• No results found

2. METHODS

2.2. Description of the forest sector models

2.2.1 Intertemporal optimization models

“Azarias, filho de Natã, chefe dos prefeitos” (1Rs 4, 5). Essa função está ligada à criação dos distritos administrativos. A concepção desse cargo foi uma estratégia usada por Salomão cujo objetivo era evitar a descentralização do Estado. Com relação aos distritos, apesar de não se possuir informações sobre como funcionava sua administração, é evidente que se exigia uma estrutura muito bem organizada e que para garantir o perfeito funcionamento do sistema de arrecadação de impostos, o principal objetivo dessa instituição; era preciso que houvesse um controle rigoroso da produção e a manutenção da ordem, garantida pela ideologia da classe dominante ou pela força do exército, afinal os prefeitos eram os representantes de Salomão nesses territórios e suas atribuições deveriam ser bem amplas. A direção dessa estrutura era confiada a um funcionário superior, que recebia o nome de “superintendente” 122 ou o chefe dos

prefeitos, um dos principais postos no reinado de Salomão. Segundo Pixley, “a nomeação de governadores sobre os territórios tradicionais das tribos é uma novidade muito significativa. O rei deixa de lado as autoridades do povo e impõe suas próprias autoridades. O governo da nação tornou-se piramidal.” 123

No Egito, cada circunscrição administrativa, as quais se denominavam nomos, era governada por um regente. Cada nomo tinha sua capital, um tribunal e um centro de culto, mas tinham como obrigação enviar periodicamente informações a respeito de todos os acontecimentos importantes para o seu ministério. Devido à distância e, portanto as dificuldades de manter uma comunicação rápida, os administradores locais possuíam certa liberdade para tomar decisões, sujeitos é claro, a responder diante do

122 NOTH, Martin. Historia de Israel, p.201.

66 poder central e até mesmo receber uma contra-ordem. Em determinados reinados, foram nomeados dois vizires, um deles permanecia em Mênfis, no Alto Egito e o outro em Tebas, no Baixo Egito, a fim de ter um controle mais eficaz das divisões administrativas pelo poder central.

Na primeira dinastia babilônica, Hamurabi já controlava de forma ostensiva a vida dos territórios sob seu domínio. Alguns príncipes foram mantidos em seus antigos domínios, passando a usar o título de governador. Tornando-se apenas funcionários designados pelo rei, que poderia transferi-los de uma cidade para a outra da maneira como bem entendesse. As administrações locais comunicavam-se com a administração central através de uma ativa correspondência, enviando relatórios a respeito dos mais variados aspectos da vida coletiva sob sua jurisdição.

“Aisar, o prefeito do palácio” (1Rs 4,6). No Egito, o vizir era a posição mais importante do governo abaixo do faraó. O status de um vizir era equivalente ao de um primeiro-ministro, podendo ocupar o lugar do faraó durante sua ausência. O cargo de vizir poderia ser considerado como o intermediário entre a administração central e as administrações regionais do Estado. O homem que o ocupava era responsável pela coordenação de todos os cargos administrativos, inclusive a nomeação de funcionários do governo. Supervisionava os monopólios estatais, a economia e as finanças como um todo, além de ser a mais alta instância judiciária. Presidia os colegiados distritais, fazia com que os testamentos fossem cumpridos e supervisionava a medição dos campos. Uma das principais atribuições de um vizir era a de controlar o recolhimento das taxas em todo o país. Recebia embaixadores estrangeiros e supervisionava as oficinas e os trabalhos de construção.

O livro do Gênesis apresenta José como a mais alta autoridade no Egito devendo obedecer apenas ao faraó: “Tu serás o administrador do meu palácio e todo o meu povo se conformará às tuas ordens, só no trono te precederei. O Faraó disse a José: “Vê; eu te estabeleço sobre toda a terra do Egito,” e o Faraó tirou o anel de sua mão e o colocou na mão de José, e o revestiu com vestes de linho fino e lhe pôs no pescoço o colar de ouro. Ele o fez subir sobre o melhor carro que havia depois do seu, e gritava-se diante dele “Abrec.” Assim foi ele preposto a toda a terra do Egito.” (Gn 41,40-44).

