3. Metode og forskningsdesign
3.2 Intervju som metode
Inicialmente, realizamos uma análise multivariada, incluindo no modelo de regressão logística as seguintes variáveis independentes, que tinham demonstrado significância na análise univariada, na diferença entre as pacientes com DHEG e todas as demais adolescentes:
- Cor (branca+parda vs. negra)
- Antecedente familiar de pré-eclâmpsia (não / sim) - Ácido Úrico 32 sem
- Ácido Úrico 36 sem
- Variação de peso (média das semanas) - PA Sistólica (média das semanas) - PA Diastólica (média das semanas)
- Novo estado conjugal (amasiada+casada vs. solteira) - IMC (variável contínua)
Incluímos também as variáveis 1ª gestação e PA Média, apesar de não terem tido significância na univariada, pela importância que têm na literatura.
Os resultados da análise multivariada, com os fatores que se mantiveram estatisticamente significativos estão dispostos na Tabela 38. Apresentamos os coeficientes do modelo de regressão com as correspondentes significâncias, a estimativa do Odds Ratio e seus respectivos intervalos de confiança, somente para as variáveis que permaneceram no modelo.
A Tabela 39 mostra as variáveis excluídas do modelo por não alcançarem nível crítico estatístico, como pode-se observar pelo valor de p.
Também foi calculado o teste de bondade de ajuste (“Goodness-of-fit test”), que visa verificar se o modelo se ajusta bem aos dados. O resultado do teste, com p- valor de 0,2061, demonstra que o modelo final foi bem ajustado aos dados
Tabela 38 – Resultados da Regressão Logística, nas adolescentes acompanhadas no SGACO-HC, comparando as com pré-eclâmpsia e as demais pacientes, apresentando as variáveis independentes, os coeficientes de regressão, nível de significância e Odds Ratio com IC95%. São Paulo, 1997-2002
Variável Coeficiente () p-valor Odds Ratio - (exp()) IC 95% p/ OR
Constante -4,374 0,001
AF_DHEG 1,422 0,041 4,15 [1,06 ; 10,19]
Novo estado civil 1,012 0,032 2,75 [1,23 ; 4,62]
Acido úrico 32 sem 0,586 0,044 1,78 [1,01 ; 3,18]
p-valor (teste de bondade de ajuste) = 0,2061
Tabela 39: Variáveis excluídas do modelo de regressão logística entre as adolescentes acompanhadas no SGACO-HC, comparando as com pré-eclâmpsia e as demais pacientes. São Paulo, 1997-2002
Variável Significância
Cor 0,418
Ácido úrico 36 sem 0,247
Variação de peso 0,994 PA sistólica 0,403 PA diastólica 0,321 PA média 0,524 IMC 0,619 1ª Gestação 0,414
Pode-se interpretar o Odds Ratio como quantas vezes o paciente exposto ao fator de risco tem mais chance de ser DHEG do que o paciente não exposto. No caso de variáveis quantitativas este valor é calculado segundo o acréscimo de uma unidade, sendo necessário elevar o valor ao expoente que corresponde à diferença que se deseja investigar.
A partir da análise multivariada, as conclusões deverão ser feitas apenas para as variáveis que se mostraram estatisticamente significantes no modelo. Portanto, com base na Tabela 38, e por este modelo, poderíamos dizer que as pacientes com antecedente familiar de pré-eclâmpsia têm aproximadamente 4,15 vezes mais chance de desenvolver pré-eclâmpsia do que as demais adolescentes. Além disso, poderíamos dizer que as adolescentes que permanecerem solteiras até o final da gravidez terão 2,75 vezes mais chance de se tornarem pré-eclâmpticas. E aquelas
com ácido úrico elevado com 32 semanas terão um risco proporcional à diferença do valor do exame com a média populacional, que na nossa amostra era de 2,8, através da fórmula: (1,78)(diferença entre os escores). Por exemplo, se o valor do exame for de 4,3, então o risco será igual a 1,78 (4,3 - 2,8) = 1,781,5 = 2,37. Ou seja, uma adolescente com ácido úrico de 4,3 mg/dl na 32ª semana terá um risco 2,37 vezes maior do que as demais pacientes em vir a desenvolver pré-eclâmpsia.
Por outro lado, nenhum modelo de regressão logística se ajustou aos dados relacionados ao grupo DHEGLOBAL, motivo pelo qual não apresentamos análise multivariada para este tipo de paciente.
