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Internal disruptions and the campaign «Norway, please divest»

5. Empirical data

5.1. Coal divestment: A disruptive climate policy measure?

5.1.4. Internal disruptions and the campaign «Norway, please divest»

A intensificação do trabalho bancário colaborou para um aumento significativo das doenças ocupacionais nos últimos tempos, exigindo das ciências humanas e da saúde providências cabíveis a essa problemática. A tecnologia despontou como dois grandes fatores: ao mesmo tempo em que acelera e facilita os níveis de produtividade, torna o trabalho intensificado, por meio do processo de automação, por exemplo. Esse trabalho intensificado reflete-se na percepção que os bancários têm, nos últimos tempos, de estar trabalhando intensamente, porém com salários relativamente menores (Araújo, Cartoni & Justo, 2001; Segnini, 1999). Numa sociedade capitalista, um dos requisitos indispensáveis para a sobrevivência é o fator econômico, o qual provê ao trabalhador e sua família o sustento necessário, garante a realização de atividades outras que dependem de disponibilidade financeira e consente status na sociedade. A diminuição relativa do salário gera insatisfação ao trabalhador bancário, obrigando-o a uma limitação econômica e por extensão, social, cultural, educacional, dentre outras. A disponibilidade econômica é um dos fatores ambientais que Warr (1987) destaca como influente na saúde mental. As vitaminas que predominam neste tópico são as EC (efeito constante), pois, por exemplo, logo no início do aumento do salário, o indivíduo vai sentir uma melhoria em seu bem-

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estar psicológico, porém, com o passar do tempo, os aumentos não trarão benefício ulterior, tornando os efeitos constantes. Traçou-se, então, a seguinte hipótese referente à situação econômica do bancário:

x Hipótese 1. A diminuição dos vencimentos (salários mais benefícios) observada pelos bancários tem ocasionado conseqüências psíquicas negativas.

Outro fator ambiental que influencia a saúde mental, segundo Warr (1987), é a posição social valorizada do indivíduo. Além da diminuição relativa dos salários dos funcionários, ocorreu a vulnerabilidade da profissão no que concerne ao aumento de demissões, devido ao enxugamento organizacional e a necessidade dos bancos acompanharem o mercado competitivo. Conseqüentemente, o bancário vê-se numa posição social com um nível de valorização mais baixo do que em tempos anteriores. Enquanto na Sociedade de Bem-estar o bancário vivia uma política econômica protecionista, com oferta de empregos ascendente e crescimento empresarial, o bancário da Terceira Revolução Industrial deparou-se com elevados índices de desemprego, bem como com a grande reestruturação do setor, que veio simplificar o quadro de funcionários e, conseqüentemente, tornar o trabalho bancário mais intenso e ao mesmo tempo, precário. Essas e outras considerações repercutiram numa desvalorização da posição social do bancário.

Tomando como referência o modelo vitamínico, a posição social valorizada estaria classificada entre as vitaminas EC, pois chega um determinado período em que os efeitos do excesso dessas vitaminas não repercutirão em benefício ulterior, tornando-se

em sentimento de baixa auto-estima e mediante este postulado, formulou-se a segunda hipótese:

x Hipótese 2. Se os bancários estão percebendo sua posição social sendo desvalorizada, estão sentindo-se afetados negativamente em sua saúde mental.

Outro fenômeno social associado à reestruturação produtiva bancária, sobre o que já foi referido, foi o intenso desemprego. Segundo Segnini (1999), o desemprego

representa uma fonte de perturbações ao trabalhador que se vê impotente frente à política organizacional do processo de reestruturação, ao mesmo tempo em que esgotado pela intensificação do trabalho, com novas metas a alcançar.

Devido ao crescente corte de pessoal no setor e à qualificação elevada de alguns postos, como o gerencial, os que permanecem e os que são admitidos no serviço bancário, tendem a ter um nível de escolaridade mais elevado, passando a aumentar o número de bancários com 3° grau. Os bancários que permanecem no serviço acabam agregando as funções dos que foram demitidos, intensificando o ritmo de trabalho, como visto anteriormente, e tornando o seu trabalho realmente como uma profissão, no sentido de “fazer carreira” dentro dos bancos. Este caso em específico refere-se ao nível gerencial (Araújo, Cartoni & Justo, 2001; DIEESE, 1997; Laranjeiras, 1997; Segnini, 1999).

