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A Declaração de Helsingborg em 1995 teve como objetivo principal assegurar que todos os doentes europeus vítimas de AVC tivessem acesso a cuidados permanentes por parte de Unidades especializadas.

O reconhecimento das doenças cardiovasculares como a principal causa de morte em Portugal fez com que em 2001 fossem criadas as Unidades de AVC, definidas como sistemas de organização de cuidados prestados aos doentes com AVC. Stroke Unit Trialists' Collaboration (2007) define uma Unidade de AVC como uma área definida de uma enfermaria hospitalar que cuida de doentes com AVC e dispõe de uma equipa multidisciplinar especializada.

As áreas fundamentais da equipa multidisciplinar da Unidade de AVC são a Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Terapia da Fala e Serviço Social. A equipa multidisciplinar deve trabalhar de forma coordenada através de reuniões periódicas para planificação dos cuidados dos doentes (Langhorne; Pollock, 2002).

A finalidade das Unidades de AVC é reduzir o internamento em hospitais de agudos, a incapacidade funcional, as complicações após AVC e o número de doentes que necessitem de cuidados de Enfermagem em casa ou nas Unidades de doentes crónicos, assim como facilitar o retorno ao seu ambiente familiar e logo que possível ao seu local de trabalho (Portugal, 2001).

Segundo ESO (2008), uma revisão sistemática atualizada confirmou uma redução significativa na letalidade, dependência e na necessidade de cuidados institucionais em doentes tratados em Unidades de AVC, comparados com doentes tratados em enfermarias gerais. Todos os tipos de doentes, independentemente do género, idade, subtipo de AVC e gravidade do AVC, parecem beneficiar do tratamento em Unidades de AVC (Stroke Unit Trialists' Collaboration, 2007).

Em 2006, a Declaração de Helsingborg propôs algumas metas ambiciosas na área do AVC até 2015, das quais se destaca a intenção de que todos os doentes com AVC tenham acesso à continuidade de cuidados, desde as Unidades de AVC organizadas para a fase aguda até à reabilitação apropriada e a prevenção secundária, e ainda que mais de 85% dos doentes devem sobreviver no 1º mês após o AVC (OMS, 2006).

Com a criação das Unidades de AVC surgiu também a 7 de Maio de 2001 a Via Verde AVC que visa uma maior rapidez na triagem, avaliação e orientação dos doentes que entram no Serviço de Urgência, com o objetivo de reduzir a

morbilidade e mortalidade. A Via Verde é, assim, uma estratégia organizada para a abordagem, encaminhamento e tratamento mais adequado nas fases pré, intra e inter-hospitalares, de situações clínicas graves, como o AVC, que importam ser valorizadas pela sua importância para a saúde das populações dado que o tempo, entre o início de sintomas e o diagnóstico e tratamento é fundamental para a redução de mortalidade (Coordenação Nacional para as Doenças Cardiovasculares e Alto Comissariado da Saúde, 2007).

O sucesso do tratamento dos doentes com AVC agudo começa com o conhecimento das pessoas dos sinais de alerta de AVC, o accionar rapidamente o sistema de emergência pré-hospitalar através do 112, assim como também o diagnóstico ou suspeita diagnóstica efetuados por parte do INEM na fase pré- hospitalar e encaminhamento para os Hospitais ou Unidades hospitalares mais adequadas e com disponibilidade logística para a receção dos doentes. O aumento do internamento hospitalar através das Vias Verdes AVC é uma das metas consideradas prioritárias para as Doenças Cardiovasculares no Plano Nacional de Saúde 2004-2010.

Relativamente ao tratamento do AVC isquémico, os mais recentes progressos levaram à aprovação e disseminação, inclusive em Portugal, de uma terapêutica específica: a trombólise. A redução do tempo de demora entre o início dos sintomas e o início do tratamento constitui um objetivo prioritário em todos os programas de AVC, sobretudo do AVC isquémico, onde a janela terapêutica para a trombólise situa-se atualmente nas primeiras 4,5 horas após início dos sintomas, segundo a European Cooperative Acute Stroke Study III (Fisher; Hachinski, 2009).

Para dar apoio às necessidades das pessoas que se tornam dependentes, como é o caso dos doentes após AVC, surgiu em 1997 o Serviço de Apoio Domiciliário (SAD). Este Serviço tem como objetivos contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas e famílias, prevenir e atuar em situações de dependência, promover a autonomia, prestar cuidados de ordem física e apoio psicossocial aos utentes e famílias, de modo a contribuir para o seu equilíbrio e bem-estar, apoiar os utentes e famílias na satisfação das necessidades básicas e AVD e colaborar e/ou assegurar o acesso à prestação de cuidados de saúde.

Contudo, a articulação entre as redes de cuidados primários e hospitalares mostrava-se ineficaz levando à necessidade da criação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI). Em 2006 surge então a RNCCI com o objetivo de prestar cuidados a pessoas em situação de dependência, e apoiar os familiares ou prestadores na respetiva qualificação para a prestação de cuidados, independentemente da idade. Funcionam como um dos recursos intermédios entre

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a alta hospitalar e o domicílio, possibilitando a continuidade do processo de cuidados (Unidade de Missão para os Cuidados Continuados Integrados, 2007).

O Decreto-lei n.º 101/2006 define os Cuidados Continuados Integrados como “(…) processo terapêutico e de apoio social, activo e contínuo, que visa promover a autonomia, melhorando a funcionalidade da pessoa em situação de dependência, através da sua reabilitação, readaptação e reinserção familiar e social” (p.3857). A RNCCI inclui Unidades de internamento denominadas: Unidades de cuidados continuados de convalescença, Unidades de cuidados continuados de média duração e reabilitação, Unidades de cuidados continuados de longa duração e manutenção e Unidades de cuidados paliativos. Para além das Unidades de internamento, a rede presta cuidados em Unidades de ambulatório, de promoção de autonomia e apoio social, e também presta cuidados domiciliários através de equipas de resposta domiciliária, quer por equipas de cuidados continuados integrados (ECCI), quer por Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos.

Paúl e Fonseca (2001) advogam a prestação de cuidados continuados, que possibilitem qualidade de vida às pessoas dependentes.

Em síntese, embora centrados na pessoa, no seu processo de transição saúde-doença e situacional, trouxemos para a discussão a pessoa e o AVC, a dependência ocasionada pela doença, o percurso dos cuidados à pessoa com AVC desde a prevenção à reabilitação, a família da pessoa que vivencia estas mudanças e a organização da assistência de saúde.

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