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Intrinsic vs Extrinsic cues. Information as an external factor in food choice process 13

2. Literature Review

2.1 Intrinsic vs Extrinsic cues. Information as an external factor in food choice process 13

“Vê estão voltando as flores Vê esta manhã tão linda Vê como é bonita a vida Vê há esperança ainda !!!!!” Helena de Lima

A história da implantação do Proeja, como todos seus percalços e casos de sucesso, já foi escrita em todas as regiões do Brasil. Pelo histórico de sua implantação, verificam-se algumas lacunas, pois “sem compreender o que se faz, a prática pedagógica é uma reprodução de hábitos e pressupostos” (SACRISTÁN,

1998), inclusive pela necessidade de entender a quais propósitos atende e qual o

papel atribuído à Educação Profissional.

Por todas as ações vinculadas ao Proeja, é importante ressaltar que jamais se assumiu no cenário educacional brasileiro a responsabilidade em capacitar os que atuarão no curso, pelo preparo de docentes, gestores e técnico- administrativos. A Setec/MEC também criou mecanismos para acompanhar as instituições que apresentaram altos índices de evasão, assim como incentivou a produção de pesquisas que pudessem dar sustentação ao Proeja, além de formar pesquisadores a fim de que haja referencial teórico para embasar cientificamente as ações relativas ao curso. Também se preocupou em auxiliar os alunos a permanecerem no curso, bem como propiciar a reflexão entre as instituições que trilham juntas a implantação deste curso, para que os protagonistas possam discutir problemas, alternativas e prováveis soluções para as dificuldades encontradas no curso.

Mas ainda são contraditórias as funções atribuídas à Educação Profissional. Uma é a que amplia a sua função e lhe confere o papel de redentora das desigualdades sociais, como fórmula para alavancar o desenvolvimento, como antídoto para a pobreza e para o desemprego, e a outra função, com caráter reducionista, da Educação Profissional com a mera função de atender as demandas do „mercado‟ de trabalho e aos interesses do setor produtivo. Neste caso, a Educação Profissional torna-se o melhor instrumento para veicular e reproduzir os ideários da sociedade capitalista e do setor produtivo.

Ressalta-se a existência de um discurso de inclusão social, difícil de ser materializado na prática, que teria que deslocar o foco da Educação Profissional, da „empregabilidade‟, para uma educação para a formação do homem e em consequência, para a vida. Para Spósito (1993), a consciência da relação desigual é o primeiro momento que pode explicitar uma nova necessidade.

Na tentativa de entender os reflexos das propostas do Estado na sociedade e os efeitos das ações implementadas, é preciso verificar as principais repercussões e efeitos da entrada de jovens e adultos no Proeja, há tempos sem estudar, que infelizmente acabam se contrastando com os usuais alunos da rede federal, devido à concorrência nas seleções para ingresso.

Entender que o Proeja prevê um perfil diferenciado de alunos na entrada do curso, mas não prevê diferenças no perfil na saída, ou seja, o egresso, independente de suas especificidades, de sua história, deverá adquirir as mesmas características dos alunos dos cursos „regulares‟ ao concluir o curso.

Para atender aos propósitos do Proeja, da educação integrada, será necessário desconstruir a vertente da Educação Profissional, cristalizada há um século. Isto implica quebrar conceitos históricos para vencer a dualidade educacional existente, que versa entre uma educação propedêutica, a fim de preparar gestores, e uma Educação Profissional para pessoas com pouca escolaridade, para exercer funções operacionais.

Desta forma, após cinco anos de implantação, é chegada a hora de analisar os investimentos realizados e os resultados obtidos na implantação do Proeja. Que esta „avaliação‟ não seja realizada sob a ótica eficientista, e sim sob o prisma da formação do homem omnilateral.

Demonstrar ao trabalhador jovem e adulto que tanto a educação como o trabalho lhes é um direito, assim como elementos primordiais para a construção da cidadania. Deve-se discutir quanto ao real papel das instituições e dos educadores da Educação Profissional, a fim de que o trabalho seja efetivamente um princípio educativo.

Implantar a educação integrada constituiu-se como a maior complexidade, seja no ensino „regular‟ ou no Proeja. Esta dificuldade é acentuada quando pretende integrar a modalidade EJA. Ramos (2010) argumenta que a formação integrada entre a Educação Básica e a Educação Profissional na

modalidade EJA é uma expressão contraditória dessa sociedade de classes caracterizada pela negação dos direitos sociais.

Ramos (2010) justifica sua afirmação quando argumenta que aos que não puderam concluir a Educação Básica, pela necessidade de ter que trabalhar, dado o imediatismo da necessidade de emprego, estes são privados de uma formação integral, haja vista que a educação passa a adquirir um sentido instrumental, ou seja, no momento em que se solicita às pessoas jovens e adultas, com pouca escolaridade, a capacidade de reconverterem permanentemente seus saberes profissionais, a elas ainda não se garantiu a Educação Básica, que relaciona processos educativos com finalidades próprias em um mesmo currículo.

