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Nesta subseção a ferramenta escolhida para a executar a análise

quantitativa dos dados será descrita detalhadamente, a partir da mostra de

exemplos de telas extraídas do programa computacional utilizado na análise,

visando uma descrição mais concreta do programa. Além disso, os procedimentos

tomados para a análise dos dados serão descritos passo a passo, buscando a

elucidação de como se chegou aos dados que serão efetivamente apresentados,

analisados e discutidos no próximo capítulo.

2.5.1 Ferramenta de Análise

Para fazer a análise dos dados foi necessário primeiramente escolher uma

ferramenta de análise que fosse apropriada. O programa escolhido foi o

WordSmith Tools (versão 3.0), de Mike Scott ( 1999), que possui três ferramentas:

Concord, WordList e Keywords. Nesta pesquisa foram utilizadas as ferramentas

Concord e WordList, que serão detalhadas a seguir.

Os dados foram extraídos do BNC pelo programa WordSmith Tools, que

forneceu, por meio da ferramenta Wordlist três listas de palavras que estão

presentes no corpus, sendo que cada uma delas é classificada de maneira

diferente: uma é estatística, indicando o número de palavras e formas

encontradas; a segunda é alfabética, listando todas as palavras encontradas no

corpus alfabeticamente; e a terceira é uma lista organizada pela freqüência com

que as palavras ocorrem no corpus.

A Wordlist forneceu os seguintes dados estatísticos em relação ao corpus

utilizado na pesquisa, conforme ilustra a figura abaixo, que mostra a tela

estatísitca referente ao corpus BNC:

Figura 1-Tela estatística da ferramenta WordList

Por meio dos dados estatísticos apresentados acima, é possível notar que o

corpus possui mais de 103 milhões de palavras (tokens), na terceira linha da

primeira coluna, o que o classifica, como mencionado anteriormente, como um

corpus grande, segundo Berber Sardinha (2004). Destas 103 milhões de palavras,

345.830 são formas diferentes (types), na quarta linha da primeira coluna, o que

significa que não há muita variação no uso das palavras.

Uma outra informação relevante para a pesquisa pode ser obtida utilizando

esta mesma ferramenta Wordlist: a freqüência com que os verbos try e like

ocorrem no corpus. Esta informação pode ser visualizada na tela que traz

informações sobre freqüência:

Figura 2- Tela do WordList: palavra like no corpus.

É possível observar, por meio da freqüência, que like é uma palavra que

ocorre muito. Entretanto, não se pode ignorar que like, além de verbo (que é o

foco desta pesquisa), pode também ser substantivo, conjunção ou preposição,

dados que não aparecem desmembrados por classe gramatical nesta listagem.

Um outro ponto que merece atenção é o fato de que esta posição de

número 74 (com quase 152.000 ocorrências), que corresponde a 0,15% do corpus

é bastante marcante porque as primeiras posições da lista de freqüência são

ocupadas por palavras gramaticais, que servem para estruturar o que está sendo

dito ou escrito, e, portanto, em qualquer que seja o corpus pesquisado ocorrerão

com grande freqüência.

O verbo try também está presente na lista de freqüência, mas numa

posição inferior ao verbo like, como se pode notar a seguir:

Figura 3- Tela do WordList: posição da palavra try no corpus.

O verbo try está na posição de número 505, correspondente a 0,02% do

corpus, o que significa que ele não é uma palavra muito utilizada por falantes

nativos em geral.

Além da ferramenta WordList, que como visto acima, forneceu informações

importantes sobre o tamanho do corpus e sobre a freqüência de ocorrência dos

verbos selecionados a ferramenta Concord também foi utilizada para extrair as

linhas de concordância e os colocados dos verbos selecionados.

Na figura abaixo é possível observar um exemplo de tela de linhas de

concordância extraídas do BNC pela ferramenta Concord do programa WordSmith

Figura 4- Tela da ferramanta Concord com algumas linhas de concordância de like

to.

É possível notar que o nódulo like está destacado em verde na coluna

central e que o programa organizou a apresentação das linhas a partir do primeiro

colocado à esquerda do nódulo alfabeticamente. Este critério de organização não

é importante nesta fase, pois a partir destas linhas podemos extrair os colocados

do nódulo, que são de extrema importância para este trabalho, como podemos ver

abaixo:

Figura 5- Tela do Concord com os colocados de like to.

Esta tela de colocados nos fornece informações sobre quais são as

palavras que aparecem à esquerda e à direita do nódulo (sendo cinco para cada

lado) detalhadamente. É possível obter o número total de ocorrências do colocado

com o nódulo, visualizar este número total dividido em total à esquerda (left) e à

direita (right) e, ainda, o desmembramento destes totais à esquerda e direita em

número de colocados em cada posição de L5 (quinto colocado à esquerda do

nódulo) à R5 (quinto colocado à direita do nódulo).

Nesta subseção o programa computacional utilizado na análise dos dados

foi apresentado e as ferramentas, que são parte do programa, foram detalhadas

com exemplos de telas e explicações, que foram fornecidas para uma melhor

compreensão das informações constantes dos exemplos. Na próxima subseção os

procedimentos de análise serão explicitados.

2.5.2 Procedimentos de Análise

Nesta subseção serão detalhados os procedimentos utilizados na análise

dos verbos try e like. Vale dizer que todos os procedimentos adotados para a

análise foram os mesmos para os dois verbos.

É preciso ressaltar, neste momento, que cada pesquisa desenvolvida a

partir de uma abordagem baseada em corpus é única. Sendo assim, os

procedimentos adotados em cada uma delas são diferentes e norteados pelos

dados e pelas necessidades impostas pela pesquisa no decorrer da análise. Esta

subseção está dividida em passos, para facilitar a visualização do que foi feito.