Mediante esse contexto de reestruturação bancária, em que é o capital que dita as regras do ritmo e a intensidade e mudanças do processo de trabalho, o bancário vê-se submetido a esse sistema sem que haja controle da situação. Ao não controlar a situação, depara-se ele com a impotência perante o meio, submetido a transformações superiores e externas a ele.

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Sendo a “oportunidade para exercer controle sobre o meio” mais um dos fatores ambientais que Warr (1987) destaca como influenciando a saúde mental do indivíduo, esse fator ambiental corresponderia às vitaminas DA (diminuição adicional), pois, mesmo que inicialmente tenha trazido benefício ao trabalhador ter maiores oportunidades para controlar o meio, o excesso desse controle passa a prejudicá-lo. Por outro lado, a falta de controle da situação repercute também, na falta de autonomia, visto que o bancário passa a submeter-se a essas mudanças advindas da reestruturação produtiva, o que faz com que o mesmo deixe de seguir suas próprias opiniões e ações para submeter-se às demandas provenientes da reestruturação.

É mediante estas considerações que se passou para a seguinte hipótese, segundo a teoria de Warr (1987):

x Hipótese 3. A falta ou o excesso em demasia de oportunidades para exercer controle sobre o meio causa conseqüências psicológicas negativas ao bancário.

Estando ou não exercendo controle sobre o meio, o trabalhador bancário sente a necessidade de no mínimo, utilizar-se de seus conhecimentos e capacidades pessoais no trabalho. Segundo Warr (1987), o ambiente pode inibir ou encorajar o indivíduo a utilizar suas habilidades, dependendo de como se encontra esse entorno laboral e como o indivíduo vê-se no mesmo. Do que foi exposto sobre a reestruturação produtiva bancária, essa oportunidade em desenvolver as capacidades pessoais já está além do necessário em algumas funções, como o cargo gerencial, em que o funcionário passou a ser polivalente e necessitou aprender outras funções antes exercidas por outros bancários, tornando o trabalho também, bastante variado em suas tarefas. A variabilidade, segundo Warr (1987), quando utilizada em seus níveis moderados, é benéfica para o trabalhador. Considerando

o modelo vitamínico do referido autor, a variedade classifica-se dentre as vitaminas DA (diminuição adicional), visto que o excesso de variedade traz prejuízos à saúde mental do indivíduo. Na instituição bancária, observa-se que a variabilidade tem sido intensa em cargos gerenciais. Por outro lado, a função de atendente, mais simples, deixa a desejar quanto ao uso das habilidades e potencialidades do funcionário. Traçou-se, portanto, a seguinte hipótese referente a este tópico:

x Hipótese 4. Há bancários que percebem excesso de variedade das tarefas, o que afeta sua saúde mental (esgotamento emocional), enquanto outros percebem o trabalho como faltando variedade, sendo repetitivo e monótono, implicando em outros prejuízos à saúde mental (perda de autonomia).

Dentro do processo de reestruturação produtiva bancária, os objetivos gerados no meio são vários, sejam eles de alcance de metas, de nível de produtividade dos funcionários, levando os mesmos a terem expectativas diante de situações, um objetivo a alcançar. Um ambiente de trabalho alienante, por exemplo, é capaz de encobrir os objetivos gerados no meio e quando associado à intensificação do trabalho, pode-se questionar se o funcionário estaria consciente de seu produto final, de qual objetivo ele teria que alcançar no seu trabalho.

