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Discussion

7.2 Interpreting the data

Maíra Evangelista de Sousa1 Ana Gruszynski2

Resumo: O artigo apresenta e discute a implementação de

edições e produtos digitais móveis do jornal Zero Hora (ZH), tendo em vista mudanças editoriais e comerciais adotadas pela empresa como estratégias para a monetização de seus conteúdos no desenvolvimento dos processos de convergên- cia jornalística. O estudo combina técnicas qualitativas e ancora-se nos conceitos de convergência jornalística e jorna- lismo móvel. Observam-se quatro transformações no modelo de negócios de ZH: experiências iniciais, desenvolvimento dos primeiros aplicativos, estratégias de publicação multi- plataforma e a integração dos produtos digitais com a Rádio

Gaúcha.

Palavras-chave: Jornalismo Móvel. Convergência jornalística. Zero Hora.

Abstract: The article presents and discusses the implementa-

tion of digital editions and mobile products of the newspaper

Zero Hora (ZH), considering editorial and commercial chang-

es adopted by the company as strategies for the monetization of its contents in the development of the process of journal- 1. Doutora em Comunicação e Informação (PPGCOM-UFRGS) e Pós-dou- toranda em Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCom-UFPA) com bol- sa PNPD/CAPES. Membro dos grupos de pesquisa “Laboratório de Edição, Cultura e Design” (LEAD) e “Interações e Tecnologias na Amazônia” (ITA), Brasil, e-mail: [email protected].

2. Doutora em Comunicação. Professora do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGCOM-UFRGS). Pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvi- mento Científico e Tecnológico (CNPq). Coordenadora do grupo de pesquisa “Laboratório de Edição, Cultura e Design” (LEAD), Brasil, e-mail: anagru@

istic convergence. The study combines qualitative techniques and is anchored in the concepts of journalistic convergence and mobile journalism. There are four transformations in the ZH business model: initial experiences, development of the first applications, multiplatform publishing strategies and the integration of digital products with Rádio Gaúcha.

Keywords: Mobile journalism. Journalistic Convergence. Zero Hora. Introdução

O acesso a sites e a aplicativos de diferentes perfis se dá atualmente por uma diversidade de dispositivos que se integram ao cotidiano de pessoas, de instituições e de organizações, de tal modo que a sociedade passa a se es- truturar em redes cada vez mais móveis (Castells; Fernández-Ardèvol, Qiu, & Sey, 2007). Neste âmbito, a sociedade móvel (Aguado & Martínez, 2008) é permeada por telas conectadas, sensíveis ao contexto e ubíquas; e a cultu- ra caracteriza-se pela participação, pela conectividade e pela convergência. O jornalismo – prática social e cultural – passa por reconfigurações nes- te cenário, em que processos de convergência jornalística (Kolodzy, 2009; Salaverría, Avilés, & Masip, 2010) apontam para a consolidação do jornalis- mo móvel (Quinn, 2009; Rezende, 2016; Silva, 2013; Sousa, 2018). Veículos que construíram sua identidade e credibilidade em trajetória associada à pu- blicação em papel se adaptam e investem em outros produtos ou estratégias para conquistar novos leitores e manter seu público fiel (Gruszynski, 2016), fazendo alterações em seus modelos de negócios, tendo em vista o crescente acesso a seus produtos por meio dos dispositivos móveis.

As primeiras edições de jornais em suportes digitais surgiram na década de 1990. No ano 2000, conteúdos jornalísticos passaram a ser distribuí- dos em celulares por meio de alertas noticiosos, utilizando as tecnologias SMS3 e MMS (Fidalgo, 2009). A seguir, foram criados os sites móveis e,

com o lançamento do iPhone em 2007, os aplicativos; mais recentemente, 3. Serviço de envio/recebimento de mensagens de texto curtas (Short Message Service) disponível em celulares, que pode ser cobrado pelas operadoras de telefonia. Posteriormente, foi incluída a possibi- lidade de envio/recebimento de conteúdos multimídia. Nesse caso, as mensagens eram chamadas de MMS (Multimedia Messaging Service).

