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5. Fisheries migration and diffusion of local institutions

5.2. International migration

A Comissão Brasileiro-Americana de Educação Industrial teve suas atividades iniciadas a partir de um acordo assinado em 3 de janeiro de 1946.

Em seu artigo, Mário Lopes Amorim nos informa que o objetivo desse projeto, que ele chama de americanização do Brasil, visa integrar a América Latina ao mercado estadunidense e ao mesmo tempo afastar do subcontinente as influências socialistas e nacionalistas. Os Estados Unidos deveriam ser um modelo a seguir.157

Essa parceria surgiu quando chefes de Estado dos países que constituíam a União Pan-Americana aceitaram o convite da república do Panamá para se reunirem em Havana em 1943, para a I Conferência de Ministros e Diretores da educação das Repúblicas Americanas. O Brasil compareceu e foi representado por Gustavo Capanema, então ministro da Educação, além de outros profissionais.158

Logo em seguida, o Ministério da Educação e Saúde entrou em contato com as autoridades norte-americanas, representadas pela Inter-American Foundation Inc,, corporação subordinada ao Office of Inter-American Affairs, órgão do governo dos Estados Unidos.159

Foi gerado então um acordo para a realização de um programa de cooperação educacional, aproximando os países através de intercâmbio de educadores, idéias e métodos pedagógicos.160 Estabelecia-se a Comissão Brasileiro Americana de Educação Industrial, CBAI.

A CBAI possuía um vasto programa de ação, que se resumia em 12 pontos, sendo que o 3º e 4º dizem respeito às bibliotecas, desenvolvimento de material didático e tradução de literatura específica, considerando o seguinte:

“3) Preparo e aquisição de material didático;

4) Ampliação dos serviços de bibliotecas; verificar a literatura técnica existente em espanhol e português, examinar a literatura técnica existente em inglês e providenciar sobre a aquisição e tradução de obras que interessarem ao nosso ensino industrial.”161

Quanto à questão da metodologia utilizada para análise do ofício, conforme comentamos sobre a Lei Orgânica, esta surge na tentativa de “unificar” o ensino profissional no país, de certa forma tentando criar um método e trazendo organização, o que também nos remete à análise sobre a literatura traduzida para a língua portuguesa e utilizada para a metodologia das escolas do SENAI, que são as “Séries Metódicas de Exercícios”.

157 Amorim, “O surgimento da Comissão Brasileiro Americana de Educação Industrial,” 153. 158 Ibid., 156-157.

159 Fonseca, História do ensino industrial no Brasil, 563. 160 Ibid., 564.

Destacamos os pontos 3 e 4, porque para nossa análise nos concentraremos nas publicações realizadas pela CBAI em parceria com o Ministério da Educação e Saúde, que trataremos a seguir.

Para nossa análise, utilizamos o livro “Metodologia do Ensino Industrial”, reeditado em 1962, com 1ª edição provavelmente de 1950, informação que consta na própria edição. Ele foi escrito por Elroy Bollinger e Helen Livingstone e publicado no Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério da Educação e Saúde e a Comissão Brasileiro Americana de Educação Industrial – CBAI.

O livro “Organização de Séries Metódicas”, também é de 1950 e foi publicado no Rio de Janeiro, em parceria com o Ministério da Educação e Saúde com a Comissão Brasileiro Americana de Educação Industrial – CBAI, escrita por Elroy Bollinger e pelo autor Gilbert G. Weaver, supervisor do treinamento de professores de ensino industrial do estado de Nova York.

Trabalhamos com a tradução das publicações dos originais, ambos traduzidos para a língua portuguesa e utilizados pelo SENAI no desenvolvimento e análise dos ofícios oferecidos nos cursos. Os livros tratam da organização do ensino em bases racionais, através da metodização da aprendizagem.

