• No results found

CHAPTER 4 – PRODUCT CONCEPT GENERATION

4.4 THE BUOY CONCEPT

Engenheiro pelo ITA, ocupou cargos de direção em

instituições inanceiras de 1966 a 1991, no Banco Comercial do Estado de São Paulo, no Banco Mercantil do Estado de São Paulo, no Citibank e, por 17 anos, no BFB - Banco Francês e Brasileiro. É consultor para assuntos de TI e Planejamento Estratégico e, desde 2004 colabora com a Febraban como consultor da comissão organizadora do Ciab Febraban.

55 Comecei em 1966 no Banco Comercial, como era conhecido um dos bancos

mais tradicionais de famílias paulistas. Sua sede ocupava o espaço todo entre a XV de Novembro e a Rua Boa Vista, no Centro de São Paulo. Num amplo saguão os clientes eram atendidos no balcão, recebiam uma senha e, depois dos docu- mentos transitarem pelo interior da agência, eram chamados para o caixa-paga- dor, que trabalhava numa espécie de guarita, portando sempre uma viseira e só manuseando numerário. Era assim que funcionavam todos os bancos no Brasil.

As máquinas utilizadas na retaguarda dos caixas eram as tabuladoras Ruff, onde eram registradas as movimentações das contas correntes. Uma crema- lheira posicionava a cartela do cliente até a linha do último lançamento. O ope- rador escriturava cada novo documento que chegava, o equipamento já calcula- va o saldo, e o mais curioso é que essa cartela tinha uma segunda via carbonada que, quando preenchida completamente, era enviada pelos Correios ao cliente. Este era o extrato bancário da época.

Um dos diretores desse banco, o dr. José Bonifácio Coutinho Nogueira, que foi também o fundador e presidente da TV Cultura, seguiu a recomendação do dr. Olavo Egydio Setúbal, diretor geral do Banco Federal Itaú e de quem era muito amigo, de criar um “Centro Eletrônico”. Sem nunca ter assinado um cheque, aceitei seu convite para esse desaio. Na ocasião, o banco contava com máquinas e classiicadoras Hollerith operadas com cartões perfurados e com programação feita por cabos entrelaçados em um painel. Aí, se processava o sistema de cobrança e a folha de pagamento do banco.

O conta corrente foi o primeiro sistema a ser desenvolvido no “bureau” da IBM, que icava na Rua Araújo, também no Centro de São Paulo. Atravessávamos o Viaduto do Chá carregando as caixas de cartões previamente perfurados, con- feridos e classiicados no CPD – Centro de Processamento de Dados do banco.

O computador utilizado era um IBM 1401, com 4 KB de memória. O curioso desse equipamento era a existência de uma janelinha que você abria e onde se alinhavam oito chavinhas com as quais se podiam inserir instruções, ao vivo e em cores, no programa que estava sendo processado. Quando “dava um pau”, fazia-se um “print” da memória naquela posição, analisava-se o relatório impres-

56

so para identiicar o problema e localizava-se a posição para onde devia ser feito um “path” para que o programa continuasse a rodar. Na janelinha fazia-se, então, “cócegas nos bits” e, com isso, a máquina rolava e o problema estava resolvido.

Nesse período, o sistema operacional era constituído por um conjunto de cartões perfurados. No 1401, colocavam-se os cartões do sistema operacional, depois os cartões do programa e inalmente os cartões de dados onde os car- tões de saldo do cliente antecediam os de lançamentos do dia. O novo saldo também era perfurado em cartão após o processamento.

Na audácia (ou na ignorância) da juventude, e me reportando àquilo que al- guns bancos norte-americanos utilizavam no controle das contas correntes (os “slips”), não hesitei em pedir autorização à diretoria para introduzir no Brasil uma experiência pioneira, o “Listão” de saldos. Esse Listão apoiava-se num con- ceito que era relativamente simples: na agência convencional você usava uma tabuladora para fazer o primeiro lançamento, e, na retaguarda, numa segunda máquina era realizado o segundo lançamento. Os saldos das cartelas eram con- frontados para apurar eventuais diferenças. O sistema do Listão substituiu as duas máquinas por listagens. Na retaguarda, num relatório contendo os saldos dos clientes, era registrada à mão a movimentação do cliente naquele dia e no documento era anotado apenas o número da conta. Já o caixa pagador, após receber depósitos ou efetuar pagamentos, anotava no documento apenas o dí- gito da conta localizado num outro relatório onde constavam somente nomes e dígitos do cliente. Assim, o processo de conferência era feito pela máquina no momento da perfuração do cartão de lançamentos.

