5. ANALYSE
5.2 Interessenters forventning til bærekraft 35
Antes de passar à discussão propriamente dita dos elementos analíticos abarcados pela literatura da Abordagem da Complexidade considerados pertinentes à discussão do tema Desenvolvimento Econômico, vale retomar uma discussão aventada na subseção 2.1.1, a respeito da dicotomia entre Teoria Econômica e Economia do Desenvolvimento. Segundo Patnaik:
O resultado dessa dicotomia, tão cultivada pelo ‘mainstream’ da Economia, é o empobrecimento tanto da ‘Teoria Econômica’ quanto da ‘Economia do Desenvolvimento’. Em outras palavras, ela não apenas prejudica a compreensão dos problemas do desenvolvimento; ela faz com que a própria Teoria Econômica torne-se, em larga medida, irrelevante. 34 (PATNAIK, 2005, p. 3).
Como exemplos desse citado empobrecimento teórico, Patnaik indica a teoria do crescimento neoclássica e a teoria do comércio internacional. Levando em consideração o entendimento teórico do funcionamento do sistema capitalista mundial e, especialmente, da condição de subdesenvolvimento econômico, essas teorias não seriam nem profícuas, nem adequadas. Como bem destaca o autor, “Economias subdesenvolvidas não são meras
idiossincráticos com potencial de aprendizado e adaptação; ocorrem interações entre os componentes do sistema que são coordenadas por normas, instituições e organizações endógenas, não havendo nenhum mecanismo global de controle; tais sistemas apresentam mecanismos de auto-organização e estruturas emergentes que resultam tanto da agregação quanto da interação de suas partes; o novo emerge recorrentemente; e sua dinâmica se
desenrola fora do equilíbrio. Segundo Rosser Jr. (2009, p. 3), “Esse nível mais baixo de complexidade pode ser
visto como o cavalo de batalha e o foco central de grande parte da pesquisa em complexidade que já foi feita e
continua a ser feita.” Na versão original: “This lowest level of complexity can be viewed as the central workhorse
and focus of much of complexity research that has gone on and continues to go on.”
34“The result of this dichotomy, which ‘mainstream’ economics so assiduously cultivates, is to impoverish both
‘economic theory’ and ‘development economics’. In other words, it does not merely detract from an understanding of the problems of development; it makes the so called economic theory itself largely irrelevant.”
retardatárias esperando se equiparar às nações desenvolvidas.” 35 (Ibid., p. 6).
O desenvolvimento de algumas nações parece estar organicamente interligado com o subdesenvolvimento de outras, o que, por sua vez, não significa que apenas os fatores externos aos sistemas econômicos nacionais exercem influência determinante. Relembrando citação de Schumpeter, o desenvolvimento é um processo que, necessariamente, deve ser endogenamente criado. Além disso, as economias nacionais não são sistemas isolados, e sim partes componentes de um sistema global, o sistema político-econômico mundial. Ademais, cada nação passou por um processo de consolidação socioeconômica particular, sendo, cada uma delas, um sistema próprio. Por isso também a necessidade de atentar para as diferenças entre as nações, o que só é possível por meio da investigação das especificidades históricas de cada nação e, por conseguinte, da consideração explícita de que as nações são heterogêneas.
A teoria convencional não comportaria a consideração dessas características, a começar por um de seus pressupostos fundadores, e de especial interesse aqui, o de “agente representativo”. Segundo Kirman (2009), a recorrência ao agente representativo, que habilita passar do comportamento no nível micro para o comportamento agregado, é puramente ad
hoc e nenhuma restrição razoável nas características individuais garante que o agregado
satisfaça as hipóteses feitas sobre os indivíduos. Dito isso, duas opções são colocadas: continuar a tentar derivar o comportamento agregado a partir unicamente do indivíduo racional padrão ou aceitar que a diferença entre o comportamento individual e o comportamento agregado é fundamental, o que implicaria a necessidade de construção de modelos que considerassem explicitamente essa diferença. Habilitada à segunda opção, a Abordagem da Complexidade tem como foco o estudo das interações de agentes heterogêneos, das quais resultam propriedades emergentes, cuja compreensão é crucial para o entendimento da dinâmica de funcionamento dos sistemas investigados. Observação pertinente no âmbito da discussão do tema Desenvolvimento Econômico, especialmente no contexto do subdesenvolvimento, com nações apresentando diferentes graus de desenvolvimento econômico, compondo um grupo de países bastante heterogêneo e resultando numa dinâmica de sistema político-econômico mundial deveras complexa.
