Part I – Thesis Summary
1. Introduction and background
CARBOIDRATOS (REPOSITORES ENERGÉTICOS)
Em diversos estudos avaliou-se o efeito do consumo de suplementos apresentando diferentes formas físicas, da água pura e de solução placebo no desempenho físico. Vale ressaltar que na maioria desses estudos verificou-se que as soluções carboidratadas exerceram impacto positivo no desempenho físico (25, 32, 33, 34, 35, 36).
Avaliando atletas de endurance, McConell et al. (32) examinaram o efeito da ingestão de uma bebida carboidratada (concentrada a 8%) no metabolismo muscular, durante exercício prolongado. Eles observaram que o consumo de carboidrato durante o exercício retardou a fadiga, ou seja, resultou em um aumento de 30% no tempo para atingir a exaustão no teste máximo e que os níveis do inositol monofosfato, marcador da degradação do ATP no músculo, foi menor quando comparado ao teste controle (água). Esses resultados indicam que a reposição energética com carboidratos durante o exercício prolongado otimizou a capacidade de endurance, em parte devido à melhora do balanço energético muscular.
A melhora do desempenho associada ao consumo de solução carboidratada (6,4% de carboidratos) durante exercício prolongado, também foi verificada por Febbraio et al. (33). Apesar de utilizar uma concentração diferente da citada anteriormente, eles observaram que no teste com bebida carboidratada, realizado em homens treinados em
endurance, o tempo para atingir a exaustão (fadiga) foi também significantemente maior
17
Já Fritzsche et al. (34) observaram efeito positivo da ingestão de carboidratos (bebida concentrada a 6%) sobre a potência muscular máxima. Eles compararam o efeito da água pura e da ingestão de uma bebida carboidratada sobre a potência neuromuscular máxima durante exercício prolongado de intensidade moderada e constataram que a reposição energética e hídrica, promovida pelo repositor energético foi mais eficiente em atenuar o declínio na potência muscular.
Com o objetivo de investigar o efeito da reposição energética sobre exercícios intermitentes de alta intensidade, avaliou-se o efeito do consumo de uma bebida esportiva (contendo 7% de carboidratos) sobre testes de habilidades específicas do futebol (potência/velocidade, coordenação e drible) que eram realizados após uma partida de 90 minutos de duração. Os atletas que consumiram bebida carboidratada, durante o exercício, foram mais velozes, apresentando efeitos benéficos no teste específico de drible e apresentaram maiores taxa de precisão nos movimentos em relação ao grupo placebo (35). Os resultados sugerem que o consumo de bebidas carboidratadas durante o jogo pode prevenir a perda do desempenho nas habilidades específicas do futebol.
Em outro estudo com jogadores de futebol, Guerra et al. (25) investigaram os efeitos da ingestão de uma bebida esportiva (contendo 6% de carboidratos) sobre o desempenho físico durante uma partida de 75 minutos de duração. Os atletas que ingeriram solução carboidratada tenderam a apresentar menores valores de frequência cardíaca e de temperatura corporal, menor perda de peso corporal, maior número de
sprints executados na primeira parte do jogo em relação aos atletas que ingeriram água.
Desta forma, a bebida carboidratada mostrou-se efetiva contribuindo para um aumento do desempenho físico.
Resultado semelhante foi encontrado por Ali et al. (36) em um estudo de validação cruzada, duplo-cego, avaliando universitários jogadores de futebol com
18
reduzidos estoques corporais de glicogênio (carboidrato endógeno). A redução dos estoques corporais de carboidratos dos jogadores foi induzida por um protocolo específico de exercício em cicloergômetro seguido por uma refeição com baixo teor de carboidratos, na noite anterior ao experimento (testes). Eles verificaram que o consumo de uma bebida contendo carboidrato (concentrada a 6,4%) durante noventa minutos de testes específicos para o futebol melhorou o desempenho na habilidade e na velocidade (sprints) quando comparada à bebida placebo.
