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O levantamento e a avaliação da estrutura e do padrão de uma paisagem com base na

distribuição espacial dos dados geoecológicos podem ser analisados em uma grande variedade de escalas espaciais e temporais graças às informações derivadas do sensoriamento remoto e pela integração de dados espaciais nos chamados Sistemas de Informação Geográfica.

A geoecologia e os SIGs são áreas do conhecimento que vem recebendo grande atenção por parte dos pesquisadores em uma variedade de disciplinas. Talvez, esta importância esteja relacionada com a quantidade de funções que podem ser exercidas pelas chamadas geotecnologias, oferecendo uma base de dados eficiente e confiável para o armazenamento, manipulação, gerenciamento e análise de informações e dados georreferênciados, podendo se estender por grandes áreas, possibilitando a integração destes dados em escalas locais, regionais e globais, e ao mesmo tempo fornecendo insights para localização de áreas ecologicamente sensíveis, auxiliando na tomada de decisões e no estabelecimento de áreas prioritárias e/ou de uso restrito. Além disso, os dados gerados por essas tecnologias podem servir de base para análises estatísticas e para a modelagem de sistemas ambientais ou como parâmetros para avaliação das áreas degradadas ou poluídas.

Os “Modelos Geoecológicos” são representações abstratas dos sistemas ambientais físicos e/ou dos processos que ocorrem no interior destes sistemas, geralmente em escala reduzida. Estes modelos abstratos utilizam símbolos em dispositivos físicos eletrônicos (softwares), para representar os geossistemas e seus limites parciais no espaço que está sendo pesquisado. Os modelos gráficos utilizam linguagem gráfica, arquivos vetoriais e imagens pictóricas (raster) para definir as relações e descrever as unidades de paisagem na escala de interesse.

Esses modelos nos ajudam a avaliar os dados e a comunicar os resultados da melhor forma possível, possibilitando inclusive fazer suposições (estabelecer e/ou criar novas hipóteses), entretanto deve-se estar atento ao fato de que esses “modelos” são meras representações e não o objeto ou fenômeno real, considerando-os apenas como “ferramentas” que possibilitam a aplicação do método e/ou dos métodos que são utilizados para alcançar os objetivos.

Tem-se que respeitar também o fato de que não se conhece o fenômeno de forma completa, pois não se conhece todas as peças, nem as relações deste “quebra cabeça”, isto é, não se conhece todos os elementos e/ou processos que ocorrem no interior de cada paisagem, tendo que lidar com o modelo incompleto, sendo necessário o uso de hipóteses para auxiliar na falta de informação para completar o “modelo”.

Neste sentido, a modelagem cartográfica afirma-se como uma ferramenta essencial para as análises geográficas, auxiliando na compreensão dos fenômenos, no desenvolvimento teórico da pesquisa e na formulação do entendimento sobre os processos e padrões espaciais dos geossistemas em estudo. Todas essas funções, apoiadas nas bases teóricas da geoecologia e em metodologias tradicionais da Geografia, podem servir de catalisadores para o estabelecimento de novas bases e conceitos que deverão ser aplicados na resolução de problemas ambientais e no planejamento ambiental.

Outra aplicação no campo da Geografia que tem sido favorecida pelas técnicas de sensoriamento remoto, é o mapeamento do uso da terra. As informações fornecidas pelas imagens de sensoriamento remoto são utilizadas no processo de classificação das diferentes classes de uso do solo. O mapeamento do uso da terra pode ser utilizado para fornecer padrões espaciais das paisagens estudadas, assim como dados de referência que podem ser aplicados nos processos de monitoramento, gerenciamento e diagnósticos ambientais.

No delineamento do uso e cobertura da terra são utilizadas técnicas e procedimentos que envolvem pesquisas de gabinete e campo, definidas por meio de análises e classificações do uso atual da terra durante o período em que está sendo efetuado o mapeamento de determinada área ou região, levando em consideração as características das relações sociais e de produção para as diversas classes definidas pela pesquisa.

A importância desta classificação se fundamenta no fato de que o conhecimento das diversas classes de uso do solo pode auxiliar na solução de vários problemas de interesse prático para os seres humanos. Um levantamento de tal natureza proporciona informações fundamentais que podem ser utilizadas para um desenvolvimento de estudos posteriores orientados a atividades de planejamento e administração do uso da terra.

Nos levantamentos de uso da terra existem numerosos conceitos que são atribuídos ao termo Terra. De acordo com FAO (1976), Terra é definida como uma porção da superfície terrestre reconhecida em função de suas características e propriedades constituídas pelos atributos da biosfera que sejam razoavelmente estáveis ou ciclicamente previsíveis, incluindo aquelas da atmosfera, solo, litologia, hidrologia e resultantes das atividades antrópicas.

Smyth (1971 apud IGAC, 2005, p. 59) fez uma adaptação deste conceito, definindo-o como:

Uma parcela da terra se distingue geograficamente como uma zona específica da superfície da terra com atributos razoavelmente estáveis e previsibilidades cíclicas como: Atmosfera, geologia, solos, hidrologia, vegetais, animais e populações bem como o resultado das atividades humanas.

De acordo com Raleigh (1958 apud IGAC, 2005, p. 60),

Terra: É o lugar onde a vida pode existir, neste sentido é um espaço, a terra forma parte do ambiente natural, neste sentido é natureza; a terra desde um ponto de vista econômico, é um fator de consumo; a terra legalmente é uma propriedade; em um sentido mais amplo a terra pode ser considerada como uma porção solida da superfície da terrestre.

Levando em consideração os conceitos apresentados acima, pode-se afirmar que a

Terra é uma porção do espaço do planeta que é habitado, e possui características específicas

dos elementos que a compõem, sejam naturais ou objetos criados pelo homem. Nestas definições o conceito de Terra se assemelha em grande parte ao conceito de paisagem, contudo, podendo variar consideravelmente de acordo com os pressupostos ou disciplinas empregadas.

O termo uso está relacionado ao aproveitamento temporário ou permanentes aplicados a Terra pelas atividades antrópicas, com o intuito de suprir necessidades materiais ou religiosas. Já o termo cobertura da terra refere-se ao tipo de feição encontrada na superfície terrestre e também relacionada às atividades humanas.

Torna-se evidente que as diferenças no uso e ocupação do solo são resultantes das interações entre os elementos naturais e artificiais e o nível de desenvolvimento técnico, econômico, social e cultural alcançado pelos grupos humanos, com o objetivo se satisfazer suas necessidades com base no que o meio ambiente tem a lhes oferecer.