a disseminação de notícias em suportes digitais móveis passou a englobar múltiplos canais de distribuição (Westlund, 2013). Observa-se que os vín- culos estabelecidos historicamente entre jornais impressos e público, que são operacionalizados por contratos de comunicação (Charaudeau, 2007), se deslocam para outros suportes na medida em que seus produtos vão sen- do disponibilizados em diferentes plataformas digitais (Gruszynski, 2012). Com efeito, este artigo tem o objetivo de apresentar e discutir a implemen- tação de edições e produtos digitais móveis do jornal Zero Hora (ZH)4, tendo

em vista mudanças editoriais e comerciais adotadas pela empresa como estratégias para monetização de seus conteúdos no desenvolvimento dos processos de convergência jornalística. Fundado em maio de 1964, na cida- de de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, o veículo possui um vínculo historicamente construído com seu público por meio da mídia impressa. É o quinto jornal brasileiro com maior circulação – e o quarto se considera- dos apenas os suportes digitais/digitais móveis (Grupo de Mídia, 2017) –, e apresenta edições em múltiplas plataformas. O periódico integra o Grupo Rede Brasil Sul de Comunicação (RBS), que detém posição hegemônica no mercado de comunicação da região Sul do país. É exemplar dos processos de convergência jornalística que vêm ocorrendo nas últimas décadas, mar- cados pela significativa preocupação com a audiência, pelas iniciativas que representam um avanço da empresa em conformidade com as tendências do mercado impostas pela evolução tecnológica e significativamente asso- ciadas ao viés econômico do jornalismo.

Convergência e jornalismo móvel

Nas últimas duas décadas, houve uma explosão de técnicas e de ferramen- tas (Anderson, Bell, & Shirky, 2013) que têm sido apropriadas nos processos jornalísticos em suas diferentes etapas. A digitalização e a miniaturização de tecnologias, bem como o desenvolvimento das telecomunicações e a 4. As discussões deste artigo trazem resultados da tese de doutorado “Jornal e mobilidade: reconfigu- rações do impresso ao multiplataforma” defendida no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGCOM-UFRGS) e da pesquisa “O design no cenário de convergência jornalística: um estudo sobre o jornal Zero Hora multiplataforma” (LEAD/

implantação da internet colocaram em questão as normas e as práticas de produção, de circulação e de consumo em um ambiente midiático em ple- na mutação (Charron & Bonville, 2016). Atualmente, há notícias em todos os lugares que surgem das mais diversas fontes (Anderson, Downie Jr., & Shudson, 2016). Por conseguinte, o jornalismo passa a ser visto em seu pon- to de exaustão devido aos movimentos de cópias automatizadas de notícias, aos conteúdos gerados por usuários, às tecnologias vestíveis, à realidade virtual, assim como ao encerramento de edições impressas de veículos jor- nalísticos tradicionais e às demissões de muitos jornalistas (Zelizer, 2017). O jornalismo produzido para circulação e consumo em suportes digitais já tem mais de duas décadas de história e pode ser associado a três momen- tos principais de desenvolvimento tecnológico, de acordo com Bell e Owen (2017). O primeiro foi marcado pelo surgimento da internet comercial e da banda larga; o segundo, pela maior disponibilidade de tecnologias de banda larga e pela web 2.0; o terceiro vem sendo caracterizado pelo surgimento de smartphones e da web móvel, que ocupam cada vez mais o lugar dos compu- tadores de mesa. No início do século XXI, as principais transformações do jornalismo referiam-se às linguagens e aos conteúdos, à reorganização do trabalho dos jornalistas, à estrutura das redações e da indústria da informa- ção, à relação entre veículos, jornalistas e o público e à reestruturação dos processos de produção e de circulação (Machado, 2000).

Em texto de 2002, Quinn explanou sobre o jornalismo múltiplo ou o jor- nalismo de convergência, o qual envolveria a reutilização do material editorial dos jornais para outros suportes. Mais tarde, o discurso da con- vergência passou a ser o “novo imperador da ordem” nas organizações jornalísticas (Adghirni, 2012), sendo entendido como uma das medidas tomadas pelas organizações para reduzir custos e ganhar coesão (Müller, 2012). Gradualmente, esta começa a ser pensada não apenas como o reapro- veitamento do conteúdo jornalístico, mas como um processo que envolve também a produção de conteúdos pensados especificamente para as novas plataformas. Por certo, os processos de produção e de entrega de notícias poderiam utilizar o potencial máximo de cada mídia, reforçando, assim,

a missão principal do jornalismo de informar o público sobre o mundo do modo mais qualificado possível (Kolodzy, 2009), atraindo um público cada vez mais diversificado e fragmentado e potencializando a consolidação das empresas de notícias.

Salaverría et al. (2010) definem a convergência jornalística como um proces- so provocado pela implantação de tecnologias digitais que ocorre em várias dimensões:

Afeta o âmbito tecnológico, empresarial, profissional e editorial dos meios de comunicação, propiciando uma integração de ferramentas, es- paços, métodos de trabalho e linguagens anteriormente desagregadas, de forma que os jornalistas elaboram conteúdos que são distribuídos através de múltiplas plataformas, mediante as linguagens próprias de cada uma (Salaverría et al., 2010, p. 59, tradução nossa).

