Para a elaboração dos instrumentos de coleta de dados, utilizamos a pesquisa bibliográfica sobre a história da arte e da arte-educação, descrita nos itens 2 e 3; a pesquisa documental sobre a Legislação Federal, Estadual e Municipal sobre o ensino de Arte, descrita no item 4; os questionários foram realizados com os professores dos anos iniciais do Ensino Fundamental; e as entrevistas realizadas com os Orientadores Pedagógicos das escolas participantes.
Para a elaboração dos questionários, construímos um Quadro Metodológico, relacionando as perguntas elaboradas com os objetivos da pesquisa. Esse quadro encontra-se no Apêndice A do presente relatório.
Na construção do questionário, algumas perguntas foram feitas fora da ordem estabelecida nos objetivos. Essa inversão foi intencional, para que a memória dos entrevistados não fosse influenciada pela própria pergunta. Para a pesquisa, era importante que as questões relacionadas com a experiência vivida pelo professor como estudante do ensino básico fossem respondidas antes das perguntas orientadas pela legislação atual. Perguntas sobre as orientações do PCN, por exemplo, poderiam influenciar na pergunta sobre quais conteúdos fazem parte da aula de arte.
O questionário foi elaborado contendo 36 questões, entre abertas e fechadas (Apêndice B). As 12 primeiras visaram a caracterizar o público-alvo: foram perguntas apenas informativas sobre sexo e idade dos participantes, formação profissional e ano de formatura.
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O principal objetivo foi o de traçar um perfil desses professores para futura comparação de sua atuação em sala de aula com sua formação profissional. Sabemos que, como foi explicado no item 3, o ensino de Arte passou por várias fases, e a política produtivista das décadas de 70-80 influenciou significativamente no ensino de Arte, época tanto da experiência educacional como da formação profissional desses professores.
As oito perguntas relacionadas ao primeiro objetivo específico (“Analisar as políticas educacionais municipais em relação ao ensino de Arte, especificamente na orientação dada aos professores pela equipe gestora municipal”) buscam identificar a relação do professor com a disciplina em relação à legislação vigente, elaboração e cumprimento do horário de aula, busca ou não de fundamentação teórica para a elaboração do planejamento e acesso e uso do material de arte disponibilizado pela escola.
Nas questões relacionadas ao segundo objetivo específico (“Constatar como o ensino de Arte está sendo concebido pelos professores dos anos iniciais das escolas municipais de Presidente Prudente”), duas perguntas evocavam a memória da experiência vivida pelo professor como aluno do ensino básico, e duas relacionavam-se com a sua prática atual em sala de aula. Na primeira, foi pedido ao professor que contasse uma atividade significativa e, na segunda, foi pedido que apenas citasse atividades interessantes. A diferença intencional entre “contar” e “citar” está no fato de que, muitas vezes, as atividades são planejadas, citadas, mas não chegam a ser efetivamente desenvolvidas. Apenas as atividades realizadas podem ser contadas com riqueza de detalhes, transmitindo o envolvimento emocional do professor com a sua realização.
Outras três perguntas relacionadas com o terceiro objetivo específico (“Identificar as expectativas e dificuldades dos professores em relação ao ensino da disciplina Arte”) procuraram identificar a importância dada pelo professor à Arte como disciplina obrigatória. Foram perguntas abertas, que investigaram a opinião do professor sobre o assunto e a sua justificativa.
Finalmente, oito perguntas foram feitas para que o próprio professor apontasse se houve ou não orientação para o ensino de Arte em sua formação de professor polivalente e se, atualmente, tem recebido algum tipo de formação continuada sobre o assunto, tanto nas HTPCs como em cursos oferecidos pelo poder público. Duas perguntas relacionadas ao seu preparo e à existência ou não de dificuldade em trabalhar com Arte deram espaço para que o professor pudesse colocar sua opinião, suas necessidades e expectativas relacionadas ao assunto.
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Um teste piloto, ou, segundo Marconi e Lakatos, um Pré-teste, foi realizado com seis professores do ensino fundamental de Presidente Prudente, de escolas não participantes da pesquisa. Segundo as autoras, “o questionário precisa ser testado antes de sua utilização definitiva, aplicando-se alguns exemplares em um pequena população escolhida. A análise dos dados evidenciará possíveis falhas existentes”. (MARCONI, LAKATOS, 2005, P.205)
O Pré-teste foi aplicado em três etapas: primeiro com três professores, depois com um e, finalmente, com dois. Após cada aplicação do questionário, foi realizada uma conversa com os participantes sobre as questões, clareza e objetivo da pergunta e sugestões de melhoria. O questionário foi sendo modificado após cada etapa, até que se conseguisse um modelo final que atendesse aos objetivos da pesquisa. Somente após esse processo, entramos em contato com as escolas envolvidas para o agendamento de um horário com os professores para a aplicação dos questionários.
As questões foram aplicadas aos docentes dos anos iniciais durante as HTPC, de forma individual e anônima. Para a tabulação dos dados, os questionários foram numerados por grupos, de acordo com cada escola (a1,a2,a3,b1,b2,b3...).
Para a entrevista feita com os Orientadores Pedagógicos, utilizamos o mesmo sistema de construção de um Quadro Metodológico, relacionando as perguntas aos objetos da pesquisa. Esse Quadro Metodológico encontra-se no Apêndice C deste relatório.
As entrevistas foram realizadas na escola, em dia e horário escolhidos pelo entrevistado, de forma individual e reservada, sem a presença dos professores.
Foram feitas 15 perguntas básicas, sendo que, por se tratar de uma entrevista semiestruturada, foi dada toda a liberdade ao entrevistado de expressar sua opinião sobre o assunto (Apêndice D). As primeiras quatro perguntas referiam-se à caracterização dos participantes, com perguntas referentes à graduação e ao tempo no cargo de orientação. Acreditamos que o tipo de graduação do orientador e sua experiência no cargo possam ter influência direta sobre a orientação dada ao ensino de Arte na escola. Segundo Franco (2008, p. 44), “esta caracterização, embora não apresente limitações e/ou dificuldades adicionais, é indispensável para a contextualização dos dados”.
Seis perguntas relacionadas ao primeiro objetivo (“Analisar as políticas educativas municipais em relação ao ensino de Arte, especificamente na orientação dada aos professores pela equipe gestora municipal”) referiam-se às orientações dadas pelo orientador no momento do planejamento, ao controle das atividades realizadas em sala de aula, às
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orientações recebidas pela Secretaria Municipal de Educação e ao material de arte disponível na escola.
As três perguntas relacionadas ao segundo objetivo (“Constatar como o ensino de Arte está sendo concebido pelos professores dos anos iniciais das escolas municipais de Presidente Prudente”) procuraram investigar o reflexo da opinião do orientador sobre a prática dos professores. O objetivo foi o de fazer, na hora da análise, um paralelo entre a valorização ou não da disciplina pelo orientador e a valorização ou não da disciplina pelos professores.
Referente ao terceiro objetivo (“Identificar as expectativas e dificuldades dos professores em relação ao ensino da disciplina Arte”), uma pergunta referia-se à importância ou não de um professor especialista na escola e ao envolvimento da Arte com o cotidiano escolar, e a outra se referia à formação continuada oferecida aos professores durante as HTPCs sobre o assunto. As entrevistas foram classificadas apenas por número, sendo o entrevistado caracterizado como (op1), (op2), (op3), etc.
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