Apesar de a essência do Proeja ser a integração de todas as dimensões da formação, da formação omnilateral e do trabalho como princípio educativo, e devido à educação integrada estar presente nos princípios e concepções contidos no Documento Base do Proeja, esta integração não é percebida, mesmo quando o discurso afirma a integração. A presença da educação integrada no texto legal não garante a sua implementação e nem lhe dá legitimidade. Apesar dos esforços, o Proeja ainda é incipiente, tanto no que se refere ao entendimento do que é ensino integrado, para que não seja tomado como mera justaposição, ou então como soma de partes, sequência ou junção, quanto ao desafio de integrar, a fim de proporcionar uma formação para a vida, direcionado aos trabalhadores jovens e adultos, que já foram excluídos uma vez da escola, para que não o sejam novamente.

Tendo em vista que a Educação Profissional sempre esteve atrelada a objetivos utilitaristas e pragmáticos, inclusive ancorados no modo de produção capitalista, cuja prioridade acaba por pautar-se na ótica das relações econômicas e de mercado, é que se afirma a dificuldade de compatibilizar a educação integrada na EJA.

O Proeja configura-se como um „novo‟ programa, mas ainda com as mesmas premissas, ainda que veladas, do velho. Não basta maquiar o novo, colocar novas roupagens, se permanecerem as mesmas raízes e os mesmos objetivos vinculados ao atendimento das necessidades demandadas pelo setor produtivo.

Ao pensar em inclusão social, é imprescindível ouvir os desejos e expectativas a quem o curso é direcionado. É necessário criar mecanismos para informá-lo sobre o acesso ao Proeja e criar formas para ajudá-lo a permanecer no

curso, com êxito. Deslocar o foco de quais conteúdos ensinar ou quais metodologias utilizar, para então refletir, a quem ensinar, quem é e quais as características do trabalhador jovem e adulto. Ser mais criterioso ao selecionar o que ensinar e para com quais objetivos se deve ensinar.

Deve-se respeitar as especificidades do trabalhador jovem e adulto, a fim de compreender que não se adquire autonomia se não entender o conhecimento que embasa a atividade relacionada ao trabalho. Não haverá sucesso pessoal ou profissional se não for uma formação sólida, fundamentada em conhecimentos históricos, universais, culturais e sociais.

É preciso criar um arcabouço legal que possa dar sustentabilidade ao Proeja, pois se faz necessário uma política complementar, que possa manter os mesmos investimentos e recursos destinados quando de sua implantação. Urge vincular a outros projetos educacionais e sociais, numa somatória de esforços e sinergia, em que o Proeja só se consolidará se for um desejo coletivo. Deve-se criar mecanismos efetivos, interministeriais que conduzam o trabalhador à escola e lhe forneçam condições de nela permanecer com êxito, assim como buscar autonomia profissional.

Se for considerado como política pública, é preciso democratizar e socializar o planejamento, oportunizar que o trabalhador jovem e adulto tenha „vez e voz‟ e possa ser ouvido nas sugestões que melhor atendam suas necessidades. Cabe estimular processos que busquem refletir, discutir e aprofundar os princípios e concepções do Proeja com seus vários atores, a fim de estabelecer um diálogo que respeite as especificidades organizacionais de cada instituição e de cada local a ser implantado.

É preciso buscar atender o aluno „real‟, aquele que está na sala de aula e não o aluno „ideal‟, aquele que gostariam que lá estivesse, no processo em que possa aprender como se faz o acolhimento, propiciar o sentimento de pertencimento ao trabalhador jovem e adulto, para que ele possa construir seu projeto social, profissional e pessoal.

Há que se organizar o tempo e organizar os currículos. Não o tempo institucionalizado, mas respeitar o „tempo‟ da colheita, o „tempo‟ da safra, o „tempo‟ das enchentes, o „tempo‟ das marés; propor cursos em regimes de alternância se necessário, para atender as especificidades deste aluno trabalhador e de seu contexto.

Há que se respeitar a diferença entre o „tempo‟ político e o „tempo‟ pedagógico, o educacional e o administrativo (LIMA FILHO, 2010). Vale destacar que se trata de um processo de implantação, que requer ajustes teóricos e operacionais, que são especificidades inerentes a qualquer implantação coletiva, em curto espaço de tempo para planejar as atividades, como foi o caso da implantação do Proeja nas instituições da rede federal.

O Proeja só frutificará se o projeto perdurar por longo prazo, com oferta contínua. A preparação para „os mundos‟ do trabalho depende muito mais de um posicionamento político do que educacional, a fim de que não se ofereça programas de cunho compensatórios, paliativos e de curta duração.

Cabe aqui enaltecer o trabalho das instituições de ensino que se debruçaram para decifrar os desafios colocados pelo Proeja, além de gestores, docentes e discentes que buscam a concretização e consolidação dessa proposta.

Pelo esforço encetado pelo governo federal, não se pode deixar de enaltecer a iniciativa da Setec/MEC que criou um programa para atender ao trabalhador jovem e adulto, buscando conduzir o trabalhador para que este retorne à escola. É prematuro afirmar o sucesso ou o fracasso do Proeja, mas mesmo com dúvidas, dificuldades e questionamentos, foi possível encontrar pessoas que buscaram oferecer o melhor de si, a fim de consolidar o Proeja para oferecer formação integral ao trabalhador jovem e adulto.