Esse questionamento também tem estreita relação com a clareza ambiental do trabalho. Em meio ao processo de reestruturação produtiva, muitas foram as mudanças ocorridas dentro do sistema financeiro e, apesar dos treinamentos e cursos implementados na rede bancária, não foram suficientes ao ponto de acompanharem todo o percurso da reestruturação produtiva. Esses treinamentos, por sua vez, dão-se a nível

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local, de âmbito técnico, deixando de contextualizar todo o percurso transcorrido, quando são as mudanças maiores da reestruturação produtiva que trazem maiores repercussões organizacionais. Assim, sabendo que a clareza ambiental é um dos fatores ambientais que Warr (1987) destaca para os estudos em saúde mental, as vitaminas que nesta categoria se destacam são as vitaminas DA, visto que o excesso de clareza vai afetar negativamente na saúde mental do indivíduo, uma vez que o mesmo passa a compreender tanto o seu ambiente de trabalho, que não há interesse em ultrapassar metas, ficando o indivíduo em estado de acomodação. Porém, a falta de clareza ambiental também prejudica a saúde mental e, mediante esta última consideração, acreditando-se que há mais falta do que excesso de clareza, formulou-se a seguinte hipótese:

x Hipótese 5. Quanto mais falta de clareza ambiental (por exemplo, que caminho o banco está tomando, quais as conseqüências das mudanças, etc.) ao bancário, mais o mesmo apresenta indícios de deterioração da saúde mental.

A saúde mental também perpassa pela oportunidade que as pessoas têm em estabelecer relações interpessoais, mais um enfoque ambiental que Warr (1987) destaca. Ter poucas relações interpessoais prejudica o indivíduo, porém o excesso de relações não trazem benefício. Assim, esse fator ambiental classifica-se nas vitaminas DA, posto que uma grande quantidade de relações interpessoais prejudica o indivíduo de modo que passa a não ter mais controle sobre sua própria vida, vivendo em reuniões e com muitos grupos, por exemplo. Essas relações podem ser saudáveis no ambiente de trabalho ou podem ser negativas, tais como a influência da reestruturação produtiva bancária, ocasionando o aumento da competitividade entre bancários, a fim de manterem-se empregados.

x Hipótese 6. A percepção do aumento de competitividade entre funcionários conduz à percepção de relações inter-pessoais mais empobrecidas, afetando o bem-estar dos bancários.

As organizações que passaram pelo processo de reestruturação produtiva sofreram transformações que afetaram a política da organização e do trabalho propriamente dito. Mediante esse processo, os bancos necessitaram intensificar e ao mesmo tempo, inovar seus ritmos de trabalho, o que gerou nos trabalhadores diferentes oportunidades na utilização dos conhecimentos e capacidades pessoais. A utilização dos conhecimentos e capacidades pessoais é destacada por Warr (1987) como mais um fator ambiental influenciando a saúde mental, do tipo DA, pois o excesso dessas oportunidades traz prejuízos posteriores ao indivíduo.

yHipótese 7. Algumas funções dentro do setor bancário passaram a ter menores oportunidades na utilização dos conhecimentos e capacidades pessoais, tornando as atividades simplificadas, afetando a saúde mental do trabalhador.

Concomitantemente, algumas funções do setor bancário passaram a ter maiores objetivos gerados no meio, metas a alcançar, prazos a cumprir, etc., tais como ocorre no setor gerencial, enquanto outras (atendente) tornaram-se mais rígidas e sem uma visualização no alcance de objetivos gerados no meio. A existência de objetivos gerados no meio também é um outro fator ambiental destacado por Warr (1987) e, no modelo vitamínico, correspondente às vitaminas DA, uma vez que o excesso de objetivos gerados

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no meio repercutem em conseqüências negativas ao indivíduo. A partir desta consideração, acrescentou-se a hipótese seguinte:

yHipótese 8. O excesso e a falta em demasia de objetivos gerados no meio, sentidos pelos bancários, afetam a saúde mental do trabalhador.

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3. Método

Tendo em vista o objetivo da pesquisa, que consiste na tentativa de descrever as condições do ambiente de trabalho bancário nos seus efeitos sobre a saúde psíquica dos bancários, foi utilizado um protocolo de coleta de dados formado por vários questionários, que exploram as dimensões do bem-estar psicológico e os fatores ambientais de Warr (1987). Este autor estudou a saúde mental a partir do modelo ecológico/ambiental, como foi referido anteriormente no capítulo 1.