Com o desenvolvimento dos processos convergentes, os suportes digitais passaram a ser reconhecidos como protagonistas do jornalismo (Salaverría, 2016a). Embora os jornais impressos representem uma porção significati- va na rentabilização financeira, “priorizar o conteúdo informativo online representa um olhar para o futuro, buscando garantir que as novas gera- ções de leitores consumam o que foi produzido por empresas profissionais” (Lenzi, 2017, p. 25). Pellanda et al. (2017) estabelecem sete marcos de tecno- logias digitais móveis baseados nos usos e nas apropriações pelo jornalismo, focando no consumo e na leitura de produtos: SMS (Short Message Service); WAP (Wireless Application Protocol); web móvel; iPhone, web apps e dissemi- nação de produtos móveis via lojas virtuais; notificações móveis; wearables; IA (inteligência artificial) e assistentes pessoais. Nos últimos anos, o princi- pal desafio tem sido desenvolver estratégias e conteúdos otimizados para suportes digitais móveis (Anderson et al., 2016), visto que se percebe uma substituição dos computadores de mesa por dispositivos móveis (Bell & Owen, 2017).

Celulares, smartphones, tablets e tecnologias vestíveis, caracterizados pela portabilidade, são apropriados pelo jornalismo, seja na esfera das rotinas

produtivas, seja na esfera da circulação e do consumo de conteúdos, tra- zendo inovações para o campo (Sousa, 2017). Quinn conceitua o que seria o Mojo, abreviação para jornalista móvel (do inglês, mobile journalist): “usa apenas um telefone celular para reunir e distribuir notícias. Essa notícia pode consistir em texto, áudio, fotos ou vídeos, ou, às vezes, uma combi- nação destes. Mojos tendem a trabalhar sozinhos” (Quinn, 2009, p. 10, tradução nossa). Rezende (2016) destaca que, mais que a portabilidade, essas tecnologias agregam capacidades telefônicas e computacionais que possibi- litam diferentes sentidos de usos e de consumos. Assim, o jornalismo móvel é descrito como: “um conjunto de práticas de produção, edição, circulação e consumo de conteúdos jornalísticos em dispositivos portáteis digitais que agregam conexão ubíqua, conteúdos por demanda adaptados ao contexto do usuário e integração de múltiplos formatos midiáticos” (Rezende, 2016, p. 26).

Silva (2013, p. 101) usa o termo jornalismo digital móvel para definir o está- gio atual da relação entre jornalismo e mobilidade: “Compreende o trabalho do repórter em campo exercendo atividades potenciais de apuração, produ- ção, edição, distribuição e compartilhamento de conteúdos ou transmissão ao vivo em condições de mobilidade (física e informacional)”. Explica que a atividade é baseada em infraestrutura de conexão sem fio e tecnologias móveis digitais, portáteis e ubíquas. Para Sousa (2018, p.176), “os jornais sempre apresentaram dimensões de mobilidade, o que muda na contem- poraneidade é que estas se ampliam e complexificam”. Assim, segundo a autora, se o jornal impresso possuía duas dimensões de mobilidade, os jor- nais em suportes digitais móveis podem apresentar até nove.

Chama-se atenção para a denominação jornalismo ubíquo, que teve impulso com o desenvolvimento e a penetração de tecnologias de comunicação móvel resultantes da conexão sem fio por banda larga em escala global e com a mi- niaturização de suportes digitais móveis a preços baixos (Pavlik, 2014). Visto por Salaverría (2016b, p. 259, tradução nossa) como o futuro do jornalismo móvel, que “entendido em seu pleno desenvolvimento, será muito mais que o simples jornalismo ‘para’ móveis que é hoje”, será “um jornalismo ‘com,

desde e através de’ móveis.” O autor aponta a otimização das publicações digitais como desafio para o desenvolvimento do jornalismo ubíquo, visto que as tecnologias digitais móveis trazem várias funcionalidades que podem ser exploradas. Sousa (2018) entende o jornalismo ubíquo como um perío- do mais avançado do jornalismo móvel. Silveira (2017) o caracteriza por meio de treze propriedades: espaço híbrido, legado potencializado, jorna- lismo digital em base de dados, multissuporte, contextualidade, integração, continuidade, automação, formato ubíquo, redistribuição e reprodução, per- sonalização bidirecional, redação mobile first5, multicompetências.