67 Segundo Rachewiltz “a chancelaria é o órgão coordenador de todas as atividades administrativas, o lugar onde se procede à correspondência real e se conserva o Arquivo do Estado, o selo etc.” 124

Assim como no Egito, em Israel o poder do prefeito do palácio se estendia muito além da residência do monarca. Por suas mãos passavam todos os negócios do estado, os documentos importantes precisavam ter o seu selo e todos os funcionários estavam sob suas ordens. Era o cargo mais alto na administração do Estado. Em 1Rs 18,3. 5-6, o administrador do palácio aparece ao lado do rei para resolver um assunto de importância: “Acab mandou chamar Abdias, intendente do palácio” (1Rs 18,3). “Acab disse a Abdias: Vem! “Nós vamos percorrer a terra, procurando todas as fontes e torrentes; talvez encontremos erva para manter vivos os cavalos e burros e não tenhamos de sacrificar os animais.” Repartiram entre si a terra para percorrê-la; Acab partiu sozinho para um lado e Abdias partiu sozinho para o outro” (1Rs 18,5-6). No texto 2Rs 18.18 ele encabeça a lista dos principais funcionários reais: “Chamou o rei; saíram ao seu encontro o chefe do palácio, Eliacim, filho de Helcias, o secretário Sobna e o escriba Joaé, filho de Asaf.” Como já se afirmou anteriormente, o vizir era quem substituía o faraó na sua ausência, em Israel um exemplo em 2Rs 15,5: “Mas Iahweh castigou o rei e ele foi atacado de lepra até o dia de sua morte. Permaneceu encerrado num quarto; seu filho Joatão regia o palácio e administrava o povo.” Conforme De Vaux:

“Em Is 22.15, o administrador do palácio, Sebna, é chamado também soken. Essa palavra é encontrada na forma de zukinu em duas glosas cananéias das cartas de Amarna para designar o comissário do faraó. Em acádico, saknu designa, em primeiro lugar, o prefeito de Asur (sakîn mâti), depois governadores dos países anexados, e o termo é usado pelos faraós na sua correspondência em acádico. Não obstante, em Ras Shamra, o skn (em escrita alfabética) ou o sakîn matî (em acádico) é um funcionário de Ugarit, aparentemente o primeiro funcionário do reino, o que corresponde em Judá à posição de Sebna, soken e administrador do palácio.” 125

124 RACHEWILTZ, Boris de, A Vida no Antigo Egito, Círculo de Leitores, p.45. 125 VAUX, Roland de. Instituições de Israel no Antigo Testamento, p. 161.

68 Segundo Kessler “um portador desta função foi imortalizado na inscrição em um túmulo no Silwan, perto de Jerusalém. Já a capacidade de poder mandar fazer tal túmulo dentro da rocha indica a elevada posição do proprietário, para o qual se deve observar o texto de Is 22,16.” 126“Assim disse o Senhor Iahweh dos Exércitos: Vai procurar a esse

intendente, a Sobna, intendente do palácio, e dize-lhe: “Que possuis aqui? Que tens aqui para quereres talhar para ti neste lugar um sepulcro?”Pois ele talha para si um sepulcro no alto, e cava na rocha um sepulcro para si mesmo.” (Is 22,15-16).

“Zabud, filho de Natã, amigo do rei” (1Rs 4,5b). Esse cargo equivalia ao de um conselheiro do rei. “Algo assim como ministro sem pasta, ministro especial”, escreve Donner.127Segundo Herrmann, “o amigo do rei teria poderes especiais. No Egito existe

uma série de ‘amigos do rei’, até certo ponto comparáveis aos secretários de estado.” 128

Através da lista dos altos funcionários de Salomão é possível perceber a continuidade de algumas famílias importantes durante o reinado de Davi. Azarias, filho de Sadoc, substituiu o pai no sacerdócio do templo de Jerusalém, como alto funcionário era também o chefe na hierarquia sacerdotal. Eliaf e Aías, filhos de Sisa, secretário de Davi, tornaram-se secretários de Salomão. O arauto de Davi, Josafá, filho de Ailud, continua no cargo sob a administração de Salomão. Dois filhos do profeta Natã assumem cargos de grande prestígio sob Salomão. Azarias se torna chefe dos prefeitos, função estratégica e de extrema importância dentro do sistema econômico implantado por Salomão. Zabud é o amigo do rei. É importante lembrar que logo após o nascimento, Salomão foi entregue a Natã, para ser educado pelo profeta, que lhe deu o nome de Jededias (“o amado de Iahweh” 2Sm 12,25). O profeta também teve participação decisiva na ascensão de Salomão ao trono de Israel. De oito cargos, cinco foram ocupados por membros de famílias que já estavam no poder. Isso sem falar de Banaías que era chefe da guarda real e acabou assumindo o cargo de comandante do exército de Israel.

