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4   Teori

4.3   Interaksjonistisk  forståelse  av  spørsmål

A população de interesse para uma valoração pode ser dividida entre usuários e não- usuários do recurso, como por exemplo, pessoas que visitam ou visitaram um parque, e aqueles que apenas sabem de sua existência e/ou importância. Os usuários apresentam valores de uso, de opção e de não-uso. Não-usuários apresentam valores de opção e de não-uso, podendo também nem ter uma DAP considerável. Assim, muitas vezes é assumido, ceteris paribus, que usuários tenham uma DAP diferente do que não-usuários. Existe então a questão de se o decaimento por distância deve ser aplicado tanto para usuários como para não-usuários.

A estimação do decaimento dos benefícios segundo a distância pode ser diferente para usuários e não-usuários, já que o valor de uso está mais ligado à distância do recurso do que o valor de não-uso (HANLEY et al., 2003). Por isso, a extensão do mercado hipotético será diferente para populações que tiveram seu valor de uso e não-uso afetados. Além disso, dependendo da “intensidade” do programa, espera-se haver diferentes áreas de jurisdição econômica, já que programas para pequenas melhorias podem não ter efeito sobre moradores distantes, enquanto grandes melhorias podem afetar uma área maior (BATEMAN et al., 2005).

Para usuários, é esperado que conforme a distância aumente, o custo de transporte aumente, aumentando também a presença de substitutos, diminuindo assim os custos de oportunidade. Entretanto, isso não significa necessariamente que os benefícios diminuam. Assim, não deve ser considerado a priori que o efeito de decaimento de distância para usuários ocorra, devendo por isso ser testado.

Já para não-usuários, também não é claro que os valores da DAP devam cair com a distância. Apesar de que possa haver algum senso de identidade cultural para aqueles que vivam mais próximo do lugar analisado, a base teórica para uma generalização do tipo não é clara.

O que é claro é que quanto maior a distância, maior é o custo de oportunidade, o que faz com que haja duas tendências: Que o número de usuários decline; e que a proporção de usuários sobre não-usuários também decline. Como usuários tendem a ter DAPs maiores que não usuários, o resultado observado é de que há uma diminuição na DAP média conforme a distância do recurso aumente (BATEMAN et al., 2005).

A revisão de literatura feita em Bateman et al. (2005) mostrou que a grande maioria dos estudos encontrou relação significativa entre a DAP dos entrevistados e a distância em relação ao recurso. Entretanto, isolando apenas os não-usuários, não houve consenso. Uma possibilidade é que a própria diferença da natureza dos bens ou projetos avaliados em cada pesquisa possa ter diferentes relações com não-usuários. A análise dos valores dados por usuários e não-usuários pode ser abordada devido aos diferentes parceladas de atribuição de valor de uso e não-uso, uma vez que o valor de uso é restrito a usuários, enquanto não usuários tendem a derivar apenas valor de não-uso e valor de opção de uso de um recurso.

4.4.1.VALORES DE NÃO-USO

A inclusão ou exclusão de valores de não-uso podem ter um grande impacto sobre o uma valoração e no ordenamento das alternativas mais preferíveis (Loomis, 2000). Valores de não-uso são mais difíceis de agregar, porque são possuídos por potencialmente qualquer um. Por exemplo, um projeto que envolva algum recurso natural que tenha um valor simbólico para um país pode gerar um valor de não uso a ser considerado para toda a sua população, não apenas para aqueles que vivem mais próximos deste.

Para bens que tenham primordialmente valores de uso passivo, subgrupos que tenham algum interesse particular pelo bem podem ser também um fator dominante para a seleção da população em relação à distância geográfica.

Alguns estudos defendem a falta de evidência de que, para não-usuários, o valor de não-uso decaia com a distância, embora possa ser defendido que é possível que haja maior identificação “cultural” ou de “propriedade” de um bem mais próximo (BATEMAN et al., 2006).

No estudo de Kniivilla (2006) não foi encontrada diferença significativa entre usuários e não-usuários nem em relação às DAPs, nem em relação à atitude ambiental, motivos, desejo de visitas futuras e entre versões do questionário. Assim, a análise mostrou que a hipótese testada pelo estudo de que respostas de não-usuários seriam menos válidas não teve suporte dos dados observados.

Já o estudo de Bateman et al. (2003) encontrou DAPs diferentes para usuários e não- usuários, e relação de decaimento de distância significante para os dois grupos. Os valores de não-usuários, por sua vez, apresentaram um decaimento de distância menos intenso do que dos valores de uso para o bem mais específico (um rio), enquanto não foi significativo para o mais inclusivo (conjunto de rios da região), apresentando também maior efeito ‘parte-todo’ do que o observado para os usuários prévios, ou seja, foi os valores do bem menos inclusivo se aproximou mais do bem mais inclusivo.

