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A preocupação com a sustentabilidade do desenvolvimento humano tem explicações históricas. Na década de 40, com o fim da Segunda Guerra Mundial e a criação da Organização das Nações Unidas - ONU, em 1945, diversas nações como China, Estados Unidos, França, Reino Unido e a ex-União Soviética perceberam a necessidade de um movimento de organização internacional em torno de propósitos e princípios universais, explicitados na Carta das Nações Unidas (ONU, 2001, 2009).

Tal período constituiu-se, na visão do historiador Eric Hobsbawn (1995), como o início de uma Revolução Social caracterizada pela rapidez e universalidade das transformações econômicas, sociais e culturais. As nações fortemente afetadas pela II Grande Guerra encontravam-se em processo de reconstrução, necessitando aplicar com máxima eficácia os recursos financeiros de que dispunham, bem como as ajudas externas que recebiam. A Europa central e ocidental, tal qual a América do Norte passaram a desenvolver produtos e tecnologias visando o mercado consumidor das nações em recuperação. Houve uma forte migração de trabalhadores do campo para as grandes cidades, em busca de melhor renda e condições de vida (saúde, educação, saneamento básico etc).

Foi neste contexto, em 1966, nos Estados Unidos, que surgiu oficialmente a expressão “indicadores sociais”, através da obra de Raymond Bauer, intitulada Social Indicators (Santagada, 1993). A nação americana atravessava um momento paradoxal de prosperidade econômica e intensas reivindicações sociais de grupos étnicos excluídos. Diante dessa conjuntura, sociólogos americanos foram convidados a desenvolver trabalhos que explicassem esse fenômeno além do aspecto econômico, utilizando um modelo teórico e empírico fortemente baseado na teoria sociológica da modernização. Nessa corrente, o objetivo era promover a modernização e o desenvolvimento industrial da sociedade capitalista, procurando sempre entender as disfunções deste sistema social, sem afetá-lo. Havia uma noção de bem estar social comum, sem espaço para interesses antagônicos aos do Estado, na tentativa de um controle social (Altman, 1981).

Segundo Nahas (2005), foi nessa conjuntura que surgiu o indicador: “um dado, uma informação, valor ou descrição que retrata uma situação, um estado de coisas (...) é conceito

vinculado à função, ao papel daquele dado (...) deve ter abrangência de expressão, ou seja, deve informar além daquilo que expressa diretamente” (p.12).

A partir dos anos 70, as concepções da sociologia americana foram expandidas para a América Latina, nações européias (Alemanha, Inglaterra, França) e Japão. Esse processo trouxe consigo uma reformulação do conceito de indicadores sociais, que incluiu, além do aspecto econômico, questões sobre qualidade de vida e bem estar comum. Houve uma busca por mensurar o bem estar social e dar visibilidade a esta informação (Santagada, 1993).

Com base nessas articulações, os indicadores sociais passaram a ser entendidos como ferramentas numéricas obtidas a partir de estudos interdisciplinares que fornecem informações específicas acerca das condições de sobrevivência de uma determinada população (Nahas, 2005; Santagada, 1993). Estão frequentemente associados à disponibilidade de recursos e ao acesso das pessoas aos mesmos (Torres, Ferreira & Dini, 2003). Nesse sentido, podem incluir informações a respeito das condições de saúde, educação e trabalho, entre outros aspectos. Passou-se a investir em estratégias capazes de mensurar a qualidade de vida das populações, facilitando assim a identificação de circunstâncias e regiões geográficas de maior desigualdade social. Órgãos governamentais e não governamentais passaram a trabalhar nesse tipo de atividade. No cenário internacional, ocorreu uma onda de criação de agências especializadas, programas e fundos de auxílio humanitário vinculados à ONU.

As agências especializadas são organismos intergovernamentais autônomos vinculados à ONU por meio de acordos especiais e coordenados pelo Conselho Econômico e Social (ECOSOC). São exemplos dessas instituições: a Organização Internacional do Trabalho – OIT (criada em 1919, mas vinculada à ONU em 1946), a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação – FAO (criada em 1945), a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (criada em 1946) e a Organização Mundial da Saúde (criada em 1946 e ratificada em 1948) (ONU, 2009).

Os programas e fundos de auxílio são organismos intergovernamentais especializados, criados pela ONU com propósitos específicos de caráter social, econômico e humanitário, coordenados pela Assembléia das Nações Unidas. São exemplos dessas ações: o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD (criado em 1965), o Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF (criado em 1946), o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA (criado em 1972) e o Fundo de População das Nações Unidas – UNFPA (criado em 1969) (ONU, 2009). Foram elaborados também diversos indicadores, tais como: a Taxa de Mortalidade de Menores de Cinco Anos - TMM5, o Índice de

Desenvolvimento Humano - IDH e o Índice de Liberdade Humana – ILH, entre outros. A TMM5 representa o número de crianças que morrem antes dos cinco anos por 1.000 nascidas vivas. Trata-se de um indicador utilizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância – UNICEF para mensurar mudanças no bem estar social infantil, além de contribuir para a colocação dos países no ranking do relatório da Situação Mundial da Infância. O Índice de Desenvolvimento Humano – IDH é um instrumento que classifica os países de acordo com sua capacidade de ofertar condição humana (esperança de vida ao nascer, grau de alfabetização dos adultos, e poder real de renda per capita de cada nação). O Índice de Liberdade Humana – ILH classifica os países de acordo com o grau de liberdade de seus povos, tomando como base a Declaração Universal dos Direitos Humanos, além de outras convenções internacionais.

Nessa conjuntura, países sulamericanos como o Brasil também aderiram a esse perfil de produção de dados e pesquisas a partir dos anos 70, conforme demonstra o panorama nacional.