpos, os homens voltaram para suas posses e se depararam com uma família sem perspectiva. As prostitutas do garimpo, mais senhoras de sua própria vida, foram em busca de um outro eldorado, mas, como o tempo de trabalho na venda dos prazeres da carne passa sorateiramente, logo elas
descobrem que, nesta profissão, mais do que em qualquer outra, a experiência é um fator negativo, os indivíduos do sexo masculino preferem as jovens, se for virgem, a mercadoria é mais valorizada. Até nas questões do prazer, o valor da ‘mercadoria’ varia conforme a raridade. Os trabalhadores, na fronteira, sobretudo, os garimpeiros, pagam pelas mercadorias, sem levar em conta as questões de mercado, já que, no ‘catriado’, o preço dos objetos é calculado pela quantidade de pepitas que o garimpeiro tem.