Após a implementação da solução de medição dos parâmetros de QoS utilizando o perfSONAR-PS, foi necessário dotar a arquitetura nal de um sistema que permitisse à FCCN gerir de forma centralizada e controlada o seu parque de sondas, sem dependên- cias externas à organização. Alguns dos requisitos desse sistema centralizado passam por:
Permitir controlar quais os pacotes que são instalados em cada sonda e em que altura é que isso é feito.
Permitir organizar o parque de sondas em vários lotes, cada um com um con- juntos de pacotes diferenciados.
Permitir o rollback de pacotes que tenham sido instalados.
Manter um registo do histórico da instalação de pacotes em cada sonda. Sincronizar de forma controlada com repositórios de pacotes externos à FCCN. Sem um sistema que permita fazer este tipo de gestão de forma centralizada, a instalação e manutenção das sondas torna-se dispendiosa no número de horas que os administradores precisam para instalar uma sonda - completamente operacional - e, posteriormente, atualizá-la, assim que as ferramentas utilizadas o exijam.
Antes de se pensar em construir um sistema à medida, foi feita uma pesquisa dos sistemas open-source existentes no mercado que respeitassem os requisitos impostos pela FCCN e que oferecessem mais valias. Existem muitos produtos que disponibilizam as capacidades de conguração de que a FCCN estava à procura, tais como o Chef [177], BCFG2 [178], Puppet [179] ou CFEngine [180], mas quase todos eles apenas oferecem as funcionalidades necessárias nas versões pagas dos produtos.
No nal, decidiu-se instalar e experimentar o Spacewalk [181], uma solução open- source de gestão de sistemas Linux, mantida por uma comunidade de utilizadores, a partir da qual é derivado o Red Hat Network (RHN) Satellite [182]. As suas capacidades incluem:
Inventariar os sistemas (informação sobre hardware e software). Instalar e atualizar software nos sistemas.
Organizar pacotes de software em grupos conguráveis.
Fazer a instalação automática de um dos sistemas operativos Linux suportados. Gerir e distribuir cheiros de conguração entre os sistemas.
Monitorizar os sistemas.
Executar comandos remotos nos sistemas. Gerir máquinas virtuais.
Estas capacidades mostram-se bastante apetecíveis, pois facilitam a instalação transversal da nova solução de medição dos parâmetros de QoS em todas as sondas.
Após disponibilização por parte da FCCN de uma máquina virtual, instalou-se a última versão do Spacewalk disponível (1.9) e procedeu-se à conguração da mesma. O Spacewalk fornece um GUI através de uma página web, onde é possível proceder à conguração dos vários aspectos deste sistema.
Para poder criar repositórios, a partir dos quais serão instalados os pacotes ne- cessários ao funcionamento das sondas, é necessário criar canais no Spacewalk. Um canal deve conter todos os pacotes necessários à instalação de um sistema operativo. Pacotes adicionais devem ser adicionados em sub-canais. Os canais e os sub-canais po- dem ser sincronizados (a pedido ou periodicamente) com repositórios externos, como pode ser visto na gura 5.27.
Para instalar uma versão semelhante à disponibilizada pelo projeto perfSONAR-PS (pS Performance Toolkit), criou-se um canal com os pacotes do CentOS 5.9 e sub- canais com os pacotes necessários à instalação do pS Performance Toolkit e do cliente do Spacewalk, como se pode ver na gura 5.28.
Figura 5.28: Canais do Spacewalk
Estes canais foram congurados de forma a sincronizarem periodicamente com os repositórios ociais. O repositório Extra Packages for Enterprise Linux (EPEL) [183] é utilizado tanto pelo Spacewalk como pelo perfSONAR-PS. O EPEL é um repositório de pacotes adicionais para Enterprise Linux, incluíndo (mas não limitado a) RHEL [184], CentOS [185] e Scientic Linux [186]. Estes pacotes são geralmente baseados na versão destes para Fedora [187] e não criam conitos ou substituem pacotes das distribuições base do Enterprise Linux.
Outra funcionalidade oferecida pelo Spacewalk é a possibilidade de ter cheiros de conguração geridos centralmente. Isto signica que se podem criar canais de conguração e especicar cheiros dentro desses canais que devem ser iguais em to- dos os sistemas que subscrevam esses canais. Neste caso especíco, é desejável gerir centralmente os seguintes cheiros:
1. /etc/ntp.conf - contém a conguração do NTP, nomeadamente quais os servidores a utilizar
2. /etc/syscong/rhn/osad.conf - contém a conguração do cliente OSAD
3. /var/lib/nocpulse/.ssh/authorized_keys - contém as chaves públicas dos compu- tadores autorizados a aceder a esta máquina através da autenticação por chave pública / chave privada
4. /etc/yum.repos.d/CentOS-Base.repo - contém a conguração do repositório base do CentOS
5. /etc/yum.repos.d/Internet2.repo - contém a conguração do repositório base da Internet2
6. /etc/yum.repos.d/Internet2-web100_kernel.repo - contém a conguração do re- positório com o kernel Web100 da Internet2
7. /etc/yum.repos.d/epel.repo - contém a conguração do repositório EPEL 8. /opt/perfsonar_ps/toolkit/etc/enabled_services - contém a conguração dos ser-
viços do perfSONAR-PS
No caso do cheiro 1, deve-se incluir a conguração dos servidores NTP a utilizar para efetuar a sincronização temporal entre todas as sondas. No cheiro 2 deve ser incluído o caminho para o certicado SSL do servidor do Spacewalk, e no cheiro 3 deve-se congurar a chave pública do servidor Spacewalk. Para os cheiros 4, 5, 6 e 7, é desejável desativar estes repositórios, para que todos os pacotes a instalar nas sondas sejam fornecidos apenas pelo servidor Spacewalk. Finalmente, no cheiro 8, devem-se ativar apenas os serviços relacionados com as medições de one-way delay. Exemplos destes cheiros podem ser encontrados nos apêndices B, C, D, E, F, G, H e I.