5.5.2. Análise Alternativa: DHEG Pura x Apenas Normais
Quisemos avançar mais um pouco na análise dos resultados e intencionamos montar mais um modelo de regressão logística comparando a paciente com pré- eclâmpsia agora não mais contra todas as demais adolescentes, mas apenas contra aquelas sabidamente normais, ou seja, excluindo o grupo em que tínhamos dúvida no diagnóstico de pré-eclâmpsia, o grupo anteriormente denominado na metodologia como “Suspeita de DHEG”.
Agindo desta forma, queríamos comparar aquela paciente realmente pré- eclâmptica com aquela realmente normal, procurando assim notar maior diferença nas características entre os dois grupos, o que poderia redundar em modelo de regressão mais bem ajustado e fidedigno, contando com a real interação entre as variáveis envolvidas.
Pensando dessa forma, refizemos as principais análises univariadas, que não se mostraram diferentes das anteriores, a não ser para as variáveis Altura inicial, Ganho de Peso durante a gravidez e durante o pré-natal, além da PA Média entre 25 e 28 semanas e entre 28 e 32 semanas, os quais demonstraram diferenças significativas entre os novos dois grupos, como podemos observar examinando a Tabela 40.
Tabela 40 - Variáveis numéricas, biológicas e clínicas, entre as adolescentes acompanhadas no SGACO-HC, comparando as pacientes com pré-eclâmpsia pura e as realmente normais. São Paulo, 1997-2002
Variável DHEG Pura
Média (dp) Média (dp) Normais p valor
Altura inicial 159,96 (5,06) 158,10 (5,53) 0,006* Ganho de Peso durante a gravidez (16.998,88) 24.873,42 (40.099,52) 22.115,40 0,001** Ganho de Peso durante o Pré-Natal 12.821,42 (6.492,36) 10.664,82 (35.691,30) 0,001** PAM – 25/28 sem 92,53 (11,51) 80,05 (8,05) 0,001** PAM – 28/32 sem 91,43 (14,37) 80,19 (8,60) 0,001** *Teste t-Student **Teste Mann-Whitney
A partir desta reavaliação, procuramos outro modelo de regressão, incluindo todas as variáveis com significância estatística pela nova análise univariada. Com este modelo mais variáveis que se revelaram significativas, mantendo a correlação estatística independente com o diagnóstico final de DHEG pura. Estas variáveis e seus níveis de significância, com os novos índices do modelo de regressão estão dispostos na Tabela 41.
Tabela 41 – Resultados da Regressão Logística, nas adolescentes acompanhadas no SGACO-HC, comparando apenas as com pré-eclâmpsia pura e as verdadeiramente normais, apresentando as variáveis independentes, os coeficientes de regressão, nível de significância e Odds Ratio com IC95%. São Paulo, 1997-2002
Variável Coeficiente () p-valor Odds Ratio - (exp()) IC 95% p/ OR
Constante -2,356 0,078
AF_DHEG 1,042 0,045 2,83 [1,21 ; 11,36]
Novo estado civil 0,678 0,026 1,96 [1,09 ; 4,32]
Cálcio total 36 sem -0,427 0,049 0,652 [0,12 ; 0,95]
Peso_ini 0,853 0,012 2,35 [1,57 ; 3,78]
Acido úrico 36 sem 0,758 0,044 2,13 [1,01 ; 5,23]
Podemos notar que foram excluídos do modelo, por não se adequarem estatísticamente, o Ácido Úrico com 32 semanas e a PA Média, apesar da significância na univariada. Surgem com relevância no novo modelo, mais ajustado, a Calciúria e o Peso ao início do pré-natal.
O mesmo comentário antes feito é aqui aplicável a princípio. Os resultados demonstram que o antecedente familiar de DHEG quando presente fornece um risco 2,83 vezes maior para a paciente vir a ter pré-eclâmpsia, assim como de 1,96 vezes para o evento se ela continuar solteira até o final da gravidez.
Para as variáveis contínuas, vale aquele mesmo raciocínio, com a fórmula para o ácido úrico de 36 semanas sendo 2,13 (diferença dentre os escores). Por exemplo, se o exame for igual a 4,8 mg/dl, então o risco será de 2,13 (4,8-2,8) = 2,13(2) = 4,53 vezes maior do que a média das adolescentes realmente normais. Para a calciúria, o raciocínio seria algo diferente, pois quanto maior o valor, menor o risco para a doença. Assim, valores iguais a 230 mg em 24 h, por exemplo, representariam, em relação à média da pacientes normais (que foi de 223 mg/24h), um risco = 0,652 (230-
223) = 0,652 (7) = 0,050. Ou seja, uma chance de 95% de não apresentar a doença.