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4. RESULTATER

4.1 Etiske dilemmaer knyttet til systemiske faktorer

4.1.1 Interne forhold, prioritering og ressurser

A Ciência da Informação vai, então, se desenvolver voltada para o trato das questões ligadas à informação e seu contexto social de produção e uso. Conformada em meio a uma sociedade marcada pelo conhecimento disciplinar e por configurações teóricas diferentes das que se apresentam como pertinentes ao campo, a Ciência da Informação depara-se com dificuldades na delimitação de seu campo específico de atuação.

Enquanto algumas áreas perceberam alguns problemas decorrentes da especialização exagerada e, a partir daí, procuraram desenvolver práticas metodológicas contradisciplinares, a Ciência da Informação, conforme destacado anteriormente, surge como uma das respostas a dois problemas interligados: o problema da disciplinarização e o crescimento exponencial da produção. Daí decorrer que, o seu arcabouço teórico-metodológico se apresenta como um conjunto de conteúdos originários de áreas participantes de sua constituição, existindo uma dificuldade de identificação do seu campo específico. Da mesma forma, o campo tem encontrado algumas dificuldades para delimitar teórico-metodologicamente seu objeto de estudo, que se apresenta como objeto empírico de estudo de diversas áreas de conhecimento. (SOUZA, 2008, p. 08)

Ocorre, todavia, que, em se tratando de se estudar fenômenos humanos pautados no uso da informação, um único campo de conhecimento não daria, naturalmente, conta de resolver sozinho o problema. Resulta, pois, necessário desenvolver pelo prisma informacional abordagens teórico-metodológicas que facilitem as relações interdisciplinares da Ciência da

13 MATHEUS, Renato Fabiano. Desafios para a ciência da informação: enfrentando dificuldades

paradigmáticas, dilemas e paradoxos através de programas de pesquisa interdisciplinares [não publicado], 2005. Disponível em http://dici.ibict.br/archive/00000238/02/MATHEUSDesafioV0.57.pdf. Acesso em : 01/01/2010.

Informação. Essa abordagem é tratada por Freire numa análise das afirmações de Saracevic, explicando que essa necessidade se dá porque

tendo a informação adquirido extrema relevância para a produção social, sua organização e socialização têm, também, adquirido maior importância e valor social. Nesse contexto, cresce a responsabilidade da Ciência da Informação, enquanto atividade social, cabendo-lhe buscar, nessa interdisciplinaridade, sua estratégia de atuação. (FREIRE, 1995, p. 03)

Portanto, a Ciência da Informação encontra nessa característica interdisciplinar os insumos para definir como lidar com seu objeto, e como assumir perante ele sua responsabilidade enquanto campo científico que busca um novo olhar sobre os fenômenos que trata.

à medida que cada ciência social progride, sua interação com as outras é “intensificada”. Logo, a CI certamente terá cada vez “mais” interdisciplinaridade – se relativizarmos a noção como em geral é feito na epistemologia informacional - por uma ordem social do desenvolvimento científico, não por uma ordem natural, ou por razão de sua natureza. (MILLS

apud SALDANHA, 2008, p. 113)

Sendo uma área que trata das questões sociais, nas quais sua relevância pode ser sentida de forma cada vez mais evidente, a Ciência da Informação necessita fundamentar sua epistemologia, dado que seus problemas apresentam-se com múltiplas visões de mundo e entrecortados por diferentes perspectivas.

Como ciência interdisciplinar, a Ciência da Informação permeia diversas áreas, sendo por elas influenciada e ainda carecendo de sólidos fundamentos epistemológicos. A análise dos problemas relacionados ao ciclo da informação é feita de modo multifacetado e fragmentado, com o uso de diversos métodos e metodologias que muitas vezes falham ao se reportar à sua base epistemológica e que ilustram uma dependência intrínseca, mesmo que involuntária, quanto às preferências pessoais ou coletivas dos autores, preferências que nem sempre são claramente expostas. (MARCIANO, 2006, p. 182)

Nessa visão, de que a epistemologia funda as razões de ser de um campo científico e na qual a perspectiva interdisciplinar é constante, temos que “se recurre a la interdisciplina para la construcción de la estructura teórica (conceptos, enunciados, teorías) al estudiar un objeto de estudio complejo.”14 (ROJAS, 2008, p. 06). Eis como é o objeto de estudo da Ciência da

Informação.