Para registar um sistema no Spacewalk, de forma a que seja possível gerir o sistema a partir do Spacewalk, devem-se utilizar chaves de ativação. Os sistemas registados com uma chave de ativação herdam as características dessa chave, que podem ser denidas no GUI do Spacewalk, como os canais de pacotes e conguração a subscrever, os pacotes que devem estar instalados e os grupos a que pertencem os sistemas registados com essa chave.
Aquando do registo de um sistema no Spacewalk, são recolhidas informações sobre o hardware e o software do sistema, as quais podem ser consultadas através do GUI do Spacewalk. Um exemplo da informação sobre o hardware de um sistema gerido pelo Spacewalk pode ser visto na gura 5.29.
Figura 5.29: Exemplo de informação de hardware de um sistema
Na gestão do software presente num sistema, é possível listar, instalar e desinstalar software que faça parte dos canais subscritos por um dado sistema. Na gura 5.30 pode-se ver um exemplo da opção de atualização do software de um sistema.
Todas as alterações de software (e não só) feitas num sistema podem ser rever- tidas, através de um sistema de snapshots. De cada vez que é feita uma alteração a um sistema, é guardado um snapshot com o estado anterior do sistema. Se um administrador desejar, pode voltar atrás e anular as alterações feitas. Um exemplo da lista de snapshots de um sistema pode ser visto na gura 5.31.
Figura 5.31: Lista de snapshots de um sistema
O Spacewalk permite ainda monitorizar os sistemas com probes (sondas, mas não no sentido em que é utilizado neste capítulo), que dão informação sobre vários aspetos do sistema, tais como a carga do sistema, a taxa de utilização de memória ou sobre o estado de um serviço especíco do sistema. Na gura 5.32 pode-se ver um exemplo destas probes.
Figura 5.32: Estado das probes de um sistema
A funcionalidade do Spacewalk que auxilia os administradores na instalação re- mota de sistemas é a possibilidade de criar pers de kickstart. O kickstart [188] é um método utilizado para proceder à instalação automática de um sistema operativo e pacotes adicionais, através de um cheiro que contém a conguração da instalação (esquema de particionamento, pacotes a instalar, repositórios a utilizar, scripts a exe- cutar, etc.). Assim, não é necessária a intervenção de um administrador durante o processo da instalação.
Depois de criados os canais com os pacotes a instalar no sistema, e de criada a distribuição do sistema operativo a utilizar (CentOS 5.9), foi necessário criar um perl para poder fazer o kickstart de uma máquina. Depois de analisar o cheiro de kickstart utilizado pelo pS Performance Toolkit, foi criado um perl de kickstart através do GUI do Spacewalk. Este perl contém, além de outras opções, uma listagem com todos os pacotes necessários para instalar o CentOS 5.9, o pS Performance Toolkit 3.2.2 e o cliente do Spacewalk 1.9. Na gura 5.33 pode-se ver alguns desses pacotes.
O Spacewalk inclui a ferramenta Cobbler [189], um servidor de instalação de sis- temas operativos Linux que permite a rápida conguração de ambientes de instalação em rede. Depois de criados os pers de kickstart desejados, é possível gerar, através do Cobbler, um cheiro ISO que pode ser gravado num Compact Disc (CD) ou numa
pen USB e que é depois utilizado numa máquina remota para fazer o arranque da instalação remota do sistema operativo e respetivos pacotes associados através de um determinado perl de kickstart.
O Cobbler constrói automaticamente um menú com todos os pers de kickstart gerados pelo Spacewalk, a partir do qual um administrador pode escolher o kicks- tart desejado para uma determinada máquina. O cheiro de kickstart é especicado diretamente através de um URL (pressupõe-se que as máquinas a instalar remota- mente possuem conetividade à rede e conseguem aceder ao servidor onde está alojado o Spacewalk). Na gura 5.34 está representado o menú e os detalhes de uma das opções da lista.
Figura 5.34: Exemplo do ecrã de instalação remota das sondas
No entanto, é também possível associar gamas de IPs especícos a determinados pers de kickstart no Spacewalk, permitindo utilizar um único URL para o kickstart. O perl a utilizar é determinado pelo Spacewalk, conforme o IP da máquina que executa o kickstart. Na gura 5.35 pode-se ver a opção de associar gamas de IPs a um perl de kickstart.
Figura 5.35: Opção de fazer adicionar gamas de IPs a um perl de kickstart