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Brincar é estimulante e motivador, daí que proporcione um clima especial promotor de aprendizagens, no entanto, “uma das características mais importantes da aprendizagem através do brincar deve ser a oportunidade de aprender, sem ameaça, a

partir das coisas que dão errado” (Moyles, 2002, p. 40).

Como referido anteriormente, o brincar é um processo no caminho para a aprendizagem, no entanto é na implementação do currículo que se pode fazer a diferença. O adulto deverá saber as diferentes oportunidades lúdicas que pode oferecer às crianças, isto significa que o educador de infância tem um papel crucial na promoção do brincar no quotidiano das crianças, uma vez que planeia atividades, estrutura o espaço, disponibiliza materiais, bem como encoraja e estimula a construção de conhecimentos no seu grupo.

O jardim-de-infância é o contexto ideal para o jogo, a imaginação e a criatividade, salienta Strandberg (2009), contemplando as ideias de Vigotsky ao referir que o jogo é

“o método próprio da aprendizagem das crianças” (p. 19). Se o educador der espaço ao

jogo das crianças, ajudará a que as próprias possam inventar diferentes formas de brincar.

De acordo com Moyles (2002), o educador de infância deve:

- Encorajar a participação ativa da criança em todas as experiências de aprendizagem que usem os sentidos, incluindo o movimento;

- Criar oportunidades de viver novas situações de aprendizagem, restruturando o conhecimento existente, transferindo habilidades e conhecimentos para novas situações, de modo a que as crianças encontrem soluções;

- Incentivar oportunidades de descoberta e criatividade, que levem à aprendizagem da independência do pensamento e ação;

- E, por último, apoiar a interação com outras crianças e adultos, de modo a aprender várias habilidades, princípios e valores sociais.

Portugal (2008) considera que “os educadores sensíveis e conhecedores podem, através do que providenciam para as crianças, de interacções e intervenções estimulantes no brincar das crianças, assegurar desenvolvimento e aprendizagens

curriculares” (pp. 51-52).

Muitos educadores de infância podem ter dificuldade em aceitar a aprendizagem por meio do brincar e a tendência será a de direcionar as crianças para esquemas de trabalho que lhes pareçam mais organizados, mas, para atendermos às necessidades das crianças, que deverá ser um dos nossos focos principais, devemos resistir a essa intenção. Neste sentido, o educador de infância não é um transmissor de saberes, mas

sim alguém que “cria condições humanas e materiais para que as crianças expressem os seus interesses e curiosidades” (Aires, 2015, p. 17).

É importante que o educador privilegie o tempo em que interage com as crianças, que se proponha a despertar nelas a vontade de descobrir o mundo, na aquisição de novos saberes, enriquecendo-a enquanto indivíduo, sabendo que o pode fazer através de atividades lúdicas.

As crianças necessitarão de companheiros de brincadeiras, espaços, áreas e materiais para brincar, sendo que deverão ter oportunidades de brincar em pares, pequenos grupos e até sozinhas. O estímulo e encorajamento para fazer e aprender mais deverá estar sempre presente, bem como a existência de momentos lúdicos planeados e espontâneos (Moyles, 2002).

Existem momentos onde é necessário que o educador de infância intervenha e ajude a criança a continuar a brincar, visto que esta pode ficar frustrada ao encarar dificuldades, ou ainda discutir com os seus pares, então o adulto torna-se um “facilitador

da brincadeira” (Ferland, 2006, p. 64), apoiando e auxiliando a criança, propondo

estratégias que a ajudem a resolver os próprios problemas.

Salienta-se, portanto, que os momentos de brincadeira não devem ser encarados pelos educadores como oportunidades para se dedicarem a outras tarefas, transmitindo a mensagem de que o grupo está entretido, não sendo necessária a sua intervenção.

A criança deve ser encarada como um “aprendiz activo”, no qual o educador

49), portanto é necessário que a escola seja um local seguro, estimulante e motivante, que constrói conhecimentos significativos, ao invés de um local aborrecido.