Para lidar com o dinâmico, complexo e adaptativo sistema econômico mundial, de cujo funcionamento resulta nações em condição de desenvolvimento e nações em condição de recorrente subdesenvolvimento, os seguintes requisitos teóricos são considerados importantes: (i) uma microfundamentação adequada a sistemas complexos; (ii) mecanismos que
fundamentem a interação entre os agentes; (iii) mecanismos que expliquem como transcorre a
passagem do que ocorre no campo “micro” para o que ocorre no campo “macro”; (iv)
mecanismos que expliquem as relações de retroalimentação entre a micro e a macroeconomia; e que possua, portanto, (v) um enfoque dinâmico, não-linear e não-determinista.36
Tendo em mente essas considerações, passemos à discussão da contribuição de alguns autores à problemática do Desenvolvimento Econômico, lembrando que, contrariamente aos pioneiros, os autores cujas contribuições são apresentadas e discutidas em seguida nesse capítulo estão explicitamente partindo de uma perspectiva pautada pela Abordagem da Complexidade. Nessa subseção, abordam-se elementos teóricos mais gerais, porém importantes para as discussões a serem realizadas nas duas subseções seguintes.
Discorrendo a respeito do papel das hipóteses na construção de uma teoria, Beinhocker (2006) aponta duas condições principais para sua validade: as hipóteses devem ser apropriadas ao propósito do modelo e elas não devem afetar as respostas que o modelo fornece àquele propósito. No caso da Economia Tradicional, nas palavras do autor:
[…] a partir de Walras e Jevons, os economistas começaram arbitrariamente a fazer hipóteses
sobre racionalidade perfeita, leiloeiros como deuses, e assim por diante, com o único propósito de fazer a matemática do equilíbrio funcionar. 37 (BEINHOCKER, 2006, p. 50).
A limitação analítica do método pautado por análises de equilíbrio teria forçado os seus modelos derivados a retirarem do seu escopo de análise muitas questões interessantes e fundamentais, relacionadas ao funcionamento do sistema econômico, tratando-as como exógenas. Assim, apesar dos esforços dos economistas do mainstream em adicionar certa dose de realismo por meio do relaxamento de algumas hipóteses - por exemplo, modelos com racionalidade limitada, informação imperfeita, dinâmica, endogeneização de novas variáveis - não há um modelo que supere todas essas hipóteses de uma só vez pois, para tal, deveria, em primeiro lugar, abandonar a ideia de que a economia é um sistema em equilíbrio.
Ao longo da segunda metade do século XX, enquanto os economistas vinculados à linha teórica do mainstream continuaram tratando a economia como um sistema em equilíbrio, tal como lhes legara Walras, biólogos, químicos e físicos passaram a discutir e a investigar sistemas dinâmicos, complexos e que funcionavam longe do equilíbrio. Já no início dos anos 1970, cientistas dessas diversas áreas começaram a definir esses sistemas como sistemas complexos simplesmente, querendo implicar, com essa definição, sistemas com
36
Condições discutidas com mais detalhes em Cardoso (op. cit.). No escopo do presente trabalho, parte-se delas como requisitos a serem cumpridos, em alguma medida, pelos elementos teóricos extraídos dos autores discutidos nos próximos capítulos.
37 “[…] beginning with Walras and Jevons, economists began arbitrarily making up assumptions about perfect
elementos heterogêneos que interagem dinamicamente, resultando na emergência de padrões macro de comportamento. Especialmente a partir da década de 1980, a Abordagem da Complexidade passou a ser aplicada à Economia.
Importante notar que, conforme assinala Arthur (2009), o tratamento teórico da economia como um sistema complexo e adaptativo possui uma complicação adicional: diferentemente das ciências naturais, os elementos econômicos - os agentes humanos - agem e reagem com base em estratégias e previsões, buscando levar em consideração os efeitos de um comportamento ou decisão que venham a adotar. Além disso, vale acrescentar que, como os agentes econômicos possuem racionalidade limitada38 e o sistema está sujeito à incerteza forte, em seu sentido Knigthiano ou Keynesiano, a interação dinâmica entre esses agentes é uma fonte endógena adicional (e infinita) de incerteza.
