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A Organização Revolucionária Marxista - Política Operária (ORM-POLOP) foi criada em janeiro de 1961, como resultado da fusão da juventude do Partido Socialista das seções da

20 No dia 12 de outubro de 1968, Charles Rodney Chandler, Capitão do Exército dos EUA, enviado ao Brasil

supostamente para estudar Sociologia e Política, foi assassinado na cidade de São Paulo por militantes da ALN e VPR. Segundo os guerrilheiros, Chandler era um agente da CIA e se encontrava no Brasil com a missão de assessorar a ditadura civil-militar com ensinamentos de “técnicas de interrogatórios” aos órgãos da repressão. Já Henning Albert Boilesen foi um empresário dinamarquês radicado no Brasil, presidente da Ultragás e um dos fundadores do CIEE - Centro de Integração Empresa Escola. O empresário foi executado a tiros por militantes da ALN e MRT, na manhã de 15 de abril de 1971, nos Jardins em São Paulo. Seus executores dizem que o escolheram como exemplo para um justiçamento, acusando-o de ajudar no financiamento da repressão e de assistir a sessões de tortura de presos políticos. Para saber mais sobre o assassinato do empresário da Ultragás ver o documentário Cidadão Boilesen (2009), dirigido Chaim Litewski.

Guanabara e São Paulo – estes últimos adeptos ao pensamento de Rosa Luxemburgo 21, de

estudantes da “Mocidade Trabalhista de Minas Gerais”, e de dissidentes do PCB.

A ORM-POLOP foi o primeiro agrupamento a se organizar como opção partidáriaao PCB e também ao PTB, considerando as atitudes destes partidos conciliadoras e reformistas. Sendo assim, elaborou um “‘Programa Socialista para o Brasil’, no qual afirmava que o grau de evoluções do capitalismo no país comportava e exigia transformações socialistas imediatas, sem qualquer etapa nacional-democrática” (BNM, 1985, p.103). Dentre as suas temáticas destacavam: a inviabilidade das reformas fora de um contexto revolucionário; a questão do socialismo, colocado na ordem do dia pelos movimentos sociais; a necessidade de libertar os trabalhadores da influência dos partidos reformistas (PTB e PCB); e a criação de um novo partido comunista, que assumisse realmente a direção da política da classe operária, livre de tutelas do Estado e da aliança com a burguesia nacional.

Contudo, a organização alcançou mais os círculos intelectuais do que as classes populares, sendo muitas vezes criticada – por alguns militantes – pelo excesso de teoricismo e ausência de práticas guerrilheiras. Jacob Gorender também afirma que ORM-POLOP “ficou restrita ao meio intelectual e à produção teórica, sem conseguir penetração nos movimentos

de massa” (GORENDER, 1987, p.36).

Sendo assim, no ano de 1967 ocorreram duas grandes dissidências dentro da POLOP, as seções de Minas Gerais e São Paulo. Os militantes de Minas Gerais criaram o Comando de Libertação Nacional (COLINA). Orientados pelas ideias defendidas pela Organização Latino- Americana de Solidariedade (OLAS), a partir de 1968, o grupo passou a executar ações armadas que viabilizariam a guerrilha no campo. Abandonaram inclusive o que havia de mais sólido nas teses da ORM-POLOP – a proposta da revolução socialista para o país –, adotando o caminho da libertação nacional. Após forte repressão do regime o grupo se desmantelou e se

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Rosa Luxemburgo foi uma intelectual marxista que nasceu na Polônia em 1871 e foi assassinada na Alemanha no ano de 1919, junto com seus companheiros, após o Levante Espartaquista. Dentre seus pensamentos, destacamos os debates travados com a social-democracia e o bolchevismo de Lênin. Contra a social-democracia enfatizou os limites históricos do capitalismo e contra o bolchevismo enfatizou a espontaneidade revolucionária da classe operária. Sendo assim, Rosa Luxemburgo defendia a tese da derrocada inevitável do capitalismo, ao invés de reformá-lo, como preconizava a tese social-democrata. Já a polêmica com Lênin girava em torno da concepção de partido. Para Lênin, a classe trabalhadora só se libertaria quando tivesse um partido político centralizado que lhe dirigisse. Para Rosa Luxemburgo, a emancipação da classe operária é fruto da própria classe operária e não do centralismo ou burocratismo de um partido.

aliou à Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), dando origem, em seguida, a Vanguarda Armada Revolucionária - Palmares (VAR – Palmares) 22.

Já a seção dissidente de São Paulo se uniu aos militantes remanescentes do Movimento Nacional Revolucionário (MNR) 23 para constituir a VPR. Suas ações a caracterizaram como um dos principais grupos que, por meio das armas, enfrentou a ditadura no Brasil: ataque a bomba ao Quartel-General do II Exército em São Paulo; justiçamento do major natural do Estados Unidos Charles Rodney Chandler (em parceria com a ALN); captura de fuzis e armas no Hospital Militar do Cambuci em São Paulo e no quartel do exército em São Caetano do Sul; sequestro dos embaixadores japonês, alemão e suíço, como moeda de troca (ações conjuntas com outros grupos) etc. Vale ressaltar que o grupo teve como figura lendária o ex-capitão do exército Carlos Lamarca, antes de sua transferência para o MR-8. A VPR foi violentamente destruída no ano de 1972.

Em abril de 1968 a ORM-POLOP, debilitada com as cisões internas, foi convertida em Partido Operário Comunista (POC), aproximando-se da dissidência do PCB do Rio Grande do Sul e de um pequeno grupo de militantes secundaristas da cidade do Rio de Janeiro, a Dissidência da Dissidência (DDD). Em suas teses e resoluções o POC procurou rever a atuação partidária da antiga fileira (ORM-POLOP) no seio do proletariado. Uma das principais questões girava em torno de uma maior atuação de seus quadros junto à classe operária, direcionando-a para uma postura mais revolucionária.

Posteriormente, alguns militantes do POC passaram a defender uma organização voltada para a ação revolucionária, liberta do teoricismo exacerbado da antiga ORM-POLOP. No Plano internacional, articularam-se com a IV Internacional Trotskysta/Secretariado Unificado24, que simpatizava com os métodos castro-guevaristas representados pela revolução cubana. Sendo assim, tais militantes passaram a se denominar Partido Operário Comunista – Organização de Combate, o POC – Combate. Entretanto, o grupo teve uma atuação efêmera, com discretas ações armadas.

Por outro lado, os militantes que não se deixaram seduzir pela luta armada, refundaram a ORM-POLOP, agora com um novo nome: Organização de Combate Marxista- Leninista/Política Operária (OCML-PO), conhecida pela sigla PO. A nova organização

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LEITE, Izabel Cristina. Comando de Libertação Nacional: oposição armada à ditadura em Minas Gerais (1967 – 1969). 2009. 235 p. Dissertação (Mestrado em História) Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2009.

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Tratamos o MNR mais adiante, ao abordar os movimentos nacionalistas.

24A IV Internacional Trotskysta/Secretariado Unificado se estabeleceu como uma cisão da IV Internacional,

manteve a publicação mensal Política Operária, informativo lançado anos antes pela extinta ORM-POLOP, que divulgava uma critica incisiva às teses do PCB (etapa democrática, reformas de base, e aliança com a burguesia nacional).