2.1 Interkulturelles Lernen und interkulturelle Kompetenz
2.1.3 Interkulturelle Kommunikation – Mögliche Probleme und Strategien
Os defensores da estabilização econômica viam no PEM uma esperança de mudanças na política econômica. O ambiente e as sensações que estavam na sociedade em relação à estabilização econômica no ano de 1958 é explicitado na citação abaixo:
[...] em recinto fechado, a sisudez deixava de ser apanágio dos “adversários de Mauá” e turvava o semblante de muitos desenvolvimentistas. Parecia que os vaticínios catastrofistas formulados pelos liberais desde o início de 1956 iriam, finalmente, se realizar (ALMEIDA, 2006, p.234).
O presidente Kubitschek era um que analisava a tentativa de estabilização com certa desconfiança e já na apresentação do Plano de Estabilização Monetária reafirmava sua posição favorável à política nacional-desenvolvimentista.
Implicitamente, admitia que, dentro de certos limites, a inflação era inerente à expansão econômica, até porque as eventuais distorções tendiam a ser corrigidas pelo “próprio jogo das forças econômicas”. O problema era quando a expansão ocorria “sob a influencia de uma prolongada inflação”, pois as distorções, ao tenderem a se agravar, amorteceram o “ritmo de desenvolvimento econômico”. Por este motivo – afirmava JK – o governo sempre combateu a inflação (ALMEIDA, 2006, p.246).
Para Juscelino, os problemas que a economia brasileira passava, na segunda metade da década de 50, não vinham das políticas econômicas adotadas em seu governo, mas de fatores que não estavam ao seu controle como a crise na economia dos Estados Unidos da América, que acarretava na queda dos preços de matérias-primas e afetava negativamente a Balança Comercial do Brasil.
Com os altos déficits no Balanço de Pagamentos do Brasil nos anos de 1957 e 1958, o governo brasileiro necessitava de diversos empréstimos junto ao FMI. Entretanto, o órgão financeiro cederia o dinheiro se as finanças internas estiverem estabilizadas.
Para combater esse problema, JK defendia a idéia de pedir ajuda de organismos internacionais como o FMI, e de fendia também a redução de gastos do governo, mas não os ligados ao investimento, mas sim gastos com viagens de funcionários, com divisas estrangeiras e incentivar outros produtos primários à exportação. Porém,
Os métodos de ação propostos pelo PEM sintetizam o potencial de crise, seja quanto ao conteúdo das propostas de estabilização monetária e equilíbrio do balanço de pagamentos quanto aos meios para implementá-las, pois implicariam brutal alteração na correlação de forças no interior do aparelho de Estado, inclusive entre os próprios órgãos da chamada administração paralela. Nesse ponto, a proposta fundamental consistia em enquadrar o Banco do Brasil nas diretrizes do chamado grupo sumoqueano (ALMEIDA, 2006, p.250).
As medidas a serem adotadas para concretizar as metas do PEM foram bastante criticadas pelos cafeicultores, que, segundo Saretta (2005), não aceitaram que o Governo reduzisse as compras da safra de café. O setor industrial foi outro setor que se oporia às políticas de estabilização do PEM, argumentando com base na teoria estruturalista “para defender tanto a inflação quanto o mecanismo de poupança forçada como importantes instrumentos para o crescimento industrial” (SARETTA, 2005, p.15).
A restrição do crédito bancário foi a principal fonte de descontentamento desse setor, que veiculava suas críticas à política econômica de Lopes e Campos através de periódicos como a revista Desenvolvimento e Conjuntura, órgão da Confederação Nacional da Indústria, no qual se propunha um programa de estabilidade com desenvolvimento, seguindo um caminho alternativo ao proposto pelo PEM (SILVA, 2000, p.85).
Algumas medidas que estavam na pauta do Plano de Estabilização Monetária como a idéia da desvalorização da moeda nacional não era vista com bons olhos pela indústria nacional. Para os industriais brasileiros essa medida era sinônimo de enfraquecimento da sua indústria. “Era tamanha a desvalorização do “nosso cruzeiro” que as industriais estavam à venda por preços muito vantajosos para os que tivessem
“um pouco de moeda forte” e desejassem aplicá-lo “em nossa terra”” (ALMEIDA, 2006, p.264).
Saretta (2005) destaca que o abandono dos planos de estabilização do pós- guerra, inclusive o PEM, foi “em função da extrema sensibilidade do sistema produtivo à restrição creditícia” (SARETTA, 2005, p.09).
Em 1959, o Governo de Juscelino rompeu com o FMI e abandonou o PEM. Kubitschek percebendo que a radicalização das políticas antiinflacionárias iria trazer altos custos políticos para seu Governo trocou o Ministro da Fazenda Lucas Lopes por Sebastião Paes de Almeida, então presidente do Banco do Brasil, que era contrário às políticas contracionistas creditícias do Ministro anterior. O novo Ministro permaneceu no cargo até o final do governo Kubitschek, apoiando a política expansionista do Plano de Metas.
Juscelino afirmava que as políticas econômicas receitadas pelo FMI, que outros países da América Latina estavam colocando em prática, estavam apresentando resultados negativos para a sociedade. (ALMEIDA, 2006)
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também foi contra as políticas apresentadas pelo FMI, mas não queria o rótulo de contrária ao capital estrangeiro. A instituição defendia o desenvolvimento brasileiro combinado com o Estado americano, afirmando a importância disso para a melhora dos problemas estruturais brasileiros. (ALMEIDA, 2006)
Após romper com o FMI, Juscelino foi homenageado pela burguesia industrial, que demonstrou todo apoio à política que certamente afetaria a produção.
A atitude de JK teve o condão de despertar a porção “hegemônica” que estava adormecida no interior da CNI tendo passado alguns meses a destilar um estreito corporativismo, a mesma entidade, por meio da mesma publicação, encheu-se de brios e retomou o debate sobre as grandes questões nacionais e internacionais (ALMEIDA, 2006, pp.282 e 283).
Assim, Juscelino Kubitschek chegou ao final de seu mandato sem abandonar as medidas expansivas do Plano de Metas, mas com a imagem desgastada pela alta inflação e por fortes pressões do FMI para o pagamento da dívida externa.
Os “cinqüenta anos em cinco” do governo Juscelino dependiam de uma política econômica expansionista que consolidaria a industrialização. Dado esse contexto, uma política econômica que visasse o combate inflacionário e uma contração econômica seriam colocados em segundo plano. Uma aplicação de uma política de estabilização traria grandes mudanças na correlação política de forças.
2.2 Estabilizar com o “Desenvolvimentismo”? - o governo João Goulart e o Plano