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12.2 Chore Related
13.1.1 Interfaces and Functionality
Eu, Maria Suerda da Silva, tenho 36 anos, sou mãe de dois filhos e meu marido é professor de Língua Portuguesa. Sou natural de Ceará-Mirim/RN, entretanto, até os 10 anos de idade morei em Dom Marcolino Dantas, localizado no município de Maxaranguape/RN.
Iniciei minha vida escolar aos seis anos de idade, ingressando na 1ª série “fraca” e aos sete anos fui aprovada para a 1ª série “forte”. Esse sistema de ensino se dava pelo fato de naquela escola não existir educação infantil. As poucas recordações que guardo em minha memória são as de alguns alunos sentados em duplas nas carteiras de madeira escura, copiando as atividades do quadro negro no caderno. Lembro também das danças juninas e das homenagens às mães, nas quais sempre participei.
Recordo-me do 07 de setembro, quando hasteávamos a Bandeira Nacional e marchávamos em frente à escola todos fardados e cantando o hino nacional. Acredito que nesse período tudo transcorreu normalmente, não me sentia pressionada em aprender, apesar de ser muito tímida, tinha facilidade em memorizar conceitos e responder quando questionada, e assim era aprovada todos os anos.
Enquanto isso, em casa, o contato que tínhamos com a leitura acontecia através de papai que lia seus cordéis todas as noites para nós, eu e minha irmã. Não tínhamos livros de histórias, somente cadernos e o material da escola. Às vezes, quando íamos à casa de minha tia ouvíamos a leitura de contos clássicos.
Apesar de pouca escolarização, papai me ajudava nas tarefas de Matemática. Ele, sendo agricultor, utilizava a Matemática de forma funcional, ou seja, realizava cálculos matemáticos através do conhecimento prático adquirido nas lavouras e na venda de produtos que cultivava. Minha mãe era analfabeta, mas sempre nos incentivava a estudar e fazia
questão de nos orientar sobre a importância do respeito e obediência aos mais velhos, incluindo nossas professoras.
Tenho vagas lembranças da minha professora da 4ª série. Guardo em minha memória seu jeito meigo, paciente e sorriso triste no rosto. Recordo-me que gostava muito de suas aulas, pois sempre trazia novidades como, por exemplo, no dia em que disse para a turma que a maior palavra da Língua Portuguesa tinha 12 sílabas e essa palavra era “inconstitucionalissimamente”. Ficamos fascinados e surpresos com a extensão daquela palavra que preenchia uma linha inteira dos nossos cadernos.
Em Dom Marcolino, nessa época, existia apenas o Ensino Fundamental até a 4ª série. Quando concluíamos essa etapa, tínhamos que vir estudar em Ceará-Mirim, cidade mais próxima de onde morávamos, e que oferecia o Ensino Fundamental a partir da 5ª série. E por essa razão tive que vir morar com vovó para concluir os estudos.
Desse período recordo-me bem de como aprendíamos. Os professores copiavam os assuntos em grandes questionários para respondermos e assim estudar para as provas. Nas aulas de Geografia reproduzíamos mecanicamente mapas e decorávamos as capitais e os estados brasileiros.
No início tive dificuldade de adaptação devido às mudanças de ambiente, tanto familiar quanto escolar. Lembro-me que quase fui reprovada em Inglês pelo fato de nunca ter estudado essa disciplina em minha escola anterior e o professor metia-me medo, pois gritava com os alunos da turma e chamava muitos palavrões, principalmente com as meninas. Demorei a me adaptar a essa nova realidade. Tinha pesadelos ao dormir e sentia-me muito sozinha, pois estava morando com vovó e só via a minha mãe nos finais de semana.
Conclui o curso técnico em magistério, equivalente ao ensino médio, no ano de 1992. Nesse mesmo ano comecei a trabalhar como professora contratada no município de Ceará- Mirim e dava aulas de reforço em minha casa no horário inverso ao que trabalhava. Sempre quis ser professora. Lembro-me que quando criança brincava de dar aulas para minhas bonecas. E por essa razão ingressei no curso de magistério.
Fiz um concurso para agente comunitário de saúde e fui aprovada. Larguei a educação por seis anos. Porém, no ano de 2000 fiz um concurso em educação e também fui aprovada. Assumi novamente uma sala de aula, dessa vez como professora concursada da Prefeitura
Municipal de Ielmo Marinho. Ao mesmo tempo, fui convidada a lecionar no Centro Educacional “O Bem-me-quer”, em Ceará-Mirim.
Era professora polivalente. Ensinava todas as disciplinas a alunos da 4ª série do Ensino Fundamental. Contudo, limitava-me ao trabalho com o livro didático, principalmente nas aulas de Geografia, pois sempre tive dificuldade em ensinar cartografia e coordenadas geográficas, visto que aprendi apenas a decorar nomes e reproduzir mecanicamente noções cartográficas.
Após três anos de exercício do magistério, iniciei uma graduação em pedagogia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Inicialmente sentia muita dificuldade, pois tínhamos que assimilar conceitos e conhecimentos que ainda não sabíamos como aplicar na prática de sala de aula. Entretanto, na universidade aprendemos a trabalhar com projetos didáticos, fazer resumos e fichamentos de textos, etc. Foi a partir dessas experiências que percebi o quanto era importante a busca de novos conhecimentos. Concluir o curso de pedagogia foi a concretização de um sonho antigo, realizado com muito esforço e enfrentando várias dificuldades.
Além disso, a universidade serviu principalmente para inquietar-me e assim ter a certeza de que professor não pode parar de estudar. A partir dessa descoberta comecei então a participar de todos os cursos de formação que pude, tais como os PCN em ação, PROFA, Pró- letramento, Alfabetização e Letramento. A cada curso concluído sentia que começava a desenvolver competências que ajudavam a melhorar o meu desempenho profissional e a minha auto-estima.
Atualmente curso pós-graduação em Psicopedagogia e Educação Infantil e sinto cada vez mais a necessidade da busca constante de aperfeiçoamento e ampliação de conhecimentos e da prática docente.
Hoje, sou professora do 1º ano do ensino fundamental e sinceramente sinto falta de uma conscientização de nossa parte sobre a importância de alguns conteúdos para essa faixa etária. A escola em que trabalho adota os livros de Língua Portuguesa, Matemática e demais disciplinas e nós professores pesquisamos e selecionamos os livros que julgamos os melhores para nossos alunos, mas mesmo assim fico me questionando se só esses conteúdos e as metodologias que utilizo são suficientes para alfabetizar os meus alunos em relação às disciplinas de História, Geografia e Ciências. Observo também que existe uma frustração
muito grande por parte do grupo de professores dessa série justamente pelo fato de não sabermos ao certo o quê e como ensinar nessas disciplinas.
Portanto, torna-se mais que evidente a necessidade de encontros pedagógicos para estudos e discussões sobre as metodologias utilizadas nas aulas dessas disciplinas e quais são os conteúdos realmente significativos para as turmas de alfabetização e anos iniciais do Ensino Fundamental. Através dessa análise é que poderemos melhorar ou adaptar nossa prática pedagógica às verdadeiras necessidades dos educandos.