Os suportes digitais móveis deram início a um novo modelo de negócios, inaugurado com o lançamento da Apple App Store, em 2008. Este mercado é formado por um sistema operacional e uma loja de aplicativos com o res- pectivo sistema de pagamento em que são comercializados livros digitais, músicas e aplicativos (Canavilhas & Satuf, 2013). Os aplicativos também podem ser disponibilizados diretamente no navegador: “Esta possibilida- de depende do uso de linguagens específicas de desenvolvimento (como o HTML5) e/ou de modelos de assinatura de hospedagem adquiridos junto às empresas que controlam as lojas de aplicativos” (Oliveira, 2013, p. 30). Eles são o ambiente onde o usuário pode encontrar e interagir com o conteúdo nos suportes digitais móveis.

Esse modelo de mercado da informação móvel é chamado de plataformiza- ção. Ele coloca o conteúdo digital no coração do ecossistema da mobilidade, uma vez que o futuro desses aparelhos gira em torno do conteúdo em conec- tividade (Aguado & Castellet, 2013). Assim, com a expansão da banda larga móvel, há uma mudança “de um modelo on portal, submetido ao controle das operadoras, a um off portal, com acesso direto dos usuários e suas mé- tricas” (Aguado & Castellet, 2013, p. 36, tradução nossa), apontando o início de um modelo de negócios que complementa as estratégias da internet fixa. Portanto, se, em um primeiro momento, os usuários necessitavam estar co- nectados para consumir conteúdo nos sites/portais, nesta fase, ao baixar o

aplicativo de um jornal, e, se for o caso, comprar uma edição digital, o usuá- rio poderá acessá-la sem, necessariamente, estar conectado à rede. Logo, a distribuição de conteúdo passa a ser caracterizada pelo modelo de servi- ços pagos (Rublescki, Barichello, & Dutra, 2013). Isso porque, na cultura da mobilidade, a gratuidade não existe ou existe em menor quantidade, sendo mais fácil monetizar a produção e a distribuição dos conteúdos (Aguado & Castellet, 2013).

Iniciativas de Zero Hora para o jornalismo móvel

A identificação e discussão da implementação de estratégias editoriais e co- merciais que vêm alterando os modelos de negócios do jornal Zero Hora, associados às iniciativas orientadas aos dispositivos móveis, é realizada com base nas pesquisas: bibliográfica (Stumpf, 2005; Gil, 1999) e docu- mental (Ketele & Roegiers, 1993), em uma abordagem qualitativa. Os dados levantados foram sistematizados em quatro fases principais: a primeira re- lacionada às experiências iniciais; a segunda referente ao desenvolvimento dos primeiros aplicativos; a terceira alusiva às estratégias de publicação

multiplataforma e a quarta que diz respeito à integração dos produtos digi-

tais de Zero Hora com a Rádio Gaúcha (ambos do Grupo RBS).

As experiências iniciais estiveram ligadas ao portal clicRBS. Em 2006, era possível receber mensagens de texto (SMS) com informações sobre jogos de futebol, por exemplo. O serviço era disponível para usuários das operadoras de celular Vivo e BRTGSM por meio de assinatura. Cada mensagem custava dez centavos. Em 2008, foi criada a versão para smartphone e para iPhone do clicRBS, o clicMobile (http://m.clicrbs.com.br), que podia ser acessado por conexão WAP ou wi-fi, e o serviço era gratuito (ClicRBS..., 2008). Com o lançamento do Kindle, em 2009, ZH inaugurou uma versão específica para o aparelho, sendo o segundo jornal da América do Sul a publicar conteúdo para o suporte. O acesso era pelo site da Amazon.com (no menu Newspaper) e as edições podiam ser compradas individualmente ou por meio de assina- tura (Inovação..., 2009).

Nessas experiências pioneiras (Imagem 1), já se percebe o início da cobrança por conteúdos jornalísticos em suportes digitais móveis. Contudo, destaca- -se também que a distribuição estava atrelada, em alguns casos, a outras empresas, como operadoras de celular e o site da Amazon. Neste momento, essas mudanças editoriais e comerciais podem ser entendidas como for- mas de explorar um mercado que começava a ganhar espaço no Brasil, em um cenário ainda recente de comunicação móvel, visto que foi na década de 2000 que a sociedade começou a se tornar móvel (Aguado & Martínez, 2008) e estruturada em redes móveis (Castells et al., 2007).

Imagem 1: Experiências iniciais de ZH em suportes digitais móveis. A - versão móvel do Clicrbs no iPhone. B - Versão móvel do Clicrbs no smartphone. C - Zero Hora no Kindle. Fonte: Site do clicRBS.