1º passo: A escolha do tema e a determinação do escopo da pesquisa

Primeiramente, foi preciso determinar qual seria o tema da pesquisa, que

deveria ser inédito e, ao mesmo tempo, algo que pudesse privilegiar meus alunos

de algum modo, pois acredito que os resultados obtidos a partir de pesquisas

acadêmicas devem retornar à sala de aula, seja de forma direta ou indireta.

Partindo desta premissa tentei buscar em meus grupos de diferentes níveis quais

seriam assuntos que apresentassem dificuldade de entendimento seja pelo

conteúdo, seja pela forma como era definido pelo livro, seja pelos tipos de

exercícios oferecidos para as fases de observação e análise das formas

trabalhadas.

Ao me sentar para preparar uma aula em que teria de explicar para os

alunos do nível pós-intermediário as diferenças de sentido, propostas pelo livro

didático, para os verbos try e like seguidos por infinitivo e gerúndio, que eu

mesma, como usuária da língua não sabia que existiam e observar o esforço dos

alunos para compreender o que eu dizia (sem acreditar), concluí que este poderia

ser um tema de pesquisa interessante. Entretanto, eu não queria me basear

apenas em minha observação e percepção, então resolvi desenvolver um projeto

piloto que consistia em buscar no Br-ICLE (um corpus de aprendizes de língua

inglesa) a utilização por parte dos alunos de tais formas.

Os resultados foram surpreendentes, pois eles quase não utilizavam estes

verbos seguidos por infinitivo ou gerúndio, mas em geral os utilizavam seguidos de

um substantivo. Então, não foi possível estabelecer as diferenças entre o uso feito

por aprendizes e o uso feito por falantes nativos, por falta de dados provenientes

do corpus de aprendizes. Não é possível dizer se os aprendizes não usam ou se o

fato de o corpus de aprendizes ser composto apenas por textos argumentativos

teve alguma influência nas escolhas lingüísticas.

Por este motivo abandonei o corpus de aprendizes e me voltei para o

corpus de falantes nativos e a confrontação dos dados advindos dele com as

informações apresentadas pelo livro didático. Além disso, pela crença que tenho

na necessidade de tornar o aluno mais independente, tomei a decisão de sugerir

uma atividade baseada em corpus em substituição às apresentadas pelo livro para

que eles descubram se há diferença de sentido ou não.

2º passo: encontrar os colocados dos verbos try e like

O passo seguinte foi buscar os colocados dos verbos try e like. Essa busca

foi feita com o uso da ferramenta Concord, que, como mencionado anteriormente,

gera linhas de concordância, a partir de uma palavra de busca (ou nódulo) e

também apresenta uma lista de colocados da palavra pesquisada.

O verbo like to foi utilizado como nódulo e, imediatamente, apareceu o

número de ocorrências deste verbo colocado com outros verbos no infinitivo. Além

das linhas de concordância, esta mesma ferramenta possui a opção de listar os

colocados, de acordo com sua freqüência, que aparecem à esquerda e à direita do

nódulo (cinco anteriores e cinco posteriores ao nódulo).

O mesmo procedimento foi adotado para descobrir os colocados de like no

gerúndio, sendo que o nódulo desta vez foi like*ing e para a pesquisa do verbo try.

Além de pesquisar o uso de like e try como formas no presente, também achei

relevante analisar o verbo try no passado visto que o livro didático apresentava

alguns exemplos, ao ilustrar a diferença de sentido, no passado e, assim, seria

preciso investigar se no passado poderia haver alguma diferença de sentido em

relação ao presente.

3º passo: estabelecer um número de corte para os colocados.

A partir da lista de colocados fornecida, foi possível isolar os verbos que se

colocavam com like to ou like -ing. Entretanto, como o número de colocados era

bastante alto (473 para like to e 210 para like –ing), foi preciso estabelecer um

ponto de corte.

O número escolhido foi de 100 colocados para cada forma (infinitivo e

gerúndio) e dentre eles foram escolhidos os verbos que se colocavam com like no

infinitivo e no gerúndio. O mesmo procedimento foi adotado com o verbo try no

infinitivo e no gerúndio e com sua forma de passado.

4º passo: análise dos colocados

A seguir, partiu-se para a análise dos verbos que acompanhavam like no

infinitivo ou gerúndio. Assim, foram observados quais verbos co-ocorriam no

infinitivo e no gerúndio e quais verbos eram exclusivos de uma forma ou de outra.

Como foi observada a co-ocorrência de um número grande de verbos,

estabeleceu-se um corte em cinco verbos que seriam analisados a fim de observar

se haveria diferença de sentido, como prescrito pelo livro didático entre o uso de

infinitivo ou gerúndio com o verbo like. Cabe destacar mais uma vez que o mesmo

procedimento foi adotado com o verbo try no presente e no passado.

5º passo: Análise das linhas de concordância para a descoberta dos

sentidos expressos.

Finalmente, foi feita uma nova concordância, desta vez utilizando como

nódulo like to +verbo ou like+ verbo-ing, sendo que os verbos que seguiam like no

infinitivo ou no gerúndio eram aqueles classificados como co-ocorrentes no passo

anterior. Estas novas linhas de concordância foram geradas com o objetivo de

analisar se haveria mudança de sentido quando um mesmo verbo era utilizado

com like no infinitivo ou no gerúndio.

Todas as linhas foram analisadas manualmente, ou seja, interpretadas,

para concluir se haveria ou não diferença de sentido, como exposto acima,

também com o verbo try no presente e no passado.