Os estudos anteriores indicam haver consistência sobre a importância e o efeito do oferecimento de bebidas contendo carboidratos para indivíduos que praticam exercícios de longa duração (>1 hora de duração), como o futebol, mesmo quando a prática ocorre em diferentes condições e com concentrações de carboidratos variadas (de 6 a 8%). Por outro lado, sobre outras formas físicas de repositores energéticos (gel e barra energética) as evidências não são tão consistentes, pois ainda são pouco explorados.
É recente o interesse científico em avaliar os efeitos nos aspectos fisiológicos e no desempenho do exercício entre as diferentes formas físicas dos repositores energéticos fontes de carboidratos. Dessa maneira, embora o gel de carboidrato seja muito utilizado por esportistas, existem poucos estudos para comprovar seus benefícios em relação ao desempenho físico (37).
O primeiro estudo com o objetivo de avaliar o efeito de repositor energético fonte de carboidrato na forma de gel sobre o desempenho físico durante o exercício foi realizado por Patterson e Gray (37). Eles avaliaram o desempenho físico de jogadores de futebol por meio de um teste de agilidade (shuttle run) e observaram que o tempo para atingir a exaustão foi 45% maior (p<0,05) no teste com a reposição energética com carboidrato em gel do que no teste em que a reposição foi feita com a água pura, como o esperado quando se compara o consumo de carboidratos ao consumo de água pura
19
durante o exercício, visto que a ingestão do carboidrato promove a manutenção da glicemia durante o exercício.
Outros estudos visando comparar os efeitos das diferentes formas físicas dos suplementos fontes de carboidratos, incluindo o gel, foram desenvolvidos em outras modalidades esportivas como no estudo de Burke et al. (38) em corredores de meia- maratona, e no estudo de Campbell et al. (16) que avaliaram o desempenho físico de triatletas e ciclistas.
Burke et al. (38) utilizaram o suplemento fonte de carboidrato na forma de gel para verificar o efeito da ingestão de carboidrato na performance de corredores altamente treinados, imediatamente antes e durante uma corrida de meia-maratona. Eles não observaram benefícios estatisticamente significantes na reposição energética com gel de carboidrato em relação à água, provavelmente devido ao desconforto gástrico relatado por três corredores durante o teste com gel de carboidrato, o que levou a um prejuízo na
performance dos mesmos. Porém, a melhora no tempo para realizar a corrida no teste
com gel de carboidrato, foi de 14 segundos (melhora de 0,3%) quando comparado ao teste com a água. Mesmo este resultado não sendo estatisticamente significante, cabe destacar que na prática esportiva é representativa, uma vez que essa diferença de tempo pode ser a diferença de tempo entre o primeiro e segundo lugar numa competição.
Em relação à forma física sólida, a utilização de carboidratos sólidos antes e/ou durante o exercício como forma de reposição energética são poucos relatados na literatura (22).
Hargreaves et al. (39) realizaram um estudo de delineamento cruzado (cross-over) para comparar os efeitos da ingestão de carboidrato na forma sólida (43 g de sacarose + 400 ml de água por hora de exercício) em relação à bebida placebo artificialmente adoçada (grupo controle: 400 ml de bebida placebo por hora de exercício) na utilização
20
do glicogênio muscular durante quatro horas de ciclismo. Os resultados mostram que a utilização do glicogênio muscular, por meio da biópsia muscular (músculo vasto-lateral), foi menor (p<0,05) e que no teste máximo o tempo para atingir a exaustão foi 45% maior (p<0,05) com a ingestão de carboidrato e água quando comparado ao placebo. Por meio desses resultados eles afirmam que a ingestão de carboidrato na forma de uma mistura sólido-líquido durante um exercício intermitente em cicloergômetro, foi efetiva em poupar a utilização do glicogênio muscular e aumentar o desempenho físico, frente ao consumo de uma bebida placebo.
4. LEVANTAMENTO BIBLIOGRÁFICO DE ESTUDOS COMPARATIVOS