Esta experiência piloto foi implantada numa agência pouco movimentada do Banco Comercial – a agência Urbana 7, em Santa Cecília, na cidade de São Paulo. Essa iniciativa foi bem-sucedida, resultando na eliminação de todas as máquinas e de todo o processo de conciliação. O impacto nos serviços das agências foi muito grande e a qualidade do atendimento melhorou muito. Esta solução foi estendida a todas 80 agências do banco, sendo que, para aquelas situadas a mais de 200 quilômetros de São Paulo, onde não havia condição de serem transportados no mesmo dia os documentos para o CPD, o Listão

57 foi substituído pelo “slip”, ou seja, por uma cartela atualizada semanalmente

quando, processando-se os documentos no inal de semana, se contornava o problema do transporte. Durante a semana, essa cartela de saldos era preen- chida manualmente, com as movimentações quando considerado necessário. Muitas vezes não se atualizava a posição do cliente, pois os colaboradores das iliais conheciam bem os clientes.

O primeiro computador de instituição inanceira no Brasil da série 360 da IBM foi um modelo 25 instalado no Banco Comercial. Os modelos 360/30, que foram contratados pelo Federal Itaú e pelo Banco Brasileiro de Descontos, por uma questão de produção, chegaram depois. Para se ter uma ideia da melhor performance do equipamento, a contratação do IBM 360 dava direito a 80 horas gratuitas de teste de programas. Como essas máquinas ainda não haviam che- gado ao Brasil desenvolvemos os sistemas no IBM 1401 com direito a 6 vezes o número de horas de teste do IBM 360. O sistema operacional passou a ser o TOS - Tape Operating System, mais tarde substituído pelo DOS - Disk Opera- ting System, com a chegada dos discos magnéticos.

O Banco Comercial do Estado de São Paulo fundiu-se com o Banco Brasul em 1970, formando o Banco Comercial Brasul. Em 1971, foi vendido e jun- tamente com o Banco BIG Univest transformou-se no BUC - Banco União Comercial. Naquela ocasião, eu saí desse novo banco, que sobreviveu até 1974, quando foi absorvido pelo Banco Itaú.

58

E

m 1968 fui contratado por uma consultoria para montar uma área de

Organização e Métodos no Banco Brasileiro de Descontos S.A., o Bra- desco. Essa função trouxe-me a oportunidade de conhecer e atuar jun- to a várias áreas do banco, incluindo áreas de apoio, como gráica, marcenaria e oicina de máquinas. Depois de montar o Departamento de Organização e Métodos e vários outros, como Documentação, Manutenção de equipamentos, Tecnologia da automação, Produtos eletrônicos, tive também outras oportuni- dades como diretor das empresas industriais do banco, como Commicroma- tion, Digilab, Scopus Tecnologia e Scopus.com. Saí do banco em 2002 e, para este depoimento, fui pesquisar em minhas anotações e encontrei dezenas de eventos que são marcos na automação do Bradesco e dos demais bancos bra- sileiros. Fazendo uma análise do que foi feito, ica a certeza de que é realmente fantástica a história da automação bancária no Brasil. Muitos desaios, muitas iniciativas, muita criatividade.

Certa vez tive a curiosidade de saber por que o Bradesco tinha a obsessão de estar sempre investindo na disponibilização de informações ao cliente. Conta-se que, ao fundar o Bradesco em 10 de março de 1943, o sr. Amador Aguiar e seus parceiros de Marília deiniram como princípio que o cliente tinha de se manter informado sobre tudo o que acontecia entre ele e o banco, ou seja, o banco tem de ser totalmente transparente para o cliente. E foi esse um dos princípios que nortearam a automação do Bradesco, utilizando sem- pre criatividade e as últimas tecnologias disponíveis. Conta-se ainda a histó- ria de que o sr. Aguiar era tão obcecado em manter o cliente informado que