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Internal validity of these studies

Outro modelo foi desenvolvido por Mitchell et al. (1997). Talvez o mais utilizado na literatura sobre o tema e que foi constituído sob a ótica privada. Na argumentação, os autores discutem sobre a relevância dos stakeholders. Eles dizem que apenas identificar os

stakeholders não garante o conhecimento do grau da intensidade que essas partes têm em

relação ao tomador de decisão ou mesmo a própria organização. É preciso avançar. Por isso, desenvolveram o modelo “Salience”, palavra que pode ser interpretada como ‘importante’ e a quem os próprios autores classificam como teoria. Refere-se ao grau de atenção do tomador de decisão em relação às partes interessadas. Podem ter Salience, não apenas atores que têm participação direta com a organização, mas também participação indireta (MITCHELL et al., 1997, p. 854).

Mitchell et al. (1997, p. 872) classificam o grau de importância desses stakeholders em sete níveis de acordo com a presença de três características: “poder, legitimidade e urgência”, conforme FIGURA 3. Quanto mais atributos presentes na parte interessada analisada, maior a importância do stakeholder para a organização. Se possuir apenas um atributo dos três é classificado como latente. Se tiver dois atributos, são os expectantes. Com três atributos, são definitivos. Khurram e Petit (2017) adicionaram um quarto atributo, que é a proximidade, que se refere a localização geográfica. Neste estudo, será mantido o modelo tradicional de Mitchell et al. (1997), com três atributos, por opção metodológica.

POTENCIAL EM: B A IX O - C ol ab or ar co m a or gan iza çã o - A LT

O ALTO - Ameaçar a organização – BAIXO

B A IX O - C ol ab or ar co m a or gan iza çã o - A LT O

TIPO 4: AMBÍGUO TIPO 1: DISPOSTOS A APOIAR

Estratégia: Colaborar

?

Estratégia: Envolver

TIPO 3: INDISPOSTOS

A APOIAR TIPO 2: MARGINAIS

Estratégia: Defender Estratégia: Monitorar

ALTO - Ameaçar a organização – BAIXO

De acordo com os Mitchell et al. (1997), o poder é uma habilidade que se tem para impor uma atitude a outra pessoa, mesmo que essa pessoa que recebe a informação não queira o fazer. Esse poder pode ter em sua essência a coerção (uso da força), as normas (uso das normas legais) ou a utilidade (uso dos recursos ou das informações). Estas características podem ser conquistadas ou perdidas ao longo do tempo, assim como os outros atributos, que também são dinâmicos ou mutáveis ao longo do tempo. O detentor dessa característica não necessariamente usa ou sabe que a possui. A legitimidade está ligada a percepção de que as ações de uma organização são adequadas às expectativas sociais. Essas características pode ser individual, organizacional ou social. Já a urgência corresponde ao tempo de resposta da organização após as solicitações dos stakeholders. Em outras palavras, este atributo exige a atenção imediata dos tomadores de decisão. Os autores também explicam que poder e legitimidade são atributos centrais no levantamento das partes interessadas. E estes são influenciados pela urgência. Todos os três atributos têm mais relevância se combinados com outros. Sozinhos pouco interferem na resposta do tomador de decisão. É por meio do reconhecimento desses atributos por parte do tomador de decisão que os stakeholders ganham importância. Se ocorrer o contrário, e o tomador de decisão não reconhecer, a resposta as demandas dos stakeholders pode nem ocorrer. Lee (2011) segue neste caminho e diz que os

stakeholders têm um papel de mediadores entre o ambiente externo e interno da organização e

a própria organização. As partes interessadas também podem controlar recursos essenciais, fornecendo para as organizações ou mesmo retendo, influenciando direta ou indiretamente nas estratégias, o que se aproxima do modelo de Frooman (1999). No entanto, precisam ser reconhecidos pelo tomador de decisão. O modelo pode ser visto na FIGURA 4.

Cada um desses stakeholders tem uma característica diferente. Se o tomador de decisão não reconhecer nenhum dos atributos, não é um stakeholder. Se tiver apenas um atributo, pode ser considerado como adormecido, reivindicador ou arbitrário. Os autores acreditam que este grupo tem pouca atenção da chefia. E por isso são considerados latentes ou com baixa relevância para os tomadores de decisão (MITCHELL et al., 1997). As definições a seguir foram subsidiadas em Mitchell et al. (1997) e em Lyra et al. (2009).

1) Adormecido - tem apenas poder para impor sua vontade na organização, mas não possui legitimidade ou urgência. Este tipo de stakeholder pode ter pouca ou quase nenhuma relação com a organização. Mas é capaz de chamar a atenção da mídia ou possuem recursos financeiros em abundância. No entanto, a organização precisa ficar atenta a ele, pois ele pode garantir outros dois atributos, urgência ou legitimidade. 2) Arbitrário - possui legitimidade, mas não tem poder nem pode alegar urgência. A

atenção que deve ser dada a essa parte interessada diz respeito à responsabilidade social corporativa, pois tende a ser mais receptiva. Este é um tipo de stakeholder que tende a não ter atenção do tomador de decisão. Um exemplo são aqueles hospitais que recebem ajuda de outra empresa ou pessoas que são socialmente desfavorecidas. 3) Reivindicador - é o que possui a característica urgência. É capaz chamar a atenção do

tomador de decisão, mas praticamente não interfere nos rumos da organização. É reconhecido como exigente. Portanto, não possui poder e legitimidade.

O segundo grupo, os expectantes, aqueles que esperam por algo, é composto por três tipos de stakeholders: os dominantes, os perigosos e os dependentes. Eles possuem dois dos três atributos e isso provoca no tomador de decisão uma atenção maior, o que pode gerar uma resposta mais rápida ou intensa. A relevância é moderada para a organização.

Figura 4: Tipos de stakeholder - classificação quanto a Salience. Fonte: Mitchell et al. (1997, p. 872).

4) Dominante – existe influência deste stakeholder, já que possui duas características: o poder e a legitimidade. É esperado que ele receba atenção da organização, pois possui capacidade de impor a vontade e também é reconhecido como alguém que pode ter desejos. A organização deve ter atenção sobre ele. É esperado que tenha alguma relação formal com a organização.

5) Perigoso - possui poder e urgência. Os autores acreditam que ele pode ser uma parte interessada com alto poder coercitivo, e potencialmente perigoso, justamente porque não possui legitimidade ou não é reconhecida pelos pares ou outros atores que fazem parte do contorno da organização. Os autores sugerem que sabotagem e até atos terroristas podem ser classificados aqui. É uma parte interessada que merece atenção especial.

6) Dependente - tem urgência e legitimidade, mas não tem poder para colocar em prática suas decisões. Por isso, depende de outro ator para que a vontade se estabeleça na organização. Portanto, é dependente de outros.

Por fim, o stakeholder com papel mais influente na organização é o definitivo, já que possui os três atributos concomitantemente: urgência, legitimidade e poder. A relevância para a organização é alta.

7) Definitivo tem os três atributos: poder, legitimidade e urgência. Assim, é o

stakeholder que mais influencia na organização e no qual precisa ter mais atenção. A

vontade e a reinvindicação precisa ser atendida na maior brevidade possível.