14 recorre-se à interdisciplinaridade para a construção da estrutura teórica (conceitos, enunciados, teorias) ao

Em uma análise mais detalhada dessas questões, percebe-se que no campo da Ciência da Informação, uma visão de mundo única não pode dar conta de responder aos anseios sociais que se apresentam. Assim, percebe-se a limitação da tentativa de se adotar um paradigma para o campo, visto que pela própria definição de seus objetos de pesquisa, há uma tendência a conviver com múltiplas abordagens teóricas. Desta forma,

desde o princípio, aquilo que era definido como paradigma em CI não cumpria suas promessas – em outras palavras, não foi, em momento algum, um paradigma, pelo menos segundo a conceituação kuhniana. Desta forma, neste contexto específico, Kuhn (1975) era utilizado tanto como recurso historiográfico para afirmar politicamente uma nova área – lembremos, estes mesmos autores apontam a fragilidade epistemológica da área neste momento – como para distanciar a sua suposta nova área de outros campos da organização do conhecimento, em um claro movimento de procura de visibilidade e respeitabilidade científica, lembrado por Goffman em 1970. (SALDANHA, 2008, p. 136)

Decorre dessa ponderação que a tentativa de se adotar um paradigma na área voltou-se numa proposta limitadora e de cunho reducionista. O campo que lida com um objeto de estudos dinâmico, exposto as múltiplas verdades e diferentes intenções, deve se permitir conviver com a diferença, com a contradição e a proposta de múltiplos olhares. Assim, Marciano enfatiza a existência de uma extensa gama de epistemologias possíveis para circunscrevê-lo:

Se, por um lado, isso corrobora em termos basilares a interdisciplinaridade atribuída a essa ciência, uma vez que lhe dá maleabilidade na escolha das ferramentas e recursos a serem utilizados, capacitando-a a imiscuir-se entre diversos domínios, fornecendo-lhes e deles obtendo suporte instrumental, por outro indica claramente a necessidade de uma melhor fundamentação dessa ciência sobre alicerces mais estáveis. Ao lado desse debate epistemológico, ocorre um outro pelo viés filosófico-ontológico, no qual os filósofos e os teóricos dos fundamentos da Ciência da Informação visam a identificar e caracterizar claramente as próprias bases filosóficas dessa ciência. (MARCIANO, 2006, p. 182)

Para além dessas questões até aqui arrazoadas, entretanto, no discurso presente na Ciência da Informação, percebe-se a necessidade latente de justificação em níveis paradigmáticos:

Em uma crítica mais sensível, parece que a CI está mais preocupada com o “complexo” de ser “ciência imatura”, devido à leitura de seus teóricos realizada a partir de Thomas Kuhn (este que, como outros, falava para aquelas ciências naturais, e não das Ciências Sociais, e não da CI), que preocupada com a complexidade que há em seus possíveis núcleos identitários. (SALDANHA, 2008, p. 98)

O campo, enquanto pautado por um pensamento científico, nos dizeres de Souza, está ligado a duas vertentes, uma que se apresenta mais próxima das ciências naturais e exatas e outra que

está mais ligada às ciências compreensivas; a primeira está voltada para estudos ligados ao paradigma físico da informação e a segunda volta-se ao estudo do paradigma sócio-cognitivo (SOUZA, 2008, p. 15). Contudo, é no entendimento contemporâneo da sociedade de sua própria constituição que a Ciência da Informação vai encontrar-se melhor representada. Advém do reconhecimento de uma sociedade pós-moderna que

Diversas características, dissociadas do contexto da modernidade, têm sido apontadas como evidências de uma pós-modernidade, tais como a perda de confiança na razão, nas metanarrativas e no conhecimento científico tradicional, a interdisciplinaridade, a virtualização das relações humanas, a preocupação com os problemas ambientais, o consumismo, entre outros. Diversos autores, como Boaventura Santos, Edgar Morin e Fritjof Capra, têm postulado, então, a existência de uma nova forma de fazer ciência, ou o surgimento de um novo tipo de ciência, tida como pós-moderna. (ARAÚJO

et al, 2007, p. 11)

Esse postulado de um novo tipo de ciência, ou ainda, uma nova maneira de compreender o fazer científico, apresenta-se como o nascimento de um novo paradigma científico, identificado como paradigma emergente ou paradigma de uma ciência pós-moderna. “Este paradigma teria um cunho especulativo, superando a dicotomia entre ciências naturais e Ciências Sociais, assim como a re-valorização dos estudos humanísticos.” (SALDANHA, 2008, p. 232). Para Boaventura Souza Santos, é na aproximação entre ciências naturais e Ciências Sociais que estas últimas se aproximam das humanidades, ponto em que é endossado por Saldanha (2008), que em referência a suas reflexões afirma: “o grande valor das humanidades é terem resistido à separação entre sujeito e objeto, preferindo ‘a compreensão do mundo à manipulação do mundo’, o diálogo à representação.” (SALDANHA, 2008, p. 232).

Ainda no tocante às contribuições de Santos, ARAÚJO afirma que ele se apresenta entre os autores que defendem a prática de uma “ciência pós-moderna”, cuja construção vai ser orientada por princípios diferentes daqueles que norteiam a prática das ciências modernas. “Vê-se que não tem sido possível a construção de uma CI puramente técnica/ fisicista e sem sujeito e, assim, caminhar mais proximamente às CHS [ciências humanas e sociais] tem se mostrado promissor.” (AZEVEDO, 2004, p. 132). Consolidar a área de Ciência da Informação no Brasil é uma tarefa que deverá passar “pela consideração dos aspectos humanos envolvidos, isto é, das compreensões específicas daqueles que vêm atuando na área e, com essa atuação, construindo-a da maneira como ela existe hoje.” (ARAÚJO et al, 2007, p. 20).