Assim, sendo a economia altamente complexa e inexistindo um mecanismo global de controle, como pode o sistema econômico funcionar de forma auto-organizada? É justamente na investigação dos padrões macro que emergem dessa interação dinâmica entre agentes que pode contribuir a Abordagem da Complexidade ao avanço científico da Economia. Note-se que, sob essa perspectiva, ao invés de perseguir um determinado resultado - na abordagem convencional, o de equilíbrio -, o foco investigativo está no processo que gera os resultados, que podem ser infinitos. Por isso o maior potencial explicativo da Abordagem da Complexidade.
Como bem observa Beinhocker, ainda sobre o conceito de equilíbrio, quando Walras o emprestou da Física, essa ciência só considerava a 1ª Lei da Termodinâmica (1ª L. T.), desenvolvida na primeira metade do século XIX. Segundo essa lei, a energia não é nem criada nem destruída, por isso também é conhecida como Princípio da Conservação de Energia. Desse princípio decorre a seguinte propriedade, relativa ao equilíbrio sistêmico: se a energia total em um sistema é fixa - ou conservada -, está garantido que o sistema alcançará o equilíbrio. Desse modo, tendo a fixação ou a conservação como condições, não é à toa que os economistas marginalistas recorrem tanto ao termo ceteris paribus em suas explicações. Além disso, a noção econômica convencional de equilíbrio do sistema requer que cada elemento constituinte esteja, ele mesmo, em equilíbrio.
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De acordo com Simon (1955), os agentes não são capazes de calcular os diversos pay-offs que decorrem de uma decisão, tanto por conta de suas insuficiências de informação, quanto de sua limitada capacidade cognitiva. Além disso, segundo Simon (1979), a presença de incerteza impossibilita que um comportamento seja substantivamente racional.
Já a 2ª Lei da Termodinâmica (2ª L. T.),39 ignorada pelos marginalistas, define que a entropia, uma medida de desordem ou aleatoriedade sistêmica, é sempre crescente. Pela 2ª L. T., o universo como um todo está inevitavelmente se alternando entre um estado de ordem e outro de desordem. Ou seja, ao longo do tempo, toda a ordem, estrutura e padrão no universo se rompem,decaem ou se dissipam. 40 Importante notar que a entropia é que dá ao tempo a sua direção, levando a implicações fundamentalmente distintas da 1ª L. T. Segundo Beinhocker,
“Sem entropia e a inevitável alternância entre ordem e desordem, não haveria como definir o
que é passado, presente ou futuro. Desde sua descoberta, a entropia se tornou um conceito central à maneira como os físicos enxergam o universo.” 41 (BEINHOCKER, op. cit., p. 68).
Desse modo, aplicar a 2ª L. T. à análise econômica, de partida, já invalidaria a manutenção da estrutura teórica equilibrista, pois a condição ceteris paribus não mais necessariamente verificar-se-ia. Sem contar o caráter dinâmico, mutável e temporalmente definido do processo de dissipação e incremento de entropia, que torna a análise estática desinteressante do ponto de vista explicativo. Segundo Foley (2003, p. 13), “A tradicional concepção Walrasiana de equilíbrio econômico possui entropia zero: é completamente
ordenada no nível micro.” 42
Outros conceitos físicos importantes, também não considerados pelos marginalistas, são os de sistemas termodinâmicos abertos e fechados. Vejamos a definição de cada um desses conceitos.
Sistema termodinâmico é qualquer conjunto definido de espaço, matéria, energia ou informação. Sobre o mesmo conceito, importante notar que o sistema termodinâmico é dito em equilíbrio se o seu nível macro tender a se auto-reproduzir, mesmo se o nível micro estiver em constante mudança ou desordem. Embora o conceito de equilíbrio termodinâmico guarde
39
Sobre as implicações da 2ª L.T. à Economia, imprescindível destacar a contribuição original de Nicholas Georgescu-Roegen (1971), considerado como um dos “pais” da Abordagem da Complexidade, inclusive da sua aplicação à Economia. Interessante notar ainda a influência intelectual de Schumpeter sobre Georgescu:
“Schumpeter teve influência crucial na carreira de Georgescu e foi quem o transformou em um economista. Os
dois anos (1934 a 1936) de convívio em Harvard foram de atividade intelectual intensa e fundamentais para reforçar a sua convicção de que os processos históricos são únicos e impossíveis de serem descritos por uma
fórmula matemática.” (CECHIN, 2010, p. 47).