A série metódica de exercícios foi desenvolvida “em bases racionais e de forma progressiva” o que nos conduziu ao autor Winslow Taylor. Em seu livro “Princípios de Administração Científica”, publicado em 1911, Taylor apresenta 68 fundamentos de administração científica, bem como trata da substituição dos métodos empíricos por métodos científicos no trabalho e sua padronização. Com estas questões, chegamos a outra concepção sobre como um ofício pode ser desenvolvido, aplicada a ele uma base racional para sua aprendizagem e uma metodologia “racional”.

Como vimos ao final do tópico “Ensino industrial no Brasil”, percebemos que a busca por um método de aprendizagem sistemática se tornou uma necessidade de mão de obra qualificada em decorrência da industrialização.

Nas escolas de aprendizes artífices um dos maiores problemas era a qualificação de professores, que Taylor trata em seu livro, quando fala no 3º fundamento sobre a procura de homens eficientes, destacando a importância da obrigação de todos no caminho da eficiência nacional, de treinar e cooperar sistematicamente na formação destas pessoas ao invés de tirá-los dos homens que as prepararam.162 No caso do Brasil, a formação dos professores brasileiros, para uma formação sistemática e com uma metodologia, foi um dos pontos mais importantes.

Em 1920 foi criado o “Serviço de Remodelação do Ensino Profissional Técnico”, com a direção de Luderitz; em 1924 uma metodologia racional também já

era utilizada por Roberto Mange quando da criação da Escola Profissional Mecânica no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo; e em 1926 foi estabelecido um currículo padronizado para as oficinas, expresso na Consolidação dos Dispositivos Concernentes às Escolas de Aprendizes Artífices. Esforços com propósitos diferentes, como já discorremos anteriormente, mas em busca de uma sistematização e, com a extinção do Serviço em 1930 e a fundação do IDORT em 1931, o fortalecimento de uma Organização Racional do Trabalho.

Taylor nos informa no 5º fundamento os objetivos de seu estudo, sendo: primeiro a perda que um país sofre com a ineficiência de atos diários; segundo, que a ineficiência está na administração, mais que na procura do homem excepcional; e, terceiro, para provar que a melhor administração é uma verdadeira ciência, regida por normas, princípios e leis bem definidas, como uma instituição, e que os princípios da administração científica podem ser aplicados a todas as espécies de atividades humanas.163

A busca por um método, para Taylor, se dá primeiro devido a vadiagem no trabalho, que são gerados primeiro por preconceitos que os operários têm sobre a organização do serviço poder gerar o desemprego, segundo pela ignorância dos administradores sobre o tempo necessário para execução dos serviços e, terceiro, e a mais importante para nossa análise, a substituição dos métodos empíricos por métodos científicos. O autor enfatiza as grandes vantagens dessa substituição, ainda que nas menores tarefas de cada ofício, com a economia de tempo, acréscimo de rendimento, eliminação de movimentos desnecessários e substituição de movimentos lentos por rápidos em todos os ofícios. E informa que os operários em todos os ofícios têm aprendido o modo de executar o trabalho por meio da observação, gerando diferentes maneiras de fazer a mesma coisa e também grande variedade de instrumentos. Mas que os melhores métodos e instrumentos podem ser aperfeiçoados em sua análise científica, juntamente com o estudo do tempo e que isso acarreta na substituição dos métodos empíricos por científicos, em todas as artes mecânicas.164

Neste caso a divisão das artes deixa clara a substituição dos métodos de ensino e aprendizagem, pois para o autor as artes mecânicas necessitam de uma metodologia racional, ou seja, a transmissão e aquisição de um conhecimento, fundado no raciocínio e no bom censo.

Quando nos referimos ao livro “Organização de Séries Metódicas”, a questão de ser metódica diz respeito a ter um método ordenado, com regras e rigor científico, através de análises para comprovação de sua eficiência.

163 Ibid., 27-28. 164 Ibid., 34-40

Utilizaremos também como referência para nossa análise o livro “Curso de Encadernação: guia do professor”, que servia para orientar o professor na compreensão e no uso do “Curso de Encadernação” volumes 1 e 2 utilizados pelos alunos, os quais analisaremos no próximo tópico.