Como promotor e facilitador de diversas competências, o educador deverá estar verdadeiramente disponível, apoiando as descobertas da criança, capaz de lançar desafios e observar o grupo enquanto brinca. Assim, terá mecanismos para uma reflexão estruturada, que lhe permita construir relações e vínculos com as crianças, baseadas numa ação pedagógica adequada e individualizada a cada uma delas.

Vasconcelos (2008) reconhece que “os saberes únicos e específicos dos pais são essenciais à educação de infância. Uma parceria eficaz pressupõe o envolvimento dos pais nas estruturas para a infância, a promoção de atitudes enquadradoras das aprendizagens e do desenvolvimento dos filhos, [e] a partilha de informação” (p. 145).

Assim, durante a educação Pré-Escolar é de extrema importância que exista uma forte ligação entre a escola e a família, por isso os encarregados de educação devem ser ajudados a compreender o imenso valor do brincar durante esta fase de desenvolvimento das crianças. Para tal, o papel do educador de infância é crucial para estabelecer tal união. É realmente necessário compreender as ideias dos pais e tê-las em consideração nas decisões relativas ao currículo, às atividades, ao brincar ou a qualquer assunto que envolva os seus filhos (Moyles, 2002).

Ao brincarem, as crianças experimentam competências motoras, linguísticas, cognitivas e sociais, neste sentido, compete ao educador de infância compreender a forma adequada de intervenção, recorrendo à apresentação de espaços e materiais sugestivos ao grupo, encorajando a sua livre iniciativa (Aires, 2015).

Segundo Rogers (2009), quando um adulto tem como função facilitar o crescimento de uma criança, automaticamente permite-lhe uma completa liberdade da expressão simbólica, favorecendo assim a criatividade. Esta liberdade faculta à criança

um extenso horizonte para “pensar, sentir, ser o que é no seu mundo mais íntimo” (p.

409).

O mesmo autor afirma ainda que o comportamento dos mais pequenos pode, e deve, ser limitado em circunstâncias específicas pelo adulto, no entanto a expressão simbólica e as representações criadas pelas crianças não exigem essa necessidade.

Spodek e Saracho (1998) afirmam que o papel primordial do educador ao querer tornar uma brincadeira natural espontânea das crianças em brincadeira educativa é

conseguir que ela adquira um valor pedagógico sem que perca as suas qualidades lúdicas.

Concluindo, torna-se compreensível que a atividade lúdica não deve ser

oferecida como uma recompensa pelo “trabalho” efetuado, visto que, desvalorizará o

papel do brincar, transmitindo à criança, aos pais e outros adultos, uma visão errada acerca do que deve ser a educação Pré-Escolar (Moyles, 2002).

Um educador de infância promotor do brincar deverá reconhecer e respeitar a importância desta atividade, permitir que esta aconteça, estimulando e procurando desafiar as crianças, de modo a compreendê-las e ajudando-as no seu desenvolvimento

e crescimento. Seguindo esta linha de pensamento, Ferland (2006), afirma que “os

adultos que reconhecem à brincadeira a sua importância não terão apenas e sempre como alvo as aprendizagens da criança, mas também o seu prazer em movimentar-se,

imaginar, construir, (e) conviver com os pares” (p. 62).

Enquanto gestor e organizador do ambiente educativo, o educador deve ser capaz de compreender os sinais e as diversas linguagens que as crianças utilizam, estando disponível para as suas exigências, ouvindo-as verdadeiramente, oferecendo o seu tempo com momentos de paciência e partilha genuínas.

Assim, deve criar oportunidades, dando-lhes espaço de decisão e manifestação (seja esta verbal ou não-verbal), porque só assim o educador será capaz de responder às necessidades das crianças, de apoiá-las e encorajá-las nas suas explorações e descobertas de modo a que conquistem novas aprendizagens, ampliando os seus conhecimentos. (Ferreira, 2004).

Em síntese, importa nunca esquecer que,

Ser educador implica gostar daquilo que se faz e compreender, que um dia na vida da criança é um tempo irrepetível, pelo que todas as oportunidades de lhe proporcionar alegria, bem-estar, situações de jogo e brincadeira, descobertas e novas experiências não podem ser adiadas ou negligenciadas. (Aires, 2015, p. 265).