40
Interessante notar a semelhança com Marx e Engels (1848), em o Manifesto Comunista - “Todas as relações firmes, sólidas, com sua série de preconceitos e opiniões antigas e veneráveis foram varridas, todas as novas tornaram-se antiquadas antes que pudessem ossificar. Tudo o que é sólido derrete-se no ar” (MARX e ENGELS, 1848, p.14) - e o conceito de destruição criativa de Schumpeter (1943) - “[...] que incessantemente revoluciona a estrutura econômica a partir de dentro, incessantemente destruindo a velha, incessantemente criando uma nova. Esse processo de Destruição Criativa é o fato essencial acerca do capitalismo” (SCHUMPETER, 1943, p.113).
41 “Without entropy and the inevitable drift from order to disorder, there would be no way to tell what was the
past, present, or future. Since its discovery, entropy has become a central concept in the way physicists view the universe.”
42 “The traditional Walrasian conception of economic equilibrium has zero entropy: it is completely orderly at
semelhanças com o conceito de auto-organização - propriedade emergente dos sistemas complexos -, a ordem macro do sistema termodinâmico reflete, na verdade, a sua total falta de ordenação no nível micro, situação que não necessariamente se verifica no caso dos sistemas complexos, tal como a economia. 43
Sistema fechado é aquele que não apresenta qualquer interação ou comunicação com outro sistema. Nesse, a energia pode ser convertida em diferentes formas, mas a quantidade total é constante, de acordo com a 1ª L. T. Já pela 2ª L.T., deriva-se que a entropia total num
sistema fechado está sempre crescendo ao seu nível máximo, na medida em que a ordem
sempre declina em desordem. Desse modo, sistemas fechados sempre têm um estado final previsível: embora eles possam gerar imprevisibilidades ao longo do caminho, sempre atingirão o equilíbrio de entropia máxima.
Sistema aberto44 é aquele no qual energia e matéria fluem dele e para ele. Esse sistema pode usar a energia e a matéria que lhe fluem temporariamente para fazer frente à entropia e, assim, criar ordem, estrutura e padrões por um período de tempo. Assim, comparativamente aos sistemas fechados, os sistemas abertos são muito mais complicados de lidar analiticamente, na medida em que, sendo sistemas de energia livre, pode ser impossível prever seu resultado final, ou até mesmo se atingirão um estado final.Segundo Beinhocker:
A presença de energia livre é o que habilita um sistema adaptativo complexo […] a permanecer
longe do equilíbrio, a criar ordem e ser dinâmico no decorrer do tempo. Se essa energia for removida, a entropia predomina e o sistema decai, e eventualmente atinge um estado estático ou de equilíbrio. 45 (BEINHOCKER, op. cit., p. 70).
A desconsideração da 2ª L.T. por parte dos marginalistas e de seus sucessores teria levado a uma classificação inadequada do sistema econômico e, consequentemente, a um tratamento teórico igualmente inadequado. Como adverte Gleiser (2002, p. 13), “Para sistemas dinâmicos complexos, equilíbrio é igual à morte, o fim de sua evolução.”
Ainda sobre esse ponto, Foley complementa que sistemas auto-organizados, complexos e adaptativos, não podem ser ditos em estado de equilíbrio, nem no sentido clássico, nem no sentido termodinâmico. A auto-organização não pode ser observada em um sistema dinâmico estável, porque, nesse caso, as estruturas tendem a entrar em colapso no estado de equilíbrio, tampouco em um sistema completamente instável localmente, resultando
43
Para mais detalhes, vide Foley (2003).
44
Um entendimento mais detalhado a respeito de sistemas abertos emergiu gradualmente ao longo do século XX e se acelerou com a contribuição do químico russo Ilya Prigogine nas décadas de 1960 e 1970 (BEINHOCKER, 2006, p. 70).
45“The presence of free energy is what enables a complex adaptative system […] to stay away from equilibrium,
create order, and be dynamic over time. If you remove that energy, then entropy takes over and the system decays and eventually reaches a state of stasis or equilibrium.”
num sistema dinâmico caótico,46 pois, nesse caso, suas estruturas tendem a se dissipar rapidamente. Retomando o conceito de entropia, sistemas complexos, dos quais emergem a propriedade de auto-organização, não são caracterizados nem por equilíbrio de entropia zero (clássico), nem por equilíbrio de entropia máxima (termodinâmico). Nas palavras do autor,
“Estruturas auto-organizadas refletidas em alguns agregados se auto-reproduzem de maneira ordenada. Mas o sistema como um todo está em constante processo de desenvolvimento.” 47
(FOLEY, op. cit., p. 13-14).
