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M. Merleau-Ponty’s phenomenology of the body

7.4.2 Intensive care nursing—an interpretable practice

Conhecer o perfil do profissional a ser formado pela instituição de ensino foi uma das primeiras abordagens para a compreensão dos principais desafios da formação profissional. A partir das falas pronunciadas a seguir, nota-se que o perfil do bibliotecário tem como referência, além da biblioteca tradicional, a atuação em outras unidades de informação. Já os cursos de sistemas de informação têm como referência de perfil do egresso um profissional menos especializado em Ciência da Computação, com o conhecimento apenas do arcabouço prático e multidisciplinar, por transitar nas áreas de Administração, Contabilidade e Gestão da Informação. Os cursos de Ciências Contábeis apresentam ênfase no mercado de trabalho e suas especialidades.

Formar bibliotecários para atuarem nas mais diferentes unidades de informação que têm o mesmo objetivo de uma biblioteca tradicional [...] organizar, disseminar e conservar aquela informação, não importando o suporte (UFMG- BIBLIOTECONOMIA, 2010).

O perfil do contador, nós chamamos hoje de “contador premium”, em função da visão de mercado e da visão acadêmica de aproximação do aluno de graduação com a pós-graduação, especialmente stricto sensu (UFMG-CIÊNCIAS CONTÁBEIS, 2010).

Dar formação básica introdutória, gerencial e complementar. [...] Nos segmentos que nós temos de perícia, de planejamento fiscal tributário com formação específica na área pública, de auditoria. E, além disso, pessoas voltadas para a procuradoria, que é outro foco do nosso projeto pedagógico (PUCMINAS-CIÊNCIAS CONTÁBEIS, 2010).

Uma formação mais multidisciplinar que o pessoal da computação. [...] Então, o que pauta o curso é a multidisciplinaridade. A gente tem a formação da solução computacional que ele pode aplicar ao problema, mas tenta dar a ele também a visão do problema em si. Então, você tem o problema da parte administrativa da empresa, da parte de gerência de recursos humanos, da parte de gerência da informação. O profissional que sai conhece tanto as soluções computacionais, mas conhece um pouco mais também do problema em si que a empresa tem (UFMG-SISTEMAS DE INFORMAÇÃO, 2010).

Formar profissionais que tenham todo o arcabouço prático da Ciência da Computação e que entendam da gerencia de negócios, para poder atuar em um negócio (PUCMINAS-SISTEMAS DE INFORMAÇÃO, 2010).

Quanto aos principais desafios da formação profissional, os cursos de Sistemas de Informação e Ciências Contábeis expressam uma preocupação com o mercado de trabalho e o curso de Biblioteconomia revela a grande dificuldade em imprimir uma identidade profissional ao curso. A fala a seguir demonstra a preocupação com a identidade em biblioteconomia, dando destaque à dificuldade em ter professores que sejam bibliotecários e ensinem as técnicas tradicionais exigidas pelo mercado de trabalho.

Eu acho que o maior desafio é a identidade do curso. Isso não é só aqui na UFMG, é no país todo. Ele (Biblioteconomia) está perdendo a identidade dele. Por que ele tá perdendo a identidade? Porque estão entrando muitas pessoas de outras áreas para ensinar no curso de Biblioteconomia. As universidades, principalmente as federais, exigem que as pessoas tenham titulação, e a maioria dos bibliotecários não chegam a alcançar a titulação acadêmica em um número suficiente para repor as perdas docentes que os cursos estão tendo. Então, as pessoas que davam aula há muitos anos estão se aposentando. Os concursos são abertos, e eles pedem alguém formado em Biblioteconomia com a titulação. Não tem. Então, eles abrem para pessoas formadas em qualquer coisa, mas que tenham mestrado ou doutorado em ciência da informação. [...] Acaba que se forma um profissional que não domina mais as técnicas como os profissionais antigos dominavam. Eles caem no mercado e acabam tendo que aprender o que não aprenderam aqui. Nós temos muitas dificuldades, não que pessoas de outras áreas não sejam bem vindas [...] o problema é que a quantidade de pessoas de outras áreas está se tornando, às vezes, superior à quantidade de bibliotecários. Aí, as disciplinas específicas do curso ficam prejudicadas e a formação também. Infelizmente, está acontecendo muito, e não é só aqui; é no Brasil todo (UFMG-BIBLIOTECONOMIA, 2010).

A Associação dos Bibliotecários destacou que a instituição formadora credencia bibliotecários para o exercício da função apesar da mudança do nome da escola. Tal afirmação revela a expectativa dos profissionais atuantes no mercado em manter a identidade do bibliotecário em sua formação.

A profissão não mudou porque a legislação não mudou. O que pode mudar é o nome da escola, mas o profissional forma-se bibliotecário. Ele recebe um certificado que é bacharel em Biblioteconomia. Então, lá na empresa se contrata para ser diretor, secretário, profissional da informação, analista da informação, o que for! É outra coisa, mas ele é formado como bacharel em biblioteconomia (ABMG, 2010). A preocupação identificada pelo curso de Sistemas de Informação da UFMG revela a

necessidade de aproximação com os empresários. Entretanto, a expressão “trazerem para a

gente aqui” sinaliza a percepção do coordenador de curso de que o mercado é que deve

reivindicar melhorias, indo até a instituição de ensino. A segunda fala apresentada revela a circunstância de seleção de alunos em um curso noturno de instituição privada, em que o processo de seleção é menos concorrido do que nas instituições públicas.

O maior contato com o mercado. As empresas trazerem para a gente aqui as demandas que eles têm (UFMG-SISTEMAS DE INFORMAÇÃO, 2010).

Os alunos estão chegando para a universidade com pouquíssimo conhecimento, com deficiência na matemática, no raciocínio... na formação básica! (PUCMINAS- SISTEMAS DE INFORMAÇÃO, 2010).

A instituição privada, ao abordar as dificuldades em formar o profissional de contabilidade, destaca a aceitação do mercado de trabalho, a ausência da formação técnica em contabilidade e a carência de formação no ensino médio. A instituição pública chama atenção para a dificuldade em implantar as diretrizes curriculares que demandam uma tendência quantitativa mais acentuada na formação.

A maior dificuldade é dar condições a esse aluno para uma boa aceitação no mercado de trabalho, com salários competitivos (PUCMINAS-CIÊNCIAS CONTÁBEIS, 2010).

Compreensão da necessidade de atendimento das diretrizes curriculares, principalmente no que tange à questão quantitativa. Os cursos de Ciências Contábeis, de um modo geral, tinham uma tendência quantitativa mediana ou até fraca [...] Hoje, nós estamos com uma formação profunda, bastante consistente [...] um contexto que vai muito além daquele profissional que a gente formava para colocar dentro da empresa. Esse cara hoje tem uma visão muito mais consistente, muito mais financeira, muito mais gerencial do patrimônio da organização (UFMG- CIÊNCIAS CONTÁBEIS, 2010).