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Após leitura inicial do material a ser analisado organizamos a informação de forma a facilitar a análise e sucessiva categorização.

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Numa fase inicial e face aos critérios definidos, excluímos o material referente ao cliente «prestador de cuidados» de forma a obter o nosso corpus de análise, ou seja, os conjuntos de dados a ter em conta para serem submetidos ao procedimento de análise do seu conteúdo.

Uma reflexão e análise mais aprofundada sobre o corpus de análise conduziram à seleção das unidades de contexto e consequentemente à análise e categorização. Para a construção das categorias utilizámos, como modelo de análise à priori:

 A CIPE®, como estrutura semântica.

 A norma ISO 18104 para a construção de diagnósticos e intervenções de enfermagem.

Utilizamos a CIPE® como um modelo de análise dos conceitos documentados nos SIE. Esta opção está relacionada com o facto de nesta classificação estarem contidos os conceitos necessários à descrição dos cuidados de enfermagem.

Suportamos o processo de análise nesta primeira fase, também pela norma ISO 18104 (Health Informatics, 2003) enquanto terminologia de referência orientada pelos conceitos de enfermagem.

As figuras seguintes apresentam-nos os esquemas dos modelos de referência para a construção de diagnósticos e intervenções de enfermagem.

Figura 3: Modelo de terminologia de referência para diagnósticos de enfermagem

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Figura 4: Modelo de terminologia de referência para intervenções de enfermagem

Adaptado de ISO 18104 (Health Informatics, 2003)

Este modelo de terminologia para os diagnósticos e intervenções de enfermagem, enquanto Standard Internacional, visa:

 Suportar a definição intencional de diagnóstico de enfermagem e os conceitos das

intervenções de enfermagem, que sejam reflexo de uma ampla gama de papéis e cenários de prática.

 Facilitar a representação dos diagnósticos de enfermagem e os conceitos das intervenções

de enfermagem e suas relações em uma forma adequada para o processamento do computador.

 Fornecer uma linguagem para descrever a estrutura do diagnóstico de enfermagem e os

conceitos das intervenções de enfermagem para permitir uma integração adequada com outros modelos de terminologia de referência e com modelos de informação (Health Informatics, 2003).

O modelo de terminologia incorpora conceitos e definições dos mesmos. Relativamente aos conceitos incorporados nos modelos de referência, no que se refere aos diagnósticos de enfermagem, os conceitos estão definidos da seguinte forma:

 Foco – definido como sendo a área de atenção. Pode ser trabalhado em função do tempo.  Juízo – definido como sendo a opinião relativa ao foco. Recomenda o uso de descritores que

estão qualificados como o grau, a potencialidade, a acuidade ou agudeza e o tempo.

 Dimensão – definida como sendo a qualidade que proporciona uma perspetiva sobre o foco.  Beneficiário – «subject of information», definido como a entidade a que o diagnóstico se

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 Localização – definida como a estrutura física que especifica a posição do foco ou do alvo.

Pode ser uma parte do corpo, uma estrutura alterada ou um dispositivo.

Relativamente ao modelo de referência para as ações de enfermagem é a seguinte a definição dos conceitos que o constituem:

 Ação – é o processo através do qual um serviço intencional é aplicado ao Beneficiário dos

cuidados. Pode ser trabalhada em função do tempo.

 Alvo – é a entidade que é afetada pela ação de enfermagem ou que proporciona o conteúdo

para essa ação.

 Meios – são as entidades usadas para desenvolver a ação de enfermagem.  Via – é o caminho pelo qual é conseguida essa ação.

 Local – é a estrutura física que especifica a posição do foco ou do alvo.

 Beneficiário dos cuidados – é a pessoa, família ou grupo a quem a ação é prestada.

Estes dois modelos permitiram classificar a quase totalidade do corpus de análise, no entanto, foi acrescentada uma categoria relativa à enunciação dos diagnósticos de enfermagem, a «especificação da dimensão». Este caso particular prende-se com a constatação de informação documentada nos SIE e associada a uma dimensão enquanto «…quality possessed by an <individual> or <group> which provides a perspective on…focus, and nursing diagnosis»8 (ISO 18104, 2003), ausente no modelo de referência mas presente no material em estudo, no sentido de melhor descrever e especificar a dimensão sobre a qual o foco é ajuizado. Por exemplo, nos enunciados dos diagnósticos de enfermagem:

«conhecimento sobre estratégias adaptativas para se levantar no levantar-se não demonstrado»

«aprendizagem de capacidade para a utilização da técnica de levante no levantar-se não

demonstrado»

Os conceitos presentes nesta categoria da especificação da dimensão seriam as estratégias adaptativas e a técnica de levante.

Assim, cada enunciado de diagnóstico de enfermagem foi analisado na perspetiva do juízo que lhe está associado, na perspetiva das dimensões envolvidas, isto é, na perspetiva de outros focos com ele relacionados e utilizados para traduzir de forma mais precisa as necessidades dos clientes em cuidados. Da mesma forma, analisaram-se os enunciados das intervenções de enfermagem que lhe estão associadas.

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Qualidade do indivíduo ou grupo que p opo io aà u aà pe spetivaà so e…fo osà ouà diag sti osà deà enfermagem – tradução livre da autora.

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Definindo uma relação como sendo uma ou mais correspondências entre fenómenos (Freixo, 2010), construir um modelo destas relações a partir do que se encontra documentado, é o que se pretende.

Após análise e reflexão sobre as categorias dos dados obtidos, resultaram quadros representativos do processo de análise de conteúdo que foram sujeitos à validação por um grupo de peritos (anexos II a VII).