A partir de 2011, iniciou-se o desenvolvimento dos primeiros aplicativos. Foi criado o Núcleo de Conteúdos para Tablets, que se tornou a fábrica de aplicativos de ZH. Em fevereiro, foi lançada a primeira versão para iPad, e, em junho, uma versão para o tablet (Zero Hora..., 2011). Até então, era necessário criar um aplicativo específico para cada sistema operacional. Por conta disso, foram desenvolvidos também produtos específicos para iPhone, Blackberry e smartphones. Em 2013, foram lançados os aplicativos Colorado ZH e Gremista ZH para distribuição de conteúdos referentes aos dois principais times de futebol do Rio Grande do Sul. Percebe-se, a partir deste período, o constante lançamento de novas versões de aplicativos.

Destaca-se, contudo, que esses produtos surgiram com a finalidade de se- rem gratuitos por tempo limitado, transformando o modelo de negócios que, até então, era marcado sobretudo por conteúdos gratuitos – assim como nos primeiros sites/portais jornalísticos. Em 12 de agosto de 2012, os con- teúdos digitais passaram a ser monetizados. Com a mudança, os leitores podiam ler até 30 reportagens por mês, a partir da trigésima primeira, só os assinantes conseguiam ter acesso ao conteúdo (Zero Hora..., 2012). As edições digitalizadas do jornal impresso estavam à venda no próprio aplica- tivo. Após o conteúdo ser comprado e baixado, era possível consumi-lo sem conexão à internet.

Nessa segunda fase, ZH passou a investir em estratégias para incluir o público no processo de circulação de notícias, de modo a potencializar o alcance dos seus conteúdos. Em 2011, ocorreu investimento no comparti- lhamento em sites de redes sociais com botões para replicação nas capas e nas matérias, facilitando a ação participativa dos leitores (Stefanelli, 2011). Em 2013, houve a adoção de relatórios diários referentes às métricas de ZH nos perfis em sites de redes sociais – cujos destaques, as notícias mais lidas e os vídeos mais vistos passaram a nortear as reuniões de pauta do jornal (Seibt, 2014). Embora a redação tenha sido unificada em 2007, no início de 2012, houve um novo processo de integração com o intuito de disseminar a cultura multimídia entre os profissionais do veículo. Este segundo momento foi marcado, sobretudo, pelo início dos investimentos na produção de aplica- tivos desenvolvidos para os suportes digitais móveis, ainda que a prioridade ainda não estivesse no conteúdo a eles direcionado.

Foi a partir de 2011 que Zero Hora começou, efetivamente, a investir em jornalismo móvel (Sousa, 2018) (Imagem 2 e 3). Percebe-se que, foi neste período que ZH se integrou ao modelo de mercado da informação móvel – intitulado de plataformização (Aguado & Castellet, 2013), investindo em equipe desenvolvedora de aplicações e em produtos móveis. Destaca-se também o início da monetização desses produtos (Rublescki et al., 2013). Neste sentido, tais modificações editoriais e comerciais estão inseridas nos processos de convergência jornalística (Kolodzy, 2009; Salaverría et

al., 2010), motivadas por tendências mercadológicas resultantes do avanço tecnológico.

Imagem 2: Desenvolvimento dos primeiros aplicativos de ZH para suportes digitais móveis. A - Aplicativo para iPad em 2011. B - Aplicativo para tablet em 2011. Fonte: Site do clicRBS.

Imagem 3: Desenvolvimento dos primeiros aplicativos de ZH para suportes digitais móveis. A - Aplicativo para iPhone em 2010. B - Aplicativo para Blackberry em 2010. Fonte: Site do clicRBS

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Em junho de 2012, observou-se o delineamento da terceira fase – publica-

ção multiplataforma – quando foi lançada a campanha “Tudo na sua mão”.

curadoria de informação da marca e ressaltar o serviço multiplataforma de ZH” (A qualquer..., 2012). Contudo, esta iniciou-se, de fato, no dia do cinquentenário do jornal, em quatro de maio de 2014. Neste momento, a importância dos suportes digitais móveis já era tanta que chegou, inclusive, a ter influência no desenho do novo logotipo: “O aplicativo mobile é um dos grandes responsáveis pela mudança de Zero Hora para ZH no logotipo. Foi a partir da construção do símbolo dele que a nova marca se expandiu para todas as plataformas” (Zerohora.com..., 2014, p. 7), ficando, então, clara a estratégia conhecida como mobile first, relacionada a técnicas do design res- ponsivo ou adaptativo (Gruszynski; Sanseverino, 2017). De fato, o modelo de