4.4.2.VALORES DE USO

Para usuários, conforme a distância e o tempo de viagem aumentam, os custos de se ter acesso ao bem também aumentam. Além disso, é possível que a disponibilidade de substitutos aumente quanto maior a distância, diminuindo o custo de oportunidade dos indivíduos. Porém, esses são aspectos relacionados aos custos, não refletindo variações nos benefícios. Os benefícios de alguém que viaja uma grande distância para ir a uma cachoeira será possivelmente maior do que o a média de um morador da vizinhança local. Entretanto, há também a possibilidade do benefício do recurso já haver sido internalizado pelo morador pela sua própria escolha de morar próximo ao local.

Os resultados da pesquisa de Hanley et al. (2003) apontam para a existência de um efeito significante de decaimento da DAP por distancia, existindo um efeito de decaimento por distância mais forte para valores de uso que para valores de não-uso. Entretanto, no cenário mais amplo proposto em sua pesquisa, composto por todo o conjunto de rios de uma região, não foi identificado decaimento por distância. O benefício segundo a distância seria muito difuso devido à variação na distância entre todos os rios e seus visitantes. Mesmo permitindo efeitos de decaimento por distância, existe um efeito parte-todo, especialmente no caso dos valores de não-uso. Cada componente do conjunto mais abrangente é um substituto próximo dos demais. É esperado que o valor da soma de valorações individuais seja maior do que da valoração do conjunto como um todo.

Outro tema sobre os valores de uso se refere ao envolvimento prévio com algum tema referente ao recurso, que também pode ser um indicador da validade dos valores declarados. Um outro critério para a definição de usuário, além da que se refere à se houve ou não visita prévia ao local, é a de se o respondente já buscou saber algo sobre o tema do projeto. Segundo Johnson et al. (2001), estar ciente sobre o recurso e demandar informação sobre o dano são condições necessárias para a existência de perdas compensáveis de não-uso, ou seja, que realmente afetarão o bem-estar da pessoa. Por isso, a agregação para toda a população não seria razoável, pois muitos de seus membros não estão nem cientes da existência de um dano ao recurso (KNIIVILA,

2006). Por isso, o autor defende que a DAP seria menos válida para aqueles que não tenham informação a priori sobre o recurso, sendo mais válida para os que de fato utilizam-no ou mesmo que não o utilizam, mas que mostram alguma preocupação prévia sobre o assunto, obtendo alguma informação a respeito.

4.4.3.VALOR DE OPÇÃO

É comum se considerar que respostas de entrevistados que não tenham nenhuma experiência prévia com o recurso valorado sejam pouco confiáveis ou mesmo inválidas. Os motivos de valor para não-usuários estão relacionados com valores de não-uso, ou com o valor de opção (uso futuro), enquanto, para usuários, estaria proporcionalmente mais ligado com o valor de uso direto.

Parte da literatura diz que pode haver uma diferença na validade das respostas entre usuários e não-usuários, inclusive em seus motivos de valoração, o que enfraqueceria a justificação de agregação das DAPs estimadas para incluir também não-usuários, que é a prática normal em MVC.

Kniivila (2006) testa as hipóteses de que: (i) O uso do recurso aumenta a validade das respostas do MVC; (ii) O uso do recurso, ou intenção de usá-lo no futuro aumenta a disposição a apoiar causas de conservação; (iii) Motivos de usuários e não-usuários são diferentes, entretanto, espera-se que o valor de não-uso seja importante para ambos os tipos.

Nesse estudo, não foi encontrada diferença significante entre as DAPs de usuários e não-usuários do recurso questionado, um parque, nem em relação à atitude ambiental, motivos, desejo de visitas futuras e entre versões do questionário. Por outro lado, foi encontrada diferença significativa entre pessoas que tinham a intenção de visitar o local no futuro e aquelas que não tinham, inclusive para aqueles que já haviam ido ao local anteriormente. Assim, a utilidade esperada para o futuro, que reflete o valor de opção, faz com que as pessoas estejam menos dispostas a perder o recurso, retendo a oportunidade de usá-lo, sendo um motivo forte e significante para uma DAP maior (KNIIVILA, 2006).

A análise mostrou que a hipótese de que respostas de não-usuários ser menos válida não teve suporte dos dados observados. Assim, a exclusão de não-usuários levaria a uma subestimação significativa dos benefícios da conservação.