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As Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Básica (BRASIL, 2013), apresentam alguns pontos importantes relacionados à interdisciplinaridade permeando o currículo na Educação Básica:

Na organização e gestão do currículo, as abordagens disciplinar, pluridisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar requerem a atenção criteriosa da instituição escolar, porque revelam a visão de mundo que orienta as práticas pedagógicas dos educadores e organizam o trabalho do estudante. Perpassam todos os aspectos da organização escolar, desde o planejamento do trabalho pedagógico, a gestão administrativo-acadêmica, até a organização do tempo e do espaço físico e a seleção, disposição e utilização dos equipamentos e mobiliário da instituição, ou seja, todo o conjunto das atividades que se realizam no espaço escolar, em seus diferentes âmbitos (BRASIL, 2013, p.29).

A presença da interdisciplinaridade, bem como as demais modalidades de aproximações disciplinares, demonstra a preocupação quanto à educação básica nacional. A interdisciplinaridade, conforme Brasil (2013), é compreendida por meio um enfoque teórico-metodológico que visa a uma perspectiva de trabalho integrador de distintas áreas do conhecimento, realizando um trabalho compartilhado e

colaborativo, receptivo ao diálogo e ao planejamento. As diretrizes expõem ainda que as ações podem ser enriquecidas por meio das propostas temáticas transversais ou em redes de conhecimento e de aprendizagem, e apresentada contemplando um planejamento aberto ao diálogo (BRASIL, 2013).

O documento apresenta que cada sistema pode conceder às escolas autonomia para escolha dos temas mais relevantes à determinada comunidade, assim como a forma de tratamento que será conferido à transversalidade. Brasil (2013) ressalta:

Para que sejam implantadas com sucesso, é fundamental que as ações interdisciplinares sejam previstas no projeto político-pedagógico, mediante pacto estabelecido entre os profissionais da educação, responsabilizando- se pela concepção e implantação do projeto interdisciplinar na escola, planejando, avaliando as etapas programadas e replanejando-as, ou seja, reorientando o trabalho de todos, em estreito laço com as famílias, a comunidade, os órgãos responsáveis pela observância do disposto em lei, principalmente, no ECA (BRASIL, 2013, p. 30).

Estes aspectos levantados pelo documento demonstram que a interdisciplinaridade não deve contar apenas com a boa vontade do educador, mas necessita constar em seu planejamento diário, em suas reflexões quanto as suas práticas. Faz parte das tarefas da escola incentivar práticas interdisciplinares, bem como documentá-las por meio do PPP da instituição. E quanto às políticas públicas, este deve ser item constante nas formações inicial e continuada de todos os docentes do país, desfazendo nós do passado relacionados as más interpretações das práticas interdisciplinares e promovendo as ações exitosas.

Santomé (1998) afirma, com relação à multidisciplinaridade, que se constata por meio de pesquisas que os estudantes não transferem espontaneamente para o restante das disciplinas aquilo que aprendem em determinada matéria, nem empregam o aprendido para o enfrentamento de situações reais, portanto, “a informação assim adquirida tem muitas possibilidades de permanecer em compartimentos incomunicados. Isso também incidirá negativamente na motivação para continuar aprendendo” (idem, 1998, p. 71). Enquanto a adoção de estratégias pluridisciplinares em ambientes escolares permite aos alunos a realização de transferências de conteúdos e procedimentos de forma facilitada, possibilitando ao estudante aproximação maior da realidade onde estão inseridos, lhes permitindo motivação maior e curiosidade (idem, 1998).

Indo além, o ensino baseado na interdisciplinaridade tem grande poder transformador, pois as estruturas disciplinares, como metodologia, conceitos, pressupostos teóricos estão circundando unidades mais globais, compartilhando esses preceitos de várias disciplinas (idem, 1998).

A motivação para aprender por meio de práticas interdisciplinares, segundo Santomé (1998), é muito grande, pois qualquer problematização do cotidiano pode transformar-se em objeto de estudo. Curiosidade e motivação podem ser o ponto de partida para o aprendizado e, de acordo com Pozo e Gómez Crespo (2009), o ensino deve tomar como ponto de partida os interesses dos alunos, a busca pela conexão com seu mundo cotidiano, com o intuito de transcendê-lo, quase sem que percebam. Para Bzuneck (2000), a motivação do aluno em aula é o resultado de um conjunto de medidas educacionais que abarcam determinadas estratégias de ensino ou eventos sobre os quais todo professor tem amplo poder de decisão.

O casamento entre as disciplinas, dentro da filosofia interdisciplinar, vem apoiado nas próprias disciplinas, pois conforme Lenoir et al. (2013) coloca a interdisciplinaridade como complementar à disciplinaridade. Fazenda (2013) considera a interdisciplinaridade decorrente muito mais do encontro entre indivíduos do que propriamente de disciplinas e, dentro deste cenário, o professor tem papel fundamental, visto que a interdisciplinaridade é muito mais uma filosofia de trabalho. Fazenda (idem, 2013, p. 31) aponta elementos pertencentes ao perfil de um professor com atitudes interdisciplinares:

 gosto especial por conhecer e pesquisar;

 grau de comprometimento diferenciado para com seus alunos;

 ousadia de criar/aplicar novas técnicas e procedimentos de ensino (porém antes de aplicá-los analisa e dosa-os com parcimônia);

 resistência à acomodação;

 sentem-se sozinhos nas lutas e desejam encontrar pares para compartilhamento de experiências.

Para Augusto et al. (2004), reafirmando o que expomos de Lück (1995), o trabalho interdisciplinar deve ser de vontade do corpo docente, e não algo imposto por equipes diretivas ou redes de ensino. Deve partir do grupo a vontade de trabalhar de forma conjunta, na busca por metodologias que privilegiem este tipo de trabalho. A interdisciplinaridade envolve muito mais que mudanças de formas de se

trabalhar determinado conteúdo, estratégias de trabalho com seus pares docentes, mudança de atitude quanto aos estudantes, envolve uma transformação profunda do professor em querer transcender aquilo que lhe foi ensinado como certo em seus saberes docentes. Envolve uma atitude de humildade diante da limitação do próprio saber (FAZENDA, 2013), assim como às situações problemas que têm suas certezas em jogo.