Portanto, como a economia não é um sistema fechado equilibrado, e sim um sistema
aberto desequilibrado ou um sistema complexo adaptativo, devem ser abandonadas as
restrições analíticas impostas pelo método de equilíbrio. Sistemas fechados equilibrados não se auto-organizam espontaneamente, não geram padrões, estruturas e complexidade, e, menos ainda, criam novidade constantemente. Como diz Beinhocker:
O crescimento da atividade econômica desde a Idade da Pedra tem sido uma longa história de um embate, em grande escala, contra a entropia - algo que só poderia acontecer num sistema aberto desequilibrado.48 (BEINHOCKER, op. cit., p. 71).
Diretamente relacionada à complexidade de um sistema, está a sua não linearidade. Uma característica importante dos sistemas não lineares dinâmicos é a sua sensibilidade às condições iniciais, pois as não linearidades fazem com que pequenas diferenças nas condições iniciais sejam magnificadas ao longo do tempo e assim, ao menos que se saiba o estado inicial do sistema com grande precisão - o que, vale dizer, em se tratando de sistemas complexos, dificilmente acontece -, não há como saber o seu resultado final. Outra característica relacionada, e igualmente importante, é a dependência de trajetória - a qual, sinteticamente, significa que a história importa -, que faz com que quaisquer mudanças na cadeia de eventos possam levar a um resultado muito diferente do que se esperaria antes de sua ocorrência. Essas duas características juntas fazem com que sistemas dinâmicos não lineares49 sejam difíceis de lidar e, em muitos casos, torna-se impossível prever seus resultados.
Apesar dos economistas terem reconhecido a existência de não linearidades, tem sido deveras complicado incorporá-las aos modelos de uma forma dinâmica. Porque os sistemas dinâmicos não lineares não eram satisfatoriamente compreendidos até recentemente, a
46
Sistemas dinâmicos caóticos são localmente instáveis, mas globalmente estáveis.
47 “Self-organizing structures reflected in some aggregates reproduce themselves in an orderly fashion. But the
system as a whole is in constant process of development.”
48“The growth of economic activity from the Stone Age until now has been one long story of fighting entropy on
a grand scale - something that could only happen in an open disequilibrium system.”
49
Importante notar que o estudo de sistemas dinâmicos não lineares ganhou força a partir das décadas de 1960 e 1970 do século XX, quando a combinação de novos ferramentais matemáticos e computacionais reabriu seu estudo (BEINHOCKER, op. cit., p. 107).
Economia Tradicional enfrentou a questão por meio da utilização de relações não lineares em modelos estáticos, ou por meio de relações lineares em modelos dinâmicos, possibilitando, desse modo, a construção da solução das suas equações. A linearidade está correlacionada com ordem, previsibilidade, causas e efeitos interligados, e conhecidas leis universais que levem ao alcance de resultados considerados desejáveis - leiam-se, resultados de equilíbrio. Sob essa perspectiva, as partes constituintes de um sistema forneceriam indicações úteis a respeito do modo de comportamento do todo.
Já a Abordagem da Complexidade, por meio da utilização de ferramentais matemáticos e simulações computacionais desenvolvidas recentemente, procura reconhecer e modelar o sistema econômico como não linear e dinâmico - embora, obviamente, seja um método sujeito a problemas e ainda em processo de desenvolvimento, dado seu caráter relativamente recente. Nesse sentido, Rihani e Geyer (2001) argumentam que a Abordagem da Complexidade se situa no meio do caminho entre o positivismo, que implica que o domínio total da natureza é possível, e o pós-modernismo que, em essência, implica a inação social. A perspectiva da Abordagem da Complexidade aceita que os indivíduos possam agir de forma positiva para melhorar sua condição, mas reconhece que haja limites estritos à previsibilidade e à ação.
No âmbito econômico, os processos e fenômenos complexos emergentes parecem ter ao menos três causas principais: o comportamento dos agentes do sistema, a estrutura institucional do sistema e fatores exógenos ao sistema. As restrições colocadas pelo seu método reducionista teriam levado o mainstream a conceder uma ênfase desproporcional à importância explicativa dos fatores exógenos. Mesmo porque, partindo da hipótese de agente racional maximizador e de métodos analíticos de equilíbrio, as implicações dinâmicas da