126 KESSLER, Rainer. História Social do Antigo Israel. São Paulo: Paulinas, 2009, p.104. 127 DONNER, Herbert. História de Israel, p.264.

69 No sistema monárquico a corte do rei é formada por todas as pessoas que cercam o soberano. A começar por aquelas que pertenciam à família real, mulheres, filhas e filhos do rei, parentes e agregados. Os altos funcionários e seus assessores, além dos locais e dos trâmites oficiais dos quais se ocupavam toda essa hierarquia governamental, não se deve esquecer que o complexo palaciano envolvia os trabalhos domésticos, oficinas, armazéns, tesouros, o que exigia uma enorme quantidade de trabalhadores em todos os níveis. Na corte desde os mais altos funcionários até os serviçais do palácio eram chamados de servos do rei: “e este lhes disse: ‘Tomai convosco os servos do vosso rei, fazei montar na minha mula o meu filho Salomão e fazei-o descer até Gion” (1Rs 1,33). 129 O Selo de Shema (788

a.C.), reinado de Jeroboão II traz o título “servo do rei”, nesse caso indicando que se tratava de um alto funcionário. Este selo era feito de Jaspe e foi encontrado em 1904 nas escavações de Megido.

Pertencer à corte ou à camada mais elevada da sociedade era garantia de comida farta, luxo e conforto sem muito esforço. Na época de Salomão, o regime monárquico já estava consolidado e com ele havia constituído uma classe de pessoas acostumadas às benesses do poder. A tendência natural é a preservação da posição social conquistada, dessa forma é inevitável que os pais ambicionem deixar a seus filhos não apenas os bens materiais, mas também os meios através dos quais possam dar continuidade à obra iniciada por eles. No caso dos altos funcionários reais a transmissão de cargos era fundamental para que a família continuasse desfrutando do poder e tudo o que ele lhes pudesse proporcionar.

A monarquia centralizada provocou muitas mudanças na sociedade. Com os funcionários reais, civis e militares, exercendo suas funções tanto na capital como nos distritos representando a autoridade real, se formou uma casta social que dependia dos

129

db,[,

“Conquanto a ideia fundamental de ‘ebed seja a de escravo, em Israel a escravidão não era algo tão repulsivo, visto que a condição de escravo envolvia direitos e, frequentemente, cargos de confiança. Os súditos do rei são seus servos (Gn 21.25; Ex 7,28), como também o são todos os seus reis-vassalos (2Sm 10.19) e as nações que lhes pagam tributo (1Cr 18,2, 6,13). Aqueles a serviço do rei também são seus servos (Gn 40.20), inclusive os oficiais (1Sm 19,1; 2 Rs 22,12) e os embaixadores (Nm 22,18). HARRIS, Laird R., ARCHER JR., Gleason L. e WALTKE, Bruce K., Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento, São Paulo, Edições Vida Nova, 1998, p. 1066.

70 tributos da população. Também a igualdade nas relações familiares desaparece com as mudanças provocadas pelas transações comerciais, a produção de excedente para o pagamento de tributos, o que resultou no enriquecimento de alguns e empobrecimento de muitos outros. Bright escreve: “havia proprietários, trabalhadores assalariados e escravos; e havia os que se imaginavam aristocratas. Na corte, onde, nos dias de Salomão, se havia criado toda uma geração nascida para a riqueza, ninguém considerava o povo como outra coisa que não pessoas que podiam ser dominadas de corpo e alma (1Rs 12, 1-15). 130 Segundo Donner, “o reinado de Salomão estava emancipado da população rural; estava separado dos homens de Israel e Judá como que por uma camada de isolamento. Essa alteração já havia se anunciado nos últimos anos de Davi; sob Salomão ela se consumou.” 131